O filme das vossas vidas

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Então é isso. Os vossos dias, e as vossas noites, esvaem-se-vos assim. Uma bebida num bar imensamente trendy, um ultra-rapidinha em casa antes do jantar fora, uma rupita levíssima que abala a conta do marido, uma queca nos lavabos do Centro Cultural de Belém.

Para ver-me informado disso, fiquei eu a noite passada roubando o sono ao corpo (sim, eu arrasto-me uma hora à vossa frente, calaceiros), dizendo-me que o filme da vida deles bem podia esperar até virem as primeiras críticas. Tudo bons pensamentos. Era a sábia natureza a surrurrar-me o melhor que lhe vinha à cabeça. Pois nada ajudou, viu-se. Sim, este desgraçado viu.

Claro, os actores portugueses fazem largos progressos. Já não se lhes lê nos olhos a deixa seguinte, a dele, ou a do outro, e conseguem mesmo uma vaga descontracção. Os cenários são convincentes. E a linguagem até não mete logo o lisboetês desta semana.

Mas a história… (não reparei no autor, mas vou reparar), a história não tem nada daquela finura que faz as grandes séries, norte-americanas ou brasileiras, o imprevisto ou o dulcíssimo susto que nos atraem para a ponta da cadeira, e já no primeiro episódio, pois claro.

O filme das vossas vidas? Talvez o espreite. Talvez não. As vossas vidas são-me valiosíssimas. O filme delas, não sei se deva dizê-lo, um tanto menos.

70 thoughts on “O filme das vossas vidas”

  1. Juro pelas minhas rendinhas que não vi, no entanto, hoje de manhã era um dos temas das Bolas com Cremiii da Antenas 3-programa que faz o veneno cair-me em lágrimas pela cara enquanto conduzo para o emprego, o que, diga-se de passagem, não dá jeitinho nenhum… o comentário apropriado, baseio-me no que tenho ouvido comentar acerca das séries, é que à noite o pessoal que vê a Sic tem que levar com uma tontinha aos saltos, mais fadas, mais bruxas más, mais idiotice para aqui e para ali que deixam o telespectador com a cabeça à roda meio anestesiado num processo de regressão aos seus 5/ 6 anos (Floribela)…..a seguir vem o Jura, sexo, sexo e digo mais…sexo..é que nem a vida é assim ( a não ser que tenha alguma vaga ligação com a vida da Teresa Gulherme cofcof) e o pessoal é arrancado do episódio da regressão com um murro no estômago e de repente imagina-se sem saber como, na idade adulta mas na idade dos outros porque a nossa nunca é tão “colorida”.
    Já agora aproveito para comentar que relativamente a séries…não há como as séries inglesas e italianas-as brasileiras já ninguém as pode ver independentemente do mérito dos actores, são sempre iguais a si próprias…idem idem aspas aspas para as séries norteamericanas….

  2. Na caixa de comentários do post anterior, o fernando, se calhar até sem se dar conta, escreveu um texto de grande qualidade, quer na eloquência quer na mensagem, na resposta aos seus indignos detractores. Melhor resposta era difícil.

    Um abraço (e continue)

    Ps: Contudo, não se esqueça nunca de estar à altura da sua enorme responsabilidade como referência da crítica portuguesa. Principalmente atento aos novos autores e à nova literatura. Seja sempre justo, sério, exigente, e sobretudo, independente!

  3. Anónimo,

    Sincero obrigado por aquilo que, nas suas palavras, pudesse corresponder a alguma realidade. Mas devo dizer-lhe que, aqui no «Aspirina», compartilho um lugar ameno, onde se alijam – e com que alívio – as «responsabilidades» válidas alhures.

    Justo,

    Tenho pelo crítico Eduardo Pitta o maior apreço. É um fulano informado e exprime-se com clareza e frontalidade. Os nossos gostos literários não costumam coincidir. Outras vezes, veja lá, coincidem espectacularmente.

    Quanto à «força», um obrigado, claro.

