E um salão de baile de grandiosidade nunca vista.
Para mim, e para 80% da humanidade, ainda só passou um ano e já vomitamos Trump. Fartos. Fartinhos. Mas o homem minou todo o sistema democrático americano em pouco tempo e os que, na América, o deviam afastar parecem incapazes e com medo de o fazer. Aliás, são os mesmos que deviam tê-lo mandado para a prisão depois da invasão do Capitólio e de conhecidos os ficheiros Epstein e não o fizeram. Estamos estarrecidos com o que se passa, sim, e, quer queiramos quer não, constantemente em sobressalto. Afinal, sem acordo, a guerra continua? Sim ou não? Trump acaba de escrever que a marinha americana vai ela própria bloquear o estreito. Ah! Brilhante. Suspense mais uma vez. Como o farão?
Não tendo sido devolvidos à Idade da Pedra, onde, se virmos bem quem os dirige e se tal não implicasse tantos mortos, seriam muito mais livres e felizes, os iranianos perceberam que as ameaças do rei laranja não valem um caracol. Apenas meio caracol que exige só um pouco de perspicácia e habilidade. Depois de destruir alguns equipamentos e instalações militares sem que os esgotasse e de levar ao encerramento do estreito de Ormuz paralisando o trânsito de petróleo, Trump ficou sem saber como sair do imbróglio em que se meteu e, preso nas suas próprias ameaças, inventou à última hora uma proposta iraniana de negociação que alegadamente teria pernas para andar, e travou a fundo. Mas quais pernas para andar? (Como era de prever, Vance e os dois bonecos animados que o acompanharam nas negociações acabam de deixar Islamabad sem nada) Os iranianos perceberam que, à semelhança dos dois C-130, o adversário ficou atolado. Além disso, parece que têm ayatollahs e guardas revolucionários que cheguem para substituir os abatidos e um aparelho repressivo sólido e ilimitado; o Trump não sabe nem saberá nos próximos tempos onde está o urânio nem tem uma estratégia credível e eficaz para reabrir o estreito de Ormuz (a ver vamos agora que se propõe tomar o estreito e eliminar as minas). Os iranianos, obviamente, vendo-o desnorteado, começam a exigir coisas. Se satisfeitas as exigências, todo o esforço de guerra de 30 000 milhões de dólares já gastos pela defesa americana terá sido em vão. Se confirmado o recuo, grande humilhação. Será a próxima cena do permanente show suficiente para fazer esquecer o descalabro? Não percamos os próximos capítulos. E andamos nisto.
Posso estar enganada e toda esta operação desembocar num belo de um apaziguamento do Médio Oriente, mas, fazendo um flash da situação neste momento, apesar da destruição, nada aponta para um futuro melhor, nem para Israel, nem para o mundo ocidental. O Irão sente-se superior por ter obrigado Trump a “fugir” (deixando-o gritar “vitória”, enquanto se riem). E pior ainda, para mal dos pecados de Israel: o Hamas diz que não desarma e continua a controlar a faixa e, dos países que prometeram juntar-se ao clube, perdão, ao Conselho da Paz para Gaza, apenas três pagaram a joia, pelo que, não tarda nada, desandam e o órgão extingue-se; o Hezbollah recuou e perdeu militantes, mas, com a permanência dos Ayatollahs no Irão, vai sobreviver e continuar a ser a frente avançada do xiismo no Líbano. Para mal do próprio Líbano e da segurança de Israel. Portanto, voltará tudo ao mesmo, em pior, se o Irão mantiver o regime e os seus protagonistas. O curioso é que o objectivo de Israel era bem claro e, desta vez, não era apenas “cortar a relva”. Sem o fim do regime anacrónico do Irão, nada muda em seu redor. Mas, com um parceiro tão desmiolado como Trump, ainda por cima vassalo do Putin, temo que não tenha sido a melhor aposta para conseguir sossego.
Sabemos que tudo o que vem da Casa Branca desde que o palhaço tomou posse é uma espécie de cena de “reality show” para cativar audiências. A própria guerra, e o seu pára ou não pára, está transformada num show mediático. E até a Melania, vinda do nada, contribuiu para o espectáculo com um número digno de registo: chama os jornalistas para lhes lembrar que, “sabem do Epstein? Pois se pensam que eu era uma acompanhante, sim, posso ter sido, e olhem aqui estou para provar ao mundo que não sei nem ler nem ouvir o que leio pois troco “circulating” por “calculating” e tudo bem”, ao mesmo tempo que deixa no ar a hipótese de se divorciar. No horizonte já se perfila também o Marco Rubio e a previsão de Cuba “next”. Enfim, é um non-stop de cenas verdadeiramente “espectaculares”. E aqueles republicanos anormais do congresso não fazem nada.
