Litígios e litigâncias

Há ocasiões em que a gente lê e não acredita. Volta a ler, e volta a não acreditar. E depois pasma.
Aconteceu-me há dias, quando levei para casa o Couves e Alforrecas, de João Pedro George. Decidido a tirar a limpo umas dúvidas íntimas. Tenho na literatura um prado de estimação, onde rumino, às vezes, conhecimento e prazeres. Insubstituíveis, que o verão já passou por mim. Adiante.
Havia uma senhora que vende muitos livros, havia um crítico a explicar porquê, e daí nascera uma providência cautelar, de efeitos, finalmente, conhecidos. Nenhuns. Assim à vista desarmada. Para aumentar esta perplexidade de leitor, aparecera depois, no fio do horizonte, uma outra voz de crítico, a voz entre as mais vozes, por uma vez directa e terminante. O crítico inicial era um débil mental.
Só havia que levar para casa o livrinho (50 páginas) com o seu lastro de acções feias. Uma delas era querer fazer dinheiro à custa da propriedade industrial alheia. Nem mais.
Ora o que nele se lê é um exercício de legítima crítica, feito por autor com obra no meio. E que já apelidaram de bulldozer, mas se comporta aqui do modo mais urbano e civil. O seu encontrão às normas será a trabalheira que tudo aquilo deu. É aquela minúcia de formiga, a que nem todos estão para se entregar. Claro que não deixa pedra sobre pedra, do “edifício literário” da senhora. Que eu não cito em voz alta, para não fazer dinheiro.
O assunto ficou-me, em parte, resolvido. Autora e editor saberão que é livre o negócio do gato, se tão esforçadamente o vão mercadejando. Mas não gostam de ver alguém a sublinhar-nos, a nós que pagamos o produto, que uma boa lebre é coisa distinta. E avançou a providência cautelar.
Em que país vivemos?
Então é com faenas tais que se atulha um tribunal e se ocupa o tempo dum juiz?
Então entretém-se o apertado universo das nossas cabeças pensantes, durante semanas, com jogos de sombras?
Quem é que estes senhores tomam por parvos?
Ou quererão amedrontar alguém?

Jorge Carvalheira

28 thoughts on “Litígios e litigâncias”

  1. Sim, mas qual é a novidade? O que leva o senhor George a vir para a rua, em cuecas, gritar: “Vejam! Vejam todos o que eu descobri com minúcia de formiga! A Margarida Rebelo Pinto é uma escritora cheia de fragilidades!” A sério, João Pedro? Tenho tanta dificuldade em conseguir conter a surpresa… Sugestões de novos livros para João Pedro George aumentar a sua credível “obra no meio”: “Cebolas e Lagostas: Odette de Saint-Maurice não era assim tão profunda”; “Alhos porros e Sardinhas: então não é que a Rita Ferro escreve mal?”; “Rabanetes e Camarão de Espinho: Maria João Lopo de Carvalho é capaz de nunca chegar ao Nobel”.
    O problema, caro amigo, é este: o George quer ser o Pacheco mas não consegue ser mais que um ridículo arremedo. Por falta de caco e por falta de talento. Falta de caco porque, enquanto o Pacheco demolia Namoras, escritores premiados e considerados, este anda entretido a gastar tiros de canhão com moscas. Falta de talento porque, ao contrário do Pacheco, o George não sabe escrever. A violência da crítica do Pacheco estava resguardada e legitimada por uma retaguarda de obra sólida, como o Libertino ou a Comunidade. O George (basta ler a confrangedora secção de “ficções” do seu outro volume, editado na Tinta da China) tem umas redacções que o DN Jovem rejeitaria sem remorsos.
    Há dias, em entrevista ao Carlos Vaz Marques, o entrevistador pergunta ao George qualquer coisa como isto: “Dizer mal é perigoso?” E responde o George, lapidar: “Claro. Para uma pessoa que diz mal, há portas que se fecham.” Ou sou eu que estou enganado ou, para o George, as portas têm-se escancarado. Por exemplo: sendo um crítico desinteressante e, com boa vontade, mediano, acaba de editar dois livros de crítica literária. Que outros críticos podem gabar-se do mesmo? O Pedro Mexia, o Eduardo Pitta, e outros, quantos livros de crítica literária têm editados, e com este destaque? Quantos outros críticos literários já foram entrevistados, nessa qualidade, pelo Carlos Vaz Marques e pelo Francisco José Viegas? E, muitas vezes, também os outros críticos fazem aquilo a que o George chama “dizer mal”. Só que, claro, sem o folclore.

