Terceira balada para Luciana

Luciana quase menina
Tem o jeito de mulher
Lavando na sua rotina
Chávena, pires, colher

Envolvida numa espuma
As mãos na água quente
Não pensa coisa nenhuma
É trabalho transparente

Fica um balcão brilhante
Com brilho do seu asseio
O seu olhar tão distante
Lembra lugar donde veio

Nem repara que na mesa
Se veio sentar Cesário
Chegou aqui de surpresa
Ficou sentado ao contrário

Para a Rua dos Fanqueiros
Fica a loja de ferragens
Os poemas tão pioneiros
São a força das imagens

O Conde de Monsaraz
Vem a chegar em atraso
O café dá-lhe outra paz
Quando ele sai ao acaso

Pelas ruas desta Baixa
Melancolia não tem fim
E o pobre com a caixa
É um professor de Latim

Luciana sorri, continua
Põe ordem no seu balcão
O poema vem para a rua
Transforma-se em canção

15 thoughts on “Terceira balada para Luciana”

  1. Zé do Carmo, às vezes gosto da tua poesia soft, melancólica, tolerante, popular, bairroaltina. Acho, porém, que se tu te libertasses da canga da rima e da métrica mal medida, talvez libertasses outra coisa que há em ti e que não chega bem a ter voz nos teus versos. Estás quase lá, mas não chegas. Cumprimentos ao Cesário.

  2. Nik: isso estou eu farto de lhe dizer, mas o Zézinho não ouve ninguém. Nem quando é para o bem dele. Tem tanto de burro como de casmurro. Este género de versos só nos poetas populares, e mesmo esses são capazes de fazer melhor. Repare-se na última quadra: o primeiro verso tem 10 sílabas, enquanto o terceiro tem apenas 8! Este Zézinho pensa lá do seu «alto gabarito» que pode fazer merda sempre que lhe der na gana e os outros que limpem o rabinho ao guardanapo. Um dia destes, Zézinho, ainda te tiram o prémio de poesia que ganhaste em 1978! Ou foi em em 1987!?

    Aliás, o que eu estou farto de dizer, é que JCF deixe de escrever de vez versos como estes. Que tente a verdadeira poesia, que, em tempos, até nem era má. Melhor são as crónicas. Quando não são para se gabar, nem para dizer mal do próximo. E muito menos quando são picuinhas sem ponta por onde se lhes pegue.

  3. Peneiras são comigo,

    “Este género de versos só nos poetas populares”

    Oiça lá, ó seu labrego, você acha, realmente e do fundo do coração, que este blogue não é merecedor de poesia popular? Onde é que você já viu aqui um sinal ou intenção do José em querer parecer líder de escola versalhística com rima ou sem ela? O homem poderá desrespeitar métrica, mas tem ideias e tem imaginação – uma coisa que você ainda não nos provou ter, apesar deste seu bláblá.

    Será que você não faria melhor meter a sua crítica pelo olhito acima, ou, alternativamente, pespegar nesta caixa alguns poemas da sua autoria para os sujeitarmos ao mesmo rígido escrutínio tão a seu gosto?

    Aconselho-o a ir pela alternativa, quem sabe se terei de lhe pedir desculpa.

  4. Não o trato como você me tratou “oiça lá, ó seu labrego”, porque me apetecia chamar-lhe outra coisa e não devo.
    Não aprecio poesia popular, mas respeito o género. Aquilo que não aprecio nem respeito e que me chateia, são poetas armados em bons sem o serem. Escreve-se em cima do joelho, e aí vai disto pró blogue. Sim, o Aspirina é merecedor de poesia popular. Não é merecedor
    é de versos como Terceira Balada para Luciana! Não chega “ter ideias e imaginação”, como você diz. É preciso ter talento e saber trabalhar um poema. Coisa que o Zé Francisco teima em não fazer e os leitores que se lixem.
    Aqui fica, então, a seu pedido, o poema “revisitado” por mim. De outro modo nunca me atreveria a fazê-lo. Mas desafios, não costumo rejeitá-los. Leia e diga do seu “bláblá”.