Dou a palavra ao Gary Kasparov:
Congress continues to become the Russian Duma, a willingly powerless peanut gallery deferring to the president in every way.
Tal como os posts do volupi, os da Penélope não parecem produto do chatoGPT: não imagino o prompt necessário para obter tal rol de inanidades. A lógica parece demasiado pueril, a prosa demasiado humana, a sabujice à canalha israelita-americana demasiado tonta.
É, não obstante, um facto que muita gente pensa assim. Mesmo muita gente repete estas tretas, lamenta os Trampas e os Putins, suspira pelo regresso da ‘democracia’, do ‘direito’ e da ‘ordem internacional’, ri-se sábia e altiva das ‘teorias da conspiração’, etc., sem jamais perceber que são eles a carneirada que mantém isto assim, e que há-de ser aldrabada até à limpeza final.
Que fazer a toda esta gente que assim pensa, que o diz em blogs e ‘redes sociais’, e que vota, e que quer continuar assim? Estão em maioria. Que se pode fazer?
Filipe Bastos: Dar um tiro nos miolos, talvez? Desamparar a loja?
o trump não tinha planos , porque tal e qual como a Penélope , achou que os iranianos todinhos iam gritar ” bem vindo mr marshall…”e ajudar a derrubar o “regime” . contar com o ovo no cu da galinha , acreditar nas mentiras sionistas , dá nisto.
Bienvenido Mr. Marshall, obra de arte del maestro luis garcia berlanga….
pensava que a diatribe de hoje ia ser sobre o trump ter dito que não se importava que a russia tivesse quebrado o bloqueio petrolífero a cuba, porque é um amigalhaço do putin e num sei quê da ex-união soviética.
O Orban – putinista – perdeu na Hungria.
Na ue deitam foguetes, agora talvez consigam mandar mais uns milhares de milhões para arder no sitio que a gente cá sabe.
A malta cá vai acrescentado água na sopa.
E agora que o trampa vai ajudar os persas a fechar o golf, a gasosa vai subir outra vez.
Andem a pé.
Talvez, Penélope. Ou que tal v. ler uns livros, uns sites, uns blogs… sei lá.
Ninguém nasce ensinado, levamos com propaganda todos os dias, mas temos de pelo menos tentar. Olhe, tente ler Chomsky, ou ouça-o no Youtube enquanto passa a ferro ou assim.
É um começo. Pode também tentar Zinn, Parenti, até Naomi Klein – ‘The Shock Doctrine’ será decerto uma novidade para si. Ou documentários do John Pilger, do Adam Curtis, há tanta coisa. Não há é desculpa para alguém continuar ignorante, ou ter a língua tão fundo no ânus americano.
Chomsky ? Filipe ? que mau gosto. não há nem um que não seja i infiltrado , nem o Marx.
Naomi Klein ? mas você lê o quê ? demónios ?
Esse bias anti-narizes reduz-lhe o mundo, yo. Há amplos motivos para reparar neles, de acordo, mas nem todos os judeus são demónios, nem todos os portugueses são corruptos, nem todos os alemães gostam de salsichas. Esse maniqueísmo lembra o dos piores judeus.
Chomsky tem os seus defeitos, mas não creio que ter nascido judeu – ou branco, ou moreno, ou míope – seja um deles. Tal como Marx, Trotsky, Emma Goldman ou a admirável Rosa Luxemburgo. Rejeitá-los só por isso não é intelectualmente são. Temos de ser isentos.
o meu anti narigudos amplia-me o mundo , rejeito à partida tribalistas , o meu mundo não é uma tribo , todo aquele que foi criado na tribo leva à partida o selo : não ter em conta.
Ao Filipe ainda lhe falta perceber que a colonização não foi só no mundo material, foi também no das ideias. Eu apenas pratico higiene mental.
O Irão estaria melhor numa Idade da Pedra impulsionada por Trump e o seu comparsa assassino messianico que com o Governo que tem?
Ou mataste muitas aulas de história e não sabes como era a vida na Idade da Pedra ou és presidente da União internacional dos Psicopatas lambe cus dos Estados Unidos.
E descansa que não conto dar tiro nenhum nos miolos.
