Exactamente (racismo)

Deixem as estátuas em paz

(artigo de Lourenço Pereira Coutinho, no Expresso)

E ainda:

Notas sobre racismo (eu)

 

No meio de toda a agitação que para aí vai a propósito da violência exercida sobre um negro norte-americano à vista de toda a gente, e que acabou por matá-lo, e sem questionar sequer que possa existir em muitas pessoas (incluindo polícias) um preconceito em relação aos africanos ou seus descendentes, várias perguntas me vêm à baila à boleia do questionamento da história da relação do Ocidente com África que se seguiu e sempre se segue às manifestações anti-racistas:

 

  1. Os afro-descendentes que aliam a justíssima reivindicação de um tratamento justo, igualitário e digno nas sociedades ocidentais onde vivem ao propósito de condenarem e quererem apagar o passado histórico dos “brancos”, gostariam do quê? Que o tráfico negreiro nunca tivesse acontecido e os seus antepassados tivessem permanecido escravos nos seus locais de origem? É que, se vamos analisar a história do tráfico de escravos pelo Atlântico, então será preciso reconhecer que nem os portugueses nem os ingleses, nem nenhum outro povo que se tenha dedicado ao comércio de escravos naquela altura, se aventuravam pelo interior de África em busca de pessoas para capturar, escravizar e transportar (pelo menos inicialmente e durante muitas décadas), nem foi esse o objectivo da expansão marítima portuguesa. Essas pessoas, já feitas escravas segundo as leis da sobrevivência e da guerra vigentes na altura em quase todo o continente africano, eram-lhes trazidas à costa por africanos em troca de outras mercadorias. No entanto, não vejo qualquer revolta contra os dirigentes africanos de então nem tentativas de identificação dos mesmos. Não será isso um pouco o reconhecimento da superioridade dos brancos, que por isso teriam obrigações que os chefes africanos não teriam? Não é isso aberrante?

Não, não estou a dizer com isto que até foi uma bênção os africanos terem sido levados dali para fora e que deviam estar agradecidos por isso. Seria estúpido, sobretudo atendendo ao carácter  nada voluntário das viagens e às condições desumanas de transporte. Possivelmente, o que os agora revoltados gostariam é que os seus antepassados pura e simplesmente passassem a homens livres mal entrassem no barco e lhes tivesse sido oferecido um contrato de trabalho justo e habitação condigna no destino – segundo os padrões actuais. Sabemos que não foi isso que aconteceu. Porém, sabemos também que não teria sido possível que as coisas se passassem assim naquele tempo. E porquê? Se mais nenhuma razão houvera, nomeadamente os valores bem diferentes da época, basta a de que nem entre “brancos” as relações laborais eram justas! Muito pelo contrário. Quantos miseráveis embarcavam nos nossos navios de então? Não eram escravos, mas muitos dos que ficavam em terra a labutar nos campos era como se fossem. Além de que também os antepassados dos “brancos” foram escravos e durante muitos séculos, antes, durante e depois do império romano. Vamos derrubar o templo romano de Évora?

 

  1. Embora tenha todas as reservas quanto ao questionamento do passado colonialista de alguns países à luz das condições e dos valores e conhecimentos de hoje (e não esquecer que os EUA brancos começaram por ser uma colónia britânica), apoio 100% a luta contra as discriminações raciais na sociedade. A cor da pele não pode de maneira alguma ser motivo para considerar um outro ser humano inferior, prejudicando-o. Mas eu pergunto se, na América, a polícia só é violenta para os negros. E sei a resposta: não é. Basta lá ter vivido uns tempos. A polícia é violenta em geral e a esse facto não pode ser alheia a liberdade de porte de armas pelos civis. Está tudo de acordo, diria eu. Os negros são apenas os mais pobres, mais vigiados e mais facilmente apanhados. Mas, por outro lado, há milhares de polícias negros nos Estados Unidos. Serão todos brandos? Será que nenhum homem branco morreu devido a maus tratos de polícias também brancos descontrolados e cruéis? Já aconteceu com certeza. E é péssimo. É inaceitável. O polícia que assassinou George Floyd deve ir preso e, de preferência, não sair mais da cadeia. Mas mantenho as minhas perguntas.

 

  1. Interrogam-se alguns comentadores da nossa praça, escandalizados, por que razão não vemos afro-descendentes nas nossas televisões, no Parlamento, etc. Também penso que devia haver e tenho pena que não haja. Mas não vou tão longe ao ponto de considerar que essas pessoas não estão lá porque alguma força social as impede, como uma discriminação na hora das entrevistas de emprego ou nas inscrições em partidos políticos, como parecem sugerir os que assim se indignam. É evidente que os imigrantes das ex-colónias não vieram para Portugal por serem ricos. Demora muitos anos e algumas gerações até que a melhoria das condições de vida e a educação produzam frutos. O que não quer dizer que já não tenham produzido. Há em Portugal excelentes músicos e, seguramente, excelentes técnicos noutras áreas, de origem africana. A discriminação tem muitíssimo a ver com a pobreza e essa é a razão pela qual há mais negros nas nossas prisões. Nas lojas da Avenida da Liberdade não consta que haja racismo.