    Terceira Balada para Luciana (2ª versão a pedido)

    Luciana, quase menina
    Tem um jeito de mulher
    Lava, na sua rotina
    Chávenas, pires, colher.

    Mergulha num mar de espuma
    Suas mãos na água quente
    Não pensa em coisa nenhuma
    É trabalho transparente.

    O balcão fica brilhante
    Com o brilho do asseio
    Mas o seu olhar distante
    Lembra o lugar de onde veio.

    Nem repara que na mesa
    Veio sentar-se o Cesário
    Chegou aqui de surpresa
    Ficou sentado ao contrário.

    Para a Rua dos Fanqueiros
    Fica a loja de ferragens
    Os poemas pioneiros
    São a força das imagens.

    O Conde de Monsaraz
    Chega agora e com atraso
    O café dá-lhe outra paz
    E depois sai, ao acaso.

    Pelas ruas desta Baixa
    Melancolias sem fim:
    Este pobre com a caixa
    É professor de Latim.

    Luciana continua
    A pôr ordem no balcão
    O poema vem para a rua
    E transforma-se em canção.
    ___________________________

    Já agora, em sua homenagem:

    SubstantiaNegra é
    Tipo de bruto que farta
    Não sei se veio da Guiné
    Mas vá pró raio que o parta!

    Nota: Com o meu respeito e estima pelos guineenses.

  5. Ajude-me a recordar onde é que já vi esta peça de teatro, seu Peneiras? A sua resposta não conta, pois os versos ainda continuam da autoria do inventor do famoso aparte sobre o “peixe podre de Sesimbra”. De “maquillages” como a sua estamos nós fartos. O que seria interessante era ver aqui sangue seu com certificado de laboratório, poético, evidentemente, para dar a beber aos dráculas entendidos.

    Agradeço a dedicação. Eu escreveria melhor, garanto-lhe. E nem precisava que me chamassem labrego. Durma bem e mande-nos uns versinhos seus amanhã. tá bem? ciao.

  6. Não se zanguem!
    A Luciana chega pra todos! Até pra mim que não sou poeta:

    Luciana lava, lava!
    Lava tudo com amor,
    Tens um horário de escrava
    E de salário: um “supôr”

  7. Sarah,

    Obrigado pelo conselho. Saíste-te bem e não és barra. E digo-te isto para não discordar contigo. Mas porque te saíste tão bem não sendo “poeta” viste efectivamente estrangar o arranjinho todo, que era o de aliciar o par de bobos medievais que andavam por aqui a armar aos grilos e ralos de Santo António.

  8. fazer rimas não é difícil, endireitar métrica menos ainda. basta ter ouvido, ou em alternativa saber contar sílabas. do meu ponto de vista é admissível, mas assim como quem presta um serviço gratuito de revisão e se feito com bonomia.
    descobrir imagens, isso sim. ora tenta lá, peneiras, a ver se passas pela nossa peneira ou se ficas menos peneirento.

