Vinte Linhas 324

O papagaio de Salazar

Agora que se fala muito de Salazar e que há até um filme a passar na TV embora o Salazar namoradeiro que aparece não seja o que me interessa (a mim interessa-me o Salazar do Aljube, de Caxias, de Peniche e do Tarrafal), descobri no alfarrabista «Telles da Silva» o livro de Norberto Lopes sobre a imprensa em Portugal. Chama-se «Visado pela Censura» e foi publicado pela editora «Aster». A história conta-se em breves palavras. No dia 11 de Junho de 1926, na sequência do 28 de Maio, Oliveira Salazar chegou a Lisboa para tomar conta da pasta das Finanças. Norberto Lopes estava no «Diário de Lisboa» e foi à estação de Entrecampos onde entrou no comboio e manteve com o novo ministro uma conversa até ao Rossio mas as respostas foram zero: «Não posso ainda dizer-lhe. Não trago programa. Não tenho ideias a priori sobre aquilo que vou fazer. Sobre a questão dos tabacos por enquanto nada posso dizer-lhe. Ainda é cedo para falar.» Perante a insistência de que havia milhões de portugueses ansiosas pelas suas respostas, Salazar apenas disse: «Os senhores jornalistas são terríveis».

O grande jornalista Norberto Lopes recorda então a célebre anedota do papagaio que um dia foi pedido a um brasileiro que trouxesse para um amigo. Em vez de um daqueles sem papas na língua, o bicho era verde e oiro, parecia ser um palrador de primeira ordem mas nada dizia. «Então o papagaio não fala?» – perguntavam os vizinhos. E logo o dono respondia: «O papagaio não fala, não; mas pensa».

E foi esta anedota inofensiva que o Diário de Lisboa publicou na sua edição do dia 12 de Junho de 1926. Talvez porque a Censura ainda não estava bem oleada.

4 thoughts on “Vinte Linhas 324”

  1. Jon Stewart – o apoio de Barack Obama aos bancos no valor de um bilião de dólares

    Jon Stewart, do Daily Show, pergunta-se, com excelente humor, se será boa idéia salvar os bancos com um bilião de dólares (que, entretanto, já subiu para dois biliões e meio):

    Durante a conferência de imprensa de segunda-feira à noite, o presidente Barack Obama delineou o seu plano de estímulo económico. Mas evitou entrar em pormenores sobre a segunda metade do plano de recuperação, o apoio aos bancos. Deixou isso para o seu secretário do tesouro, Tim Geithner:

    Tim Geithner: Este fundo destinar-se-á aos empréstimos a bens que estão a sobrecarregar muitas instituições financeiras, fornecendo o financiamento que os mercados privados não podem agora garantir. Acreditamos que este programa deverá disponibilizar até um bilião de dólares [$1 trillion] de capacidade de financiamento…

    Jon Stewart: Um bilião de dólares! Olhem, não sou economista e não trabalho em Wall Street, por isso acredito que as pessoas que nos meteram neste sarilho, ao menos, reconheçam o esforço do governo.

    Canal de Televisão: Wall Street não gostou do anúncio de ontem…

    CNN: Wall Street rejeitou o plano…

    Fox News: Wall Street não mostrou agrado. Acha má idéia…

    CNN Live: Wall Street detestou o que ouviu hoje…

    Jon Stewart: Deixem-me ver se percebi. Wall Street não gosta dos pormenores dos apoios de um bilião de dólares para Wall Street? Não gostam da forma como um bilião de dólares vos será distribuído? Um bilião que vos vamos dar para substituir o bilião de dólares que perderam?

    Deixem-me explicar rapidamente a relação entre quem salva e quem é salvo. Vocês, meus amigos, vocês estão a afogar-se, portanto sugiro que não se queixem se não forem à janela do barco de salvamento. Isto, porque já agora, o que é que estão a fazer na água? Vocês não são vítimas inocentes… Vocês são como um palerma que acha graça andar de parapente durante um furacão. E sabem qual é o mal dos tipos assim? Nunca têm seguro!

    Vídeo legendado em português

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