O “pequeno Satã” terá mais olhos que barriga?

É interessante, embora preocupante, ver como até vozes da esquerda israelita, como a de Yoel Marcus, parecem apostar num sprint final rumo à barbárie antes que surja mesmo um cessar-fogo. Ele partilha algumas preocupações que já circulam pelo mundo; mas prefere ignorar as questões mais difíceis e encerrar o texto em tom feroz: “a realidade é que precisamos de suster a respiração e atacar o Hezbollah com tudo o que temos, por terra e por ar, até o neutralizarmos enquanto força militar perto das nossas fronteiras. É importante ganhar ascendente até à hora do cessar-fogo. Temos de lhes mostrar que o ‘pequeno satã’ tem grandes dentes.”
Não sei bem se será possível, hoje, aniquilar um Hezbollah surpreendentemente forte e bem equipado. Mas sei que esta análise tem pelo menos uma pecha óbvia: continua a encarar movimentos como o Hezbollah como uma simples “força pró-iraniana”, um “braço operacional” neutralizável de forma clássica. Ignorando que o Islão mais radical não é um mero títere deste ou daquele governo da região: em última análise, almeja substituir-se a todos eles.

One thought on “O “pequeno Satã” terá mais olhos que barriga?”

  1. Os israelitas têm pânico. Qual quer coisa é uma ameaça que os aterroriza. Bem vistas as coisas, atendendo ao seu passado, não admira.
    Claro está, que em pânico não conseguem delinear a estratégia que melhor serve os seus interesses.
    Não é que eu seja um expert muito menos profeta, mas não é desta maneira que vão conseguir viver em paz.

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