TUGAS!

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Na Guiné, em 73, nós, a eles, chamávamos-lhes turras. Era um modo abreviado de lhes chamarmos terroristas. Sorrateiro. E às vezes tímido. Porque não acreditávamos que o fossem. Sentíamos que o não eram. Sentíamos que eles eram, como nós, marionetas duma feira. Juntos todos num grande cul-de-sac. A esbracejar.

A certo ponto começaram eles a chamar-nos tugas. Contrapondo, abreviando portugas. Havia para eles portugueses e portugas. Os portugas eram a tropa portuguesa, que andava ali a chateá-los. E que eles aterrorizavam. E massacravam. Com artilharia que nós não tínhamos. Com armamento melhor que o nosso. Quando chegavam os aviões de alerta ( única coisa que ainda ali mexia) recebiam-nos com mísseis de infra-vermelhos, que levavam ao ombro. Calavam-se durante um quarto de hora e chamavam-nos tugas com escárnio, porque tinham perdido o respeito por nós.

Não sei quem foi o português que pôs este nome à selecção nacional, esse elixir de delírios. Não sei se é o mesmo que mandou pôr as bandeiras na guilhotina das janelas. Sei que é um terrorista que também perdeu o respeito por nós. E por si, o que não seria grave. Sei que é um onagro mentecapto, que se diverte a gozar com coisas sérias. Sei que nós aceitamos, alguns babando-se de tanto gozo.

Cá por mim, como dizia o Campos, “De um modo completo, de um modo total, de um modo integral: MERDA!”.

Jorge Carvalheira

25 thoughts on “TUGAS!”

  1. O Aspirina é um Blog corrupto de poderes e influências, onde o nível de criatividade é extremamente baixo.

  2. 14 – O senhor Fernando Venâncio quer dar a impressão de estar sempre a tomar conhecimento de alguma coisa. É a estranha preocupação de simular omnisciência. Recusa-se a aceitar que está atolado na ignorância e de cada vez que escreve algo, ficamos com uma sensaçãozinha de ladroagem. É assim um excelente indigente de serviço. O único termo que o define é em inglês: “blag”!

  3. Olá, Freddie, de volta, que saudades! O disco é o mesmo: rachado, massacrado, fanhoso. Mas é o que se pode arranjar, né, mèrmão?

    Depois: temos um autor novo, reparaste? Isto tá muito mudado.

  4. Ai Fernando com esse nome de certeza que é do Seixal. Faça uma operação para passar a chamar-se Nandinho, que é muito menos Cova da Moura. E “Venâncio”, ai querido, que raio de nome de família. De certeza que é da banca das couves. Mas, paciência, cada um nasce no seu meio!

    Beijocas

  5. Lili, eu sei que também assinas Freddie. Não precisas de insistir, querida. As beijocas vão devolvidas. Arre!

  6. Fazem-me sempre confusão as pessoas que se ofendem por tudo e por nada e que não compreendem que a forma mais eficaz de desarmar o insulto é adoptando-o com orgulho. O tuga, em tempos insultuoso, já só incomoda meia-dúzia de gente que continua a viver no passado. A palavra foi adoptada, e foi muito bem adoptada. O mesmo fizeram os “geeks” americanos: cada vez mais chamar a alguém “geek” vai ganhando contornos de descrição ou até de elogio do que do insulto original.

    Se, por exemplo, os homossexuais tivessem feito a mesma coisa com palavras como “maricas” em vez de irem buscar a mariquice do “gay” ao inglês, nada haveria hoje de insultuoso ou homofóbico nessa palavra e seria uma palavra menos ao dispor dos provocadores, reduzindo-lhes o vocabulário e fazendo-os parecer (ainda) mais estúpidos.

    Que tão pouca gente compreenda isto causa-me uma imensa perplexidade.

  7. Supondo que vale a pena tudo o que vem da América, porque também vêm fardos de trapo, explique-me pf. o que são os geeks americanos.

  8. Hm… não, não vale a pena tudo o que vem da América.

    Quanto aos geeks, ver a Wikipédia:
    a
    “Geek é uma palavra associada a subculturas ligadas aos computadores e à internet. Nestas subculturas, um geek é uma pessoa com um talento e um interesse por tecnologia e programação acima do normal. O conceito assemelha-se ao Nerd mas não é a mesma coisa.”

    Em suma: aquilo quem Portugal se conhece frequentemente como “cromo” ou, nos tempos de escola, “marrão”.

  9. Jorge, até é verdade o que dizes sobre esse conceito. Aplica-se aos “geeks”. Mas não se aplica aos “tugas”. A razão da adopção do nome é mesmo o desconhecimento, é um nome que era curtinho e por qualquer razão alguém achou que soava bem. Até porque “tuga” não é usado há muito tempo de forma corrente. Seja com elogio ou como insulto.

    No fundo, o termo “tuga” ainda tem mais um defeito associado: o da ignorância de quem o quis usar para crismar a selecção. Ainda assim está bem aposto a este grupo.

  10. João, eu uso a palavra tuga, correntemente, há pelo menos 10 anos. Em expressões como “como é que isto se diz em tuga?” ou “nós, os tugas”.