  2. Eh pá, Jorge. Eu defendi o George, entre as linhas, mas defendi. E defenderei. Parece-me um fulano atinado, nada «débil mental», como lhe chamou Prado Coelho, que você gentilmente silencia, numa linha de horizonte.

    Mas são isto que vê da madrugada, e dá um gajo com estes dizeres. Estes, os do Zé. Do Zé, imagine. Sucintos. Ponderados. Suavemente assassinos. Já posso voltar ao sono. O Mundo está bem entregue.

  3. Goste-se do George ou não, o que está em causa é a sua liberdade de dizer, não a qualidade do que disse. A sua escrita podia até ser infantil, continuava a ter o direito de apontar as qualidades ou falta delas, da outra senhora.
    Dizer o contrário, é apenas saudade do tempo da censura.

  4. Realmente, como diz o Zé, só espero que as demolições prossigam.
    Nó entanto, em alguns casos será difícil fazê-las, não deixando pedra sobre pedra, como seria de esperar.
    Há construções interessantes, mesmo entre aqueles que as fazem com janelas tipo fenêtre ou em condomínio fechado, com vídeo porteiro.
    Tomando o paralelo com a música, alguma da sabemos popular foi roubar literalmente as notas à mais erudita e recatada.
    Experimentem ouvir um certa passagem de “Don´t cry for me Argentina”, precisamente o refrão, e logo a seguir o segundo andamento da 9ª de Beethoven, por exemplo. Roubo puro e simples na ondulação da orquestra durante uma boa meia dúzia de notas em crescendo genial e na queda suspensa.

    Em paralelo, os livros “light”, são isso mesmo e por isso também não merecem a atenção em demasia.
    Ando a ler um livro de José António Barreiros que ninguém cronicou; ninguém deu importância, para além de meia dúzia de amigos e ninguém vai provavelmente dar.
    Mas deviam.
    No entanto, JAB não tem capelas abertas por onde entrar neste culto quase privado da escrita para venda.
    Por falar nisso, que vale realmente o livro de Francisco José Viegas?

    Realmente, quero dizer…e não convenientemente.

  5. A providência cautelar caiu que nem uma luva nos intentos comerciais do JPG e a MRP caiu na esparrela. Tivesse ela ignorado o livro e eu queria ver o vendias.

  6. A bem da verdade, e se não me engano, há que assacar o oportunismo da edição ao editor, não ao JPG. Os textos sobre a “Alforreca” já há muito tinham visto a luz no “Esplanar”.
    Como dizia já não sei quem, isto foi um pouco como se um crítico de música erudita de repente se lembrasse de criticar delongadamente o Marco Paulo…

  7. Adelino,
    O George tem todo o direito de dizer o que quiser de quem quiser. E eu, parece-me, tenho todo o direito de dizer que aquilo que ele diz é óbvio e inútil.

    josé,
    Uma das últimas demolições mais interessantes foi a que o Pacheco Pereira levou a cabo, e que o envolveu com toda a justiça (juntamente com a Zazie, e outros patetas da mesma igualha). Cá está, como prova, mais um dos seus comentários paranóicos, mal escritos e mal pensados. Que mania das conspirações e da perseguição, porra. É assim tão difícil admitir outras razões mais que prováveis para o sucesso dos outros, em contraste com o seu próprio fracasso? Experimente esta: o talento dos outros e a sua completa falta dele.