 

  1. Em suma, as discriminações em função da cor da pele devem acabar e a luta deve ser permanente nesse sentido. Mas aproveitar a luta para uma minoria ajustar contas com o passado dos chamados “brancos” (viemos todos de África, senhores) em jeito de punição, como se os chamados “negros” tivessem tido antepassados imaculados e fossem apenas vítimas dos que lá aportaram, isso é que já não. O Rui Rio não terá razão quando diz que não há racismo em Portugal, mas tem razão quando sugere que os exageros da turbamulta, nomeadamente a destruição selvagem de monumentos, farão muita gente olhar para os afro-descendentes com olhos pouco amigáveis e até com alguma revolta, a que alguns chamarão “racismo”. É pensar nisso.

58 thoughts on “Exactamente (racismo)”

  1. Pois. Se o afro- americano fosse chinês ou hispanico os tumultos teriam acontecido pelo mundo ? Creio que não. A impressão primeira que choca foi assistir a um assassinato ,filmado, que durou quase dez minutos.,sem ninguém ,e havia muita gente a assistir ,intervir.
    Agora que parece que acabaram as manifestações ( parece…) e que vêm o derrube de estátuas pelo mundo e que estão a ser mais ou menos espevitadas aqui no burgo tuga, não tarda nada que alguém se lembre das guerras de África , recentes e ainda com muita gente viva… E se isso pega pode ser mau, muito mau, mas deixem estar … que o André agradece

  2. Texto bem lúcido o de Lourenço Pereira Coutinho. Subscrevo.
    E já agora gostava de ver abordado o tema “racismo do preto e cigano contra o branco em Portugal”. Ou ainda não repararam que ele existe? Já nem pretendo o mesmo em relação a países africanos.
    Sem pensar muito lembro-me que a TVI tem uma rapariga de cor. Quanto brancos tem a TV em Angola?

  3. sinceramente faz-me muito mais impressão a cena da censura em livros ou filmes , seja racismo , tabaco , ou “incorreções” sexuais.

  4. “Demora muitos anos e algumas gerações até que a melhoria das condições de vida e a educação produzam frutos”

    Como tudo o que é excessivo, a mania de andar por ai a deitar estatuas abaixo é contraproducente e deploravel, sobretudo quando, sob pretexto de reparar injustiças da historia, assenta numa ignorância desinibida, ou mesmo reivindicada, dessa mesma historia e dos seus potenciais ensinamentos.

    Isto parece-me obvio.

    Também subscrevo ao apelo à calma, até porque juglo que o que esta em causa é simples de se compreender : o racismo e as discriminações devem ser combatidos. Nesse sentido, noto que a noção de discriminação sistémica, que muitos criticam, vai na direcção certa : deixar de tratar a questão de forma maniqueista, como se se tratasse de uma luta contra brutos boçais e demoniacos, e não, principalmente, uma questão de mudança de habitos e de cultura.

    Ha depois considerações historicamente altamente contestaveis. Por exemplo, a caça e o comércio de escravos em Africa, que de facto começaram muito antes do século XV, não nasceram por geração espontânea. A escravatura so existe na medida em que existe procura…

    Mas, por amor da santa, porquê a frase acima citada, que é a negação por excelência do principio de igualdade e a justificação lamentavel de todas as inequidades ? Era preciso borrar a pintura a este ponto ?

    Boas

  5. Se há texto complacente com o racismo é este, cheio de lugares comuns e visões estereotipadas. Sim e tal mas também é preciso ter calma e tal, talvez um dia as coisas se componham….as lojas da avenida da liberdade ( está atão é top Observador) discurso do senso comum dominante.

    Se o discurso anti-racista sobre o passado é anacrónico então também é o que glorifica as figuras “estatuadas”. Aliás o que está em causa na questão das estátuas é na diferença na representatividade do papel dos glorificados(heróis) e na das pessoas racializadas(lixo).
    Ai sou só um preto/a, latino, amarelo? Então trato os teus ídolos pela consequência desse teu olhar. E aqui se vê a fragilidade do discurso dominante que não é capaz de suportar um discurso antagónico (e verdadeiro) sobre a narrativa hipócrita que construiu. Fofinhos.

  6. No Afeganistão em 2001 os talibans vandalizaram as estátuas dos Budas.
    Os talibans eram fundamentalistas.
    Na Europa em 2020 os talibans vandalizaram as estátuas do colonialismo.
    Os talibans europeus são racistas.
    Será do covid ou a malta anda mesmo a ficar parva?

  7. Caro Joe Strummer,

    De facto, a questão das estátuas é complexa : como opor a história a quem diz, muitas vezes com razão, “se fosse apenas história, e não também presente, eu não teria ganas de deitar isto abaixo” ? No entanto, pessoalmente, considero que estas iniciativas, que apesar de tudo se justificam principalmente pela vontade de dar espectáculo, são quase sempre contra-producentes. Assentam num pressuposto que considero perigoso. Combater as discriminações e o racismo devia enraizar-se na vontade de fazer parte duma sociedade igualitária, o que implica que não se pode nunca perder o objectivo, que é, ou devia ser, de paz e reconciliação. Apelar à vingança é apenas incentivar as reacções diametralmente opostas. Aceito que isso pode por vezes ser pedagógico e revejo-me nalgumas das críticas que diriges ao texto, mas não creio que isso deva ser sistematizado, porque em larga escala, e sem o necessário e difícil discernimento, as desvantágens desta postura excedem largamente as suas hipotéticas vantagens.

