Os escudos invisíveis

Surpreendentemente, as Forças Armadas israelitas concluíram pela sua inocência no bombardeamento de Qana. A culpa terá sido do Hezbollah, que usou os residentes do prédio demolido como escudos humanos. E claro que os militares ignoravam a presença de civis ali; caso contrário nunca teriam lançado aquele ataque.
Só não percebo bem qual será o propósito de usar “escudos humanos” sem que o inimigo saiba que eles lá estão. Parece-me coisa pouco eficiente.
Isto além de se saber que as vítimas já estavam naquele prédio havia mais de duas semanas, algo que não deve ter passado despercebido aos omniscientes voos de reconhecimento israelitas. Mas enfim; por este andar, ainda vamos ter o Hezbollah a querer convencer-nos de que nem desconfiava que Haifa estava habitada.

45 thoughts on “Os escudos invisíveis”

  1. Escudos…mas agora a moeda não são euros….

    Esta gente de Israel está cada vez mais parecida com o ministro da propaganda do Saddam….

  2. Reconheço que lhe seja difícil argumentar e defender o indefensável. Reconheço também que essa coerência ignóbil que caracteriza os fundamentalistas seja por vezes difícil de lidar. Mas tem tempo…

  3. A seita de loucos que desgoverna o mundo (Condi, Bush, Cheney e semelhantes) guiam-se pela revelação do fim dos tempos.
    Frequentam congressos, acreditam no Armagedão, e têm na mão os condimentos para o provocar.
    Ainda lhes falta saber quem é a Besta, donde surgirá o Anti-Cristo.
    Andam à procura dele e já estão perto.

  4. Com tantos tiques nervosos, é evidente que o Mao precisa dum empurrão de especialista para desembuchar. Vá lá, homem, lance esse fel, alivie-se!

    RR

  5. Vai desculpar-me camarada Mao, mas já respondi a essa questão há uns tempos: “Cuba é uma ditadura? Claro”. Antes, já tinha escrito: “Certo é que o sucessor de Fidel deverá, sob pena de arruinar o que de bom entretanto se ganhou por ali, introduzir firmes reformas democráticas e tratar de libertar todos os presos políticos ainda trancafiados” e “Mas olhe que não estou aqui para defender o castrismo: o que me move é rezar por que os cubanos saibam fazer uma (inevitável) transição para a democracia que não dê cabo do que de bom ainda por lá vai havendo.”
    A bem da verdade, não estou muito a ver que dúvida tenha ficado: claro que, para mim, a falta de liberdade em Cuba é intolerável.

  6. Seis dias antes da sua morte, o major canadiano Paeta Hess-von Kruedener enviou um e-mail ao seu comandante, o general Lewis MacKenzie, que, entretanto, divulgou o conteúdo da mensagem numa rádio do Canadá.
    O major terá escrito que receava pela sua vida, uma vez que os combatentes libaneses costumavam correr em redor da base da ONU, atraindo a maior parte dos ataques de Israel.
    «Diariamente, em inúmeras ocasiões a nossa posição esteve sob ataques directos ou indirectos tanto da artilharia quanto dos bombardeamentos aéreos. O (ataque) mais próximo da artilharia caiu a dois metros da nossa posição, e o mais distante, a 100 metros da nossa base de patrulha», disse o militar canadiano.

  7. Para que tanta gincana para chegar ao óbvio:
    “…claro que, para mim, a falta de liberdade em Cuba é intolerável.”

    Um Abraço para si.

  8. As noticias não param de nos surprender , de Israel e do seu exercito de assassinos, ainda podem vir surpresas.

    Camiões com pordutos horticulas e fruticolas, que vinham de uma quinta para descarregar no norte do Libano , foram atacados pela aviação de Israel.

    Resultado duas dezenas de mortos, um numero incontavel de feridos, istalações frigorificas destruidas etc etc etc.

    Mas será que esta gente pensa que se guardam rockets, em camaras frigorificas, que as laranjas podem trazer balas, e que se podem esconder granadas nos tomates ( atenção refiro-me ao fruto).

    Ou será que com tanta produção de laranjas para escoar , Israel desata a destruir a produção da concorrencia.

    Ora aqui está uma nova maneira de regular o comercio mundial, á bomba….

  9. “Só não percebo bem qual será o propósito de usar “escudos humanos” sem que o inimigo saiba que eles lá estão. Parece-me coisa pouco eficiente.”
    Pelo contrário, caro Luís. A eficiência está à vista. O efeito devastador que a morte de civis tem junto da opinião pública justifica a opção do Hezbolah. De tal forma, que os sujeitos nem resistem à tentação de engrossar a lista de vítimas para criar ainda mais impacto. Mais, em alguns casos, como o exército israelita avisa antes de bombardear para que os civis abandonem os locais onde estão refugiados, o Hezbollah sempre tem tempo de retirar o armamento e de fazer sair os seus homens.