  4. Passando por cima da troca de galhardetes anterior e falando do deus islâmico, gostariam os católicos que os seus crentes tivessem a fé que os muçulmanos têm, cheirando mal dos pés ou não o seu deus islâmico….
    O Papa também não ajuda nada….tão retrógado como o anterior mas elegantemente vestido por Armani e com ar arrogante e superior.

  5. Estou totalmente de acordo com o anónimo em cima, acho que o Fernando Venâncio – indesmentível referência de vulto das letras portuguesas – não merece o enxovalho a que por vezes se submete; contudo, gostava de realçar o precioso “Ps:” do comentário e perguntar frontalmente ao FV se realmente se sente absolutamente independente à pressão do sistema e às afinidades que este “polui”. Sei de muito talento despejado borda fora sem apelo nem agravo, à custa de muita mediocridade e muito “tacho burguês”. Portugal urge de gente boa, gente séria.

  6. “Sei de muito talento despejado borda fora sem apelo nem agravo, à custa de muita mediocridade e muito “tacho burguês”

    É verdade, eu também conheço muita gente genial que acabam por desistir à custa de uns “Jacintos e outros como tais” a viver à custa da mama do estado e da crítica dos amigos, e os nossos conservatórios e escolas de cinema e outras a cair aos pedaços e sem equipamentos adequados…

    ACABEM COM A MAMA DOS SUBSIDIOS! GASTEM O DINHEIRO NAS ESCOLAS!

  7. Alguém do “Sistema”,

    Sem pretender atacar – longe de mim – a sua fulgurante lógica, agradecia-lhe alguma mais consistente conexão de «Venâncio» a «fraude».

    Aos restantes,

    Eu não conheço as obras teatrais (só li as ficcionais, que em parte aprecio) de Jacinto Lucas Pires e de José Luís Peixoto. Para os senhores, se bem entendo, são detestáveis.

    Gostaria de alguma precisão mais sobre essas peças. São tipo intelectualóide, com alusões para gente superfina? Não têm uma trama, ou coisa que possa chamar-se assim? Não passa por ali um frémito de espírito, de malícia, de ternura, de surpresa? Digam coisas. Agradeço.

  8. A LISTA NEGRA

    isto não é – nem de longe – Literatura:

    Jacinto Lucas Pires
    Jorge Reis-Sá
    José Luis Peixoto
    Pedro Paixão
    Alice Vieira
    Gonçalo M. Tavares (em dúvida)
    Valter Hugo Mãe
    Pedro Mexia
    Rodrigo Guedes de Carvalho
    Inês Pedrosa

  9. Concordo plenamente com esta LISTA NEGRA. É gente sem alma, sem vida, sem dor. Uma farsa de linguística e de retórica. Sente-se ao primeiro parágrafo, à primeira dúvida. O esforço pelas palavras, as influências mal amanhadas, o tom inseguro, as ideias vãs.

  10. SOMOS UM ATERRO LITERÁRIO!

    O problema da parvalheira literária deste País não tem origem na estrutura crítica, que melhor ou pior acaba, as mais das vezes, por resultar inócua para o compto das vendas da grande maioria das edições.

    O disparate reside, antes, no mesmo velho factor social que de tão devassado e moribundo perverte e arruína todos os demais: a Educação.

    À força de uma sólida educação, composta por toda a sorte — ou azar — de lixo mediático com que entopem os neurónios às criancinhas inocentes, na verdade elas nunca passam disso mesmo: criancinhas; a inocência esvai-se, ainda assim.

    Basta observar os comportamentos nas estradas, nos restaurantes, nas empresas, nos hipermercados, nas repartições, nos jardins, nas praias, em toda a parte. Aliás, até mesmo neste blogue… O português, essa coisa abjecta, polui com as suas atitudes infantis, inescrupulosas, pouco cívicas e nada inteligentes cada nanograma de ar que o rodeia. Cospe para o ar. Dá tiros no próprio pé.

    E isto nem sequer está inter-relacionado com o nível socioeconómico das pessoas… Era bom se assim fosse, que sempre tínhamos a recorrente desculpa de sermos um País pobre e-tal-e-coiso. Mas, na verdade, a única diferença é que os economicamente ricos, embora tão pobres como outros quaisquer, detêm mais recursos para branquear os seus comportamentos.