  8. Razões pelas quais o “Estado Novo” não foi Fascista nem Totalitário
    “É um facto que o conceito de “fascismo” se tornou hoje num instrumento e luta polémico e não deve ser associado a uma “ditadura de direita”. O emprego do termo “fascista” relacionado com o Portugal Salazarista deriva de todas as ditaduras de direita serem comparadas com o fascismo italiano. No entanto, o nacionalismo imperialista de Mussolini e a ditadura total de Hitler não podem, sem violência historiográfica, ser comparadas com o autoritarismo conservador – paternalista – do Dr. Salazar. Com esta equiparação confundem-se diferenças históricas, sociais e estruturais; o totalitarismo nacional-socialista e fascista é minimizado, enquanto a branda ditadura do Dr. Salazar é demonizada. O “Estado Novo”, ao contrário do nacional-socialismo e do fascismo, foi quase um Estado apolítico, uma vez que não propunha uma ideologia obrigatória. É certo que o Dr. Salazar não permitiu, em sentido estrito, uma constituição democratoparlamentar. Contudo foi pensada em ordem a uma limitação dos poderes do Estado e a uma autonomia dos corpos sociais. A sua Governação estava sobretudo interessada numa “apolitização” da população, ao passo que Mussolini e Hitler “politizavam” e “fanatizavam” os seus povos. A extensão do conceito de fascismo correspondente a uma definição polémica, uma vez que acentua as referidas diferenças. Por conseguinte, esse conceito tal como o de totalitarismo são completamente inadequados em relação ao “Estado Novo” que propunha na sua Constituição uma livre formação de opinião.
    O “Estado Novo”, surgido a 28 de Maio de 1926, fora o resultado de longos esforços em prol da ordem e da moral e eclodira de um golpe militar, não sangrento, contra uma República decadente em que reinavam a degeneração moral, o descalabro económico e a anarquia política. Esta República era um coio de bolchevistas e anarquistas que tinham levado o pais à ruína, através de um parlamentarismo que não funcionava, frequentes lutas eleitorais e ataque cerrado aos princípios cristãos. De 21 de Agosto de 1911 (dia em que a República for proclamada) a 28 de Maio de 1926 (dia em que começara a Revolução Nacional), esta República contara 8 Presidentes, um dos quais – mediante o auxílio de lojas maçónicas estrangeiras – fora assassinado, e 44 Governos. Raramente conseguia manter um Ministro no lugar mais do que alguns meses, e no decurso de 15 anos, para cima de 20 revoluções e golpes de Estado. As greves dominavam; entre 1910 e 1925 houve 158. Não contente com isto, a extrema-esquerda difundia cada vez mais o terror, e só entre 1920 e 1925, explodiram em Lisboa 3215 bombas, que mataram e feriram numerosas pessoas, de modo que a Revolução nacional se tornara uma necessidade urgente. A situação financeira do País era catastrófica. Um funcionalismo público corrupto e políticos ignorantes tinham levado as finanças do Estado praticamente a zero. Por isso, a 27 de Maio de 1926, o Marechal Gomes da Costa mandou pôr nos muros de Braga o seguinte apelo: “Portugueses, a situação política do País não é suportável para homens de valor e honra… Às armas Portugal, pela liberdade e honra da Nação. “O Exército ouviu a voz do seu chefe, e todos os patriotas, quer monárquicos quer republicanos, saíram em conjunto para a rua. A Nação estava farta da guerra e da tirania de políticos irresponsáveis; queria um Governo forte.
    A 28 de Maio de 1926 foi a marcha em direcção a Lisboa e o regime caiu como madeira podre.
    Nesse 28 de Maio, Portugal foi salvo das lojas e células maçónicas, do Grande Oriente e do Comunismo Soviético. Já era tempo. Contudo, os militares brevemente se revelaram incapazes da governação. Os objectivos estavam lançados, os pontos de vista eram correctos, as pessoas estavam unidas. Mas faltavam experiência e compreensão das coisas.
