Sem crescimento não há reformas estruturais

Gostei de ler no DN de hoje “Um enterro grego para a austeridade alemã”, do ex-ministro dos negócios estrangeiros e ex-vice-chanceler da Alemanha, Joschka Fischer. O trecho que destaco, que me parece acrescentar algo ao que todos já vamos constatando, é este:

“Redução da dívida e reformas estruturais em simultâneo, sabemos agora, irão sobrecarregar qualquer governo democraticamente eleito, porque irão sobretaxar os eleitores. E, sem crescimento, não haverá também reformas estruturais, por muito necessárias que estas sejam.”

Até agora, com efeito, os críticos da austeridade têm repetido atá à exaustão que, sem crescimento, um país sobreendividado não pode satisfazer as obrigações da dívida. É certo e óbvio, excepto para cegos voluntários. Mas não é só.

Como diz Fischer, a lógica do primeiro a diminuição da dívida e as reformas estruturais, depois o crescimento, é coxa. Além do mais, tem tendência a derrubar os governos que a cultivam… O ponto para mim crucial vem a seguir, sobre o qual nunca vi ninguém discretear em Portugal: “Sem crescimento, não haverá também reformas estruturais, por muito necessárias que estas sejam.”

Ora isto é a lógica inversa daquela que nos tem governado em Portugal, onde se pretende diminuir a dívida (sem se conseguir) e fazer reformas estrurais (sem se conseguir), para depois se alcançar o crescimento.

As reformas estruturais mais proveitosas, duradouras e exequíveis, tanto as da economia como as do Estado, são as que são introduzidas ou acontecem quando há crescimento. Primeiro, porque o próprio crescimento as vai realizando ou exigindo quotidianamente, sem necessidade de obedecer a nenhum plano salvador, congeminado por sádicos iluminados do FMI ou governantes suicidas. Segundo, porque, havendo crescimento, os efeitos negativos das reformas estruturais sobre o emprego, as condições de vida da população e o próprio evoluir do PIB são menos sentidos e mais transitórios. Terceiro, porque muitas reformas estruturais exigem investimento estatal e a pior altura para este é quando não há crescimento. E poderíamos continuar nesta linha.

20 thoughts on “Sem crescimento não há reformas estruturais”

  1. Facto: Portugal recebeu nas últimas décadas ajuda financeira significativa (fundos estruturais) da UE para realizar reformas estruturais.
    Não se fizeram reformas estruturais (em compensação temos betão e auto-estradas para dar e vender, e as empresas de formação e de formação de formadores prosperam). Prioridades.

  2. ó pá, deicha-me dizer-te isto: a renobaçãoe do paíse cunsegue-se com travalho pá e cum um xuto no ravo da merkele, depois de lhe atarres o tratadu de lisvoa ao pescosso, oqueie? beie, e clarro cum a limpeza do hemiciclo. precisas de um marqueze – oube num é o 44 – e de um salazare, pá. ponto finale, meue.
    é berdade e com a responsavilizaçãoe política e outra dos ladrões que teiem guvarnado a horta, tás a bere? oube, faze aí um artigu sobre os salários de gajas cuma catarina furtado e outras iguaizes, tá beie? bais bere o qué descascarre. pracizo de treinaire a adranalina, pá. oqueie.

  3. Facto: com crescimento houve mudanças estruturais, sem necessidade de reformas milagrosas (que desde 20111 não se têm visto, apesar de muito apregoadas). Mas com crescimento também houve reformas estruturais.

    Facto: a realização do Plano Rodoviário Nacional foi uma enorme mudança estrutural, a construção de hospitais e escolas também. Para este governo, “mudanças estruturais” significa privatizações ruinosas e despedimentos. Continuámos a afundar-nos. Ponto.

  4. Anónimo: o ponto do Fischer é que são necessárias reformas estruturais, mas não se consegue fazê-las sem crescimento. O governo do Coelho e pessoas como tu pensam que o crescimento só se consegue com as tais reformas estruturais. Onde estão elas?

