Estação terminal [actualização]

O nosso TT achou-o um texto à Valupi. Não se podendo negá-lo, tem de reconhecer-se-lhe grande classe. Apareceu num comentário ao post anterior e foi modestamente assinado por «Zé das Couves». Merece estar aqui. Título da minha responsabilidade.

Não existe nada mais triste do que uma estação terminal. A beleza de uma linha férrea é a sua continuidade, o padrão interminável, madeira sim, madeira não, a estender-se para um lugar que os olhos não vêem mas o coração adivinha. Fico de pé, junto ao carril, e imagino aquela força que passa sem se deter, o delicioso impacto do vento que me empurra para trás sem me tirar do lugar; o som, depois o som perdendo-se enquanto galga os espaço de uma descoberta constante, lado a lado com o adolescente que nos olha do banco de trás de um carro. Uma revista aberta, um sono em recuperação, um olhar para o horizonte sem sincronia possível com o pensamento.
Uma estação terminal é um lugar triste. Uma parede que é um nada. Há-de haver um. Há-de haver um dia um comboio que, com a sua pesada vontade, não se deterá. Há sempre um. Por cada comboio que passou vem sempre outro a caminho.

«Zé das Couves»

Actualização
Pois é. Indirectamente alertado, fui dar com este texto no blogue A Origem do Amor de Miguel Tomar Nogueira. Estamos agora informados do seu autor. Sirva a oportunidade para sublinhar de novo a qualidade do texto. E para se nos permitir guardá-lo, já agora, também aqui
.

22 thoughts on “Estação terminal [actualização]”

  1. Estou cansada. Ainda não são oito horas e eu já estou cansada. Não é, portanto, um cansaço passageiro. Resiste à noite e resiste ao descanso. Tenho mais um dia de cortar à faca pela frente e estou cansada de dias de cortar à faca. Queria ser capaz de cruzar os braços e não sou capaz. Queria ser capaz de assobiar para o lado e não sou capaz. Queria dizer paciência, amanhem-se e não sou capaz. Queria ser capaz de dizer só dou em troca do que recebo e não sou capaz.
    Levantei-me cansada. Não sei se mais cansada das guerras que já travei se das que tenho para travar. Não sei se das palavras que já disse. Se das que tenho para dizer. Se das que não disse. Ou das que não posso dizer.
    Cansada de contarem comigo. De me armar sempre em forte. De não ser forte. De estar sempre aqui. De não ser capaz de não estar aqui.
    Vai ser mais um dia de cortar à faca. E estou cansada de ainda não ter aprendido a lidar com dias de cortar à faca. Já vivi milhares deles. Já tinha a obrigação de ter aprendido. Estou cansada de não aprender. De nunca aprender nada.

    E estou cansada de ainda não ter desistido de colo. Uma mão no ombro. Um empurrão. Estou cansada de dar sempre a impressão que aguento sozinha. Que sigo sozinha. Que não vale a pena preocuparem-se porque a Isabel passa ao lado. Magoa-se, mas passa ao lado.Tem a obrigação de passar ao lado. Maturidade, o tanas. Experiência o tanas.

    Na empresa as pessoas querem ver o Mundial. Na rua, as pessoas querem ver o Mundial. Em casa o meu filho quer namorar (como eu queria namorar quando tinha a idade dele…), no resto…no resto…estou cansada de tentar encontrar razões. Saídas. Palavras. Pedacinhos.
    Estou cansada do Troll, da CT, de me meter sempre em mais coisas, de achar que tenho a obrigação de não dedistir, que não posso desiludir, que tenho que honrar os compromissos, que tenho que ser fiável e confiável, que tenho que me aguentar à bronca. Às broncas todas.

    Desculpem. Eu sei que isto é estúpido. Não tenho dinheiro para o psicanalista. Não tenho ninguém a quem queira incomodar a falar deste cansaço. Têm que levar vocês comigo…As horas passam…quase chegam as oito. Tenho que me vestir, sair, beber café, entrar na empresa, ver, ouvir, falar milhares de vezes as coisas de milhares de vezes, fazer milhares de vezes as coisas de milhares de vezes…tenho saudades de algumas vezes em que não estou cansada de mim.

