Uma terra sem blogues

Hoje, numa aula, aproveitei um momento de descontracção para falar de blogues. Andamos entretidos com o estatuto jurídico das línguas minoritárias, não-estatais, na Europa, e eu contara aos alunos o que sabia sobre a bela posição do galego, há tempos 14º em espaço na Internet, muito devido ao grande número de blogues. E falei-lhes, sob esse pretexto, no mundo trepidante da blogosfera. Eu sabia que estava a falar de Marte, mas a minha missão, e o meu prazer, é desenvolver culturalmente aquelas dezenas de jovens adultos. Mesmo com assuntos exóticos.

Na Holanda, a blogosfera não existe, nem como conceito nem como realidade. Alguns políticos têm uns blogues, mas nada que se assemelhe ao Abrupto ou à Causa Nossa. São simples caixas de propaganda, modernaças e pirosas. Os paisanos têm uns diários com grande renovação fotográfica e emocional, e alguns jornalistas disponibilizam simpaticamente textos já aparecidos. Não é estranho?

Não, não é. Os holandeses conhecem, já de há dezenas de anos, vivíssimos circuitos de opinião. Todas as quartas-feiras aparecem os semanários, uns bons doze à escala nacional, e neles a reflexão, a tomada de posição e o confronto predominam, com muita crónica, muito ensaio opinativo, muita divulgação, muita reacção de leitores. E os diários, mesmo decrescendo em vendas, conservam um considerável número de assinantes, que muitas vezes os acumulam com os semanários.

Será a blogosfera, então, um índice de subdesenvolvimento? Acho-me longe de supô-lo. Estaremos, antes, perante um simples funcionamento do ‘avanço retardador’. Nos transportes em Portugal paga-se electronicamente, na Holanda ainda se usam módulos, que um dia foram inovadores. Nós ultrapassámo-los com a blogosfera. Mas vínhamos de muito pouco, quando eles já nadavam em fartura de opinião. Não, os meus alunos vivem, aí, em pleno século XX. Eu só estava a falar-lhes do futuro.

39 thoughts on “Uma terra sem blogues”

  1. Nos países civilizados celebra-se o Primeiro de Maio.
    Na Holanda o Primeiro de Maio não é feriado, mas um dia antes há um país inteiro parado, vestido de laranja, a partir garrafas e a vomitar porque uma rainha faz anos.
    Ó Fernando, por favor poupa-nos! Um dia escrevo uns posts sobre a Holanda.

  2. Gostei de o (re)ler. Esse conceito do avanço retardador é genial! E parece-me que muito verdadeiro, de facto. Não se espante se eu um dia destes o citar…

  3. Filipe,

    Que tu tenhas contas a ajustar com a Holanda, pronto, é a vida. Mas convinha poupares nas ameaças dessa ingente pugna. Para a terapia não é bom.

    Adelaide,

    Limitei-me a traduzir à letra «remmende voorsprong». Ignoro se em alemão há um nome para o paradoxo. Você dirá.

  4. José Mendes Mateus,

    A explicação que dei aos alunos não foi a única. Já a tinha dado aos meus próprios colegas (holandeses, todos), gente activíssima socialmente, inserida no real, que aparece regularmente na imprensa, na rádio, na tv, etc. Ficaram de boca aberta.

    Pois é, se você tiver aí alguma estatisticazinha que indique a RELEVÂNCIA social e cultural das várias blogosferas, há-de verificar que os dados portugueses e holandeses divergem espectacularmente.

    Outra coisa que também ajuda é conhecer as duas sociedades.

  5. Concordo Fernando. Entre os meus colegas da universidade não costumo poder aventurar-me a falar de blogues. Tenho de começar por dizer Web-log bem soletradinho para que se lembrem do que se fala. E nenhum é praticante, antes terá ouvido falar aqui ou ali. Note-se que é gente com educação superior e que está a fazer (ou já fez) doutoramento no campo das ciências.