  5. Esse merdas do feijoada ou o que lá é, com o pretensiosismo bacoco de ser engraçadinho, consegue afastar quem aqui vem de boa fé… O bimbo do caraças não se autoavalia… Desgraçadas destas criaturas que ainda sonham com o antigamente… Só com um trapo encharcado… Vai-te tratar imbecil!

  6. Ó ALVAES , ai baies, baies, ignorantzae, oube, mas tu num éze democraticu, hum? Ora eu poço dizerre a minha opiniãoe, mase o qué isso? Qué que tenze cuntra o salazare? um eischelente ministru, recuperroue o paíse, acumuloue oiro, ningueie cuspia na rua, agora, é cada iscarreta, um nojo, um nojo. a currupção existe num existindu, e a merquele manda cá, ai eça gaja, baie dar-lhe com o trapu enxarcadu a ela, ora beie. tas cum os enfoques abariados, tá beie? maliducadue.

  7. Peço licença a Seixas da Costa para deixar aqui um seu oportuno comentário:
    “Há dias, Stiglitz (Prémio Nobel da Economia) pronunciou-se sobre a situação grega e a Europa. Constatou, por exemplo, que o euro, criado como um factor de unidade europeia, acabou por provocar assimetrias como nunca antes se observara, considerando a Alemanha, e não a Grécia, a grande ameaça atual à coesão da União Europeia: “A Grécia fez alguns erros, mas a Europa fez erros bem maiores. Quando esta crise começou o rácio da dívida grega face ao PNB era de 110%. Agora é cerca de 170%. O medicamento que lhe deram foi venenoso. Levou a que a dívida subisse e a economia baixasse”, acrescentando: “As políticas que a Europa impôs na Grécia simplesmente não funcionaram e isso é também verdade para a Espanha e para outros países”. Podemos presumir em quais ele estava a pensar.”
    Publicado por Francisco Seixas da Costa à(s) 00:52 1 comentário:

    Estava a pensar, por exemplo em Portugal onde o “malvado” Sócrates deixou
    uma dívida de pouco mais de 90% do PIB e agora temos mais de 130% e uma
    economia nas ruas da amargura.

  8. oh cícero, esse embaixador já insinuou tudo e o seu contrário. agora anda em maré de tentar abichar um cargozinho no próximo governo socialista.

  9. a verdade é que desde que este governo arrota postas de pescada azedas nunca mais houve nem crescimento nem as consequentes reformas. se passarmos isso para as pessoas da nação, vê-se ainda melhor: sequer estagnação – há é o agravamento da qualidade de vida que, de forma alguma, possibilita reformas dentro e fora das portas. :-(

  10. Varoufakis é muito irresponsável como Antony Quin, mas a Merkel não é parecida com Allan Bates.

    Não vão dançar o Zorba, não.

  11. oh bimba, podes passar a manhã a fazer erratas do teu comentário que aquela merda não tem pés nem cabeça. aquilo anula-se por ser redondo e é difícil de ler por causa da construção, nem soletrando.

  12. numbejonada,agradeço que escreva da forma como algumas vezes o faz. o que faz na maior parte das vezes talvez alem de mais trabalho parece escrita de cripto. uma pergunta lhe deixo:não acredita nas palavras de socrates,quando diz que as fugas de informação saõ postas cá fora,via responsaveis judiciarios? ponho-lhe esta pergunta,por que numa resposta que me deu,disse-me que vinham de outro tipo de personalidades (tipo menores)

