Mas o que é “recusar o Memorando”?

Em primeiro lugar, qual o memorando que recusam? O inicial, a sua quinta versão ou todo e qualquer memorando? Ou será que recusam o Memorando por só agora verem as suas consequências? Isto tem que ser esclarecido, malta.

Caso não se lembrem, foi também por vossa responsabilidade que o país se viu obrigado a pedir um empréstimo externo que todos sabiam vir acompanhado de condições. Estas condições são historicamente tão tenebrosas que José Sócrates, como qualquer político responsável e patriótico, resistiu até ao limite a dar tal passo. Merecia que lhe dessem ouvidos e o apoiassem, pois estava completamente certo. O Bloco vir agora pugnar pela recusa do Memorando só pode significar uma de três coisas: ou são imaturos e ignorantes do historial do FMI e da visão punitiva e moralista dos europeus do norte (em boa medida, mas não exclusivamente, por conveniência eleitoral), ou querem dizer que estão arrependidos de terem contribuído para esta humilhação (para o que já vêm tarde), ou querem simplesmente dizer que Portugal não devia ter pedido empréstimo algum, não devia ter assinado documento algum e, presumo eu, devia ter ali e logo proclamado a revolução (mesmo sem apoiantes) e o fim do capitalismo em Portugal. Obviamente, a saída do euro e da União Europeia (coisa que nunca dizem). Terá sido por isso que não foram às primeiras conversas com a Troika? Mas onde está a coerência, se foram depois às segundas?

Como não chamar radicais, juvenis, agitadores e gigantones aos militantes desta corrente?

19 thoughts on “Mas o que é “recusar o Memorando”?”

  1. antes queriam mais deputados para aumentar a irresponsabilidade, como não resultou, agora querem mais irresponsabilidade para ser governo.

  2. Ola,

    Longe de mim pretender falar em nome dos outros mas, para simplificar, eu diria que :

    1. A resposta mais rigorosa (à questão : qual é o memorandum que recusam ?) e pratica parece ser : a antecipação do MOU feita no PEC IV.

    2. A pergunta que legitimamente se coloca é : qual seria, então, a alternativa ?

    Este comentario não tem nenhum intuito polémico, apenas procura, sem grande esperança de o alcançar, colocar o debate em termos construtivos.

    Num pais normal, o mais expediente seria colocar a questão perante as politicas decididas hoje. Mas como sabemos, é radicalmente impossivel debater friamente esta questão, dada a inexaurivel propensão da mente lusa para se afogar na questão idiota das “culpas”…

    Boas

  3. Exatamente. Estes sãos os radicais, e os outros os responsáveis, maduros, ordeiros e visionários. De facto, o PS, PSD e CDS são os únicos que nos podem retirar deste lamaçal económico em que o BE nos deixou. A sua irresponsabilidade em recusar desde sempre o MoU, PEC’s e derivados de políticas recessivas, consubstanciou-se nesta situação financeira e social quase irreversível. Não é que o BE continua a recusar o “memorando” e os seus derivados porque, vejam os juvenis radicais, afirmam (e afirmaram) que não há condições financeiras, económicas e sociais para o cumprir. E que alternativa de então é a alternativa de amanhã: renogociar/reestruturar e apostar em políticas de estímulo económico? Parvos, sinceramente espero um governo de “salvação nacional” que incorpore os responsáveis do PS/PSD e CDS. Só estes, apostando em austeridade (com o grau a combinar) e prometendo pagar o impagável iremos caminhar para prosperidade. Repare, foram quase quatro décadas de crescimento e felicidade que o BE conseguiu em 10 anos destruir com as suas políticas irresponsáveis, contra-producentes e infantis. O pior foi mesmo votar contra o PEC IV. Um plano que nos salvaria deste resgate. Mesmo os votos do BE não contarem para nada, é o acto político que conta.

  4. João Viegas: O PEC 4 pretendia ganhar tempo e, sim, impedir mais um resgate. Mas não dizes qual seria a alternativa ao PEC4, estando nós na União Europeia. Será que era a demissão do Governo meramente perante a perspetiva de “ajustamentos”? Ficaríamos como hoje, pois haveria na mesma eleições e nem sequer tentaríamos uma via mais branda nem faríamos valer a nossa causa na Europa. Repara que à UE também não interessava o afundamento de mais um país.