    Fernando, talvez possas ter uma ideia diferente em relação a isto. Os jornais dão uma indicação sobre os motivos, mas culturalmente poder-se-à (creio) encontrar algo de mais profundo: o contacto oral que os holandeses tanto apreciam. Eles gostam de conversar e não costumam ter temas tabu, antes fazendo perguntas de cara que embaraçam interlocutores de outros países (mas que são normais para eles próprios). Talvez isto lhes retire um pouco daquela pulsão de ter um blogue para falar distou ou daquilo, uma vez que isso já se desvanece pelo contacto directo diário com outras pessoas. De notar que no meu grupo apenas três pessoas (incluindo-me a mim) possuem blogues. Uma é espanhola e outro argentino.

    Filipe: o facto de não comemorarem o 1o de Maio é realmente incomodativo. Alguns dos hábitos deles são-no. Mas são escolhas. Por outro lado comemoram o 5 de Maio (amanhã, portanto) com feriado nacional de 5 em 5 anos e com fecho de muitas repartições públicas (talvez todas?) todos os anos. E hoje fazem-se dois minutos de silêncio às 8 horas. Motivo? A libertação da Holanda do regime nazi e os mortos da Guerra.

    Quanto ao dia da rainha, o mais curioso é como o decidem comemorar: com uma festa no dia da (já falecida) mãe da rainha e, no caso deste ano, mesmo no dia anterior a esse porque o dia da rainha calharia a um domingo e não dá jeito ir trabalhar ressacado.

    Por outro lado não têm a catrefada de feriados que nós temos. Metade, na verdade. Também não comemoram o 12 de Agosto (creio ser este), o 1 de Novembro ou o 8 de Dezembro. Nem a terça feira de Páscoa. É pá, são opções.

  6. José Mendes Mateus, nenhum dos links explica absolutamente nada. Aliás, ver que a Holanda, com 60% mais habitantes que Portugal e uma rede de internet mais e melhor disseminada, tem duas ou três vezes menos utilizadores de blogues parece-me bastante revelador da falta de entusiasmo pelo meio.

  7. Interessante, este post. Se na Holanda é de facto assim, já ali ao lado, na Alemanha, não é: os blogues “per capita” são muito superiores e em Inglaterra (e nos EUA) a blogosfera “per capita” é muito superior à portuguesa. Os holandeses falam pouco e discutem menos, têm um sentido prático apurado que funciona independentemente da retórica. Desde Erasmo que nada acontece na Holanda, em termos de filosofia. E será isso “desenvolvimento”? Penso que não.

  8. João André,

    Tens razão. O modo incrivelmente directo com que os holandeses se abordam (e te abordam, sim) pode explicar a menor necessidade de contactar-se por blogues. Depois, deve não esquecer-se a dinâmica, nestas questões. Em Portugal, desenvolveu-se uma dinâmica de blogues, que se move já por si própria. Ela aqui (hallo, Rotterdam [?]) não se deu. Pode vir a dar-se. Ou não.

    Para ti, mas sobretudo para o Filipe:

    Esta tarde, às oito horas, todo o país faz cinco minutos de silêncio (não dois).

    Orlando,

    Os holandeses falam muito, falam realmente sobre tudo, E têm um sentido prático apurado. Essas duas coisas, juntas, podem significar civilização.

  9. Arrisco dizer algo algo que me preocupa já há muitos anos , e que se dá pelo nome de ” Corrupção Instituicional ” esta corrupção acabou por indexar vícios de direitos adquiridos e interesses lobbistas a sociedade no todo impedindo este rico património intelectual da sociedade Portuguesa de se
    desenvolver acabando por ficar a margem …

    Tudo indica que esta enorme vontade de participar e criar blogs de opinião é um escape importante e um sinal claro que os espaços estão limitados por preconceitos e muito mais coisas …

    Mauro Burlamaqui Sampaio

    http://mauroburlamaquisampaio.blogpot.com

    Quid novi ? Para traduzir a política , sucesso apareçam.