    Boas

  8. oh strummer,

    o discurso anti racista é anacrónico? nem pensar. nem o discurso anti esclavagista o é, ou sequer o discurso anti colonialista. o que incomoda um pouco é que aparentemente a unica preocupação com a escravatura no mundo se prenda com a “glorificação” de figuras “controversas” do passado e não com o combate ao esclavagismo que existe actualmente e que também é mais prevalente em países maioritariamente de cor e sob alto patrocinio de outros países mais ricos e maioritariamente brancos. quanto a isso nada, nem um pio, as crianças do bangladesh que continuem a fazer t-shirts baratinhas e os negros a minar cobalto pro meu smartphone porque eu tenho que postar este video da estátua vandalizada do padre antonio vieira no facebook, essa plataforma virtual/rede social que não faz nada pra promover visões racistas e de extrema direita no mundo actual.
    e quanto ao discurso histórico antagónico ao construido, gostava de pelo menos uma vez ouvir alguém de um movimento antirracista a dizer que o trafico de escravos africanos durante o periodo dos descobrimentos era alimentado por reis e senhores da guerra africanos na sua maioria negros ou árabes. mas esta realidade, a fragilidade dos auto intitulados antirracistas, como tu gostas de dizer, não consegue suportar devido ao seu proprio discurso hipócrita que entretanto construiu.

  9. Joe Strummer: Um discurso menos confuso da tua parte ajudaria à discussão. Mas enfim. Quanto às estátuas, a esmagadora maioria das que representam e visam imortalizar pessoas ligadas ao esclavagismo não foram erguidas por causa disso, mas por qualidades ou acções paralelas mas importantes e apreciadas das figuras em causa. Que “heróis” e que “lixo”?

  10. e só mais uma coisa, se o problema é a representação dos personagens indios naquela estátua, pergunto exactamente qual é esse problema, ou se estamos a falar de meras divergências artísticas, pois relativamente a isso já ouvi de tudo: desde serem indios representados como crianças (em vez de crianças indias, que supostamente teriam sido os maiores beneficiados do trabalho do homenageado), à postura de subserviência das figuras representadas – aconselho a visita à estátua do padre américo no jardim da praça da republica no porto para comparação, até ao argumento mais ridiculo, de que o problema era as crianças estarem semi-nuas! (nunca cheguei a perceber se queriam que estivessem de fato e gravata ou se achavam, tal como o facebook, que aquela nudez era um atentatdo ao pudor)

  11. João Viegas, perante o que aconteceu eram inevitáveis os protestos e para qualquer protesto ter atenção mediática é necessário ativismo e sinceramente não vejo qual o problema com as estátuas pelo menos em Portugal cuja política patrimonial é um desastre. Pinchagens em estátuas é mato e esta mesma estátua foi pintada no ano passado. O problema não é a estatua mas o contexto, o protesto foi global e teve sucesso. Primeiro alegaram o Covid, agora é a pinchagem, as peças do telejornais são um hino a manipulação e ao sentimento patrioteiro e nacionalista enquanto o PR no seu discurso diz que somos um país único e excepcional prolongando a lenga lenga salazarista. O que tudo isto também implica é que o crime contra a propriedade é muito mais grave do que um crime contra os direitos/pessoas, esse desequilíbrio está aqui também em causa e a forma como é percebido e transmitido socialmente.

    Penélope, eu explico: nas estátuas dos glorificados (alguns, não todos) são só expostos bons atributos enquanto às pessoas racializadas lhe são retirados os bons atributos (princípio da confiança) e são tratadas pela sua cor/etnia. A devolução desse olhar é : se me tratam como um escravo tenho que tratar alguns como esclavagistas, sem atributos de parte a parte. Mas é natural não perceberes um olhar vindo debaixo para cima.

    Teste, não foi nada disso que eu disse e quanto ao tráfico de escravos recomendo-te um documentário do Arte e que acho vai passar na RTP na segunda feira, bem como a opinião de vários estudiosos portugueses sobre o assunto.

  12. “No entanto, não vejo qualquer revolta contra os dirigentes africanos de então nem tentativas de identificação dos mesmos. Não será isso um pouco o reconhecimento da superioridade dos brancos,”
    Não!
    Reconhecer a superioridade dos brancos significa certificar essa suposta superioridade, né Pené? Será que concordas com a certificação?
    Por outro lado, comparar a realidade da escravatura nos EUA com as condições laborais dos brancos à época, é não ter porra de ideia nenhuma sobre o que lá se viveu.

  13. “… sobre a narrativa hipócrita que construiu.”

    a mesma que os teus avós & pais te ensinaram e que serviu para custear as baboseiras que aqui cagas do poleiro contestatário. vai dar banho ao cão, de caminho ensaboas o viegas e deixas a branquear.

  14. strummer,

    muito obrigado pela recomendação, vou ver. mas não consegues adiantar nada do que lá vem descrito? será que é mentira que a recolha dos escravos, principalmente durante os primeiros tempos do tráfico transatlantico, era feita por negros e árabes que depois os vendiam aos colonizadores brancos? será também mentira que o antigo egipto já tinha escravos (é aliás muito dificil estabelecer um periodo na história humana em que eles não tivessem existido) e, na grécia, aristoteles os considerava fundamentais para uma sociedade saudavel? devemos expurgar a filosofia de todos os tratados aristotélicos porque este era “um esclavagista”?
    mas adiante, dizes que não foi isso que disseste, imagino que referindo-te à escravatura que actualmente se mantém pelo mundo e não é minimamente objecto de contestação nestas manifestações, mas então o que disseste tu? que nas estatuas são exacerbados os traços positivos dos homenageados? oh surpresa! será que nas pinturas de napoleão deviam tê-lo feito ainda mais pequenino, para rigor histórico? parece-me um argumentário nascido de uma ingenuidade gritante. e quanto aos outros personagens – uma vez que já perguntei e fiquei sem resposta, o que é que naquela estátua retira bons atributos aos índios lá representados? não consigo perceber e agradecia que elaborasses.