    Na Primavera de 1928, dois anos depois, em que os generais não tinham conseguido enfrentar a caótica situação financeira, Portugal encontrava-se na situação de ter de escolher entre duas formas de ditadura financeira: ou um consórcio franco-britânico ou o jovem Professor de Finanças e Economia, da Universidade de Co,mimbra – a Oxford Portuguesa – Prof. Dr. António Oliveira Salazar. Os generais portugueses, depois de terem assumido a responsabilidade do Estado, mostraram bom-senso em compreender que nenhum País pode ser governado durante muito tempo por militares. Em 1928, o Prof. Salazar reduziu o funcionalismo para um terço; no segundo ano restringiu-o a dois terços, – enquanto coordenava melhor o poder. Aumentou os impostos e contribuições – foram suor e lágrimas – para conseguir um orçamento saudável.
    A partir daí, saneou as contas do Estado. Pagou os empréstimos e os investimentos estrangeiros, de modo a que o escudo passou a ser uma moeda tão forte como o dólar americano ou o franco suíço. António de Oliveira Salazar nasceu em Santa Comba Dão em 1889. Para a política e a governação era portanto ainda um jovem. Provinha de uma família rural pobre. Dela recebera o senso prático, o espírito de poupança e de trabalho, a prudência nos negócios, a decisão certa, a simplicidade, levada ao máximo, a ausência de luxo, o gosto pela autoridade, o respeito pela tradição, um patriotismo raro e a religiosidade. A sua família era profundamente católica e ele era-o também. A princípio julgou que tinha vocação para o sacerdócio. Recebeu ordens menores e chegou a pregar na igreja da sua paróquia. A sua vida privada era a de um asceta. A sua eficácia derivava mais de uma autoridade moral que política. Nunca será demais acentuar que o Prof. Salazar nunca fez política por gosto mas sim por dever. Em 1920 ocorrera a grande desvalorização da moeda portuguesa. Daí resultara uma grave situação para o País, e o Dr. Salazar, que já advertira o País dos perigos de tal situação, procurou ligar-se aos homens abnegados que tinham fundado o Partido do Centro Católico e tentavam reunir todos os crentes, monárquicos ou republicanos. Em 1921 chegara a ser convidado para deputado, mas só tomara parte nos trabalhos durante alguns dias, porque depressa compreendera que nada havia a esperar do Parlamento. Por isso renunciou ao cargo e cessou toda a actividade política, até que os militares o foram chamar novamente para Ministro das Finanças. Em 1932, foi nomeado Presidente do Conselho de Ministros e depois de pensar na reforma financeira, pôde pensar na reforma do País.
    Qual era então o pensamento do Dr. Salazar? Quais os seus princípios e métodos? O seu pensamento era um pensamento novo em Portugal: o de um homem que nada tinha de politizador, como era típico de Mussolini e Hitler. Os seus princípios eram de cariz moral e educativo. Para o Dr. Salazar a política era sobretudo educação, educação moral. Estava convencido que um povo pode ser educado até corrigir os seus erros, mediante disposições e leis adequadas. Aos seus olhos, um Povo não só devia como podia ser educado para a prosperidade da Pátria e do bem comum. Um orgulho nacional são – a não confundir com um nacionalismo cego! – era, a seu ver, necessário ao Povo português para lhe tornar a dar a sua identidade e para lhe ensinar a tornar eficaz o seu amor pela Pátria. Uma renovação assim só se poderia conseguir com autoridade. Digo autoridade e não ditadura, porque o governo do Dr. Salazar não foi ditadura no sentido estrito do termo. Nunca quis apoderar-se das liberdades para si, para o seu governo, para o Estado. Ao invés, queria voltar a dar ao seu País os bens essenciais. O Prof. Salazar não era estadista, era sim anti-estaditista. Serviu-se da ditadura como único meio de reconduzir o Estado ao seu âmbito natural; o que quer dizer que o Estado não deve fazer tudo. O Objectivo do Dr. Salazar era reduzir gradualmente as competências e intervenções do Estado. Uma posição completamente anti-totalitária! O Estado português era um Estado forte mas limitado nos seus poderes através da lei, dos costumes e das bases do direito dos povos, tendo em conta a segurança e as liberdades do indivíduo. O estado não era minimizado nem endeusado. O Estado português amava a paz, possuía um pensamento e colaborava na manutenção da paz.
