Quem é que disse isto?

Sem ir ao Google, quem é que você acha que disse a frase abaixo?

A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, a alma de situações sem alma.

Escolha, que é fácil:

João César das Neves

Álvaro Cunhal

Christopher Hitchens

Madre Teresa de Calcutá

Mitt Romney

Irmã Lúcia

Hugo Chávez

Padre Américo

Barack Obama

Frei Bento Domingues

George W. Bush

Papa João XXIII

Karl Marx

António Borges

Richard Dawkins

Fidel Castro

D. Januário Torgal Ferreira

 

Aqui vai a solução, sem o nome do autor, mas com a citação completa:

“O sofrimento religioso é, ao mesmo tempo, a expressão do sofrimento real e um protesto contra o sofrimento real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, a alma de situações sem alma. É o ópio do povo.”

 

27 thoughts on “Quem é que disse isto?”

  1. olha, foi o mesmo que diria que o aumento da TSU é, ao mesmo tempo, a expressão do poder surreal e um manifesto contra o sofrimento real. o aumento da TSU é o suspiro da criatura opressora, o coração do poder sem coração, a falta de alma de situações que pedem alma. é o ópio para o povo. :-)

  2. Valupi,

    A quantidade de verdade contida nesta frase acerca do mundo religioso está na exacta medida da quantidade de verdade contida no mundo socialista concebido pelo autor.

  3. Não me faz vibrar a corda sensível. O original é em Português? É que, por exemplo, qualquer “protesto” é, por definição, uma “expressão”, não fazendo por isso qualquer sentido o paradoxo sugerido pela primeira frase. Qualquer protesto implica, imperiosamente, a expressão daquilo contra o qual se protesta. Isto em alemão deve ter mil vezes mais piada. E sentido.

  4. Em lugar de sofrimento, fica melhor miséria.

    JPC, o autor diz que “a miséria religiosa” (das religiöse Elend) é ao mesmo tempo “a expressão da miséria real” (der Ausdruck des wirklichen Elendes ) e “o protesto contra a miséria real” (die Protestation gegen, das wirkliche Elend).

    A palavra “expressão” tem mais sentidos do que tu presumes.

    Mas se traduzes do alemão, faz lá melhor:

    Das religiöse Elend ist in einem der Ausdruck des wirklichen Elendes und in einem die Protestation gegen, das wirkliche Elend. Die Religion ist der Seufzer der bedrängten Kreatur, das Gemüt einer herzlosen Welt, wie sie der Geist geistloser Zustände ist. Sie ist das Opium des Volks.

    A mim o que me impressionou foi conhecer o que Marx disse imediatamente antes da frase do ópio do povo, que é a única que se conhece. Por isso resolvi isolar a frase anterior. Se toda a gente descontextualiza à vontade, também tenho direito.

  5. às tantas, Júlio, vale bem a pena pensares nisto: quando eras apenas comentador não precisavas exprimir-te do cimo da burra. como as coisas mudam – neste caso para pior. talvez andes a pensar muito em alemão, tamanha é a altivez da tua comunicação com quem te comenta. vá lá, tu sabes ser melhor. :-)

  6. Estou contigo, Júlio. Os teístas do costume abominam tudo o que possa apresentar Karl Marx sob uma perspectiva diferente das formulazinhas primárias e prontas a engolir que algumas sacristias teimam em contrabandear. Mostrar o homem como o gigante do pensamento que na realidade foi, concorde-se ou não com tudo o que pensou e teorizou, é pecado mortal, pelo que, se fosse a ti, apressava-me a rezar umas três ou quatro dúzias de padre-nossos e ave-marias, ou arriscas-te a ir parar ao cabrão do Inferno.

  7. 1) Mais fiel ainda que “miséria” e “sofrimento” será “aflição”.

    2) Achei muita piada ao teu exercício, Júlio. Fez-me pensar e consultar uma obra que não li há mais de uma década.

    3) Diz-me aí um significado da palavra “expressão” que não esteja implícito em que qualquer acto de “protesto”. Eu não consigo vislumbrar, mas posso estar errado.

  8. A ideia era mais ou menos essa, Camacho. Goste-se de Marx ou não (pessoalmente prefiro o Padre Américo e a Scarlett Johansson), a verdade é que ele é um dos autores mais treslidos e aldrabados de sempre. E não o é apenas pelos seus fanáticos adversários cristãos, muçulmanos e PSDs – vide a última baboseira do ayatollah António Borges contra o marxismo. É-o também, diria mesmo sobretudo, pelos seus alegados seguidores, conhecidos por marxistas, alguns dos quais foram no passado notórios carniceiros e exterminadores da liberdade. Não receio o inferno, sou friorento.