    Zé: Mal posso esperar por vos ver num governo. Infelizmente, a avaliar pela Convenção, continua a ser mais cómodo permanecer puro e a protestar. Até que a população compreenda a vossa mensagem e aceite um regime hediondo que a história já varreu.

  5. Penelope, uma coisa é negociarmos metas com a Comissao, outra coisa é deixar que a comissão defina uma politica economica, a do PPE.Nós não votmámos em barroso, votámos (na altura) em sócrates.Não estava em causa a necessidade de haver um pec, mas sim as medidas recessivas e de caracter neoliberal que o pec continha.
    Demitir-se perante a perspectiva de “ajustamentos”.Se esses ajustamentos significassem a implementação da politica destrutiva do PPE, que arruina a economia,porque não?
    Mas a solução nesse caso tinha sido negociar o conteudo do pec IV, com os partidos, coisa que não aconteceu lamentavelmente.
    Deixo este artigo do Ricardo Paes Mamede no Ladroes de bicicletas.Vale a pena ser lido:
    http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2011/03/momento-da-verdade-para-esquerda.html

  6. a sucessão dinastica de f. louça foi o esplendor da arrogancia. discute-se se querem fazer alianças com o ps sem saber se o Ps está interessado!.Obama disse “que o melhor esta´para vir” o historiador fernando rosas, não quis ficar atras e ,decretou a subida ao poder da sua esquerda em breve. Daniel oliveira perdeu,mas ganhou o futuro,por que a a politica que se vai seguir é sem luz no inicio no meio e no fundo do tunel.

  7. rr: Vê lá não te inebries com tanta poeira lançada. Para partidos como o BE e o PCP, tudo o que seja redução do funcionalismo público, aliás, tudo o que seja contra a nacionalização e a estatização da economia e, por inerência, da propriedade, é um “ataque inaceitável às classes trabalhadoras e aos seus direitos”. A mais pequena busca de eficiência ou de poupança na coisa pública, a mais pequena privatização, é imediatamente um “casus manifestationis”. Enquanto não revirem os vossos princípios não há entendimento possível com o PS. Podem apontar injustiças aqui e acolá, e fazem bem, formular belas frases, e nessa base manter alguns lugares políticos na Assembleia e nos partidos, mas a visão da sociedade que partilham é, só por si, um poderoso travão à vossa subida ao poder pela via democrática. Mas estou convencida de que estão bem assim, nem saberiam o que fazer de outra maneira.

  8. Ola,

    Bom, vejo que, conforme eu previa, ha dificuldades em compreender a palavra “construtivo”.

    Eu não estou a dizer que o BE teve razão, nem que deixou de ter razão. Estou apenas a dizer que, se queremos construir alguma coisa, convém identificar o ponto de rotura e construir um remendo que possa assentar precisamente nesse ponto. Ora bem, o ponto de rotura foi de facto o PEV IV, tido pelo Bloco (e por muitos eleitores naturais do PS, entre os quais eu me situo) como mais um passo, e como um passo a mais, na direcção errada, numa altura em que era insofismavel (desse ponto de vista) que se tratava da direcção errada.

    Não interessa tanto saber quem teve razão, nem quem deixou de ter razão. Interessa sim, a meu ver, saber se é possivel aproximar as posições. Isto passa, como é obvio, pela correcta identificação de uma alternativa. E todos hão de convir que essa questão coincide exactamente com a unica que interessa hoje em dia : qual a alternativa ao ciclo vicioso da troika…

    Quanto ao resto, tens inteiramente razão, nada é dito no meu comentario sobre o que seria essa alternativa. Propositadamente, porque não me parece são – num pais (e num blogue) tão obcecado com a questão teologica da culpa e da redenção – começar a discutir antes de saber ao certo o que estamos a discutir.

    Boas

  9. oh viegas! escusas de explicar, já todos percebemos que nunca dizes nada e que a intenção é mesmo essa. já ouviste falar de empatas, nem coiso nem saem de cima, é isso mesmo, mais a fanfarronice para disfarçar a disfunção eréctil.