    Deste modo, durante a 2ª Guerra Mundial, Portugal permaneceu neutral (o que foi reconhecido por todos os países em guerra), concedeu algumas facilidades à Alemanha de Hitler mas também pôs à disposição dos aliados valiosos pontos de apoio nos Açores. Durante o êxodo judaico para os Estados Unidos, Portugal chegou a ser o ponto de fuga mais importante:
    O Dr. Salazar foi um ditador sem violência, um ditador por dever. Foi talvez o autocrata perfeito. Não valorizava a ditadura. Não era dominado pelo poder. Não sentia por ele qualquer gosto, mas tinha o dom de o usar com bom-senso. Usava o poder com a firme convicção de que tinha sido investido numa missão histórica tal como um cristão deve carregar a sua cruz. Conhecendo bem as características dos seus compatriotas, no seu primeiro discurso fez-lhes um pequeno aviso: ao definir o seu programa político, prometeu que não se deixaria arrastar por projectos grandiosos que lhe roubariam toda a energia. Não queria deslumbrá-los, queria ter a força suficiente para realizar o necessário. O «Estado Novo”, que no exterior era considerado como um Estado corporativo, baseava-se, tal como o Prof. Salazar realçava, na doutrina das Encíclicas Papais. Já por essa época, este regime autoritário-paternalista era difamado pelos comunistas como sendo fascista. O que não correspondia de todo à realidade. O “Estado Novo” reconhecia Deus como fundamento de todo o direito e da “plena liberdade de consciência”. O Presidente da República, que incarnava o regime foi escolhido através de eleições directas. É certo que só existia um Partido, a União Nacional, mas esta tinha um sector de esquerda, outro da direita e um centro. A União Nacional constituía a Assembleia Legislativa que não podia dissolver o Governo, mas que tinha de sancionar o Orçamento e determinadas leis, bem como assumir uma série de competências na área legislativa. Neste Estado de natureza quase única, as pessoas, desde que mantivessem os limites, podiam pensar, falar e agir como quisessem. Os portugueses gozavam de mais regalias do que muitos cidadãos de algumas “democracias”. A Justiça era independente, não existia pena de morte ou qualquer campo de concentração. Os portugueses não temiam o Prof. Salazar, não precisavam de o cortejar. Ele aliás não lhes dava oportunidade para isso. O seu regime era patriarcal e autoritário e, como tal, muito longe do Estado totalitário ou do fascismo. Sob o seu governo consciencioso e com finanças equilibradas, Portugal gozava de ordem e de paz e de um progresso gradual. Não existem sistemas de governo defeituosos ou impecáveis, existem sim governos estáveis ou instáveis. Tendo em conta as qualidades e fraquezas do povo português, o regime do Dr. Salazar concedera o máximo de liberdade, que tem de estar ligada à ordem do Estado, e é condição necessária para o desenvolvimento colectivo. Apesar da guerra e da crise económica mundiais, a situação político-económica de Portugal, sob o Dr. Salazar, melhorava progressivamente. O nível de vida, quer material quer espiritual, melhorara também, embora lentamente.