    Ignatzia, a tua hipótese Ameliazinha teria pés para andar, mas infelizmente a autoria da frase está irremediavelmente estabelecida. Aposto que acertaste à primeira, mentirosa.

  9. isso está um bocado desactualizado. a bola é que é o ópio da “modernidade”.´e adormece esquerda e direita , muito mais inclusiva , a bola.

  10. JPC, parece óbvio que “expressão” pode ter dois sentidos, pelo menos. Há uma expresão activa e voluntária, algo que vai deliberadamente de dentro para fora. Em geral, expressar é pôr no exterior algo que estava na cabeça. Protestar é exprimir activamente uma queixa ou um deacordo. Para complicar, já lá vamos, também há formas inactivas de expressar e protestar, como o mutismo, que é uma forma de expressar pela não expressão, uma acção pela não actividade, porém essa inactividade pode ser deliberada, logo consciente e activa. Mas quando digo que um facto ou uma coisa, não uma pessoa, expressa algo, quero dizer que essa coisa para mim revela algo, pois é a minha cabeça que, de facto, o revela, não a coisa, que em si é despersonalizada, inerte e inconsciente. O trecho de Marx em causa é bastante complicado porque ele joga com múltiplos sentidos digamos inertes ou despersonalizados de termos que na sua origem são activos e conscientes: a miséria religiosa (para Marx, religião é alienação e despersonalização) é a expressão (inerte, passiva) da miséria real e um protesto (passivo e inconsciente) contra a miséria real.

  11. Júlio, também voto na Scarlett Johansson, sem qualquer reserva. Quanto ao Padre Américo, subscrevo inteiramente aquela sua profissão de fé que foi genialmente complementada por um apócrifo, cuja é: “Não há rapazes maus… há é grandes filhos da puta!”

  12. Olinda dixit: «nota-se, JC, que vives no cabrão do inferno. sabes, é assim mesmo que começam as guerras religiosas. e as políticas também. :-)»

    Olinda, gostava de saber qual a especialidade de ginástica olímpica que te habilita a considerar que classificar Karl Marx como gigante do pensamento é o tipo de coisa que provoca guerras religiosas ou políticas. Sou levado a pensar que foi para poupar as lusas gentes a esse tipo de calamidades bélicas que o saudoso “Botas” de Santa Comba meteu na pildra e mandou torturar quem se atrevia a pronunciar o nome do maldito alemão. Provavelmente pensou assim: “Meus, para todos os efeitos os gajos (e gajas) já vivem no cabrão do inferno do ateísmo, garantidamente o pai de todos os infernos. Mandá-los para os infernos de Caxias ou da António Maria Cardoso não é nada de mais, apenas os ajuda a enriquecer o currículo.”

    Posso garantir-te, porém, que estou domiciliado muito longe do cabrão do inferno. Não vivendo na paz do Senhor, habito com todo o conforto a paz da minha consciência e farto-me de voar nas asas da minha liberdade de pensamento e expressão do dito.

    E como não quero que te falte nada, ofereço-te a seguir a demoníaca transcrição de outro ateu dum cabrão, por alguns ironicamente classificado como divino:

    “Assim pudesses tu, ser quimérico e vão, cujo nome bastou para fazer correr mais sangue à superfície do globo do que qualquer guerra política, voltar para o Vazio onde te foi, infelizmente, buscar a louca esperança dos homens e o seu ridículo temor. Não surgiste senão para suplício do género humano. Quantos crimes não se teriam evitado sobre a terra, se se tivesse degolado o primeiro imbecil que se lembrou de falar de ti!
    (…)
    E os homens em paz, deixando de se sentir na obrigação de cuidar da sua felicidade, sentiriam que a moral que a estabelece não necessita de fábulas para a firmar e que, no fundo, é desonrar e difamar todas as virtudes amontoá-las sobre os altares de um Deus ridículo e vão, pulverizado pelo mínimo exame da razão que sobre ele se debruça.
    Desaparece pois, repugnante quimera. Regressa às trevas onde nasceste; não venhas manchar a memória dos homens; que o teu detestado nome não se pronuncie mais senão como blasfémia e que seja lançado ao último suplício o pérfido impostor que tentar reedificar-te sobre a terra!
    (…)
    Execrável aborto, devia deixar-te aqui, abandonado a ti próprio, votar-te ao desprezo que inspiras, e deixar de te combater novamente nos devaneios de Fénelon. Mas prometi levar a cabo a tarefa e cumprirei a minha palavra, feliz se os meus esforços lograrem desenraizar-te do coração dos teus sectários imbecis, se puderem substituir as tuas mentiras por um pouco de razão, acabar por fazer ruir os teus altares e fazê-los desaparecer para sempre nos abismos do Vazio!”