  10. A Holanda não é a Europa e a opinião do amigo Venâncio não é a verdade…
    Creio mesmo, que em matéria de utilização de internet, e, criação de blogs, depois dos americanos, os inglêses, os suecos e os franceses, ultrapassam-nos de longe, de muito longe. Aqui vai uma página que dá muitas informações sobre a blogosfera europeia e, até, portuguesa, mesmo se pouca coisa:http://www.eu.socialtext.net/loicwiki/index.cgi?the_european_blogosphere. Que somos os campeões dos blogues de opinião, é provável. O salto a seguir, e já há quem esteja na linha da frente, etapa inevitável no domínio da democracia participativa, é o wiki. Esta página que também pode ser consultada em francês, pertence ao blogue de Loïc Le Meur, um dos blogues de maior audiência em França e provavelmente, na Europa.
    Saudações

  11. Eu aconselharia a consulta dos dois volumes de «Jornais e revistas portugueses do século XIX», publicado pela Biblioteca Nacional. Perceber-se-á pela quantidade de periódicos que o problema português nunca foi a falta de opinião publicada – não confundir com opinião pública e/ou com massa crítica – que agora encontra outros espaços por estas paragens…

  12. João André,

    Sim, 2 minutos. Impressionantes. Nas dunas, junto ao Mar do Norte, recorda-se a execução sumária de 18 moços holandeses que não se curvaram ao ocupante nazi.

    e-Konoklasta,

    Desculpe, mas alguém quis aqui comparar a blogosfera de Portugal com a da Europa, senhor? Que parvoíce é essa de sugerir que eu não disse a verdade? Que verdade?

    Politikos,

    Século XIX? A sério? E é isso que o faz dizer que «o problema português nunca foi a falta de opinião publicada»? Nunca? Sabe em que século estamos já?

    [E eu até conheço razoavelmente a imprensa do século XIX. Há aí um volumoso livro em que a estudo.]

  13. Caro Fernando,

    Eu também etou na Holanda mas como aluno. É verdade não há blogues! Mas há foruns de discussão semannais na Faculdade, em bares, cinemas, ruas, jardins. Nunca na vida tive de opiinar sobre tanta coisa e debroçar-me tanto sobre a minha ignorância em relação a tanta coisa que me vai passando ao lado!
    É verdade que ainda se usam módulos, porque quem tem bicicleta tem tudo e porque devido ao grau de educação não se andam nos transportes públicos de forma ilegal… É por isso que ninguém pensa em optimizar a forma de pagamento dos transportes…é porque vai dando… Já agora, Portugal é o rei em utilização de telemóveis… dominamos assim tão bem a nossa língua? seremos faladores compulsivos? Falamos inglês nas faculdades? etc etc etc…

    Filipe

  14. Caro Filipe,

    Terá então visto que ter opinião, e mesmo uma opinião ousada, é apreciado. Isto – curiosamente – contra a auto-imagem dos holandeses, que nos maçam a cabeça com a ideia de que «na Holanda é perigoso levantar a cabeça acima do nível do terreno que se sega» (desculpe a trôpega tradução de «maaiveld»), com o que querem dizer que a ousadia de opinião é punida. Estranha, esta imagem de si próprios.

    De resto, o sistema electrónico de pagamento dos transportes vai começar a ser introduzido em 2007. O progresso calha a todos.

  15. Fernando, realmente impressionante. Pela primeira vez tive oportunidade de ver as coisas com olhos de ver (há dois anos estava fora do país e no ano passado tinha um treino de basquete – interrompido para os minutos de silêncio). Vi as coisas na Nederland2. A cerimónia na Dam. Em vez de discursos de circunstância ouvem-se umas palavras, breves, do (creio, pelo que entendi, o meu domínio do neerlandês não é tão extenso como o teu) vice-presidente do parlamento. Depois, coroas de flores, pelos vários mortos. Um silêncio sepulcral. E um poema, de uma jovem vencedora do concurso nacional, lido pela própria. Simples mas bonito. Título “Porta fechada” (compreendi correctamente?). Nada mais. E o silêncio. E o respeito.