OK yo, mas não se vê tal tribalismo nos judeus que referimos, ou não parece afectar os seus contributos, por ex. Chomsky: poucos expuseram de maneira tão constante e consistente os crimes dos EUA; e talvez ninguém com tanto impacto. Isso não beneficia os judeus em particular, nem quem o ouça saberá, a menos que procure sabê-lo, se ele é ou não judeu.
O mesmo para os outros: o que contribuíram em pensamento e acção (pese algumas mais questionáveis de Trotsky) foi sempre em benefício de toda a população. Terem nascido judeus não parece relevante, ou é certamente menos do que o que fizeram.
Dar-lhe-ia razão se essa circunstância fosse determinante, como acontece noutros judeus cuja influência nociva e mamona é bem conhecida; mas não vejo que seja o caso destes. Temos de dar valor ao que tem valor. E isto sem endeusar qualquer deles.
Filipe Bastos: Está visto que gostas de vir para aqui exibir o teu anticapitalismo e anarco-sindicalismo como vias para se alcançar o Nirvana. Está, porém, por demonstrar que “o controlo democrático e descentralizado das instituições pelos trabalhadores e os consumidores” e que “o poder só deve ser exercido se for considerado legítimo ” (pelos vistos pelo voto não é) e que “o capitalismo é uma forma de totalitarismo em que os trabalhadores “se alugam” para sobreviverem” (para citar rapidamente a visão política de Chomsky na Wikipedia) funcione melhor e dispense o verbo “mamar” que tanto prezas. Politicamente, Chomsky é um marxista não leninista (na mesma um lírico) que devia cingir-se à linguística. Atenção que o capitalismo e sobretudo o neoliberalismo têm tudo para serem criticados. Mas as sociedades capitalistas não se organizam todas da mesma forma e as alternativas são todas piores na prática.
está por provar que funcione melhor?!
heheheheheheh só falta dizer que também está por provar que a escravatura não funciona
as alternativas são todas piores, é parente lógico-discursivo directo de o apartheid israelita é justo e necessário porque os árabes são todos terroristas.
penélope, acho que devias visitar a líbia para conheceres as maravilhas do capitalismo sem alternativa
a China é já ali: A China pratica um capitalismo de Estado e não tem nada que ver com as teorias do Chomsky.
<<acho que devias visitar a líbia para conheceres as maravilhas do capitalismo sem alternativa<<
O melhor era visitar a terra do tio SEM seguros e experimentar simular um fanico indo a um hospital, para ver a hospitalidade lá da terra a quem tem os bolsos rotos.
Ou então esperar mais uns anos, que aqui na parvónia vai ser parecido, ou pior.
Li ontem algures que no distrito de Setubal a mortalidade infantil está em alta de novo.
Coincidencias, o que vale é que os imigrantes estão habituados a perder muitos filhos, e por isso continuam a tratar de repor os estoques.
Não sou tanto anticapitalista quanto antimama e intransigentemente igualitário, Penélope: o capitalismo é inimigo da igualdade (e da solidariedade, e do bem comum, e da maioria da população, e do planeta), logo qualquer pessoa que a valorize só pode opor-se a ele.
Se a esquerda acabar com a mama e os mamões, limitar a riqueza. trouxer igualdade e democracia real, sou de esquerda. Se for outro movimento ou outra coisa a trazer isso, serei desse movimento ou dessa coisa. Não sou anarco-sindicalista: quando muito só anarca.
O seu conhecimento destes temas, pessoas e ideias parece realmente, e não leve a mal, limitado a leituras superficiais da Wikipédia. Nada contra esta, também a uso – é um exemplo de colaboração em prol do bem comum – mas precisa de mais fontes, mais empenho, mais interesse e, se calhar, mais experiência de vida. Dei-lhe acima algumas sugestões, não perde em tentar.
«O melhor era visitar a terra do tio SEM seguros e experimentar simular um fanico indo a um hospital»
Não é preciso ir ao hospital: basta precisar duma ambulância para a borboleta Penélope ficar a saber o que custa a vida nos seus caros Estados Unidos dos Mamões. Há quem desfaleça na rua e recuse ambulância porque sabe que depois não vai conseguir pagá-la.
Ter filhotes também não sai barato: há quem receba facturas de dezenas de milhares. E se for diabética e precisar de insulina, aproveite e compre vaselina para facilitar a extorsão de $100 por frasquinho, e é se não for para certas marcas. É o mercado a funcionar!