  15. Não, não me estou a referir a forma como as minorias como estão representadas nas estatuas embora isso também possa ser importante. Estou a referir-me a diferença da forma como são representados e tratados socialmente.

    Já agora vejam como os diversos estados americanos estão a substituir as suas estátuas no Capitólio.

    https://www.arkansasonline.com/news/2019/apr/11/daisy-bates-johnny-cash-statues-headed-us-capitol/

    https://mobile.reuters.com/article/amp/idUSKBN23J30N?__twitter_impression=true

  16. Lá estamos nós a discutir o sexo dos anjos.
    O que é que tem a ver a beira da estrada com a estrada da beira?
    Houve umas estátuas que foram vandalizadas, ponto.
    Confundir os actos de vandalismo com racismo é pura especulação.
    Tentar justificar esses actos com estorietas mal amanhadas sobre o esclavagismo é estar a certificar o vandalismo em si.
    Punir os responsáveis é simplesmente a atitude correcta.

  17. “Já agora vejam como os diversos estados americanos estão a substituir as suas estátuas no Capitólio.”

    a américa serve-te de exemplo? conheces algum americano rico que não tenha escravizado & explorado trabalhadores? os herdeiros com estátua não contam. quando o mao fez o mesmo na china os que hoje aplaudem estavam na bancada dos apupos.

  18. Penélope,

    E a minha pergunta relativa à frase “demora muitos anos e algumas gerações até que a melhoria das condições de vida e a educação produzam frutos”, esqueceste, ou achas que quem pensa que o filho dum labrego tem alguma hipotese de chegar a qualquer lado apenas com trabalho e dedicação, so pode estar bêbado ?

    Boas

  19. Tantas palmas bateste aos que derrubaram as estátuas de Marx, Lenine, Estaline,etc….
    Águarrás no dos outros !

  20. João Viegas: Tens dúvidas de que a escolaridade e as habilitações académicas subtraem pessoas da marginalidade e da pobreza? E duvidas de que a atribuição de importância a essa questão pelas famílias é determinante mas infelizmente não é automática? Isto parece-me tao básico que nem sei que mais te diga.

  21. Penélope,

    Deves estar a brincar comigo, com certeza.

    Que eu saiba, a escolaridade e o ensino publico obrigatorios são, ou deviam ser, o antidoto, ou seja um instrumento eficaz contra os discursos do tipo “demora muitos anos e algumas gerações até que a melhoria das condições de vida e a educação produzam frutos”.

    Mas o que tu dizes nesta frase é precisamente o inverso, ou seja que, apesar do ensino obrigatorio, por serem labregos (“é evidente que não vieram a Portugal por serem ricos”), é inevitavel, natural, e talvez até mesmo sadio, que os imigrantes continuem a fazer parte da ralé durante, no minimo, “algumas gerações”…

    Bonito.

    Boas

  22. Também gostei de ler https://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/convidados/nao-portugal-nao-foi-a-maior-potencia-esclavagista-9619235.html

    A história da história (da historiografia) mostra que ela não é imutável, que evolui, que muitas vezes se desdiz ou corrige. Mas não é com sprays de tinta ou actos de vandalismo iconoclasta que se adianta ou corrige a história. É, e sempre foi, com estudo sereno e objectivo, algo que não está ao alcance de desordeiros iletrados . Para piorar as coisas, em Portugal essa canalha vociferadora e borradora de estátuas apenas se limita a macaquear, tarde e mal, o que os seus mestres de vandalismo fazem nos EUA ou em Inglaterra.

  23. João Viegas: Desculpa, toda a gente sabe que um imigrante português em França ascende em seis meses a presidente da Total.

