Um abutre chamado Zoé

Zoé Konstantopoulou, a fulana que há tempos era sócia de Tsipras e presidente do parlamento grego, passou depois a acusar o dito Tsipras de trair o célebre referendo de 2015. Nesse referendo, lembrar-se-ão, 61% dos votantes disseram não à austeridade. Perante tal vitória, Zoé esperava que o governo do Syriza declarasse a dívida grega “ilegal” e a anulasse. Em vez disso, Tsipras ignorou o resultado do referendo e pediu um terceiro resgate à troika, como muitos achavam que era previsível. Como era igualmente óbvio, o referendo não serviu para nada, excepto para rebentar com o Syriza ao retardador.

Numa entrevista dada hoje ao DN, o abutre Zoé responsabiliza histericamente o governo do Syriza pelos incêndios gregos, com argumentos semelhantes aos utilizados em 2017 pela direita em Portugal, e diz que vai processar o governo pelas 85 mortes verificadas. E também quer processar Tsipras por traição.

Além disso, Zoé denuncia o “regime totalitário” do traidor Tsipras e declara que é preciso “esmagar” os partidos políticos que destruíram a Grécia — isto é, todos os partidos, incluindo o Syriza, excepto o partideco que ela entretanto criou, que se chama Caminho para a Liberdade. Talvez Zoé  possa juntar os trapinhos com os nazis da Aurora Dourada, que pensam exactamente como ela sobre a dívida, a União Europeia, Merkel, Macron, etc.

Esta história da Zoé, que ainda não acabou, já é muito instrutiva. Aguardo impacientemente os próximos episódios.

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