  10. :” Vê lá não te inebries com tanta poeira lançada. Para partidos como o BE e o PCP, tudo o que seja redução do funcionalismo público, aliás, tudo o que seja contra a nacionalização e a estatização da economia e, por inerência, da propriedade, é um “ataque inaceitável às classes trabalhadoras e aos seus direitos”. A mais pequena busca de eficiência ou de poupança na coisa pública, a mais pequena privatização, é imediatamente um “casus manifestationis”.
    Errata penelope: não me oponho a redução de funcionarismo publico,nem achon que tudo que se oponha á estatização da economia seja negativo.Mas tenho bem claro que sectores como a saúde, a energia, estratégicos melhor dizendo, são melhor geridos pelo estado do que pelos privados, isso é um facto inegável.E ainda mais inegável é que cortar salarios e aumentar impostos á classe média, por mais minimo que o seja, é um caminho destinado ao fracasso .Não sou do be nem do pcp, mas a tua opinião em relação a eles está contaminada de estereotipos e ideias pré-concebidas, remetendo a realidade para um lugar secundário.
    Mas pergunto-te, quem é que está demasiado radical? Será o be, ou será o ps, que na ultima década, á semelhança dos seus congéneres europeus como o spd ou o partifdo trabalhista britanico, desviaram-se para o campo do social-liberalismo , a propósito de uma terceira via, razão pela qual tirando a frança ou a dinamarca, os partidos socialistas europeus estão remetidos muitas vezes para 3ºforça politica dos seus paises, quando dantes eram a primeira?
    Estou de acordo contigo quando dizes que faz falta o be abrir-se ao diálogo com o ps, algo que o daniel oliveira por exemplo, defendeu abertamente na convencão.Mas se o be tem que fazer a sua parte na reaproximação, então o ps também tem que fazer a parte que lhe compete
    Cumprimentos

  11. “Não sou do be nem do pcp…”

    pois, já percebemos que és de um ps que tu inventaste, mas que só existe na cabeça do gerómino e do louceiro ou que afinal o comentário não é teu, mas de um gajo que anda por aí a falsificar artesanalmente esferográficas bic.

  12. ignatz,considero-me daquele ps de joão cravinho, joão galamba,antónio arnaut ou manuel alegre, tudo figuras do pcp ou do psd

  13. pois… pois… o tal livro do barroso que confessaste não ter lido ou terá sido o gajo que se faz passar por ti no blogue do amorim onde gatafunha o zé manel. já agora explica ao pessoal o que é que o galamba e o arnault têm a ver com o alegre e o cravinho.

  14. viegas, então o pec 4 era um passo na direçao errada ? pode-me dizer qual era a alternativa naquela conjuntura. ponha-se no papel de Pm.com uma crise sem precedentes nas nossas vidas,e que toca toda a gente.Todos os paises estão a sofrer ,só que o fundo de maneio de alguns é superior aos dos paises do sul e por isso ainda não chegou a hora do seus pecs ou resgates à moda da troika ( pcp bloco e direita)

  15. Caro nunoCM,

    Penso que podemos todos concordar, hoje, que o PEC IV, por si so, ou seja se considerado apenas tendo em conta o efeito das suas medidas, teria sido apenas um passo suplementar em direcção à intervenção externa.

    Eu até admito que, com uma pequena ajuda politica, ele tivesse tido os tais efeitos redentores nos quais vocês parecem ainda acreditar. So não acredito, contrariamente a vocês, que esse elemento suplementar fosse o Espirito Santo.

    Ja uma posição negocial clara (necessariamente apoiada numa base politica forte), com uma ameaça de possivel saida progressiva do Euro, isso não digo que não…

    De resto, foi esta ameaça a que o governo conservador teve de recorrer recentemente na Grécia…

    Boas

  16. “Penso que podemos todos concordar, hoje, que o PEC IV, por si so, ou seja se considerado apenas tendo em conta o efeito das suas medidas, teria sido apenas um passo suplementar em direcção à intervenção externa.”

    pensas, logo generalizas e a manada concorda. aliás, o socras negociou o pec4 porque queria a intervenção externa e como não conseguiu convencer o fmi demitiu-se. penso que podes ir à merda com essas teorias, independentemente de nem todos concordarem.

  17. “pois… pois… o tal livro do barroso que confessaste não ter lido ou terá sido o gajo que se faz passar por ti no blogue do amorim onde gatafunha o zé manel. já agora explica ao pessoal o que é que o galamba e o arnault têm a ver com o alegre e o cravinho.”
    Tás muito atrasado pá oh ignatz! Já li o que ele escreveu sim.Se foi ele que se fez passar por mim? Só deus é que sabe.
    O que é que uns teem haver com outros? São todos sociais-democratas de esquerda, que não apreciam modernismos e centrismos

  18. quando se quer “reinar” divide-se. o Ps funciona colegialmente.as grandes decisões, são tomadas por maioria nos respectivos orgãos do partido.

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