    Podemos não ser uma monarquia (e ainda bem), mas há coisas na Holanda de onde poderíamos tirar o exemplo.

    PS – para informação dos demais. Na Holanda tudo pára. As televisões, no mínimo, interrompem a programação com um ecrã em branco e com silêncio. Os comboios param. Ninguém se mexe. E, mais que uma qualquer manifestação concertada porque está correcto, sente-se a compreensão. O respeito. Aqui a memória ainda vive.

  16. Porque é que a palavra do senhor Venâncio faz fé? Os que pensam de maneira diferente não passam, em geral, de uma cáfila de pulhas e calões, capazes de fantásticos malabarismos, para cumprirem o desígnio natural: não dizerem nada! Até aqui, nada de mais. Insultar comentaristas que pensam de maneira diferente, faz parte das competências cívicas do senhor Fernando Venâncio. Curiosa é a forma como o insulto é invariavelmente endereçado.

  17. Arrogância não lhe falta, Venâncio. O Sr. Professor é que sabe e os outros, clado, dizem parvoíces.
    Então, fala aos seus alunos da blogosfera de Portugal e compara-a com a da Holanda, abrindo-lhes os horizontes sobre o futuro, esclarecendo-os sobre os atrazos e os progressos das novas tecnologias (compara alhos com bugalhos, blogues com máquinas ou “guichés” de módulos de metro) sem falar da Europa e do Mundo, como do que está para aqui chegar, o Wiki e pretende o quê? tranmitir-nos uma verdade ou, mais uma vez, como é costume neste país, manifestar a sua opinião? mas toda a gente tem opiniões, os cafés da baixa e de toda a Lísbia estão cheios de opiniosos. Mesmo os artigos de opinião só têm valor se nos derem dados concretos, verifiáveis.
    Da sua opinião, não preciso, e verdades parciais também não, assim como respostas cheias de despeito ou de má fé… nem eu nem os outros comentadores necessitam. Quer protagonismo, Sr. Professor ? Não admite que outros também pensem ou saibam ? Afinal não é muito diferente do JPP, só menos mediático… faça como ele feche as caixas de comentários !

  18. João André,

    «Aqui a memória ainda vive». Nem mais. Na ocupação nazi, os holandeses ou sofreram muito ou se comportaram muito mal. Uma e outra coisa ainda é lembrada, e a recordação a 4 de Maio é de sentimentos desencontrados, e por isso tão pungente.

    Álhi,

    «A palavra do senhor Venâncio faz fé»? A si faz. E é isso que o incomoda tanto. Seja um homenzinho, vá.

    e-konoklasta,

    Eu falei aos meus alunos em blogues, não em «máquinas ou “guichés” de módulos de metro». Veja se percebe.

  19. Ah sim! e não é este o último parágrafo do seu, confuso, texto ? Desmente ?
    “Será a blogosfera, então, um índice de subdesenvolvimento? Acho-me longe de supô-lo. Estaremos, antes, perante um simples funcionamento do ‘avanço retardador’. Nos transportes em Portugal paga-se electronicamente, na Holanda ainda se usam módulos, que um dia foram inovadores. Nós ultrapassámo-los com a blogosfera. Mas vínhamos de muito pouco, quando eles já nadavam em fartura de opinião. Não, os meus alunos vivem, aí, em pleno século XX. Eu só estava a falar-lhes do futuro.”
    Eu também só falei de blogues e de Wikis, mas a sua má fé continua, veja se percebe!

  20. O último comentário é meu:
    Ah sim! e não é este o último parágrafo do seu, confuso, texto ? Desmente ?
    “Será a blogosfera, então, um índice de subdesenvolvimento? Acho-me longe de supô-lo. Estaremos, antes, perante um simples funcionamento do ‘avanço retardador’. Nos transportes em Portugal paga-se electronicamente, na Holanda ainda se usam módulos, que um dia foram inovadores. Nós ultrapassámo-los com a blogosfera. Mas vínhamos de muito pouco, quando eles já nadavam em fartura de opinião. Não, os meus alunos vivem, aí, em pleno século XX. Eu só estava a falar-lhes do futuro.”
    Eu também só falei de blogues e de Wikis, mas a sua má fé continua, veja se percebe!