    E só não uso também “pula”, que é o termo usado pelos racistas angolanos para designar os portugueses e os brancos em geral, porque se trata de uma palavra que já tem significado em português.

  11. Jorge, se eu percebi bem:
    Para quem está vivendo no presente, a forma mais eficaz de desarmar o insulto é adoptar com orgulho que somos os “cafres da Europa”, ou outros petit-noms com que alguns europeus já nos têm mimoseado.
    E devemos alegremente assumir-nos como camelos, ou cretinos, para reduzir o vocabulário ao dispor dos provocadores, fazendo-os parecer, a eles, mentecaptos.
    Ou estou a segui-lo mal?

  12. Nem de propósito: o primeiro jogo vai ser entre tugas e turras. Numa coisa pelo menos empatam: são os mais atrasados dos respectivos continentes.

    Quanto às bandeiras, à semelhança do engenheiro, tou-me cagando pra elas que apenas servem pra limpar o cu.

    And now, todos em sentido: Heróis do mar, pobre traça, nação ingente de cagaçal. Mostrai hoje de novo a boa merda de Portugal…

    Voumimboraquetáxeirandomal.

  13. jagudi, muito divertidos esses exemplos.

    Como é evidente, estas coisas não se fazem todas de uma vez, nem sequer se fazem todas, se calhar. Nunca sugeri, por exemplo, que os homossexuais adoptassem palavras como “paneleiro”. Acho óptimo que os negros adoptem calmamente palavras como “preto”, mas não palavras como “escarumba”. Pelo menos para já. Pelo menos enquanto o insulto mais forte não acabar diluído pela necessidade de recorrer a ele em situações em que antes da apropriação do insulto mais suave este serviria perfeitamente. Porque ao anular a força de palavras mais fracas, as mais fortes acabam por se suavizar pela banalização que acabam por sofrer. Toda a banalização enfraquece as palavras e lhes retira boa parte da carga. E, complementarmente, todos os tabus linguísticos fortalecem as palavras objecto desses tabus (e isto é, já agora, a principal razão porque o politicamente correcto é um monumental disparate).

    Quanto aos cafres, camelos e cretinos, são três palavras que, efectivamente, assentam como uma luva em muitos dos nossos compatriotas. Mas lá está: não vale generalizar…

  14. Tuga é pejorativo quando usado pelos negros ainda hoje, já assisti a provocações racistas em que o termo era recorrente.
    Também entre portugueses brancos: quando um «português» chama «tuga» a outro está a tentar diminuí-lo. Para um brasileiro beato, proto-fascista e um pouco lento da mona como Scolari, chamar Tuga a alguém deve ser para ele quase tão achincalhante como chamar-lhe intelectual.

  15. os tugas agora viream todos para cá, deixam-nos entrar a rodos. parece que vão vingando no futebool. para já ainda somos portugas, se não temos cuidado ainda acabamos todos tugas. assim uma espécie de mestiços que é para acabar com este país de vez. é disso que andam a tratar,não é senhores do DESGOVERNO?

  16. Manuel António Pina, no “Jornal de Letras”:
    “No futebol, há evidentemente muitos casamentos por interesse, mas não dos adeptos. São os casamentos dos dirigentes e de todo o conjunto de pequenas matilhas que giram à volta da Bola e se alimentam do sangue dos adeptos”

  17. Sobre o uso continuado de “tuga” como depreciativo:

    Não é de um dia para o outro que desaparece, e leva algum tempo. A coisa começa pela apropriação do termo pelo grupo depreciado e é só passado algum tempo que o(s) grupo(s) depreciador(es) se apercebe(m) de que já se estão a limitar a usar uma designação mais, igual às outras. Ainda iremos ouvir e ler durante muito tempo esse termo usado de forma derogatória. Talvez durante uns dez anos. Ou mais, se os defensores do tabu levarem a sua avante.

  18. Vale a pena carregar ali no «Jorge» e ler mais uma coisa em que somos notícia. Boa. Mundial. Sim, mundial…

  19. Somente aqui vi dizerem q os turras nos ganahram a Guerra.
    Inventaram arams novas para eles e um terror que nso inflingiram a nós também novo.
    Um blog ridículamente mentiroso.

  20. ” e quanto à mãe que embala ao colo o filho morto, todos nós embalamos ao colo um filho morto. chove,chove. porque é que chove?”
    Fernando Pessoa

  21. bem pessoal voces devem realmente gstar muito que vos chamem tugas portugas ou que quer que seja. para mim nao e um insulto tratarem me assim porque nos tambem falamos assim aos brasileiros tambem nao chamamos brasucas??e eu acho que na nossa maioria nao e para ofender ninguem…bem mas como ha mal intencionados em todo o lado…cada um fica com a sua ideia do nome que nos deram…mas la no fundo nao importa sermos tugas portugas ou mesmo portugueses somos todos deste pais pequeno mas lindo e com uma força enorme mas infelizmente com um governo de merda que nao nos deixa evoluir…enfim somos quem somos e somos poucos mas bons nao e pessoal???fiquem bem

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