Vinte Linhas 512

Na leitura de «A queda dum anjo» de Camilo Castelo Branco

Camilo Castelo Branco (1825-1890) fez versos, tradução, teatro, crónica, biografia, pesquisa erudita, história e crítica literária além de jornalismo mas onde a sua personalidade se afirmou de modo incomparável foi na novelística e na polémica. Reli há dias «A queda dum anjo» e foi, de novo, uma festa.

Calisto Elói, deputado por Caçarelhos, anjo na sua terra, acaba em demónio na vida parlamentar de Lisboa que o promove a barão: «Eu tenho o desgosto de ter nascido num país em que o mestre-escola ganha cento e noventa réis por dia e as cantarinas, segundo me dizem, ganham quarenta moedas por noite». Calisto Elói descobre um Parlamento onde tudo é especial, insólito e diferente: «os representantes da Nação, conquanto jurassem fidelidade à religião, eram aliás ateus; jurando fidelidade ao rei, injuriavam-no nas gazetas; jurando fidelidade à Nação, avexavam-na de tributos e alguns a queriam fundir na Espanha».

Casado embora, Calisto descobre em Lisboa o amor: «Somos todos de quebradiço barro; somos uns pucarinhos de Estremoz nas mãos infantis das mulheres. O tributo é fatal: quem o não pagou aos vinte anos, há-de pagá-lo aos quarenta e mais tarde, quando Deus quer… Deus ou o Demónio que eu não sei ao justo quem fiscaliza estes mal-aventurados sucessos de amor, que a história conta e a humanidade experimenta cada dia». No fim da história Calisto e a amada Ifigénia salvam-se com dois bebés (Mem e Egas) enquanto sua mulher Teodora e o primo Lopo se salvam com a sua criança Barnabé: «O amor é tão engenhoso como a natureza».

9 thoughts on “Vinte Linhas 512”

  1. Bem lembrada a benfazeja leitura de Camilo – sem dúvida um dos nossos mais brilhantes artistas. Se na altura fazia as moçoilas entrar em sinapismos de mostarda, hoje, deixa-nos a impressão de que ainda vive entre nós, ou de que nós não mudámos grande coisa.

  2. O Calisto Elói é mesmo o jcf em ascensão e a funcionar com todo o gás. A única diferença é que não há Ifigénias, nem garinas que o queiram.

  3. Al’Porto,

    Lê-se bem que o menino faz força para pensar. Então, depois de nos trazerem à lembrança um dos melhores exemplares da literatura lusa, só se lembra de vir aqui deixar esta excrescência? Lavou as manápulas ao menos?

  4. Passei agora por aqui mas não resisti. Caro Paulo Pobre, pelo que li o JFC faz o que pode numa área em que tão poucos se interessam por estes Nobres assuntos. Duma coisa me apercebi foi o que o caro Paulo pouco Nobre, pelo mau cheiro que deixou, nunca as suas manápulas alguma vez lavou.

  5. Vamos lá fazer de eruditos para agradar à salsicha Nobre.

    Um anjo caído, obra fulcral, inédita, original, sobressai no panorama da literatura portuguesa (já pareço o jcf) pelo seu veio único em prosa escorreita e compacta. Personagem cómica, Elisto Calói, ascende às alturas, aos sonhos etéreos, tal um Zé Chico, Chico Esperto, mas dá um tropeção na diegese do romance que a queda sempre dói mais quanto mais alto for o pináculo atingido e assim ficamos com um breve overviú do savoir-faire do nosso amigo e muito venerado Queirós da Póvoa do Casino.

  6. Cláudita, só agora passei por aqui. A risota tinha terminado, mas logo dei uma gargalhada valente com aquela tua saída das salsichas Nobre! Só tu, Láudita para te lembrares da comparação…Continua, que o riso está a fazer imensa falta. Principalmente, aos sisudos!
    E os outros que continuem, quisto não é só política, futebol e desemprego. Agente tem que desopilar, ou não é, gente? Ómenos aqui, é melhor cumfilme do Charlot!

