Passeio bloguítico às tascas da má-língua

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Eu acho delicioso. E instrutivo. E dá-me sempre novos motivos para ser modesto. Nos meus tempos de maldizente, eu era – sei agora – um menino de coro. Hoje, nos blogues, a cena literária é pretexto para muita, mas muita mais ferocidade do que algum vez cá o Degas produziu em folha de papel. Dois exemplos fresquíssimos.

O juvenil «Não Li Nem Quero Ler» – juvenil no tempo de vida e no ainda difícil acerto dos autores com a gramática portuguesa – prossegue a sua abnegada missão.

Também o nunca esquecido Fernando Esteves Pinto, no seu «Escrita Ibérica», não consegue vislumbrar, na mesma e colorida cena, um luzinha que nos encante a existência.

E anda uma pessoa, como eu no DN deste domingo, a produzir 1499 caracteres de bondade sobre José Saramago. Isso depois de ter enfrentado, anos a fio, o mais monótono dos coros portugueses, onde nunca entrei, nem como menino, o dos «saramaguianos».

«Não é fácil dizer bem», ó George? Foi tu abrires a tampa, e o espírito soltar-se. Feliz. Reinadio. Imparável.

A tempo e horas

Ainda no «Esplanar», Carlos Leone – a propósito duma alusão minha aqui – lembra a distância que vai entre a produção dos «redactores» do «Não Li» e o trabalho de José Pedro George no blogue que Leone hoje gere. A distância é patente. É-o cada vez mais. Se desmereci a intervenção de JPG, retracto-me. Com gosto, de resto.

7 thoughts on “Passeio bloguítico às tascas da má-língua”

  1. Tudo bem, tudo bem, não foi desmerecimento; o meu comentário deveu-se às coisas que eu tenho escrito/dito sobre o que se faz sob anonimato nos blogs (e não só, claro) e um pouco para contrariar aquela ideia errónea de o JPG ser um desabrido sem sentido de humor (que tem, como se pode ler). Só uma nota: obrigado pela fidelidade ao Esplanar, do qual eu não sou gestor, limito-me a escrever mais do que é comum enquanto o JPG não volta. Em breve pode ser ao contrário.
    CL

  2. Odete. Sempre tive um certo tessão neste meu nome. Por o associar a Odete Santos e também àquela actriz italiana muito gira, a Cicciolina. Sucede que esta semana comprei um chá, cuja composição é cem por cento folhas de odetum angustifolia. Rejubilei. Um chá com o meu nome (Odete) e com o meu desequilibrado estado espírito (angustia + folia = alcool). Achei-me merecedora de tal homenagem. Estive vai não vai para bater uma punheta no corredor das infusões e dos outros produtos dietéticos igualmente desinteressantes. Chegada a casa quis saber que propriedades teria aquele chá, já que o pacotinho, de forma lacónica, apenas dizia que consistia num bom complemento a uma bebedeira saudável e à prática regular da pedofilia. Imaginei, juro que imaginei, a Odetum angustifolia com propriedades maravilhosas, rejuvenescedoras do espírito e do corpo. Uma espécie de elixir da juventude. Qualquer coisa entre o ginseng e a cannabis. Qual quê. Bastou uma busca pelo google para descobrir que odetum angustifolia é nome de um pequenino arbusto da Índia, cujas folhas – imagine-se ! -, são, desde a antiguidade, utilizadas para preparar infusões para quem sofre de hemorróidas labiais ou cujo bolo fecal se encontra há vários dias empedernido. Ou seja, para falar claro, a tal odete angustifolia apenas tem poderes laxativos, para a mente e para o corpo. Descobrir-se, aos trinta e muitos, que se tem nome, não de santa, mas sim de purgante é coisa odiosa.

  3. Esta «Ana de Amsterdão»… A mim lembra-me uma célebre senhora, bidireccionalmente apaixonada por um Calabar e por uma Bárbara. Só que essa não tinha «Odete». Ná, isto cheira muito a TT. Mas onde está a habitual elegância?

    pataphisico,

    Desculpe, mas você não leu muito, if any, Saramago. E acredita demasiado em lendas urbanas. JS serve-se do ponto e da vírgula. Só deles, mas sempre deles.

  4. Fernando,

    Não ligues a essa gaja. Nada a ver comigo. Provavelmente alguem que acordou com seis dedos na mão direita, sofreu angustiadamente durante várias horas, e, depois, lá se decidiu a enfiar a excedência no buraco cheio de trevas mais à mão. Resta saber se as opções foram duas. Se calhar até não. Para o caso, realmente, pouco interessa.

    Abraço e continua. Na tua idade, pasma-me ver tanta stamina.

    TT

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