Será que o Borges fez os exames todos lá na América?

Sobre a abortada reforma da TSU, que todos os assalariados, a maioria dos empresários, grande número de comentadores económicos e cerca de 90% dos portugueses consideraram uma estupidez e/ou um roubo, disse hoje António Borges, no seu português algo claudicante:

Que a medida é extremamente inteligente, acho que é. Que os empresários que se apresentaram contra a medida são completamente ignorantes, não passariam do primeiro ano do meu curso na faculdade, isso não tenham dúvidas.

O super-pseudoministro Borges assegurou ainda que a abortada reforma da TSU não implicava uma transferência de rendimentos dos trabalhadores para as empresas: “Não se trata de transferir rendimentos de ninguém para ninguém”. Dando-se conta de estar a negar o inegável, observou todavia, agitando o seu papão preferido:

Acho extraordinário o debate de que estamos a transferir dinheiro do trabalho para o capital. Parece que voltámos ao marxismo e que o capital é uma coisa má.

O Borges tem razão, só mesmo o marxismo é que seria capaz de chamar transferência de dinheiro a uma transferência de dinheiro. Mas ficámos a saber pela boca deste especialista de managerial skills que a maioria dos empresários portugueses é “completamente ignorante” e que jamais passaria no primeiro ano do curso dele. O Borges não se pronunciou sobre as centenas de milhares de manifestantes contra a medida, mas podemos conjecturar sem risco que os considera abaixo de lixo marxista, qualquer coisa como C- num imaginário rating da Standard & Poor’s.

Entretanto, à revelia do Borges, a revista online The American, órgão do American Entrerprise Institute, um think tank da direita, publicou uma artigo sobre a reforma portuguesa da TSU, intitulado Um auto-golo em Portugal

Vale a pena citar uma parte, que só diz aquilo que a massa dos portugueses “completamente ignorantes” está farta de saber, isto é, que a medida não faria qualquer sentido do ponto de vista económico e que a última coisa de que Portugal precisa neste momento é de uma quebra substancial da procura agregada:

The public outrage against the government’s social security proposal would suggest that it was ill-advised from a political standpoint in a way that is all too reminiscent of Margaret Thatcher’s poll tax in the United Kingdom in 1989, which cost her so dearly politically. However, the more disturbing aspect of the proposal is that it makes very little economic sense, especially when Portugal is in a deep recession and the IMF-EU program is already forcing it to pursue a pro-cyclical fiscal policy.

The last thing that Portugal needs right now is a further meaningful reduction of aggregate demand. Yet that is precisely what this social security proposal would do. A hike of as much as 7 percentage points in employees’ social security contributions will surely lead to an immediate substantial decline in household consumer spending. This would especially be the case considering how income-constrained most Portuguese households are.

E o artigo termina fazendo votos para que a medida não vá avante, caso contrário a economia portuguesa em 2013 ficará boa para a extrema-unção.

Perante tal atestado de inépcia passado pelos seus pares dos states, resta a pergunta: – Será que o Borges fez os exames todos lá na América? Ou teve umas equivalências à Relvas?

16 thoughts on “Será que o Borges fez os exames todos lá na América?”

  1. o trolha da areosa acaba de se entronizar no terreiro do paço com um discurso de palhaço batatinha e aproveita o plenário de punho no ar para se mandatar a chefe da oposição.

  2. Parece que o doutor Borges já está a ser descartado por quem o contratou. No Terreiro do Paço, ouviu-se de Arménio Carlos o ensejo de a guilhotina moderna — austeridade — ser virada contra o capital, coisa que já está a acontecer, em França, pela mão do socialista democrático Hollande. Que nisso de virar o terror das guilhotinas contra quem as inventou são, os franceses, reputados especialistas.

    Wall Street terá agora que chumbar o doutor Borges mais os outros neoliberais que por aí andou a semear, a ver se a voz popular se esquece, no entretanto, de usar a guilhotina…

  3. Quando a direita perde a cabeça e as pessoas começam a ficar mais atentas aos discursos, a asneira é mais fácil de localizar.
    Já vimos como é que isto está a andar.
    O primeiro(!)-ministro atira-se aos empresários e diz-se surpreendido com a argumentação sobre o seu disparate da TSU. Vem o Borges e do alto da sua (in)competência, debita que os empresários que não estão de acordo com ele são ignorantes. O Gaspar não diz nada, pois já não vamos com os salamaleques.
    Pegar numa simples folha de A4 e provar por A+B que a razão lhes assite é que não!
    Afinal era tão fácil.
    Porque é que não o fazem?
    Não sabem? Não oconseguem? Ou faltam-lhes as equivalências?

  4. O doutor Borges foi reitor do INSEAD, escola que se publicita como “O Instituto de Gestão para o Mundo”. O INSEAD tem os seus campus em França, em Singapura e em Abu Dhabi; tem um centro de investigação em Israel e escritórios em Wall Street. O INSEAD é uma das selectas instituições que formam diplomados em gestão e finança destinados a ingressar nas elites económicas internacionais.

    Desta forma, o doutor Borges, além de ter sido devidamente diplomado e certificado pelo establishment financeiro internacional, ajudou também a formar muitos outros. É, pois, um par da elite que (des)governa o mundo.

    Como é que o golo foi metido na própria baliza? O site do INSEAD explica:

    “Espírito empresarial

    Nós temos vontade de experimentar e a inovar; nós estamos prontos a correr riscos e a gerir os resultados das nossas acções.”