    Os piores canais e programas de televisão alcançam as maiores audiências; os piores jornais são os mais lidos — salvo honrosas excepções —, e a generalidade dos jornalistas são maus ou sofríveis ou acabam por evoluir para esse estádio à medida que acumulam experiência; as editoras recorrem ao tradicional “é o que vende” para ficarem de consciência tranquila; qualquer brutitates que saiba contar anedotas em público, ou qualquer crica com um par de cara ou um palmo de mamas, salta em menos de um fósforo para a ribalta das figuras públicas e lá se mantém, se estrategicamente fizer umas plásticas de quando em vez… E quando se dá por eles, zás! — derramaram as suas fartas pústulas num livro com a história da “minha vida”. Minha nossa! — quer dizer.

    Se não, reparem que não é um problema confinado aos autores literários portugueses… Se quiserem algumas obras de referência de autores estrangeiros (das quais muitas são livros de vulto e, a seu tempo, best-sellers lá fora), tê-las-ão de ler em Inglês, Francês ou mesmo Espanhol. Contudo, se se dedicarem a esgravatar nos escaparates constatarão que não falta cá nada do lixo internacional. A bosta que se escreve em todo o mundo é traduzida e publicada à velocidade de uma corrida de burros. Porque muitas vezes os direitos para publicar a obra são alvo disso mesmo: de uma corrida de burros.

    Há uma maré negra nas edições livreiras portuguesas. É um facto. Mas isso pouco ou nada se deve à acção dos críticos — muitos apenas na forma tentada — literários. Eles são normalmente gente boa que que vasculha no lixo e por vezes se deixa contaminar. Apenas isso.

    Falta, na listagem do insigne suprapostador, a Margarida Rebelo Pinto, o José Rodrigues dos Santos, o Miguel Sousa Tavares, o Gastão não-sei-quantos e outros que me neurastenizam a molécula (e que decerto me perdoarão pelo facto de me não serem mnemónicos)… Enfim. Mas nem todos são maus. Alguns escrevem bem e eu até os aprecio — o que, se eles soubessem — os encheria de contentamento e orgulho.

    Afinal, o que faz falta é uma secção de reciclagem literária nos ecocentros do País. Quando assim for, pode ser que o aterro se dissipe…

    Soube-me bem desabafar. Mas já criticava qualquer coisinha tenra…

    Até já.

    PS — Também acredito no Pai Natal.

  11. eu não consigo alinhar nessa vossa sanha, chamem-me foleiro à vontade, mas estava eu em Timor com uma bruta E. Coli, e tive que me segurar para não ler o Equador em 2 dias, assim consegui 5 que era o tempo do antibiótico. Gostei muito.

    E depois eu gosto de diversidade e multiciplicidade e isso obriga a ter que viver também com o que não gosto.

    Para baralhar um pouco mais, ainda gosto de geometria variável, e portanto o que não gosto hoje posso vir a gostar amanhã, e vice-versa.

    Além disso, bom mesmo é o que resiste no tempo e isso só o futuro o dirá.

    Finalmente: só lemos o que queremos, excepto se for profissão.

  12. Caro Fernando, e à pergunta frontal do anónimo, nada respondes!?.. E a lista, nada te sugere! Ou serão amigos a proteger!?…

  13. A REVOLUÇÃO ESTÁ EM MARCHA!

    a não perder este blog: “não li nem quero ler”

    as tropas estão a reunir.

    A LITERATURA VENCERÁ!

    Ps: Acho que o Gonçalo M. Tavares não merece a lista negra. Mas os líderes é que sabem. Eu só cumpro ordens!

  14. Calma, «Alguém do “Sistema”» e Anónimos. Eu respondo ao que posso e ao que sei.

    O anónimo das 02:51 PM (não se arranja um nickzinho, mesmo um maluco, como por aqui se vê?) perguntava-me «frontalmente» se me sentia «absolutamente independente à pressão do sistema». Compreendo a questão. Vamos a ela. Porque há pressões e pressões.

