Ápice

Imaginem que, sem aviso, vos acontece algo que acende um candeeiro inesperado sobre um canto escuro da existência. Só por um segundo. Vocês piscam, assombrados pela luz e pela breve visão. E lembram-se de já terem imaginado, talvez enquanto crianças, que o mundo poderia incluir aqueles quartos secretos, resistentes às plantas mais precisas e fiáveis.
Horas depois, esse pequeno mas inegável episódio ainda anda a berrar, lá do fundo da memória, que talvez, afinal, haja mesmo mais coisas entre o céu e a terra. Mas de que adianta ficar a matutar, se amanhã, ou depois de amanhã, a anomalia já vai estar armazenada na arrecadação da tralha inexplicável e por isso inútil, na gaveta das aberrações que por certo a estatística esclareceria?
E para quê escrever sobre o indizível, se vos falta o golpe de asa para as palavras certas?

Garantem-me que não, mas às vezes ter Fé deve dar imenso jeito. E paz de espírito.

3 thoughts on “Ápice”

  1. escrever talvez dê, talvez – mas pra tocar o indizível é mais fácil pela imagem, pela música. Não tocas nenhum instrumento? (fé, não tenho em nada, talvez só nas estrelas, entre o céu e a terra).

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