    Ora aqui está! O doutor Borges, depois de ter metido golo (na própria baliza) por andar a “correr riscos” a “experimentar e a inovar” na TSU, terá agora que “gerir os resultados das [suas] acções”.

  5. Podia ter sido uma medida inteligente, mas não, era uma medida extremamente inteligente. Os empresários que a contestaram também podiam ser só ignorantes, mas não, os empresários que a contestaram eram completamente ignorantes.
    O que me leva a concluir que aquele homem podia ser só uma besta, mas não, aquele homem é perfeitamente uma besta.

  6. e não há um herói nacional que enfie um balde de merda nos cornos deste pirú de aviário? o pavão do fernando ultrarich com o dinheiro dos outros já começou a levar no focinho por contar mentiras na conferência da exame. ando à procura do vídeo, mas parece que foi confiscado.

  7. Diz o Principio de Peter que todo o individuo pode ser promovido até ao seu grau de incompetência….
    Borges, há muito que o deve ter atingido, pois tem sido corrido por onde passa ( FMI, G Sachs e sabe-se lá por onde mais…) e certamente não terá sido por ser um guru. Nesta situação, Borges é perigoso !
    Aliás o J Martins do P Doce deveria fazer uma auditoria ao Dep de Pessoal por este erro monumental ( ou colossal ?) na contratação desta criatura, que não deve ter sido barata… Provavelmente nem para operador de caixa serve ( sem desprimor para os/as operadores de caixa, alguns com licenciaturas verdadeiras e sem equivalência…).
    É o que dá serem licenciados por equivalências obtidas em ranchos folclóricos a “coordenar” (lá estava ao lado do Borges, todo sorridente, que eu bem vi…).
    Também estou com nervoso miudinho para ver como é que o Prof Martelo nos vai dizer que nós não compreendemos o que Borges disse porque o que ele queria dizer era outra coisa (forma assaz curiosa de chamar ignorantes a todos os portugueses, que usa frequentemente e que, acredito, nem se dá conta)..

  8. o broges é o bode respiratório deste governo de aldrabões, um dia destes vai borda fora com uma pipa de massa, fazem reset e continua tudo como se não tivesse passado nada.

  9. Destas tristes declarações percebemos perfeitamente que a ideia da subida da TSU foi do senhor Borges. Podemos também, agora, ter a certeza que o verdadeiro primeiro-ministro é o consultor das privatizações. Ele é que manda e os “outros baixam as orelhas”…

  10. F. Pessoa: o Princípio de Peter não se aplica a esta malta. Estes tipos são tão intocáveis como os barões do feudalismo.

    Como exemplo ilustrativo, veja-se o caso de Mark Hurd. Esse executivo americano construiu a sua aura em Wall Street especializando-se em perseguir os trabalhadores em empresas de tecnologia avançada (informática), como receita para pôr accionistas satisfeitos com reduções draconianas de custos com o pessoal altamente qualificado que essas empresas precisam.

    Assim destruiu a NEC, que após aplicação do “remédio” nem conseguiu ser vendida. Mas, por ter granjeado fama de duro, foi contratado pelos accionistas da HP para CEO, com o objectivo de cortar despesa. Na HP cortou benefícios, baixou salários, violou o código de conduta da empresa, despediu a torto e a direito, aniquilou os departamentos de investigação. Tendo assim colocado a empresa em situação não competitiva e a perder contratos valiosos, acabou por ser demitido com a ajuda de um escândalo sexual…

    Apesar do escândalo conseguiu logo ser contratado pela Oracle, onde hoje ocupa o cargo de co-presidente. Foi contratado para perseguir/cortar benefícios/despedir os funcionários da Sun, conhecidos pela sua excelência (a Sun criou a linguagem de programação JAVA, por exemplo), mas que foram considerados dispensáveis, depois do take-over desta companhia pela Oracle. Só que, adivinhem… a Oracle também está, agora, em grandes dificuldades.

    Mark Hurd destruiu tudo o que havia de bom por onde passou; mas ganhou cerca de 100 milhões de dólares de prémios, em toda a sua carreira, pagos pelos accionistas… endrominados.

    Pode-se perceber aqui os “carinhos” com que os ex-funcionários despedidos por Mark Hurd o brindam, e porquê:

    http://fuckyoumarkhurd.com/

    E assim se pode entender melhor como a indústria do Ocidente foi esventrada por estes abutres.

  11. convocam brasileiros, angolanos, moçambicanos, indianos e árabes para um forum empresarial em vilamoura com a finalidade atrair investimento para portugal e põem o presidente da junta de alterne de cabelo pintado, com gestos efeminados e voz afectada a dizer que os empresários portugueses são completamente ignorantes. tá tudo bêbado ou o palhaço entrou antes do intervalo?

  12. O Borges é ignorante, porque o adjectivo para os inteligentes empresários portugueses não é “Ignorante”, antes pelo contrário.

    Mas que os empresários merecem muitos adjectivos, alguém duvida?

    Os sindicatos chamam-lhe outros nomes muito diversos.

  13. Os empresários portugueses não primam pelo brilhantismo
    Mas não é correcto estar a chama-los de ignorantes quando quem os chamou não passa de um igual ignorante.
    Alguém que ofereça um espelho ao Borges, é obvio que não têm nenhum em casa.

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