    O Prof. Salazar realizara, de facto, uma obra excepcional. O seu trabalho fora ingente. Salvara o seu País do bloqueio, repusera de novo as finanças e a credibilidade. Dera a Portugal os meios necessários para continuar e refizera a sua imagem. Diga-se o que se disser sobre os seus métodos de governo, conseguira dar ao seu País, não apenas as condições para um desenvolvimento calmo e gradual, em tempos extremamente difíceis, como também traçara o caminho para a prosperidade. Talvez fosse um ditador mas de uma forma especial e inconfundível. Não era um tributo – como Hitler ou Mussolini – a suscitar o entusiasmo das massas, nem um adepto do rígido poder militar. Era antes um intelectual conservador. Conseguira adesão mais por competência rigorosa e sóbria do que por brilho retórico ou pela força. Nunca o mais leve rumor de escândalo afectou a sua pessoa. Os 40 anos de estabilidade que o seu governo deu ao País nunca poderão ser suficientemente valorizados.
    Retrospectivamente, a obra mais notável e duradoura do Dr. Salazar foi ter transformado o País: de uma Nação rural passou à industrialização. Estabeleceu os pressupostos para a prosperidade. A sua pessoa e chefia só poderão suscitar consideração e respeito. Chamar-lhe fascista é injusto e não corresponde aos factos! Quanto ao totalitarismo: o fascismo e o nacional-socialismo que, sob determinados aspectos, podem ser englobados, eram totalitários e o seu pólo oposto, o comunismo soviético, era-o ainda mais. O primeiro propunha unidade no Estado, o segundo, unidade absoluta no Povo, o terceiro, unidade no Partido. Mas o primeiro, o fascismo, só era totalitário na política; o segundo, o nacional-socialismo, era-o em duas dimensões: a política e a ideologia. O terceiro, o bolchevismo, era-o em todas as dimensões. O “Estado Novo” não pode ser comparado com nenhuma destas ideologias; qualquer opinião contrária não é verdadeira.
    O fascismo tinha indubitavelmente raízes e elementos socialistas. Mussolini, que no 1º de Maio de 1922 fora convidado pelos socialistas de Zurique, dissera de si mesmo: “Não poderão livrarse de mim, eu sou e serei um socialista”. Também assim se expressava Adolfo Hitler: “Eu sou socialista… Comecei como simples trabalhador e ainda hoje não suporto que o meu motorista tenha uma comida diferente da minha». O fascismo tinha uma clara componente social-revolucionária e foi sempre anti-conservador e anti-reaccionário, muito embora, a decorrer do tempo, tivesse pactuado, por razões tácticas, com os representantes políticos dessas correntes. O mesmo está expresso na canção nazi “Die Fahne hoch” (Horst-Wessel) quando diz: “Camaradas, depois de termos eliminado a frente vermelha e a reacção, elas marcham agora nas nossas fileiras”. O Prof. Salazar, ao invés, era sob todos os pontos de vista, mais conservador, um anti-socialista, com uma posição crítica perante as mudanças rápidas, o que o separava nitidamente do fascismo. O elemento social-revolucionário e sindicalista faltava ao “Estado Novo” o que o distinguia também do fascismo.
    Nos países fascistas realçava-se o mito do Povo e o elemento rácico, sobretudo na Alemanha de Hitler. Em Portugal e nos seus territórios ultramarinos não havia separação de raças, não existia o “Apartheid” ou algo de semelhante. Em Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, em Cabo Verde e em S. Tomé e Príncipe, África e Portugal uniam-se. Ainda hoje, o Presidente do “Núcleo de Estudos Oliveira Salazar”, Dr. Pinheiro da Silva que, agora como anteriormente, mantém a bandeira do Salazarismo, é de origem angolana autóctone!
    Acrescente-se que, em 1949, Portugal foi membro fundador da NATO e, em 1959, membro fundador da EFTA. Se fosse fascista, de nacionalismo extremo ou totalitário, nunca países sociais-democratas, como a Suécia, teriam permitido que tivesse colaborado na criação de uma zona europeia de comércio livre. Um Estado fascista-totalitário na EFTA? Não seria possível!”

