O acelera

Nunca diz que aprendeu a guiar à socapa. E sai do carro, ao cimo da subida, no triunfante jeito de quem cortou a meta. Trabalha ali na garagem de recolhas.
Começou a ajudar às lavagens, passava a camurça nos cromados, e fazia sinais aos clientes, olhe à direita, meta-lhe a marcha-atrás. Cabiam lá quarenta, mas entravam sempre mais. E quando saía um, o patrão mexia em três ou quatro. Ele passou anos a estudar-lhe as manobras.
Fez o baptismo de volante num dia em que o patrão foi ao médico. Depois nunca mais parou. Até que lhe cederam o comando, a arrumar as viaturas. Agora passa o dia em derrapagens controladas, ataca as curvas no limite, e na rampa de saída mete gás à tábua, como fazem os craques na recta da meta.
Ganhou esta paixão dos carros. E se um dia tiver um, há-de ir à oficina dum amigo, que se dedica ao tuning.

Jorge Carvalheira

4 thoughts on “O acelera”

  1. Porque é que a palavra do senhor Venâncio faz fé? Os que pensam de maneira diferente não passam, em geral, de uma cáfila de pulhas e calões, capazes de fantásticos malabarismos, para cumprirem o desígnio natural: não dizerem nada! Até aqui, nada de mais. Insultar comentaristas que pensam de maneira diferente, faz parte das competências cívicas do senhor Fernando Venâncio. Curiosa é a forma como o insulto é invariavelmente endereçado. Ele, o Freddie, é um bandalho. Ele, o Freddie, é desprezível. O “ele” marca a definitiva e radical distância entre o senhor Fernando e o exemplar da tenebrosa corja, eu.
    O senhor Venâncio de cada vez que se olha ao espelho, vê-se membro de uma elite educada desde o berço, para conduzir os comentários da ralé e mandar nela.
    VIRTUS OMNIA VINCIT

  2. – O resmungo do senhor Venâncio face à minha óbvia superioridade moral, não deriva de um sentimento de injustiça, mas de inveja. Apesar dos queixumes, o senhor não quer que os comentaristas sejam sérios, rigorosos e diligentes. A boa notícia é que, aos poucos, o Aspirina vai-se extinguindo, como uma vela. Poderá a “boa notícia” ser evitada ? Neste caso, talvez seja conveniente que a palavra vá fluindo em termos de conversa, que exista capacidade de improvisação, mas, ao mesmo tempo, que as grandes linhas do diálogo sejam definidas, fazendo com que o bom senso impere. Para isso é necessário que o Aspirina esteja perfeitamente à vontade dentro da matéria que se trata. O recuo da ameaça de expulsão que caiu sobre a minha cabeça é um bom princípio!

  3. True Lies – As mentiras que levaram à invasão do Iraque.

    Observem a curiosa evolução do discurso da Administração Bush sobre Saddam Hussein antes e depois do 11 de Setembro de 2001. (Gentileza de Michael Moore – Fahrenheit 9/11)

    Fevereiro de 2001:

    Colin Powell: Ele [Saddam] não desenvolveu uma capacidade significativa no que respeita a armas de destruição maciça! Ele é incapaz de projectar um poder convencional contra os vizinhos.

    Julho 2001:

    Condoleezza Rice: Conseguimos impedi-lo [Saddam] de arranjar armas. O exército dele não foi reconstruído.

    Vídeo AQUI(1:55m)

  4. Sim, senhor Jorge Carvalheira gostei muito deste texto, já há pouca gente que tenha uma vontade de mostrar assim ao país o que é um macho a sério.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.