Entrar com desplante a meio do exame e como substituta

Pode um candidato a um lugar importante, como o de secretário-geral da ONU, entrar a meio do processo de seleção (enfim, chamam-lhe “escrutínio indicativo”), responder como que apenas às três perguntas do fim (e corrigir as de um concorrente antecessor) e ser aprovado com distinção e proveito? Pelos vistos, pode.

Kristalina Georgieva pode ser um caso muito pouco cristalino. O The Guardian explica como e porquê. Anda Guterres há já cinco sessões a dissertar e a responder a perguntas perante o Conselho de Segurança com o objetivo de conquistar o lugar – a “suar as estopinhas”, portanto – tendo já conseguido ficar muito perto, para alguém sacar agora da cartola uma búlgara eventualmente mais bem preparada do que a candidata sua compatriota Irina Bokova e, fresca que nem uma alface, ganhar o concurso.  Isto merece um ponto de exclamação! Se ganhar, e atendendo às excelentes prestações de Guterres, Kristalina consegui-lo-á por duas razões principais: porque é mulher e porque “alguém” entende que o próximo secretário-geral tem que provir do leste da Europa.

Dir-me-ão que Guterres está perfeitamente a par das contingências deste processo e que, inclusivamente, poderia ser ele a colocar-se na posição de Georgieva. Poderia não ter ido a jogo até ver quem por lá andava e em que paravam as modas. Poderia, mas seria bizarro. As regras estão então muito erradas. Porquê começar formalmente o escrutínio sem estarem todos presentes? E, já agora, porquê o escrutínio sequer, quando tudo se decide entre os chefes dos cinco países membros permanentes, com direito de veto?

28 thoughts on “Entrar com desplante a meio do exame e como substituta”

  1. Pronto, mais uma que descobriu a roda ! As regras de nomeação do SG da ONU são politicas e dependem do equilibrio de forças que, de maneira criticavel, aperfeiçoavel, mas realista, são as da organização que existe hoje, com 5 membros permanentes do Conselho de segurança que têm direito de veto, com supremacia de facto de uns paises sobre outros, e com tantas outras imperfeições.

    Solução em perfeita sintonia com a “democracia” absoluta, com a igualdade entre Estados soberanos, e com a geometria euclidiana seria não haver ONU, nem Conselho de segurança, nem Tribunal internacional de justiça, nem direito internacional…

    Falem de reformas realistas que permitam ajustar o mecanismo às realidades de hoje (que evoluiram desde 1946), tudo o que quiserem, mas por favor não metam a carochinha ao barulho ! Se querem mesmo falar da carochinha, escrevam um post sobre o assunto, ou sobre a gucci, sei la.

    Boas

  2. joão viegas: Às vezes nem sei que te diga. Penso que aprecias o teu estilo e queres afirmá-lo e mantê-lo. Estás no teu direito, claro. Mas achas verdadeiramente que eu não queria que a ONU existisse, nem o TPI, e que defendo a democracia absoluta já, imediatamente e em todas as circunstâncias e instâncias? Ou isso é só pose? Há algo de patético neste processo e é disso que aqui dou nota. Depois de tudo, parece que afinal concordas.

  3. O processo é realmente bizarro. Mas estando em causa a escolha (pela primeira vez!) de uma Mulher para o cargo, é aceitável. Para objectivos excepcionais (eleger uma Mulher para este cargo) aceitam-se processos excepcionais.

  4. OK, então agora sem os condimentos : o processo de decisão é politico-diplomatico. E’ mesmo assim. Não ha nada a lamentar ou a lastimar, apenas a perceber em que contexto nos situamos e que cada contexto tem as suas regras proprias. Quando a humanidade fizer parte de uma gigantesca republica universal sem Estados nacionais, então elegeremos o Secretario geral pelo sufragio universal de forma completamente transparente e sem contar com os equilibrios geo-estratégicos. Até la temos a ONU. E’ o que se pôde arranjar…

    Boas

  5. que novidade… muito mais relevante e perigosa é aquela criminosa que está muito próxima de chegar a presidente dos eua só pelo pelo facto de ser mulher.