  9. Ricardo,

    Isso é verdade. Mas fica aí. Não é «spam», não é ofensivo. Vive, decerto, duma visão mitificada do velho Ditador. Mas isso não desqualifica o texto. Nem o autor.

  10. Outra coisa ainda, Zé:

    O Pacheco Pereira – e pelos vistos outros que o acolitam- queria safar da blogosfera quem o incomoda.
    Para tal, elencou uns tantos anónimos cuja identidade pescou aqui neste blog e noutros dois ou três e afinfou-lhe num artigo de jornal(!!!)uns epítetos do mais rasca que se pode ler em escritos do género.
    O retrato que fez dos anónimos que escrevem a criticar o que ele escreve para público comprar e ler, nunca ultrapassaram, que eu me lembre, a barreira da crítica legítima.
    Mas a grande porra é que nunca ninguém o tinha feito até aí, de modo contundente, como ele e outros por vezes merecem.~
    E assim, toca de os acantonar como doentes mentais e outras coisas que tais que como é bem sabido eram usuais… na antiga URSS, por exemplo.
    Aí, nas alas psiquiátricas eram encurralados os dissidentes. Á falta de melhor argumento para se combater ideias, há sempre o terrorismo da palavra contra o outro que nos incomoda…

    A ortodoxia detesta sempre quem disside do discurso com cheiro a mofo.

    E por aqui me fico que a sua prosa não merece mais.

  11. quem é este zé? que escreve ele para além destas tricas de varina?

    Qual é o blogue do espécime, para a gente avaliar de tanta presunção.

    Os outros, ao menos conhecem-se-lhes os textos. A este só se lhe conhece a má-língua.

  12. Será que a avantesma está convencida que o Pacheco Pereira o não incluiu no grupo por grande admiração?

    O Pacheco mandou nomes ao calha. Viu-se perfeitamente ao publicar alguns mails no próprio Abrupto.

    No entanto, gostava de ver se este caralho tivesse sido incluído no grupo, conseguia ter tanto blogger a limpar-lhe a honra como alguns dos visados. ~
    Mas enfim… paneleirice é como a água benta- cada qual leva a que quer…

  13. Zé,
    Desculpe a intromissão, mas eu tb passei por esse momento de glória blogueira que foi figurar entre a chamada fauna do JPP, com honras de crónica de jornal e tudo.
    E intrometo-me porque acima o Zé qualificou essa fauna do JPP como uns “patetas”. Presumo que isso apenas serviu para acirrar o José. Se foi ainda vá que não vá. Se não, gostava que me explicasse a razão desse epíteto, para que assim todos possamos avaliar da honestidade das suas qualificações ou insultos. Explique-se.
    Pena foi que, provavelmente, o Zé não frequentou o defunto Espectro, nem lá deixou quaisquer comentários à cerca dos posts em que o JPP foi visado, mais do que uma vez e não por simpáticos motivos, porque se o tivesse feito tinha visto um bocadinho mais longe do que o famigerado artigo transparecia e por certo teria grandes chances de figurar no rol desses “patetas”.

  14. Fernando,

    Esse textículo já anda por vários sites. E não se menciona aqui o seu autor: um tal de Philippe Maegerle.

  15. Zé:
    Ponha-se no meu lugar de leitor comum. Eu gosto duma história, bem esgalhada. Mas chateia-me levar merdas para casa e ter que as enterrar ainda vivas. Acontece-me com frequência.
    Os escaparates das livrarias estão cheios de espaços pagos pelas editoras, a oferecer-me vozinhas que nem direitos de autor merecem. Ou não têm nada de novo para dizer, ou não sabem como dizê-lo. Ou ambas ao mesmo tempo.
    Dá uma trabalheira levar para casa uma coisa limpinha, como sabe. E o dinheiro não cai do céu.
    A crítica deve ajudar o leitor nessa labuta de Hércules. Para isso a inventaram. Mas muitos críticos, ou se perdem nos labirintos duma fraseologia críptica de iniciados, inacessível à pachorra do leitor comum, ou gastam a vida que têm a passar a mão em pêlo alheio. Não atam nem desatam, e eu assim não me entendo.
    Você diz que o JPGeorge quer ser o Pacheco. Quero lá saber disso!
    Que o Pacheco, esse sim, demolia Namoras! A mim o Namora já nem me chateia!
    Que a crítica do Pacheco estava legitimada pela sua obra de ficcionista! Então acha que a crítica do Pacheco é legítima, lá porque o Libertino foi ao cu a um soldado em Braga?
    E olhe que o Pacheco também fez trabalhinho de formiga. Como é que pensa que ele encontrou as chupices todas que o Namora foi buscar à concorrência? Em todo o caso não esqueça que o Pacheco já não é o que era. Até ele foi levado pelo arrastão da oficina do livro!
    Você diz que o JPGeorge não sabe escrever! E isso que me interessa, se eu o não procuro como escritor?
    Você diz que ele gasta tiros de canhão com moscas. Talvez para si, porque eu cheguei a trazer para casa um trabalho da Rebelo Pinto, para tirar a prova dos nove. Afinal sempre é a mulher que mais vende por aí! Porque será?
    Não passei da página 18. Então não é uma tristeza? Tivesse eu ouvido o crítico e evitava a chatice.