  21. Má fé? Pronto, já chegámos ao juízo de intenções. Daqui para a frente é de piloto automático. Nice trip, sir.

  22. Ó FV, o que se pretendeu fazer foi apenas um paralelismo entre o n.º de títulos de periódicos do séc. XIX e o n.º de blogues hoje. E não estranhar a quantidade. Apenas isso. E, por consequência, deduzir que o nosso subdesenvolvimento não tem como causa a falta de ideias expressas em letra de forma… Ideia simples, não?

  23. “Nos transportes em Portugal paga-se electronicamente, na Holanda ainda se usam módulos, que um dia foram inovadores.”

    Hummm. O que é que isto quer dizer? Que os transportes públicos em Portugal são melhores que na Holanda?

    E se o sistema de módulos funciona bem para quê mudar para um electrónico?
    Sinceramente, não vivo na Holanda, mas das poucas vezes que lá estive saí de lá com a impressão que
    que trocava os transportes públicos portugueses pelos holandeses, e portanto, também o pagamento electrónico português pelos módulos holandeses.

    E, já agora, trocava também a ferrovia portuguesa com os seus modernos pendulares, pela ferrovia holandesa com os seus velhinhos mas eficazes comboios.

  24. Mas Nuno,
    Aí está todo o progresso… os Holandeses têm bons transportes com módulos à antiga e por isso não precisam de fazer blogues de opinião… em contra partida, nós os tugas, que temos maus transportes com pagamentos electrónicos, fazemos blogues d’opinião até vir o homem da fava rica…é o país das opiniões, a metro e a peso; a Torre do Tombo deve estar cheia… de arqquivos de opinião. Pelo sim pelo não, se quer estar informado sobre o que não se passa na Holanda, e pelo que se passa no mundo, aconselho-o a dar uma olhadela no site: http://www.eu.socialtext.net/loicwiki/index.cgi?communaute
    Depois diga-me o que pensa.

  25. Venâncio,
    A Europa, conheço-a e a Holanda não é excepção. Até conheço melhor essa Europa que Portugal. Depois, tenho a pele e os ossos duros… agora faça-se de vítima!

  26. Fernando Venâncio

    Vendo o seu argumento solidamente reforçado por capitulares de homem, suspeito-me de acordo consigo: a realidade devia ser proibida.

  27. João André

    Não percebeu mas não se preocupe, nem tudo está perdido. Ainda tem à sua disposição a época de recurso. Entretanto, discuta com os seus colegas.

  28. Politikos,

    É realmente uma ideia simples. Agora compreendi-a. Tem razão.

    Nuno,

    Eu não falei da QUALIDADE dos transportes, na Holanda ou em Portugal. Servi-me dos actuais sistemas de pagamento para elucidar um conceito complexo, na realidade um paradoxo, o de «avanço retardador». Não sei qual é o nexo que o seu comentário tem com o tema.

    E-konoklasta,

    Continua a pensar que, com umas estatísticas, diz alguma coisa de significativo sobre a relevância (neste caso, quase residual) da blogosfera num país. Você diz que conhece a Holanda (eu vivo nela há 35 anos). Diga então alguma coisa de concreto sobre essa relevância. E, já agora, comente as experiências aqui relatadas do João André e do Filipe. Podemos estar enganados os três. Mas parece-lhe grandemente provável?

    José Mendes Mateus,

    Usei capitulares porque não sei fazer aqui cenas de HTML. Suponho bem, se supuser que era tudo o que você tinha a observar?