  10. Sr. Luís, o problema não é esquerda-direita, árabes-judeus, índios-cóbois. O problema é que há imbecis que dão bitaites, como o sr. Luís e deviam estar a arrumar automóveis. Diz você: “Só não percebo bem qual será o propósito de usar escudos humanos sem que o inimigo saiba que eles lá estão. Parece-me coisa pouco eficiente.” Não percebe? Até o Emplastro lhe pode explicar: o inimigo não sabe, o inimigo bombardeia, as fotos fazem-se e o Hezbollah ganha com isso. Mas o que leva um pobre de deus a escrever quando é tão imbecil como o sr. Luís?!

  11. Última Hora!

    Informações do TSOR (Tribunal do Santo ofício da RIAPA)

    O meu cérebro desapareceu. Enquanto ando à procura dele, lembrem-me lá em que é que consiste a minha vida, se faz favor.

  12. Os do Hezboullah são engraçados: foram os inventores do bombismo-suicida; usam escudos humanos; não respeitam a resolução da ONU no que diz respeito ao desarmamento no sul do Líbano; põem em xeque a credibilidade do Governo do seu país. São bons rapazes, portanto. Porque o que importa é o que Israel fez no passado (sempre o passado, o presente não interessa e muito menos o futuro) e as suas acções de terror estarão sempre justificadas, sejam elas quais forem, perante uma série de pessoas que, tristemente para a humanidade em geral, são incapazes de deixar de lado a falta de imparcialidade e veêm estas questões como uma espécie de clubite adaptada à política internacional. No dia em que um (intelectual) de esquerda ande na rua com cartazes a gritar que os bombistas do Hamas e do Hezboulah são assassinos, chorarei de alegria.

  13. Imbecil serei, ó alteza das arábias; mas ainda consigo ver que a expressão “escudos humanos” não faria qualquer sentido nessa eventualidade. “Mártires à força” ou coisa que o valha ainda vá…

  14. João Leal,

    Não leu o post, pois não? Que me diz da última frase? Que inocenta o Hezbollah?

    (Já agora, mesmo a certeza que foram eles os inventores do bombismo-suicida?)

  15. Para breve toda a verdade sobre a RIAPA!

    Somos, na realidade, um bando de travecas com falta de estrogénio.

  16. O gajo que cómentou antes de mím não é o Brígada Bígornas. Eu é que sou o Brígada Bígornas. Nota-se pela alarvidade com que distirbuo acentos pelas palavras.

  17. Ler, li. Mas uma desproporcionalidade na força da ironia usada com um e com outro, foi como se não estivesse ali nada. Mas se este é um primeiro passo, então aceite os meus parabéns. Esforços destes são sempre de louvar.
    Quanto à invnção do bombismo-suicida, foi o que li no Diário de Noticias um dia destes. Mas se não foram eles, e se o L souber quem foi, eu gostava de ter essa informação.

  18. Bem; os assassinos do Czar Alexandre II já usaram a táctica. Mas no Médio Oriente, de acordo com a Wikipedia, a coisa foi estreada na guerra Irão-Iraque.
    E não, não é um primeiro passo. Já há três anos, como ainda há pouco escrevi ali em baixo, postei isto: “Nenhum de nós fica indiferente às imagens de mais um atentado suicida contra a população israelita. Crianças desmembradas, sacos cheios de coisas que ainda há pouco eram gente, misérias transmitidas em prime-time que nada pode desculpar.”
    Nunca me foram indiferentes as atrocidades praticadas sobre os civis israelitas.

  19. Muito divertida a resposta do “Blasfémias”


    O Luís Rainha diz que não percebe bem qual será o propósito de usar “escudos humanos” sem que o inimigo saiba que eles lá estão. Parece-lhe coisa pouco eficiente.

    Antes pelo contrário, antes pelo contrário. A ocultação da localização dos escudos humanos é que torna o método eficiente.

    Vamos supôr que o Luís Rainha tem que defender a fronteira portuguesa com campos de minas. O que fazer se lhe faltam minas? Tem duas hipóteses:

    1. Enterra algumas e assiná-la-as com bandeirinhas

    2. Enterra algumas mas não diz onde.

    O primeiro método é ineficiente porque o inimigo se limitaria a contornar as bandeirinhas. O segundo método é muito mais eficiente porque o inimigo terá sempre que proceder à desminagem do terreno, mesmo em locais onde não existem minas.