    Confesso que várias circunstâncias predispõem bem (isto é, que já influenciam favoravelmente): a oferta do livro, pelo autor ou pelo editor (mesmo não conhecendo um ou o outro), a simpatia pessoal do autor, a amizade entretanto surgida. A oferta pode, ela já, trazer uma mensagem implícita: «você é a pessoa / uma pessoa que há-de compreender este livro». Digo tudo isto para sublinhar que o crítico não se move no vácuo, menos ainda no afectivo.

    Depois, a experiência do crítico com o autor pode influenciar, ela também. Gostou-se, ou gostou-se mesmo muito, duma obra anterior, e projecta-se na obra presente essa carga reconfortante, onde já há algo de erudição, se assim me posso exprimir.

    A simpatia pessoal, o trato, mais ainda a amizade, são reais problemas. Não é fácil dizer a alguém que nos é simpático, mais ainda se é nosso amigo, que uma obra sua não nos convenceu. Há várias saídas então. A frontal análise (já me aconteceu, com consequências de difícil gestão), a crítica cifrada, com mensagens subliminares para o bom entendedor, não necessariamente o autor da obra (também já o fiz, com um sentimento de dever mais ou menos cumprido), ou o silêncio (a saída habitual).

    Felizmente, conheço relativamente poucos autores, menos ainda privo com eles, e a chance de nos encontrarmos – para um abraço ou uma bengalada – não é grande. Depois, e isto sobretudo, eu pago a larga maioria dos livros do meu bolso. É um prazer que a nada se compara.

    Mas o mais importante: não tenho a noção de alguma vez ter agido sob pressão inconfessável, nem sequer a dessa entidade inefável, «o Sistema». Nunca disse bem, ou disse mal, porque era isso que se esperava, ou porque por ali ia o rebanho, ou porque me traria proveitos não confessáveis.

    Não faço coro com ninguém, e já falei bem, mesmo muito bem, de gente que interiormente detesto. Mas não pretendo ter as mãos imaculadas. E por isso tenho um desprezo de morte por fulanos que só sabem dizer bem, que nunca fazem uma reserva, nunca formulam um desencanto. Só que esses – vá lá, sempre é uma consolação – têm de saber que não somos, eles e eu, da mesma massa.

    E, depois, não estou sozinho. Há por aí uns fulanos e fulanas, não muitos é certo, mas bué da fixes.

  15. … mãos imaculadas também eu não tenho, mas como sou turista na Literatura também não tenho que me preokupar. Por exemplo aquela do “sei lá”, nunca li. Vi uma entrevista e não gostei, c’est suffisant pour le moment. Com o Saramago tive o azar de passar do encantamento do Memorial do Convento para uma coisa chamada “levantado do chão” que nem consegui acabar de ler; estive mais de dez anos zangado, já o homem era Nobel e eu nada, até que veio aquele do voto em branco e deu-me curiosidade política, e gostei. Ficou mais ou menos perdoado

    Conclusão: agendei para um dia que tenho de ler a História do Cerco de Lisboa e O ano da Morte de Ricardo Reis.

    Nunca vi nenhum homem comentar o Olhos Azuis, Cabelos Negros da Duras.

  16. Só um ligeiríssimo comentário ao Fernando Venâncio, em calão correcto e actual, não se diz “bué da fixe” mas “bué fixe”….espero que não leve a mal mas o calão já faz parte integrante da língua portuguesa, inclusivamente posso assegurar-lhe por conhecimento próprio que nas universidades americanas já existe uma disciplina de calão para os estudantes estrangeiros…se não existisse calão como é que pessoas como a Margarida Rebelo Pinto seriam lidas? temos que apostar na diversidade…se todas as obras fossem boas isto era um tédio (leve bocejo)

  17. Caro Fernando, a tua resposta não desiludiu, apesar de vaga e sem casos concretos, contudo, gostariamos, nós os amates de literatura séria, que te pronunciasses sobre a dita lista negra, e se concordas com o Crítico Insuspeito na sua breve, mas brilhante digo eu, análise, que pessoalmente concordo em absoluto, porque é o mesmo que sinto quando “tresleio” estes “sub-escritores”.