  24. E se deixasse-mos as conversas da treta e falasse-mos daquilo que neste momento interessa a Portugal.
    Que tal este artigo e com o link para os mais puristas.
    https://observador.pt/opiniao/mas-o-que-e-que-andamos-a-fazer/
    Mas o que é que andamos a fazer?
    Está na hora de se parar de prejudicar e destruir as pessoas e começar a ajudá-las. Já todos sofremos demasiado com tanta falsa notícia, com tanta falsa pandemia, no nosso país. Acho que já chega.
    É com horror que assisto à fuga para a frente em que Portugal entrou. Um país que praticamente não tem doença Covid19. Quanto mal se está a fazer ao nosso país e à nossa população, guiados pela ignorância.
    É com perplexidade que observo o que se passa na região de Lisboa e Vale do Tejo.
    Perplexa com a forma abusiva como se têm utilizado para rastreio (ainda por cima «rastreio intensivo»), os testes para a deteção do material genético do SARS-CoV-2, perplexa com o silêncio da Direção Geral de Saúde sobre o facto destes testes não terem sido concebidos, nem serem fiáveis para esse efeito. Não compreendo como, em nome de testes positivos (não de doença), se continuam a privar pessoas do seu ganha pão. Não compreendo como, continuando o número de pacientes internados em enfermarias e em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) a diminuir, se inventou agora uma nova pandemia. Menos compreendo que ninguém se interrogue sobre estes factos: como é que o número de «infetados» não pára de subir diariamente e o número de doentes com Covid19 nos hospitais não pára de descer. O embuste continua e em nome deste embuste, a destruição da população não tem fim à vista.
    Fala-se muito de que o número de «novos infetados» não era tão elevado desde 8 de maio de 2020. Vamos então aos verdadeiros números e não aos que decidiram inventar:
    • número de doentes internados em 8 de maio de 2020: 842 dos quais 127 em UCI
    • número de doentes internados em 6 de junho de 2020: 414 dos quais 57 em UCI.
    Onde estão os milhares de «novos infetados» que descobriram desde então?
    O desconfinamento não alterou em nada a existência de doença moderada ou grave, pelo contrário, a doença não pára de diminuir.
    Mais uma vez, mas o que é que andamos a fazer?
    O teste para a deteção do vírus SARS-CoV-2 é um teste de PCR. Tal significa que o teste permite a amplificação de material genético do vírus (mesmo que esse material exista em quantidades ínfimas). E apenas isso: deteta material genético do vírus, é incapaz de dizer se se trata de vírus «vivos», vírus «mortos» ou apenas fragmentos de restos de vírus destruídos.
    E, por ser completamente incapaz de saber se o material detetado são vírus viáveis, a única maneira de saber se há capacidade infetante desse material (ou seja, se a pessoa que tem esse material genético pode ou não infetar outros), é havendo uma prova dessa infeção, precisamos que haja manifestações da doença. Sem qualquer dos sintomas suspeitos: tosse, febre e/ou falta de ar qua permitam constatar a existência da doença e, portanto, de infeção, a utilização dum teste de amplificação de material genético, não faz sentido.
    E não faz sentido, não só porque o teste é incapaz de dizer se se trata de um vírus viável ou apenas de restos de vírus ou de vírus «mortos», como pode haver falsos positivos, resultantes de contaminação das amostras ou dos locais onde as amostras são testadas. Deste modo, basearmo-nos apenas na positividade dum teste para condenar um ser humano, sem qualquer sintoma, ao isolamento, bem como ao daqueles que com ele coabitam, geralmente cônjuge e filhos, durante, no mínimo 14 dias, é de uma violência brutal e completamente injustificada. E decidir sobre a sua recuperação, baseado no mesmo tipo de teste, sem que nunca tenha havido qualquer sintoma, parece-me ainda mais absurdo. Por isso muitos países consideram os seus recuperados baseando-se apenas na melhoria do quadro clínico, associado à ausência de sintomas. Porque a utilização dos testes se limita, também, apenas àqueles que apresentam sintomas e, como tal, evidência da doença.
    Nesta fase, com tão poucos doentes no nosso país, é o que deveríamos fazer. E não continuar a disseminar um terror completamente injustificado à população.
    Penso muitas vezes se os dirigentes do nosso país acharão que todas estas pessoas que ficam privadas de ir ao seu local de trabalho e receber o seu ordenado por inteiro, sabe-se lá por quantos dias, vivem do ar.
    Penso se não vêem o que estão a fazer àqueles a quem impedem de abrir os seus estabelecimentos comerciais, em nome de nada e de coisa nenhuma.
    Não compreendo como as medidas que se tomaram em março, que foram justificadas com o evitamento da sobrecarga dos serviços de saúde, se mantém ainda em junho. Os serviços de saúde qualquer dia, com doença Covid19 não têm ninguém e, no entanto, mantém-se este estado de coisas em Portugal, negligenciando de forma gritante todo o mal que a persistência deste caminho e deste discurso estão a causar aos cidadãos portugueses.
    Vejo os outros países a testarem muito menos do que nós, pois testam (e bem) os doentes e não os que inventam que hão-de estar doentes. Vejo-nos a nós, um país pobre, a gastar rios de dinheiro em testes que são utilizados duma forma para a qual não foram concebidos.
    «Um teste de PCR não deve ser utilizado como a única base para a gestão ou tratamento dum doente. Todos os resultados devem ser interpretados com base nos sinais e sintomas da doença». (Referência: Yang S. and R.E. Rothman. PCR-based diagnostics for infectious diseases: uses, limitations, and future applications in acute-care settings).
    Penso nas pessoas, completamente assintomáticas, a quem as empresas decidiram testar, que se têm o azar de ter um teste positivo, têm a vida arruinada e não me canso de refletir: mas quando é que vão achar que já chega. O que é que andamos a fazer?
    A cada número que ouvimos na televisão, corresponde uma pessoa. O que é que estamos a fazer a cada uma dessas pessoas e às suas famílias.
    Estes testes são meios auxiliares de diagnóstico. Como o nome indica, podem auxiliar o médico a fazer um diagnóstico, quando o doente apresenta uma dada doença e se quer confirmar a sua causa.
    Falar em «infetados» pressupõe a existência duma infeção. Uma infeção pressupõe a existência dum agente patogénico «vivo», uma infeção pressupõe a existência duma doença. Onde está essa infeção, se não existe doença (como o mostram os números em internamento cada vez mais baixos) e o teste nem sequer é capaz de dizer se existem vírus «vivos» no indivíduo testado.
    Está na hora de se parar de prejudicar e destruir as pessoas e começar a ajudá-las. Já todos sofremos demasiado com tanta falsa notícia, com tanta falsa pandemia, no nosso país. Acho que já chega. Já é tempo de parar e devolver a liberdade e a esperança às pessoas.
    Já é tempo para mudar para um discurso de verdade!