  16. Anónimo das 06.51 PM: obrigado pela informação. Eu não estava a par. Vi que o texto tinha, sim, todo o aspecto de enlatado.

  17. O texto do sr. Oliveira é um Ovo da Serpente, que manipula as nossas aflições e a nossa falta de memória.
    Aproveita as dificuldades e impasses que a democracia portuguesa enfrenta. E procura branquear uma figura e um regime que condenaram a esmagadora maioria do país à indigência(cívica, cultural e material).
    Quer-nos capear com as suas histórias sobre a NATO e a EFTA.
    E não diz uma única palavra sobre a maior tragédia que esses avatares provocaram a Portugal, que foi a política colonial do regime.

  18. Ufo,

    Essa sua ideia de que basta ler o crítico para poupar a morte do escriba, é no mínimo, genial.

    Os crìticos ao poder. Já.

  19. Talvez a rita seja uma daquelas vestais de capelinhas que por aí há, onde se incensam deuses de barro, se praticam cultos de seita esotérica, onde se leva a palavra aos limites da linguagem e outros milagres da arte para eleitos. Eu, se quiser assistir a missas dessas, vou a certos lugares onde se faz o mesmo trabalho sem enganar ninguém.
    Não quero saber quem está no poder, porque não me interessa poder nenhum. O que pretendo dum crítico é que ele me ajude a perceber aflições deste género:
    – sou eu que sou estúpido, ou o L.Antunes anda a produzir uns tijolos literários que ninguém lê, e que eu só poderei entender daqui por 50 anos, porque ele é um génio avançado no tempo?
    – estou muito enganado, ou o Saramago aparece com umas estopadas que fazem bocejar, mas que toda a gente leva para casa?
    – sou eu um ignorante insensível, ou muita coisa que aparece aí nas livrarias são objectos de comércio para fazer dinheiro, e não obras com dignidade criativa?
    O crítico, ou serve para isso, ou vá alistar-se no Iraque! Não pode um leitor desejar uma tal coisa, dona rita?

  20. Ó Zé Pincél!
    Em questões de ignorância seremos parecidos, não discuto. Mas noutras coisas somos diferentes.
    Eu, por exemplo, ando há séculos a marrar contra a minha ignorância. Já no seu caso, tenho dúvidas.
    De qualquer modo, justifique lá o pão que come, e faça um favor àquela parte da humanidade que sou eu. Explique-me a minha ignorância, a ver se eu me livro dela.
    Ou V. só treina na bancada?!

  21. UFO

    Eu, parecido contigo? Nem pensar!

    Se és ignorante, o problema é teu!

    “ando há séculos” ? Então o teu problema é mais grave do que parece!

    “a marrar contra a ignorância” – e ainda não te apercebeste que o ignorante és tu e só tu?

    “àquela parte da humanidade que sou eu” – os Ignorantes!

    Perder tempo contigo? Né!

  22. Descanse, pois, em paz, Zé Pincél. Os tipos do seu género têm à sua frente a eternidade toda dos inúteis. Só ninguém sabe para que é que eles servem!

  23. caro jagudi,

    na indigência estão agora a maior parte dos portugueses.se é dos priveligiados que se estão a dar muito bem com tudo isto, sorte sua. mas a maioria está mesmo é na indigência,e os que não estão totalmente este governo está a tratar de os pôr. por acaso, no tempo do Salazar eu, se não era rica ( bem longe disso) também estava muito lonje da indigência – coisa de que agora não me posso gabar.

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