A purga

Eis o que se lê por aí, pelos jornais, pela pena de colunistas encartados, provavelmente inspirados nos fabulosos Marques Mendes e Marcelos das nossas televisões: Seguro tem que proceder a uma purga no PS para se poder afirmar como líder da oposição. Nem mais.
Subjacente a esta opinião está a ideia assaz imaginativa de que Seguro tem potencial para ser um ótimo líder e só não o desenvolve devido aos obstáculos criados ou às pressões exercidas pela bancada socratista. Uau!

Esta mensagem, veiculada com total desonestidade por quem devia ter juízo para fazer melhores análises, não passa, observada no dia a dia a prestação pública da criatura, de poeira atirada aos olhos dos mais incautos e permeáveis a spins e, na prática, mais não pretende do que facilitar a vida a Passos, mantendo Seguro à frente da oposição.

Seguro tem tido oportunidades de ouro para mostrar o que vale, o que pensa, o que quer. Fala ou cala-se quando quer e sobre o que quer. Ninguém o impede, ninguém o obriga. Apesar de isso ser indesmentível, quase não houve, até à data, uma oportunidade que este homem não tivesse desperdiçado: falando ou calando-se, a imagem que transmite é a de alguém sem carisma nem personalidade, que não pensa grande coisa sobre coisa nenhuma e, quanto ao que quer, a única coisa que se percebe é que quer ser líder do PS, porque é giro, porque se reúne com líderes estrangeiros, porque o Pedro também é e porque sim. Ah, e quer também conquistar “pelo coração e os afetos” as bases do partido, entendendo-se por isso uma espécie de operação de adormecimento coletivo, a única com aparente sucesso.

Vendo bem, as reações na vida real, fora das “bases”, ao que faz e diz alternam entre a vergonha, os sorrisos amarelos, as expressões intrigadas, o encolher de ombros, a frustração, a desilusão, a troça ou, enfim, a resignação de quem acha que o mal é transitório, mas necessário. De facto, “uma desgraça” é o comentário mais comum ao desempenho de Seguro, proferido inclusivamente por quem votou nele.
Vale a pena recordar duas ou três pérolas desta ameaçada ostra: “Irei fazer uma abstenção violenta”; “Senhor primeiro-ministro, desafio-o para um debate a dois” (enquanto debatia… e a dois); “Não respondo (parado, frente a uma jornalista, no Parlamento, sobre a votação na generalidade da lei laboral e a disciplina de voto). Dou a palavra ao líder do grupo parlamentar, mas se a senhora jornalista quiser ouvir-me, convide-me para uma entrevista na SIC”. E outras declarações igualmente eloquentes, silêncios incompreensíveis sobre temas determinantes para a sua afirmação e programas extraparlamentares totalmente descabidos em relação às tensões políticas do momento.

Qual a responsabilidade dos “socráticos” em tal desastre, gostaria que os ditos comentadores nos explicassem. Em que é que o seu silenciamento contribuirá para a melhoria da qualidade da matéria-prima Seguro, também gostaria que fizessem a fineza de explicar.
Insurgir-se contra a inépcia e o ridículo é apenas um sinal de que há quem não tenha ainda desistido daquele partido. Mas há grande risco de cisão.

14 thoughts on “A purga”

  1. Eu acho que em vez da purga, o Seguro devia fazer era um clister, a ver se desentope o buraco. É que cada vez que abre a boca só sai é merda.

  2. Ó Lisboa, as audiências lá por aquele “coiso” de blog de V. Exa. devem estar, como é hábito, abaixo de zero, por isso, de vez em quando, lá vem o caríssimo para aqui fazer publicidade gratuita. Ó homem deixe-se de blogs que lhe falta o jeito e veja se arranja um “potezito” como arrastadeira do Relvas. Continua a escrever disparates mas sempre lhe toca algum e não dá a cara. E depois sempre pode dizer aos amigos e à namorada que é assessor do ministro.

  3. Deve ser tramado, terem até ido buscar arrastadeiras do PC para o relvas e não terem descoberto o talento deste buna… E continuam, apesar de tanto assessor repescado, a não mandar a mão a este tótó . Eles lá sabem.

    Quanto ao Tó Zé, vai fermoso e não seguro. De afirmação em afirmação até ao eclipse total. Este submarino da direita vai por ela ser acarinhado até ao desaparecimento total da Oposição. Até lhe dão as táticas…

  4. (as “audiências” estão muito bem, obrigado, não se preocupe)

    pois, deve ser por isso que tens o sitemeter desligado

  5. Obviamente que o principal problema do PS não é Seguro, mas a maioria dos seus militantes, que há muito deixaram de pugnar por ideias de esquerda e socialistas. O Seguro é apenas o reflexo da ideologia dominante no partido, que se tornou uma associação de reformistas pragmáticos sem qualquer referência ideológica.

  6. A Direita a falar do PS é assim como um leão a dar conselhos a uma gazela (ou um benfiquista a dizer ao Presidente do Sporting que devia era ir buscar o José Peseiro outra vez para Treinador). Lá compreender, a malta até compreende. O que não abona nada é em favor da capacidade intelectual de quem sugere tais trivialidades…

    E a grata memória do João Lisboa que em tempos nos encantou na Rádio (e até nos Jornais) não merecia esta pestilenta e senil caricatura blogosférica, que às vezes vem para aqui irremediávelmente desvalorizá-la.

    RIP, J Lx…

  7. Penelope,

    “há grande risco de cisão”. Já viu o que o termo significa? Rachar, cindir, cortar, etc.

    um mar de sangue. Não dava que chegasse para um arroz de cabidela.

    Vamos com calma, molusco só da mesmo nesta terra sem igual….um grande SG.

    passe bem

  8. penso que a purga já começou com o chamado “cartão amarelo” à Isabel Moreira. Quem serão os próximos?

    também gostei de ver o Seguro a tremer de indignação perante algo que le não admite:os assassinatos de carácter, a calúnia vil,etc. Pena que só agora lhe tenha dado o ataque – ainda não passou por um cagagéssimo daquilo que Sócrates passou – e na altura, esses ataques só lhe mereceram silêncio, complacência e mesmo cumplicidade. Enfim, como é que dizia o outro, sobre a espinha dorsal do caracol?

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