  18. Quero-me juntar a REVOLUÇÃO!
    Faço o que for preciso. É hora da VERDADE! De dar valor a quem o têm.

    Concordo plenamente com a famosa lista negra, ainda que a considere muito incompleta. Mas é um bom ponto de partida.

  19. Os críticos também têem culpa. São eles que alimentam essa corja, e nada fazem para promover autores desconhecidos cheios de valor, só porque não são figuras mediáticas, ou amigos, ou amigo dos amigos…

    (e o fernando sabe disso)

  20. Rendinhas,

    Não é por nada. Mas procura no Google em «bué da fixe» e diverte-te, sim? Tem só 9.220 entradas.

    Aos restantes,

    Vamos ver, vamos ver, com essa Lista Negra. De momento, isto: não é porque alguém – para mais, inidentificado – coloca aqui uma lista que eu tenho de pronunciar-me sobre ela. Não concordarão?

  21. Caro Amigo:

    Claro que és livre de te pronunciares ou não acerca da lista, mas esta é a tua caixa de comentários dos teus leitores (certamente amigos) e, que por isso gostariam da tua sábia opinião. Vá lá, não tenhas medo de seres livre! Ou terás algum receio!

  22. O Fernando não é dos nossos! É DO SISTEMA! E O SISTEMA É O GANHA-PÃO DELE.

    Não precisamos do Fernando.
    Precisamos de quem AMA A LITERATURA.

  23. Lembram-se do António Variações, quem acreditava naquela criatura transmontana. Raridades como essa nunca mais apareceram no panorama da “inteligência cultural portuguesa”. E porquê!? Não há espaço. Só há espaço para a mediocridade e para os amigos.

  24. Anónimo,

    Receio? Eu fazia-te uma lista negra, a minha, não de autores mais de obras, que poria meio-mundo a ganir. Mas qualquer crítico a faria também – e eu não sei se me restariam goelas para ganir, eu, por minha vez. Acho, pois, mais sensato pouparmo-nos a ganições.

    Depois, a lista apresentada por «Alguém do “Sistema”», e acrescentada pelo Renato C., é tremendamente incompleta. Isto, dentro da sua intenção implícita, a haver alguma mínima lógica em jogo.

    Mas a lista é, além disso, estapafúrdia. Pôr um Miguel Sousa Tavares ou um Pedro Mexia ou uma Inês Pedrosa no plano de MRP é de loucos. E, depois, Alice Vieira está aqui como Pilatos no Credo.

  25. Caro Amigo,

    Concordo, com a observação da MRP, agora com a Alice Vieira não. “Palavras Baratas” diz-lhe alguma coisa…

    E já agora qual é a profundidade poética dum Pedro Mexia (aliás um bom crítico)

    E falta, se me permite, a análise à singela crítica do crítico insuspeito…

  26. Continuo na minha…..pode perguntar a qualquer catraio que nisso eles são doutorados…bué da fixe á calão desactualizado….agora é bué fixe… esses nove mil e tal são do antigamente…e para a menina que me quer expulsar só tenho a acrescentar que o calão é largamente utilizado na literatura, ainda que na de cordel. Só uma observação, acho a falta de solidariedade feminina uma coisa confrangedora…

  27. O Fernando Venâncio ressuscitou o Aspirina… Quase 50 comentários não é pra qualquer um!

    Ps: também concordo com uma literatura mais exigente, e séria.

    um abraço a todos.

  28. Rendinhas,

    Sim, «bué fixe» está a estender-se, com eliminação do original «da». Constato. Mas trata-se de uma fase de um processo, aquela em que (dizes) os «catraios» se encontram hoje. Ela não obriga ninguém a deixar, para já, «bué da fixe».

    Mas mais importante: dizes que o calão é largamente utilizado em literatura, acrescentando «ainda que na de cordel». Ó Rendinhas! Então e José Cardoso Pires? E Mário de Carvalho? E Miguel Miranda?