    No caso dos escudos humanos é a mesma coisa. Quando não se sabe onde estão, é necessário pressupor que estão em todo o lado.

  20. Pois; mas preciso seria que Israel soubesse que havia civis algures em Qana. Só assim teria o esquema efeito.
    E, dado não restarem por lá mais que 100-200 almas aquando do ataque, não seria difícil, dados os constantes voos de “drones”, identificar e posteriormente evitar esses locais.

  21. João Leal,

    E há que ter em atenção algumas especificidades do Hezbollah: durante anos, apenas atacou allvos militares e diplomáticos. É curioso que aplaudiu o ataque de 11 de Setembro contra o Pentágono e condenou o ataque ao WTC. Isto já sem mencionar ajudas que Israel terá dado a este movimento, com intuito de causar dificuldades a Arafat.
    O mundo é muito mais complexo do que parece à primeira vista.

  22. JM

    E o que é que tu achas que devemos fazer às opiniões ajuizadas? Assassiná-la-as com punhaizinhos gramaticais?

    RR

  23. João Leal será defeito meu, ou ao descrever o Partido de Deus do Libano, descreveu o Irgoun e o Leah, forças terroristas sionistas.

    Olhe que a semelhança é muita…..

    Só que estes fanáticos islamicos, ainda não armadilharam cadaveres de soldados de Israel.

    Vá lá pelo menos respeitam os mortos, coisa que os sionistas não fizeram….

  24. Interrogo-me se a intelectualidade de direita também concordará com eventuais bombardeamentos a Lisboa se por cá for encontrada uma qualquer célula do Hezbollah?

  25. “Isto já sem mencionar ajudas…”

    Mas mencionou.

    “que Israel terá dado a este movimento”

    Mas deu mesmo? Note que eu não sei se deu ou não deu, mas dizê-lo desta forma é irresponsável.

  26. Para colmatar essas irresponsabilidades pavorosas, te uma ferramenta admirável sempre à mão: o Google. Depois, basta-lhe escolher as fontes de confiança. Knock yourself out.

  27. Randomblog

    Eu lembro-me quando os comunas atacaram a embaixada de Espanha em 1975 e a saquearam, o Governo da altura veio a correr pedir desculpas a Espanha e assumiu todas as responsabilidades, ou seja, que isso nunca mais voltaria a acontecer. Portugal pagou (1 milhão de contos) e não aconteceram mais cenas dessas. Ao contrário do Líbano, o Hezbollá faz o que quer, onde quer, aliás, é ele que manda no Líbano. E assim, não há outra hipótese senão destrui-lo!

  28. Pare o baile, ó A.Pacheco!
    Se V. diz que os comunas saquearam a embaixada, é porque estava distraído quando por lá passou.
    Quem a saqueou foi toda a esquerdalhada junta, arrolada à voz do sr. Albarran, então ao serviço da classe operária e do povo trabalhador.
    A palavra ‘comuna’ nunca significou maoístas, perrepistas, udepistas, etc. Significou pecês!
    E não custou 1 milhão. Custou o melhor de 2!

  29. As religiôes foram uma aberraçâo para os chefes terem poder e dinheiro para esbanjar a vontade.A sofrença do povo,nâo lhes faz alguma diferença.As tres grandes religiôes ,actuais catolicos,islamistas,ou judaicos;sâo extremistas assasinos que encontram uma desculpa para que ocirco nâo se acabe.Nenhum deles tem razâo de fazer as chasinas que as tv mundiais nos habituram e que numca acabam;fazendo que o suicido se develope com mais intencidade.Se eu chegasse aquilo que éra a minha casa que ja nâo existice com toda a minha familia chacinada,éra mais que cérto que so me ficava o suicido ,com os mais mortos possiveis. Israél foi longe demais,cêdo ou tarde ,o prêço a pagar vai ser enorme,porque ele ganhou o odio da populaçâo mundial.Os U.S.A Nâo estarâo la para os defender ;porque sâo uma populaçao heteroclica.Massada vai ser um esquecimento pior,porque o que eles fazem todo o mundo compreendeu que a chacina que fazem actualmente nâo é a sua defesa, trocar 2 homens,por dezenas de mulhéres e crianças nâo é um acto de legitima defêsa. creio que Hitler nâo fazia pior

  30. É claro que o a.pacheco que por comenta aqui, não tem nada a ver com o comentário sobre a embaixada de Espanha onde aliás estive presente a protestar contra o assassinato por Franco de 5 anti-fascistas espanhòis.

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