“Xi quê?”

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E se a administração dos EUA, a começar pelo seu presidente, fosse mesmo ignara q.b. para se decidir pela invasão do Iraque sem saber nada daquele país, começando pelo “pormenor” das divisões entre sunitas e xiitas? E se aquela malta fosse mesmo suficientemente arrogante para julgar que bastava desembarcar em Bagdade com uns caixotes de Apple Pie, bolas de baseball, posters da Marilyn e Happy Meals para ali operar o milagre da democratização instantânea?
Impossível, certo?
Hmmm. Por indicação do amigo Gibel, deparei com esta entrevista ao ex-embaixador americano Peter Galbraith (sim; filho de JKG), a propósito do lançamento do seu livro The End of Iraq: How American Incompetence Created A War Without End. Pelo que ali se lê, um ano depois do célebre discurso do “Eixo do Mal”, Bush teve uma reunião com três emigrantes do Iraque nos EUA, que tiveram a amabilidade de lhe explicar o que era ao certo o seu país de origem. No final deste encontro, o homem mais poderoso do mundo exclamou, ainda em profunda surpresa: “eu pensava que os iraquianos eram muçulmanos!”
Nas palavras de Galbraith, “do presidente e do vice-presidente até aos neoconservadores no Pentágono, havia uma crença segundo a qual o Iraque era uma página em branco onde os Estado Unidos podiam impor a sua visão de uma sociedade pluralista democrática. A arrogância surgiu quando se acreditou que isto podia ser alcançado com um mínimo de esforço e planeamento dos Estados Unidos e que não era importante saber algo acerca do Iraque.”
As conclusões são demolidoras para o futuro imediato daquele país: “não se pode ter um governo de unidade nacional quando não há nação, unidade nem governo” ; “graças a George W. Bush, o Irão não tem hoje um aliado mais próximo em todo o mundo do que o Iraque dos Ayatollahs.”
Leiam o artigo que vale a pena. Depois, podem comprar o livro e oferecer-mo, que fiz anos no outro dia.

6 thoughts on ““Xi quê?””

  1. Acho lamentável que a análise do ex-embaixador Galbraith – e, pelos vistos, também a sua, Luís Rainha – se atenha a aspectos tão superficiais da questão iraquiana.

    Felizmente, podemos continuar a confiar na capacidade de análise dos peritos da administração americana e na objectividade e profundidade dos seus estudos.

    De facto, se nos dermos ao trabalho de explorar a questão mais a fundo, facilmente concluiremos que essas diversidades étnicas e religiosas a que aludem são meros epifenómenos superficiais. Porque, no Iraque profundo, não há sunitas, nem xiitas, nem curdos, há petróleo.

  2. Ainda bem que alguém se vai lembrando do Iraque. Acho que não acordo nenhuma manhã sem ouvir mais um atentado…se os E.U.A. lá proporcionaram um 25 de Abril, então este PREC está a ser bem mais vermelho que o nosso, mas este é um vermelho sangue!
    Bush=crimonoso de guerra…ups, desculpem o pleonasmo!

  3. ele é petórleo, sim, mas também uma ignorância enorme sobre tudo o que não é o seu “quintal”, aliado a ao “espirito de Missão” evangelizadora dos novos cristãos, redentores de todo o mal

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