    Margarida Abreu
    Médica, especialista em Medicina Geral e Familiar

  25. Penélope,

    Obrigado por confirmares aquilo que eu ja suspeitava : nem és capaz de compreender o que ha de chocante na frase que escreveste, pois para ti, um filho de emigrante seja onde for, ou alias um filho de labrego, esta condenado a ser um pobre coitado, quanto muito prometido a ver o neto ascender a palefreneiro e poder casar com a descendente de sopeira que lhe ha de dar bisnetos doutores, desde que todos eles sejam muito trabalhadores e respeitadores das hierarquias, claro.

    O que é deseperante é ver-te opinar sobre estatuas e combates em prol da igualdade quando tens dificuldades manifestas para compreender o artigo 13° da constituição. E até acredito que tenhas formação superior…

    Boas

  26. Bordieu – habitus , capital cultural , capital social , capital económico – os conceitos que ele usa para explicar a “rápida” ascensão à burguesia dos emigrantes são muito bons…
    tem de se poupar muito e por muitos anos para se obter um bom capital -:)

  27. Um cidadão francês de ascendência portuguesa, Carlos Tavares, é o presidente de um dos maiores fabricantes mundiais de automóveis o grupo PSA. Seis meses não demora, claro, a não ser nos manuais para totós do Observador.
    É só bullshit.

    1https://expresso.pt/internacional/2016-03-30-O-portugues-que-ganha-14.500-euros-por-dia-e-escandaliza-os-sindicatos

  28. Aspirina b, um blog estruturalmente racista, só o Valupi escapa. Mas está em sintonia com a sociedade portuguesa, até na sua negação.

  29. uma andorinha não faz a primavera . da noticia do espesso a gente fica a saber que o Carlos Tavares
    “nascido em Lisboa e emigrante em França desde os 17 anos, onde estudou nas chamadas “grandes escolas” de Paris.” , logo , apetece perguntar : os pais ? professores universitários que foram para França ? médicos que foram para França ? empresários ? quem eram os país do senhor? porteira e pedreiro não deviam ser.

  30. Foda-se, ja sabia que vinha asneira e provincialismo.

    Tanto quanto julgo saber, o Carlos Tavares é um português de familia burguesa que foi para França estudar engenharia depois de ter frequentado o liceu francês em Lisboa, e que depois fez carreira em França, portanto não é um tipico emigrante, ou filho de emigrante…

    No entanto ha dezenas de emigrantes portugueses com carreiras de sucesso em França, e também ha filhos de portugueses com percurso escolar de excelência e a ocupar altos cargos, na função publica, na magistratura, professores universitarios, grandes quadros de empresa, etc. Tal como ha filhos de familias pobres que, em Portugal, conseguem elevar-se muito acima do estatuto social dos pais.

    Que esses percursos permanecem excepcionais é um facto, geralmente apontado (por Bourdieu, mas por tantos outros, olha, pela OCDE, por exemplo) como um grave falhanço do sistema de ensino.

    A frase da Penélope mostra muito bem porque é que isso continua a ser assim… E o facto de ela não perceber, ou de não querer perceber, o tamanho da asneira é bastante preocupante.

    Boas

  31. Joe Strummer: Tenho pouca paciência para o que dizes. A diferença de condições de partida entre o Carlos Tavares e qualquer emigrante pobre, português ou africano, num país estrangeiro, é de dez para zero.

    João Viegas: Chega de tolices. O emigrante lá atrás, na resposta ao Joe, não está condenado a nada, a não ser a trabalhar. Como todos nós, aliás. O papel de quem cá vive é acolhê-lo, se não for um criminoso, e assegurar-lhe uma não discriminação.

  32. O cromo Zé Estrume gosta de vir aqui grafitar a sua azia ideológica. Agora, do alto da sua flatulência, passou um diploma de «racismo estrutural» ao Aspirina. Ganda idiota!

  33. o que gostava de saber era como é que o estrumista sobrevivia numa sociedade sem racismo estrutural. o gajo não deve fazer ideia do que é isso, mas para o caso tamém não interessa, o importante é dizer coisas & alarvar wiki culture.

  34. Exactissimamente
    https://www.dn.pt/edicao-do-dia/13-jun-2020/jesus-como-hippie-louro-e-outras-reescritas-da-historia-12306430.html

    Só respondi a uma pergunta.

    E a educação ou classe social não tem importância quando falamos de xenofobia, como só poderia ser o caso.
    De resto não partilho a ideia de que o racismo é uma questão exclusivamente económica. O dinheiro compra acesso mas não compra igualdade.
    E essa visão é outra forma de desvalorização do problema, com muitas raízes numa esquerda para quem tudo passa pela interpretação marxista. Os amanhãs cantarão para todos nós mas agora fica caladinho para não prejudicares a luta de classes e despertares o fascismo.
    O que se viu foi que a coragem de sair á rua de pessoas de todas as origens e cores ao enfrentar os nazis e fachos só os fez recuar. Ao contrário de uma certa burguesia instalada, anestesiada e medrosa, saíram à rua corajosamente e disseram não temos medo, isto tem de mudar.