  7. Ah! Assim, sim! Chega um tipo pela fresca e dá com isto, sim senhor! Vejamos:
    JV, Cláudia e My Name, três a que se soma um tal Al’ Porto. Bom. Percebe-se que são uma e a mesma criatura – admitamos que acredito tratarem-se de personas diferentes, sim, admitamos isso, não obstante a mesma húbris desajeitada –, com o mesmo tipo de actividade pensante, numa atmosfera, de mútuo esfregão dos egos – asinum asinus fricat –, e enfezadas manifestações de repugnância colectiva aos que, por tempo ou interesse, e não desejando participar desses jogos de masturbação recíproca em que tanto se comprazem as pessoas maravilhosas como vós, têm um blog e publicam essa coisa reprovável, que é falar de literatura. Se admitissem ser um, a coisa tinha menos impacto: são quatro palermas! Infelizmente, não são únicos. Já deu para perceber a existência de uma espécie de clube, cuja actividade lúdica é dizer mal do JCF. Antes fosse uma e a mesma pessoa, pois, sendo o grupo demasiado grande para que todas as epidermes se possam tocar directamente, a maioria anónima, têm de se restringir a uma forma oblíqua e simbólica de participação, contentando-se com esfregar, à distância, os seus sexos, o que faz com que se chegue à conclusão, se calhar um tanto injusta, de que só um tipo muito específico de asno é que vem comentar em blogs para não acrescentar nada a não ser a criticazinha masturbatória, numa espécie de convívio com o próprio pénis ou vagina. Não é o fim do mundo. Façamos pois num comentário aos vossos comentários, tentando captar a ambiência psicológica da coisa. As reacções dos amiguinhos seguem rigorosamente a linha anunciada acima. Não vieram discutir o post, o tema do post, aliás nem mencionam, com excepção do Al’Porto, a vossa opinião soçobra perante a “queda de um anjo”. Mas como, de passagem, eu mencionasse o sr. Al’Porto à guisa de exemplo de alguma coisa, sempre digo também, que ele fala do livro comparando o magistral personagem central da história ao próprio autor do post, maltratando à uma: quer a literatura do Camilo, o autor do post e a mínima inteligência requerida a um tipo com mais de cinco anos. Á minha resposta azeda, mais três palermas se encresparam, agarraram-se ao meu nome para fazer dele o centro da discussão e, em bloco, como convém a foliões, saíram a gritar: Ele chama-se Nobre como as salsichas! Prefiro as salsichas (hum..?!) e tal! Ele gosta do que escreve o JCF? Que obtuso! Ai gostas, então, és tratado de forma semelhante! Tem de ser!
    No seu empenho belicoso, empregaram fartamente todo o erudito arsenal dos que deixam os fígados nas caixas de comentários dos blogs, incluindo, o banal fulano que chega, nem sequer lê o post, e certamente em razão de sua relevância intelectual, sai em formato de corrida, a criticar o criticado pela matilha e a lamentar não ter vindo a tempo de apanhar a risota em todo o seu fulgor (ora se este não é um dos anteriores vou ali e já venho). Mais engraçada é o personagem Cláudia. A Cláudia fulminou-me pondo as mãos nas ancas, franzindo o narizinho com ar de desdém e deixando cair dos lábios em bico a sentença implacável com que as emproadinhas, do alto dos seus tamancos, provam a sua infinita superioridade perante os tipos que por elas passam na rua e se viram para lhes ver o rabo: “Ah, é, mano? E que tal esta?” E sai rebolando, toda vitoriosa. Quem, com efeito, ousaria contestar tal tipa? Longe de mim tamanha pretensão. Não é preciso dizer que estes todos e os mais que se lhes juntarem, saem sempre disto todos contentes, como se tivessem feito realmente alguma coisa, remirando-se deleitosamente no espelho que lhe serve de consciência e pronunciando sobre si mesmos o juízo de consagração definitiva: “mãezinha, olha para mim a andar sem mãos!” Assim, pois, nada mais me resta, gozei um bocadinho e livremente, deixando os dedos dedilharem este pequeno ensaio sobre parvolândia que é a caixa de comentário do JCF. Espero pois que os amiguinhos continuem a desfrutarem-se de agradáveis sensações decorrentes de fazerem-se passar por “alguém”, lamentando apenas que sejam tão fugazes. Deviam escrever mais. Cada um de vós. Nem tudo é perfeito. Mas resta sempre a esperança: ainda há de se inventar um modo de prolongar esses orgasminhos. A tecnologia é imparável!

  8. LIVRA! LIVRA! ORGASMOS, ORGASMOS, ORGASMOS. EU SÓ GUSTO DE HOMENS, EH PÁ Ó NOBRE, FALAS TANTO, PÁ, DEVES TER PILA POUCO TRABALHADEIRA, MEU. CONCENTRA-TE EM BAIXO, KU OS HOMES NUM FORMA FEITOS PARA PENSAR.

    BÁ LÁ. QUANTO MEDES?

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