  6. É um caso que não nos aquece nem arrefece … a não ser, o tal prestígio de ter um
    português a liderar a ONU e possivelmente, para pedir um maior contributo de
    tropas nacionais para os conflitos em curso!
    António Guterres poderá ser muito mais útil ao País se, for chamado para a Pre-
    sidência da Administração de Fundação Gulbenkian a maior mecenas para vá-
    rios domínios da nossa sociedade ( Artes e Ciências), como em determinada al-
    tura foi falado! Basta esperar pois, prognósticos só no fim do jogo!!!

  7. o guterres teria tido juízo era se se tivesse candidatado a presidente da república. achou que teria mais penacho como secretário-geral da onu, se calhar fodeu-se, mas ainda vai a tempo para a gulbenkian ou outro poleiro dourado.

  8. As «excelentes prestações» traduzir-se-iam com toda a certeza em todos os incentivos possíveis do novo secretariado da ONU para uma ainda maior aceleração do suícidio colectivo ocidental pela imigração, coisa que, mesmo prosseguindo ao ritmo actual, já deve suscitar o entusiasmo da maioria dos frequentadores deste blogue, como há-de vir a suscitar o espanto sem limites dos vindouros, se sobreviverem neles alguns genes e memes da herança europeia ao holocausto em curso. De modo que venha a nós a Kristalina.

  9. Essa coisa das grandes vantagens para este pobre país já se viu com o Barroso. Mas já anda tudo a preparar os foguetes, independentmente do que o novo beato for para lá fazer. Isto não tem emenda.

  10. andará o conselho de segurança a cultivar o marianismo para união das nações? :-) e se sim quem tomará resoluções implacáveis em tempos de TPM? ai que riso! :-)

  11. “Entrar com desplante a meio do exame e como substituta”

    deve ser equivalente a:

    entrar com um referendo a meio da aprovação do aborto pela maioria parlamentar.

  12. Por acaso até acho que o Guterres simboliza perfeitamente a ineficacia da ONU, com o padre Melicias atrás a dar apoio espiritual ao Mundo e a apostar no Nyse nas horas livres.
    Mas a questão é mais interna, agora temos um maratonista que nunca correu a sua maratona a criticar uma maratonista que ao menos faz os 5 quilómetros finais. Por outro lado temos gajos q agora descobriram que a ONU e um ninho de viboras e quando os americanos fizeram daquilo um circo com a patetica cena das armas do Sadam gritaram todos em uníssono”Queremos sangue” , sangue que corre ininterruptamente desde então pelas ruas de Bagdad, Paris e Bruxelas..vivemos num país do caralho, se não fosse inventado devia ter nascido num lugar qualquer como este.

  13. Se o Guterres tivesse lido as notícias que circularam há 1 ano e meio atrás pela Internet, em vez de andar a passarinhar ao lado da Angelina Jolie, tinha ficado a saber nessa altura, tal como eu fiquei, que o futuro secretário-geral da ONU seria uma mulher e seria do Leste Europeu.
    Tinha-se poupado a este circo.
    E se é para serem os 7 membros permanentes do Conselho a decidir, e mais propriamente a Rússia e os Estados Unidos, mais valia que se acabasse com esta farsa pseudo-eleitoral da ONU.
    Ficam todos pessimamente nos retratos.

  14. Jasmim, пет.

    1 – едно (edno)
    2 – две (dve)
    3 – три (tri)
    4 – четири (chetiri)
    5 – пет (pet)
    6 – шест (shest)
    7 – седем (sedem)
    etc.

    Aqui, leitora da net e fã do José Sócrates e do Brad Pitt e contra as gaijas que os aturaram:
    http://www.languagesandnumbers.com/como-contar-em-bulgaro/pt/bul/ (talvez fiques “a saber nessa altura” ou numa outra qualquer umas cenas muita giras, e quem sabe as ensines aos terráqueos daqui).

  15. Jasmim, пет-quarteto.

    1 – едно (edno)
    2 – две (dve)
    3 – три (tri)
    4 – четири (chetiri)
    5 – пет (pet)
    6 – шест (shest)
    7 – седем (sedem)
    8 – осем (osem)
    9 – девет (devet)
    10 – десет (deset)
    11 – единадесет (edinadeset)
    12 – дванадесет (dvanadeset)
    13 – тринадесет (trinadeset)
    14 – четиринадесет (chetirinadeset)
    15 – петнадесет (petnadeset)

    Ali e aqui, dou-te de mão-dada: https://pt.wikipedia.org/wiki/Conselho_de_Seguran%C3%A7a_das_Na%C3%A7%C3%B5es_Unidas

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