  9. Nigra:
    Já viste esta peça por aqui, sim, senhor, queu também me lembro. Lembro, até, que foi por causa de uma «maquilhagem» destas, sem ser a pedido, que o Daniel de Sá saiu do Aspirina B.
    Agora, eu acho que não se deve exigir aos comentadores que se tornem bons poetas só porque tu o exiges, ó Nigra! Atão os críticos literários, pá, quando dizem mal duma obra têm que justificar o que dizem e escrever outra obra superior!? Por isso é que não deves chamar ao Nik e ao Peneiras «bobos medievais». Tu, Nigra, é que me fazes rir. Se fizessem o que tu queres, pá, eu acho que passávamos a ter apenas autores de texto no blog e deixávamos de ter comentadores! A tua exigência é um disparate, desculpa lá. Além disso, estou de acordo meio contigo, meio com o Peneiras: o JCF tem poder de observação e sensibilidade, tem ternura, mas não consegue aproveitar esses dotes e fazer um poema capaz. Eu acho que o Zé do Carmo Francisco ia lá com um bocadinho de esforço, de brio profissional, para não estar sempre a ouvir aqui a mesma lengalenga. Mas ele não quer, pá. Pensa que vai ficar para a posteridade como «O Poeta que não sabia rimar», e isso dá-lhe gozo, acredita! Até é capaz de pensar que virou um novo Cesário dos tempos modernos. O pior é que a métrica, essa não muda com os tempos, pá.
    Eu acho que também há por ai um engano: Peneiras é comigo parece-me um pseudónimo a retratar o nosso JCF, e não tem nada a ver com a pessoa que o escolheu para assinar os comentários. Ora, pensa lá comigo, Nigra.
    Depois, o Peneiras, pá, não tem obrigação nenhuma de passar pela vossa «peneira», como diz a susana. Aquilo que ele lê aqui escrito no Aspirina B é que tem de passar pela peneira dele. E os versos de pé-quebrado do JCF parece que não passam. Pelo menos, eu acho…
    Aguardemos, então, se sai poema dos bons. Sim, que o Peneira é comigo deu bem conta do recado e parece saber bué da coisa.
    Saudações!

  10. SUBSTANTIANIGRA, precisas do meu Nº de Contribuinte, do NIB, do IRS, Carta de Condução, Grupo Sanguíneo, Vacinas, etc, etc.? É só dizeres que ponho tudo aqui na caixa dos comentários, ok?
    Corrigi de várias formas e não só na métrica os versos do JCF para que chegasses a uma conclusão. Não chegaste, problema teu: és burro. Burro, auto-convencido, provocador e sacana. Querias-me então a teu mando, era? Deves estar é doido! Ás tantas, é isso: deve ser o mau funcionamento da substantia nigra no teu cérebro. As melhoras.

    EU ACHO, “O Poeta que não Sabia Rimar” dava um belo título para um livro. Melhor ainda é chamares ao José do Carmo Francisco “o Cesário dos tempos modernos”. Não sei “bué da coisa”, mas agradeço.

  11. Eu acho,

    Não reparei no teu comentário mais cedo, seja por desleixo, seja porque julguei que as exéquias já tinham terminado. Mas não me nego a aproveitar o clima de nojo que ainda anda por aqui.

    Nada tenho que condenar no espírito construtivo que presidiu à tua análise desta simples questão, se foi isso de facto aquilo que mais te empurrou. Todavia, gostaria de lembrar-te que tudo (repara que sou eu que estou a dizer isto, não o sabido crítico literário do Público) o que se escreve é emendável em todos os aspectos, rimas, métricas, melodias, conclusões com sons ribombantes e trovoadas e tudo o mais. Sobretudo por autores, muitas vezes tarde demais, tipo: maldita inspiração que chegaste tão tarde! Foi por isso que se inventaram rabiscos e rasuras, notas à margem, entrelinhas, lembretes, memórias malditas com arrependimentos e vergonhas retroactivas..

    Por outro lado, aquilo que a meu ver mais impede “críticos” casuais e eventuais de criticarem é o respeito infundido pela personalidade augusta de quem escreve. De modo que a maior da parte daquilo que tu chamas de “crítica” (pelo teu “crítico”) em poesia, literatura em geral,ou mesmo pintura ou música, se resume ao universal encolher de ombros, ou a confissões de admiração até à morte pelo artista.

    Ora o jogral que escolheste para constituinte não merece o benévolo cognome de “crítico” pela simples razão-facto de que meteu a patorra inicial nestes comentários apodando o Zé de “burro e de casmurro”, de “fazer merda”, de mandar os outros”limparem o cu ao guardanapo” e, não contente com isso, passar às crónicas do homem e aproveitar a oportunidade para chamá-lo de “gabarola” e autor de “picuinhas” sem ponta por que se lhes pegue”. Isto tudo numa única peneirada.