  2. Estava eu, calmamente a tentar curar a neura monumental, em frente a um arroz de tamboril, quando recebo a chamada de uma amiga a perguntar se eu sou o Zé das Couves.
    Tentando a todo o custo não me engasgar com a espinha (nunca percebi porque é que as espinhas do tamboril, têm aquele ar tão pirado…),consegui dizer O Zé das quê???? Confesso que ainda pensei duas vezes…com a ressaca dos ultimos dias ,ontem olhei para o espelho e achei-me com cara de Tofu…portanto, porque não podia ter nome de Hortaliça???…Mas não. Não sou o Zé das Couves, para grande tristeza minha…mas, de facto, o post é meu…é lá do Troll, escrito, assim, numa altura daquelas em que adorávamos ter o Estádio da Luz em dia de Benfica-Sporting, a fazer-nos festinhas na cabeça e a dizer, deixa lá querida, isso passa…não te preocupes…
    …blhe…blhe…blhe…(isto seria suposto ser o som daquelas coisas que a gente faz nos queixo dos bebés, enquanto fazemos figuras de parvos).Tadinha…e mais umas mariquices assim.
    Só não esparava vir encontrar o meu muro das lamentações no Aspirina, assinado pelo Zé da hortaliça…p’ró que uma pessoa está guardada.

    Olhem, desculpem lá…e já agora Sr.Zé, p’rá outra vez escolha um post meu em que haja gajos ou gajas bons…ao menos anima as leitoras e os leitores do Aspirina.
    E só para terminar, cum caraças, uma pessoa perante pancadas destas…até parece normal!!!!

  3. violeta, o post que disseram parecer do valupi não é da isabel faria. deve ter sido copiado de um outro blog. assim, fica a pergunta: «quem será a alma gémea do valupi?» :D

  4. adenda: a correcção para «alma» porque, evidentemente, não corcordo com a designação que a violeta usou, para qualquer dos referidos.

  5. VITÓRIA

    Mais uma vez a RIAPA conseguiu levar ao tapete o Aspirina, desta vez através do nosso sargento-ajudante Zé das Couves que cilindrou o soldado raso Fernando Venâncio. Por este feito o nosso herói foi promovido a Alferes.

    Viva o alferes Zé das Couves!

  6. Há flores e flores. Eu gosto das Rosas porque até têm espinhos, ou então uma Hortência porque se vê bem. Violetas e Margaridas são muito discretas na aparência mas mordem mais do que as menos discretas. Gostos.

  7. As motivações do senhor Fernando Venâncio são muito mais de ordem moral que metafísica. Ele define-se, antes de mais, pelo temor de um líder antropomórfico, obrigado por um determinismo intemporal e, por conseguinte, como o próprio Fernando, senhor a cada instante dos seus actos e das suas respostas. O senhor Fernando sofre, porque está disvirtuado pelo uso excessivo do verbo, e já não consegue obter a adesão dos leitores. O seu pensamento está constantemente voltado para uma exasperação moralista da noção de certo, levando-o a uma desconfiança profunda não só em relação ao mundo, como a si próprio. É, literalmente, um pobre de espírito!

  8. A susana é prima do Zé das Couves? Então temos uma susana das Couves! Sempre tive a sensação que a susana era um pouco rústica. è destas mulheres que eu gosto!

  9. Não percebo este R|APA, tem dias em que é tão estúpido e dias em que é tão esperto.

    O que levanta aquela velha questão epistemológica: existe alguma diferença entre os loucos e os que fingem ser loucos?

  10. Achas que sim “ai ai”? Vê lá pá eu contigo não quero ter discordâncias, com o Valupi ou Filipe Moura ainda vá que não vá, agora contigo não.

    (espero que o Filipe me perdoe mencioná-lo neste contexto …)

  11. Exma. Senhora Isabel Faria

    Fico a saber que a senhora está, ou costuma estar, com “neuras monumentais” e que mal aconselhada, possivelmente pelo Professor Karamba,pensa que comendo arroz de tamboril (prato dos ricos)fica curada. É pura mentira.

    Ponho-me ao seu dispôr para tentar curá-la da dupla personalidade (Zé das Couves) que a afectou ultimamente.

  12. Meus caros

    É um bom texto, temos de agradecer ao Zé da hortaliça ter tido o trabalho de o ter aqui revelado.

    Quanto a essa novidade, os “textos à Valupi”, estais brincando. E com graça.

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