Ao Desertor Desconhecido

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Atravesso, no norte da França, as doces colinas da região do rio Somme. Nos bordos da auto-estrada preza-se a fertilidade dos campos, tal como noutros sítios se decantam os vinhedos. Mas a França não esquece a História, e relembra as batalhas aqui travadas nos finais da I Guerra Mundial. «Les batailles de la Somme», diz o placard gigante.

Às dezenas de milhares ficaram eles aqui. Alguns milhares eram miúdos portugueses, mal vestidos, mal treinados. E porquê? Porque o senhor Afonso Costa queria, à viva força, poder sentar-se com os grandes quando, em breve, o bolo fosse dividido. E uma bela fatia do bolo eram as nossas colónias africanas, em que a França e a Inglaterra (como, quando podia, também a Alemanha) punham gulosos olhos, mas que nós – nós – tínhamos o direito de explorar, enquanto a coisa desse. E deu ainda muito, mal sabiam eles. E pediu uma nova guerra, onde iriam morrer mais uns milhares de moços portugueses.

Apetece-me pensar que, em 1918, um deles não morreu. Ou que não morreu ali. Fugiu, escapou-se. Meu longínquo irmão, ele andou semanas aos tombos, até atingir a Holanda, a cento e cinquenta quilómetros, terra então pacífica.

Há guerras em que dizer «Não» é a única saída nobre.

fv, desertor do exército colonial português

9 thoughts on “Ao Desertor Desconhecido”

  1. Margarida,

    1. Eu não costumo apagar comentários de que não gosto.

    2. Você escreveu aqui algum comentário que foi apagado? Eu nem o vi nem o apaguei.

    3. Esteja à vontade para repeti-lo.

  2. À primeira questão, tenho a dizer:
    – as 7500 vítimas portuguesas de La Lys eram escusadas. E os milhares que vieram morrer a casa, com os peitos gangrenados pelo gás de mostarda também eram escusados. Ninguém os mandou chamar, ninguém os queria lá para nada. Não terá andado bem a 1ª República e o sr. Afonso Costa, ao mandá-los para o açougue.
    Mas nessa época não estava madura a maçã colonial, que é a 2ª questão.
    – Na década de 60, a política colonial portuguesa e a guerra que daí resultou só encontram explicação na demência. E não têm perdão. É claro que o país, hoje democrático e moderno e com crédito fácil no banco, já esqueceu tudo isso, por ter a memória fraquita. Falar nessas coisas hoje é um exercício de arqueologia. E é pena que assim seja. Porque esse passado ainda recente marca-nos a todos, foi arquivado por indesejável antes do tempo.
    É por isso que o FV tem aqui o meu abraço. Porque desertou dum absurdo, duma estupidez crassa. E porque, se o não tivesse feito, podia muito bem não estar hoje aqui, a postar este assunto. Estava a fazer tijolo, ao serviço duma pátria falsa.

  3. Gostei das palavras que te vieram à cabeça quando andaste pelas margens do Somme, a sentires nos bafos das aragens o espírito dos desgraçados que foram defender as pátrias mercenárias a soldo da intriga política internacional muito preocupada em arranjar uma caminha quente para instalar o Estado de Israel na Palestina. Sim, porque não eram só os milhos africanos que havia com fartura para descamisar, deixando os negros morrer à fome. Outros valores, mais altos e mais sionistas, se levantavam. Mas no fim lá tudo se arranjou: mamámos essa, graças ao Afonso e aos seus amigos, os mesmíssimos que anos antes antes tinham ido a Inglaterra consultar os seus brothers sobre a data mais apropriada para organizar o 5 de Outubro glorioso, e mamaremos outras, se o povo não se puzer a pau quando a malta do costume resolver que é tempo de tocar as cornetas patrióticas.

    Quase que me dás ensejo para te falar de cloreto de magnésio, chlorure de magnésium, produto em abundância no Mar Morto, um dos possiveis motivos que levou o Sionismo a recusar a oferta de criar um israel no Uganda, e de efeitos altamente terapêuticos que têm sido escondidos pela corja curandeira ao serviço da outra enorme Corja, mas não me quero estender. Guardo para o futuro, quando aparecer por aqui um camarada cheio de inchaços medicinais. Só te digo isto: um livro velho que encontrei num bouquiniste na área de Montmorillon, la Cité du Livre, em França, veio provar-me que as teorias da conspiração não são de hoje nem de ontem, são de há muito tempo e ainda bem.

    Margarida arrependida,

    Meu amigo, cuidado com o Fernando, esse menino apaga tudo o que aparece por aqui a dizer bem do PS e do Bloco. Se gosta desses bichos, aconselho-o a disfarçar esse segredo. Finja, por exemplo, que é um revivalista do salazarismo e verá que não lhe acontece nada.

    TT

  4. “Os comportamentos do Fernando são tão obsessivos que indiciam distúrbios psiquiátricos de muita gravidade. Fugiu da guerra, teve medo, borrrava-se nas cuecas. Qual é o mal? Agora querer uma medalha pelo acto, francamente. Se todos fossem como ele, Portugal nunca teria existido! Felizmente é excepção, e neste caso psiquiátrica! – Kitéria Bárbuda in “Os Cuecas de Buda”, Revista “Espírito”, nº 37, 2006.

  5. O senhor mente, Fernando. Apagou à pouco o comentário que está aqui por cima e não deixou entrar o meu. Este blog é esquisito!

  6. “Meu amigo, cuidado com o Fernando, esse menino apaga tudo o que aparece por aqui a dizer bem do PS e do Bloco. Se gosta desses bichos, aconselho-o a disfarçar esse segredo. Finja, por exemplo, que é um revivalista do salazarismo e verá que não lhe acontece nada.”

    lol

    TT, tu davas um bom psiquiatra davas.

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