    Se juntares a isso a coragem de chacal que ele mostrou de vir morder o “burro” (derreado com tanta acusação) mas só depois da magistral intervenção do “crítico” literário Nik, ficarás com uma ideia muito aproximada da razão que em princípio deveria ter pesado na decisão de permaneceres calado ou vires defender heróis que não merecem um causídico como tu. Aliás, talvez não seja de chacal. Exame minucioso aos ímpetos malcriados que o animaram depois de falares com muito juizo revela que o animal em causa é, de facto, a hiena, que era um animal de sexo duvidoso para alguns poetas da Arcádia, símbolo da simplicidade pastoril.

    Peneiras,

    Deixa-me da mão, filho. Não aceitaste o meu convite, tanto pior. Sou sacana, não é novidade. A Nigra anda boa, hoje, amanhã não sei. Trata da tua. Cuidado com o potássio. És labrego, mas não és burro. Happy?

  12. SUBSTANTIANIGRA:
    Não, não aceitei o teu convite. «Só te deixo da mão, filho» neste meu último comentário. Aí, sim, terminaram as «exéquias».
    Tu não me conheces nem eu te conheço a ti. Mas pressinto que somos ambos adultos quanto baste. O ambiente na blogosfera é este, como vês: insulta-se, dizem-se coisas que de outro modo se não diriam. Os pseudónimos servem para isso. É como um jogo de meninos no recreio, onde se dizem palavrões e se fazem maldades.
    Tu entendeste bem, muito bem mesmo, aquilo que quis transmitir nos meus comentários. Fui mal-educado? Ora mete lá a mãozinha na consciência e conta quantos «mimos» trocámos de parte a parte. Olha que não sei se ganhei eu, se ganhaste tu! À cabeça, apelidáste-me logo de forma gentil: «Oiça lá, ó seu labrego». Não gostei, principalmente, porque não me tinha dirigido a ti. Agora chamas-me «chacal», mas ainda não satisfeito com a gentileza optas por «hiena». Não há dúvida de que tens bom-gosto, dedo para achincalhar e ofender quem não conheces. E és tu quem defende a boa-educação!?
    Também não me parece correcto que desbobines, segundo a tua versão, uma espécie de minucioso rol de todas as «indelicadezas» que escrevi. Ditas assim, até podem parecer chocantes, mas estão fora do contêxto dos comentários que fiz. A isso, chama-se batota. Aliás, os meus comentários estão aí e podem ser lidos por quem o desejar. Muito pior tenho eu lido e nem por isso apareceu um cavaleiro-andante a defender a sua dama. E olha que, em certos casos, teria feito jeito.
    Bom, mas o que desejo, realmente, dizer-te é que não sou a pessoa que tu parece reconheceres em mim. Que longe que estás! De tal modo que te apresento, não as minhas desculpas, porque nada tenho que me pese na consciência, mas para te estender a mão, cordialmente, a dar por finda a troca de galhardetes.
    Lamento a brincadeira relacionada com o pseudónimo que escolheste e desejo que a Nigra ande tão boa amanhã como hoje.
    Não sei que género de pessoa és, mas também não me pareces «burro». Happy? Porque não? É aquilo que mais procuramos na vida e, por vezes, aquilo que menos temos enquanto por cá andamos.
    Com tudo isto, não penses que não votarei a «repreender» o JCF, quando me der na gana. Ainda tenho esperança que ele atine…Afinal, não deixam de ser críticas didácticas!

  13. NIGRA:
    Ora aí está um «happy ending» à altura, embora a tal da happy ande por vezes um pouco afastada dos que precisam dela.
    Gostei da atitude do Peneiras: vertical, corajosa, sincera. Boa peça! São textos assim que fazem da blogosfera um mundo onde acontecem as coisas mais inesperadas. Como a cordialidade, a compreensão, a sensatez, a tolerância. É o caso.
    Eu acho só que, se calhar, estou a precipitar-me no comentário. A deitar foguetes antes da festa. Sim, porque tu, NIGRA, ainda não estendeste a mão ao Peneiras. Tu é que sabes, mas eu acho que devias…
    Saudações!

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