    Quem é ele, quem é? Aqui vai uma dica: nasceu em 1740, passou no xilindró 29 dos seus 74 anos de vida porque era avesso a vergar a mola e fartou-se de mijar fora do penico da padralhada.

  13. o que eu te quis dizer, e disse, e que ainda não percebeste, foi que precisamente por não entender a discriminação, que é – além de ignorante – ridícula, tenha ela a etiqueta que tiver, é que o teu comentário cabe perfeitamente no quadrado da ignorância e do ridículo: fazes, tal e qual a grandeza dos pensamentos do texto, um protesto – mas à discriminação real discriminando realmente através de protesto. e se mesmo assim não o entendes, analisa-te e faz um pequeno ensaio sobre o auto-protesto e talvez ouças o teu protesto protestar por um pouco mais de tolerância no que concerne às opiniões e crenças e ideologias dos outros.

  14. Olinda, o teu aramaico está cada vez melhor, mas continuo sem catrapiscar a ponta de um corno. Tenho de me inscrever num curso de línguas mortas da Berlitz.

    De qualquer modo, depois de um esforço sobre-humano, penso poder concluir que a tua ideia de tolerância parece ser a de poderes criticar à vontade as ideias dos outros, enquanto estes, quando se trata de crenças religiosas, devem dobrar a língua e guardar para si as opiniões que eventualmente tenham, porque tais assuntos são intocáveis, as questões de fé não estão abertas à discussão. Que pensem o que quiserem, mas que o guardem para si próprios e se abstenham de o verbalizar. Ora batatas para isso, se não queres discutir tais assuntos não o faças, mas não podes impedir ninguém de o fazer.

    Devias talvez fazer um esforçozinho para entender o seguinte: a ideia de temas-tabu, nomeadamente no que respeita a crenças religiosas, é para mim e muitos outros totalmente estranha e inaceitável, tão inaceitável como a de que hordas de energúmenos têm o direito de matar ou mandar matar seja quem for que caricature Maomé, mesmo que num filme idiota, alargando tal direito de vida ou de morte a toda a família do prevaricador, incluindo os primos em milionésimo grau. Nada do que digas ou faças vai mudar isso. Do mesmo modo, é para mim inaceitável qualquer tentativa de impedir seja quem for de acreditar seja em que merda for, nomeadamente que a mãezinha do Jota Cristo gostava de esvoaçar por cima das oliveiras, que o paizinho criou simultaneamente todas as maravilhas e toda a trampa que nos rodeia ou que o vendedor de camelos analfabeto botou por escrito as leis que Alá, fodido seja o seu nome, lhe ditou.

    O facto de eu criticar aquilo em que tu e algumas centenas de milhões acreditam, nomeadamente por entender que essas crenças vos escravizam e ajudam a escravizar milhões que não as partilham, é um direito meu, a que acrescento o direito àquilo que porventura possas considerar blasfémia.

    E com mais um esforçozinho, talvez consigas entender que a introspecção que me receitas não poderia nunca dar os resultados que porventura acreditas inevitáveis, vá-se lá saber porquê. Pessoas como eu sempre existiram e existem, aos milhares, aos milhões, e o facto de muitas terem sido queimadas ou lapidadas nunca resolveu o “problema” da sua existência. A minha “formatação” é antiga e está bem cimentada, dois mais dois, para mim, nunca deixarão de somar quatro. Conforma-te, sou um caso perdido. E, principalmente, conforma-te com o facto de que não há nada que nos consiga calar.

  15. a tua cegueira dá-me riso.:-)

    estás completamente enganado em tudo o que dizes sobre o que interpretas sobre mim – assim como te enganaste acerca do assunto do post que está focalizado em quem disse, como quis e muito bem porque cada um pensa e sente o que quer, e não no que disse.

    e por tão petiz pormenor se viu o teu fanatismo, a tua raiva, a tua fúria – de quem és servo.

    desta feita, só posso desejar-te – e também a quem enfie o barrete desta aflição – felicidades nessa tua jornada plena de enganos. afinal de contas o engano é um caminho, porém de beco sem saída e nunca de avenida, como outro qualquer.

  16. Olinda
    Parece-me a mim que o Joaquim Camacho também tem direito à sua “jornada plena de enganos” …E esse direito, cujo exercício é essencial para ele (e mais uns quantos extravagantes como ele) que não lhe apraz, não é?