    Por cá a sensibilidade social com estes assuntos é tão embotada que só desperta quando um ministro holandês ofende a pátria com um dichote idiota sobre mulheres e cerveja, ou então com um jogador de futebol a chamar a atenção para o óbvio. como são eventos com propagacao imediata global, a comoção nacional e a “repulsa” atingem os píncaros, em geral até ao próximo ciclo de notícias. Não importa que haja racismo o que importa é que se saiba e prejudique a imagem de povo brando, trabalhador e colonizador exemplar.
    Como sempre não temos capacidade de nos analisar nem de nos pensar.

    Ah! Pincharam o tribunal de Braga com acusações machistas. Estas feministas não tem emenda, acaso Portugal é uma sociedade machista? Por amor de Deus….

    Finito.

  35. Concordo com muito do que diz o Joe Strummer neste seu ultimo comentario. De facto, por desajeitadas que sejam algumas das iniciativas desses ultimos tempos, julgo que o que é gritante é sobretudo a relutância de muitos em questionar os mecanismos reais da discriminação e do racismo, e a desvalorização dos mesmos apesar de todos os estudos serem inequivocos sobre a sua realidade.

    Ah, como é confortavel pensar que é tudo uma questão de mérito e que quando os selvagens resolverem dar-se ao trabalho, hão de conseguir alcançar o que querem. Ja se sabe, racismo, não é connosco. Trata-se de uma coisa inventada nos Estados Unidos a que sempre fomos imunes. Sexismo, também não ha por ca. So sol, boa disposição e alegria no trabalho…

    Boas

  36. A meu ver, fundamental é, EVOLUÇÃO.
    Sem duvida que o acesso à instrução ( ensino ) através do elevador social, é determinante para quebrar a engrenagem da pobreza e da miséria e para romper com a exclusão social .
    Mas o ensino, por si só, não basta .
    Basta reparar que, -é a percepção que tenho,- aqueles que mais se excedem nas chamadas praxes universitárias, são os estudantes universitários oriundos de classes pobres, que estão em processo de transição e ascensão social .
    E que dizer daqueles que, tendo aprendido já, no pós-25 de Abril, as regras de trânsito, na escolaridade primária ( em vez dos afluentes dos rios e estações e apeadeiros de Portugal, coisa menos útil e que era o que se ensinava dantes ) logo após o advento dos jogos de computador, -cuja realidade virtual mostrava que, o carro se despistava, dava cambalhotas, capotava, explodia e incendiava-se, mas colocava-se de novo em pé, e prosseguia o caminho e o jogo, – se transformaram em loucos do volante, desrespeitando tudo aquilo que antes aprenderam ?

  37. OK, deve ter havido um problema. O meu comentario era este :

    Pois ! O problema deve mesmo ser falta de apetência dos pobres para sair da cepa torta, e também genes resistentes a todas as politicas educativas, nomeadamente em matéria de codigo da estrada.

    Eu acho que estamos a precisar de um novo 25 de Abril. Um a sério, que faça pelo menos com que as nossas alminhas pseudo-cultas fiquem com uma pequena noção do que significa os cidadãos serem iguais em direitos e dignidade social. Mas devo estar a sonhar com americanices…

    Boas

  38. Ó Viegas, cidadãos, direitos iguais, dignidade?
    Achas que são americanices?
    Não tens visto televisão pois não?
    Sabes que há lá a pena de morte não sabes?
    Ó Viegas vai dar banho ao cão.

  39. Oh tu quoque, estou apenas a citar a constituição e a peguntar se toma-la à letra deve ser considerado uma americanice, OK ? Acho melhor nem mencionar a palavra “ironia”, ainda eras capaz de vir protestar que na Grécia antiga havia escravatura !

    Boas

  40. Sr. Viegas, apenas apontei dois exemplos que demonstram que a instrução, por si só, não é factor determinante para uma sociedade mais perfeita no domínio civilizacional, que inclui o inter-relacionamento entre pessoas de várias raças, afinal, o tópico original deste extenso quadro de comentários .
    Vocemessê nada contraditou, apenas se limitou a ironizar, recorrendo a uma falácia indutiva de apelo à enfase e também uma falácia do tipo Post Hoc Ergo Propter Hoc ( antes disso, então por causa disso ) .
    As conclusões são suas, se acha que a questão das mentalidades se resolve com uma revolução e com a adoção do modelo americano, by all means, go ahead !
    LOL

  41. Desculpa lá ó Viegas não sabia que tinhas ganho o Nobel da ironia. Para a outra vez fala só do que sabes porque senão a malta ainda te leva a sério.

  42. Caro Pimpampum,

    A instrução é muito bonito. A reflexão melhor ainda.

    Os meus comentarios acima, do primeiro ao ultimo, dizem respeito ao mesmo problema : a manifesta dificuldade da Penélope e de alguns comentadores, em compreender o que é a igualdade. Esta implica que todos os cidadãos tenham as mesmas oportunidades, ou seja que entre eles as distinções obedeçam apenas ao critério dos méritos e dos talentos. Isto significa, também, que a educação deve ser facultada a todos de forma a que cada um possa com ela beneficiar em proporção da sua dedicação e do seu trabalho, e não em razão de factores externos tais como o “capital cultural” que lhe vem da familia ou da categoria social.

    Quem afirma que os imigrantes, os emigrantes, ou os labregos ca do burgo, apenas podem almejar tirar beneficios da educação apos “varias gerações” mostra-se completamente alheio à compreensão ou à aceitação desse principio.

    Não estou com isso a dizer que a o nosso sistema educativo cumpre hoje a sua função. Longe disso. Nesse aspecto posso concordar consigo. O que digo apenas, é que quem acha essa situação normal, ou quem se conforma com ela como se fosse logica, ou inevitavel, tem da igualdade uma noção peculiar : acha bem que esteja la escrita na constituição, mas não acredita minimamente que ela possa ser respeitada na realidade.