  29. Fernando,

    Aquilo que eu queria dizer é que o que, ás vezes, parece avanço não é mais do que uma operação de cosmética. O caso dos bilhetes electrónicos parece-me reflectir isso mesmo. O objectivo de transportes é satisfazer as necessidades de transporte dos seus utentes (conforto, pontualidade, tempo de viagem, etc). Não é poder pagar os blihetes de forma electrónica. Talvez alguns utentes fiquem satisfeitos com isso, mas no geral é todo o sistema que conta.

    Como todo o respeito, parece-me que esse exemplo de “avanço retardador” não foi lá muito bem escolhido.

  30. José Mendes Mateus,

    quando não percebo alguma coisa realmente discuto com os meus colegas, procuro alguém que tenha percebido. Faço umas perguntas a quem saibe mais portanto. Felizmente que isso o exclui a si.

  31. Eu também acho-me longe de supolo que a blogiosfera é um sinal de subdesenvolvimento. Mas é só um supor, não tenho a certeza. Há uma semana, cortaram-me a internet por falta de pagamento. A ver se desenvolvo entretanto um bocado e depois digo aqui no posto público. Agora, vou debater ideias ali com o ti luis da leitaria e conto estar mais desenvolvido 1% no fim do dia, como os holandeses.

  32. Os gregos também são espertos. Têm uma das mais baixas taxas de blogosfera na Europa, preferindo encher as tavernas discutindo em altos berros tudo e mais alguma coisa, sobretudo politica, enquanto beberricam o seu ouzo ou o seu café frapée. Um pouquito como os holandeses.

  33. desde a Inquisição ( Portugal teve uma das mais longas da Europa católica) que, neste país as pesoas têm medo de falar. a Holanda não teve inquisição e teve ensino primário, universal,obrigatório e gratuito desde o sec.xv. evidentemente que é um país com outro nivel cultural e com enormes hábitos de tolêrância e respeito pelo outro. além de hábitos e valores de transparência que são manifestos até na tradição de não se usarem cortinas nas janelas. na rua pode-se ver para dentro das casas! em portugal as pessoas continuam a ter medo de manifestar as suas opiniões, é um medo antigo que vem da inquisição, prelonga-se no estado novo, e está a ressurgir muito fortemente com este novo governo autoritário. a blogosfera é um meio de escape a esse ambiente asfixiante. Viva a blogosfera e respeitemo-nos uns aos outros quando temos opiniões diferentes. só assim se criarão condições para que isto seja, de facto, um dia, um país democrático! saudações.

  34. Valupi, lá venho eu,

    Pois esta manhã enviei um e-mail ao Loic Lemeur, de que já falei, para pedir números para os blogues holandeses e a uma holandesa da comunidade Wiki. Recebi as respostas agora. E recebi também da AFP os números de internautas em todo o mundo.
    Então é assim, aqui tem a resposta enviada pela holandesa, mas em inglês:
    —– Original Message —–
    From: Elmine
    To: e-konoklasta
    Sent: Friday, May 05, 2006 5:59 PM
    Subject: Re: nederlands statistics

    Hi e-konoklasta!

    Thanks for the effort in writing your mail in English! I think your English is better than my French. I was surprised to hear that there were no statistics available for The Netherlands in Loic’s wiki, because I contributed to the pages as well. So I took a close look and found the numbers. (What may be confusing is that NL is referred to as the Dutch blogosphere. It may also be that someone removed the numbers because they were outdated.)

    The numbers in the wiki:
    From the summary page:
    600.000 Dutch Blogosphere (total population 16.407.491, 3.6%)

    From Dutch Blogosphere:

    There are a lot of software-driven weblogs (Blogger, Movable Type) but the biggest platforms are web-log.nl (250.000 users), MSN Spaces (500.000 users), and 20six (15.000 users). Typepad NL is available in Dutch. Weblogsoftware Pivot is also dutch, but available in more languages.

    Total number of blogs estimated for the Country: estimates are around 600.000. This is exclusive the MSN Spaces since this get pre-configured when installing Messenger 7
    I think the numbers are rather accurate. I hope I’ve helped you out.