  13. Exm.º Comentador Fifi,

    Como convirá, o que eu possa aqui escrever não passa, por certo, da minha opinião. A luta contra o que está errado deve ser feita de forma honesta e sem desinformação. NÃO acredito que os magistrados em causa tenham permitido fugas de informação quanto ao processo. Mostrem-me provas – não os jornais – nesse sentido. Têm?
    Note, porém, como me dizia certa figura de renome, que muito prezo, por NÃO se deixar corromper, toda a CASA tem janelas, telhados e portas. Logo, a dúvida fica sempre aberta e pende sobre quem a frequenta. A dúvida não é uma facto, todavia. Quando estão em causa apreciações judiciais de pessoas que pelas suas funções se destacaram formalmente na sociedade e, no caso, alguém que pertence a um partido do arco do poder, é natural que o cuidado deve ser outro. Não porque haja formalmente desigualdade mas porque aqueles a quem a situação aproveita, tudo farão para daí retirarem dividendos – políticos e/ou outros. Nisto cabem todos os políticos que nisso estiverem interessados. Por isso, os magistrados se devem revestir de todos os cuidados.
    As fugas de informação existirão sempre porque dão jeito à DEFESA. A esta convém que se discuta o assunto publicamente, pois serão os simpatizantes que o politizarão gratuitamente, enquanto o advogado, muito inocentemente, e em paralelo se dirigirá aos media e dirá que não pode falar. Patético, evidentemente. Quem não pode falar, simplesmente afasta-se da ribalta.
    Isto faz-me lembrar um certo personagem, que antes de entrar em certa sala, estava cá fora perante a TV, a falar sobre fugas de informação. O passante ficou ali, rindo-se e, mais tarde, pronunciou-se evidentemente. Estava em causa uma outra figura, também alegadamente muito inocente, e com o apoio de romaria de peso, para pressionar toda a apreciação da situação. A desinformação era tanta, que era de bradar aos céus, e todavia, a fuga não vinha nem de vítimas nem do tribunal.
    Claro está que lá veio o discurso público do Estado de Direito, e mais umas quantas coisas. Admiro-me que no caso, ainda não tenha havido conferências de imprensa….ou apoios em jeito de feira sentada. Talvez por esses não terem dado resultado no passado, agora se aprontem romarias.
    Entretanto, as figuras públicas com peso na história pós 25ABR, REPETEM o erro de retomar o discurso da coragem de se posicionarem e sentenciarem a absolvição do arguido e até de o visitar com estrondo. Para que saibam, que ali se dirige. Este é o mote de partida para que outros se lhe sigam na romaria. O que está errado! muito errado. Prejudica o arguido, que, de resto, permite pateticamente que o prejudiquem a si próprio. Nada de visitas estrondosas, nada de respostas a jornais, nada de nada, a não ser no PROCESSO.
    Quando um advogado tenta dar nas vistas e manda umas bocas do género «vou ver montras», diz-me que melhor seria estar calado. Ora, para estar calado, não precisa de ser entrevistado pela incompetente da Judite Sousa. Fica em casa e está atento. O enfoque é, porém, no PROCESSO, que é algo que algumas bocas anedóticas que aqui postam, ainda não perceberam. PROCESSO, nada mais! Trate do PROCESSO e depois, trate do resto, se algo houver a tratar e, nesse caso, se a dimensão for pública, o cidadão agradece e, certamente, pronunciar-se-á. Por conseguinte, o que está a acontecer é um CLÁSSICO de defesa que só o leigo não vê, porque não quer ver e se deixa tolher pelas tretas da mordaça, da prisão política e do cravinho. Que bem vimos onde nos conduziu.

  14. se o processo está à guarda do carlos alexandre, o carlos alexandre é responsável pelo processo e pelas fugas ao segredo de justiça.

  15. “As fugas de informação existirão sempre porque dão jeito à DEFESA.”

    por isso é que não há fugas de informação no bpn e ainda não conseguiram notificar o lóreiro.

  16. ignoranteze, oube, baie à quinta patino pá, o tipo tá lá meue, ou então pragunta ao cumpadre dele, o Ferro Rudrigues, pá, eles debeme ter-se reunido pelo natal, meue, num axas?

    quanto ao restu, toma program, pá, qualquere beterinário bende. oqueie.

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