  17. não. :-) gosto de extravagâncias – só não gosto que usem roupas muito muito justas, civilização esganada, porque apertam o pensamento. :-)

  18. Folgo em saber, Olinda, que, no amor do Senhor, mui cristãmente te rebolas de riso ao ver os incréus, os pagãos, persistirem no caminho da cegueira. Calculo que o Ilusionista Supremo, que na sua suprema bondade te inspira, se rebole tanto como tu. Posso garantir-te, em compensação, que a tua cegueira, e a de milhões como tu, não me dá riso nenhum, mas que lamento que esses milhões de cegueiras continuem a forjar as grilhetas que ajudam a prender-nos a todos.

    Vejo também que continuas no caminho das medalhas de ouro nas modalidades de pirueta e cambalhota. Basta comparar o que agora dizes do post com o que disseste às 07.43 do dia 2. E ganharás, sem sombra de dúvida, uma medalha de honra pelo lúcido e certeiro diagnóstico que fazes da minha demoníaca alma: “e por tão petiz pormenor se viu o teu fanatismo, a tua raiva, a tua fúria – de quem és servo”. Magistral!

  19. :-) é incrível como continuas a insistir no mesmo assunto – o mesmo que te faz não ver alguma coisa para além dele. estava a evitar mas agora tenho mesmo de soltar um gás porque até o Marx já percebeu e se coça: foda-se! :-)

  20. Em verdade te digo, criptotalibã Olinda, que, por mais que te cubras de mantos e véus de retórica arrogante e pretensiosa, paternalista e falsamente prá-frentex, as pobres e ressequidas peles que tentas pateticamente embelezar continuam velhas e relhas, amarelentas e bafientas, e não há palavrão martelado a despropósito que consiga rejuvenescê-las. Que a paz do senhor fique contigo, que eu vou ali beber uma bica e depois ao cinema.

  21. Ai ai… que palavrosos… Vamos lá a ver:
    O Joaquim acha que os crentes são todos imbecis. Certo?
    E a Olinda que os não crentes e amantes mais excêntricos da liberdade de expressão umas bestas. Mas reconhece que tem utilidade e efeitos comprovados como terapêutica das patologias do foro hepático? E nas do foro gastrointestinal? Como falou em gases pensei que talvez pudesse usar do remédio de vez em quando…

  22. a Olinda acha que os fanáticos do que quer que seja com ou sem liberdade de expressão são umas bestas e tendem, obviamente, a ficar com as entranhas podres. :-)

  23. Luisinha, o Joaquim tem muitos crentes como amigos, alguns crentes como alguns dos seus melhores amigos e alguns destes alguns são das pessoas mais inteligentes que ele conhece. E sendo, além de inteligentes, crentes sinceros que levam à letra os princípios da sua crença, não se importam minimamente que o seu amigo Joaquim pense como pensa e se exprima em conformidade (e vice-versa), pois acreditam piamente que o seu Deus é de amor, tudo perdoa e se está nas tintas para o que o Joaquim diz.

    Como é evidente, o Joaquim tem, com esses amigos crentes, muito mais coisas em comum do que as não comuns crenças, pelo que é raro discutirem tais assuntos, preferindo degustar os gostos e crenças comuns, como a da amizade que os liga, por exemplo. O que não passa pela cabeça do Joaquim ou dos seus amigos é a ideia de que têm o direito de se convencer mutuamente de que a expressão das suas crenças ou não crenças é inconveniente e perigosa e que assim é que “começam as guerras religiosas. e as políticas também” (Olinda, Out 2nd, 2012 at 9:09). E qualquer dos amigos (crentes e não crentes) do Joaquim rebentaria de riso se ouvisse alguém, falando do seu amigo incréu, aludir ao seu “fanatismo”, à sua “raiva” e à sua “fúria” – de quem seria “servo” (Out 3rd, 2012 at 9:36).

    Os amigos crentes do Joaquim assustam-se, sim, com o fanatismo, raiva e fúria reais que o acriticismo – e, aí sim, imbecilidade – de algumas crenças leva matilhas de imbecis criminosos a fazer, como vimos recentemente a propósito do filme imbecil sobre o imbecil Maomé. E, a propósito, o Joaquim não tem o Jota Cristo, o homem, na conta de imbecil, mas sim na de homem bom.

    O que o Joaquim não gosta é do bafio, esse sim perigoso, dos talibãs de todas as crenças, mas principalmente dos do Deus único, alargando esse desamor aos criptotalibãs disfarçados de modernaços, que se julgam no direito, e até na obrigação, de tentar travar à nascença qualquer mijadela fora do penico bafiento de que fizeram trincheira, como aqui foi feito logo em Out 2nd, 2012 at 7:43. Karl Marx!? Vade retro! Ópio do povo!? Vá de metro!

    Paz e amor. E beijinhos.

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