    Best,
    Elmine.

    Os números referentes aos utilisadores da internet no mundo (apenas depois dos 15 anos, quando se sabe, que na Europa os jovens com menos de 15 anos, não só se servem muito da internet, como mantêm blogs com acesso limitado a pequenas comunidades, reproduzindo, duma certa forma, o fenómeno de pequenas bandas) então temos a Holanda em 13º lugar com 11 milhões de utilizadores, a percentagem não está especificada, mas se compararmos com a superficie e população da Espanha, por exemplo, em que o nº de utilizadores é de 12 milhões, já nos dá uma ideia. Depois estas estatísticas nos dizem ainda, que quanto ao tempo que os utilizadores de Internet passam diante dos seus ecrans, está em primeiro lugar Israel com 57 horas, em média, por internauta e a Holanda está em 4º lugar depois da Finlândia e da Coreia do Sul que tem 25 milhões de internautas. Estes nºs saíram ontem em Washington num estudo da ComScore Networks. Quer queira, quer não, estes números falam por si, e quem os publicou, admite, que dado os critérios do estudo, estes estão subestimados. Não entro em detalhes, mas se quiser posso enviar-lhos por e-mail.
    No que diz respeito a Portugal os números não são fiáveis, mas pensa-se que hexistam, activos, cerca de 4000 blogs, há mais mas já mortos ou quase mortos. Chega?

  35. O assunto é muito interessante , porque como
    brasileiro a viver em Portugal a mais de 20 anos
    realmente acho curioso apesar de ter pena, a pouca
    iniciativa e disposição para
    trocar idéias nos convívios
    familiares ,clubes , bares etc etc

    Nas Instituições fala-se a
    sério , sem duvida , mais completamente de
    forma individualista e hermética , debates pouco.

    Todos parecem ter algum pudor ou medo de dizer algo
    que não esteja bem , e portanto , passar por alguém que não tem conhecimento do assunto “x” ou “y” como se; se é para falar só vale a pena se disser algo muito perfeitinho, demostrar algum desconhecimento é grave e não abona a meu favor !

    Quando o cagamelo
    ( Francamente que nome técnico voce arranjou )

    disse, e bem ,acerca dos gregos , País que já tive a oportunidade de visitar
    senti exactamente isso a vontade de partilhar e falar aos berros ,( Não gosto nada ) fiquei numa casa de uma típica família Grega de classe média e notei o estilo italiano de falar e o gosto genuíno expontâneo de comentar tudo e mais alguma coisa.

    Tenho imensa pena , do estilo Português , percebo-o perfeitamente e nem é difícil perceber qual é a raiz do problema está aí um tema que poderia ser mais comentado , porque na origem desta reserva , inibição do Português em participar mais sem preconceitos e dizer o pior disparate do mundo , claro que ,( falando de conversas informais ) deve , na minha opinião desembocar num cerne de uma questão qualquer , porque como muitos já disseram acima , vontade e opiniões não falta , caso contrário os Blogs não teriam este crescimento, até já existem críticas de alguns intelectuais com Pacheco Pereira , aos bloguistas tentando definir e, as vezes denegrir, estas prestações, o que é completamente disparatado toda comunicação é válida e enriquecedora , o facto da adesão estar a ser tão forte é SINTOMA EVIDENTE , que há energia e participação mas, ao mesmo tempo , sinal de que algo vai mal na sociedade civil
    e no Estado.

    Lançava então uma questão;

    Não estará a comnunicação Social , classe política e Instituições através dos seus interlocutores a alimentar uma pseudo participação democrática
    menos alargada para manter status quo dos lobbies , empregos ou influências no País ?

    Reparem bem nas escolhas dos debates televisivos são
    sempre Institucionais !

    Já ouviram falar em Corrupção Instituicional?

    —————————

    Quid Novi ? para traduzir a Política e os polìticos

    http://mauroburlamaquisampaio.blogspot.com

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