    Espero ter sido mais claro.

    Boas

  43. João Viegas: Diz-me uma coisa: os filhos dos imigrantes africanos em Portugal, ou dos afrodescendentes aqui residentes, não têm acesso à educação?? O que queres dizer quando dizes que eu não advogo condições de igualdade? O que propões para uma igualdade efectiva?
    E ainda: sabes ou não sabes (não sei se vês alguma televisão portuguesa) que muitos desses imigrantes nem português falam, ou nem um português inteligível falam? O que achas que esse pano de fundo faz para facilitar a vida escolar dos filhos em contexto português? Defendes que, vivendo em Portugal, deveriam ser educados para os hábitos, cultura, língua dos países de origem?
    O meu ponto não é nada dessa perversidade que me atribuis. O meu ponto é que o motor de arranque da integração numa nova sociedade tem normalmente dificuldades ao princípio, mas tem que haver e há maneiras de as minorar. Não é fatalismo nem condenar ninguém à eterna marginalidade e miséria. A vida dessas pessoas vai melhorar, mas sejamos realistas: não saltam para pivôs da televisão ou corretores da bolsa num ano ou dois.
    Deixa-me ainda deixar aqui uma nota positiva da realidade em Portugal. Tens frequentado lojas? Pequenas, médias, grandes ou muito grandes (mais comum nestas). É lindo ver a diversidade cromática (é mesmo o leque completo) e sexual dos funcionários, aliás todos trabalhando em amena convivência. Os empregadores não parecem nada racistas. Nem os clientes, vê lá tu. E muito menos os próprios jovens trabalhadores. Em outros empregos mais bem remunerados não existe essa diversidade? Ainda não, mas lá chegaremos.

  44. para o sistema de educação fomentar a igualdade de oportunidades e dar uma plataforma equivalente a todos que anulasse as diferenças de capital cultural e social haveria de ser riguroso , disciplinador , difícil , um caminho árduo de percorrer e não o passeio sem obstáculos em que se transformou. o sistema actual aprofunda as diferenças e prontos , nivelar por baixo não é bom para ninguém.

  45. Penélope,

    Mais do mesmo…

    A grande maioria dos filhos de imigrantes nascem no territorio e falam a lingua do pais de acolhimento tal como todas as crianças nascidas nesse pais. Porque não hão de beneficiar do sistema de educação na mesma proporção do que os outros ? Por serem mais burros ? Por serem mais pobres ? Não estou a advogar coisa nenhuma nem a sugerir que eles deveriam ter um tratamento especial. Apenas a dizer que quem, como tu no texto, afirma que é natural que sejam necessarias “varias gerações” para que eles acedam a empregos de relevo ou a responsabilidades publicas esta claramente a partir do principio que eles são menos do que os outros (eles os imigrantes e/ou eles os pobres).

    Se houver outra forma de interpretar a tua frase, explica-te-la. Senão, não percebo o que te custa admitir que a frase é infeliz…

    E quanto ao sistema de educação, sim penso que o facto de ele contribuir mais a reproduzir desigualdades sociais do que a redistribuir equitativamente oportunidades é um problema sério e que nos deve preocupar de forma urgente. Um sistema que funciona dessa forma apenas faz redistribuição ao contrario : rouba aos pobres e desfavorecidos para dar aos ricos e favorecidos. Ninguém se pode satisfazer com isso.

    Ha exagero nessa forma de apresentar o efeito do sistema publico de ensino ? Infelizmente, creio que não, mas se tiveres dados que invalidem o que digo e mostrem que a situação não é tão negra, xuta ai, instrui-nos…

    Boas

  46. João Viegas: Era o que eu esperava. Propostas concretas que acrescentem às que já vigoram “para não reproduzir as desigualdades sociais” – zero.

  47. “Redistribuir equitativamente oportunidades”
    Ó Viegas não estás a confundir o sistema de educação com uma fábrica de chouriços?
    Ah! Já vi, estás a ser irónico não é?
    Ó Viegas vai-te catar.

  48. Penélope,

    Insistes em discutir bugalhos. Se releres os meus comentarios, veras que apenas falam duma frase que escreveste no post e que borra completamente a pintura. Pelos vistos não arranjas maneira de justificar a frase. OK.

    Quanto ao resto, pedes-me agora que te dê soluções concretas para acabar com as discriminações, na educação e na sociedade em geral. Isto é outra discussão, mas uma coisa é certa : todas elas passam por combater o preconceito, ou seja a forma hipocrita com que justificamos as desigualdades com falsas razões.

    Boas

  49. Discutir o sexo dos anjos deve ser o novo normal do “pós pandemia”.
    Utilizar parábolas para justificar conceitos específicos só revela ignorância e necessidade de obter atenção.
    Para que a mensagem seja entendida pelo receptor é necessário que o emissor coloque as palavras no mesmo contexto.
    A palavra igualdade é um exemplo.
    Temos igualdade de género, igualdade de direitos, igualdade de oportunidades e outras mais igualdades que não deixam de ser específicas por resultarem de uma palavra geral.

  50. mas a cena da educação é um grande paradoxo porque foi-se abastardando para integrar exactamente essas pessoas que se pretende alavancar… pescadinha de rabo na boca. como é que farias , Esparta?

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