  29. Anónimo das 12:23 PM, eventualmente (mas posso enganar-me) também Anónimo das 11.21 AM,

    Que queres dizer com «E falta, se me permite, a análise à singela crítica do crítico insuspeito…»? É muito críptico, se me permites.

  30. Mas que crítica, Anónimo? E que crítico? Menos críptico, por favor, e menos anónimo.

    Isto mais parece a caverna de Platão. Ou as nossas sombrias lembranças dela…

  31. É verdade…o meu querido e saudoso José Cardoso Pires..imperdoável…sempretive um fascínio muito particular pelo “Delfim”….no entanto se dividirmos o calão por escalões, vai um a grande distância entre este tipo e calão e o tipo de calão da Margarida Rebelo Pinto…num é uma necessidade absolutamente decorrente do contexto noutro um artífício injectado à força para chocar….enfim…mas não façamos comparações do incomparável!

  32. “É gente sem alma, sem vida, sem dor. Uma farsa de linguística e de retórica. Sente-se ao primeiro parágrafo, à primeira dúvida. O esforço pelas palavras, as influências mal amanhadas, o tom inseguro, as ideias vãs.”

    – não é isto que se sente quando se lê figuras como o Jacinto e o Peixoto.
    E já agora, não um bom texto (não tenho nenhuma procuração do autor). Suscinto, certeiro e inteligente.

  33. Anónimo,

    «não é isto que se sente quando se lê figuras como o Jacinto e o Peixoto.»

    Isto está assim bem – ou levaria interrogação no fim?

  34. De JLP (Jacinto) conheço os contos iniciais, «Para averiguar do seu grau de pureza». Gostei. De alguns muito.

    De JLP (Peixoto) conheço toda a ficção e poesia. «Morreste-me» é um belo livro. «Nenhum olhar» é um grande livro. Gostei, também, de alguns poemas.

    Mas o Peixoto do segundo romance foi-me uma desilusão, e o parágrafo que citas corresponde globalmente. Ele deveria ter sido aconselhado a esperar com aquilo. Até aquilo lhe passar.

    Leio também muitas das crónicas do Peixoto no JL. A sua média de boas crónicas não desmerece do habitual nacional. E uma ou outra é um sino vibrante.

  35. “Ele deveria ter sido aconselhado a esperar com aquilo. Até aquilo lhe passar.” – concordo plenamente.
    Análise de crítico experiente e sabedor.

    Um grande abraço para Si.

  36. Caro ‘Mais Antónios’:

    A propósito de “Lembram-se do António Variações, quem acreditava naquela criatura transmontana (…)” — e apesar de nada acrescentar à contenda que aqui se trava —, cumpre-me o dever de informar que o defunto era natural do Lugar do Pilar (nem de propósito!), freguesia de Fiscal, concelho de Amares e distrito de Braga. Falamos, portanto, de um minhoto puro-sangue, tanto de nascimento como de criação.

    Dispendioso Fernando Venâncio:

    “Pôr um Miguel Sousa Tavares ou um Pedro Mexia ou uma Inês Pedrosa no plano de MRP é de loucos”. E pergunto eu: é? Sim e não.

    SIM se estiver implícita a assumpção de que todos valem o mesmo literariamente, o que não é verdade. Classificando os quatro nomes supracitados, gradativamente, opinarei que alguns textos da Inês Pedrosa nos podem fazer esquecer de lá ir… o Mexia lê-se a caminho, mas por vezes padece de alguns solavancos gerados por incontíveis crises de flatulência; o MST dá para ler aquando das costumeiras incursões diarreicas e convive bem com o olor do acto; e, enfim, a MRP desliza bem nas descargas e resulta num excelso desentupidor de canos.

    NÃO — e mais a sério — porque esta relação de nomes não tem por bitola a qualidade da obra dos escritores e dos assim-assim nela incluídos. Está em causa, antes, a prazenteira e servil benesse que faz com que de cada vez que um dos ditos produz um livro — seja esse livro o que for — ou solta um espirro, todos os moços-média correm a apaparicá-los e a esmoncar-lhes o nariz. Aliás, assim se manifesta a trama do “Sistema”: às figuras do jet-shit toda a deferência é pouca, independentemente da qualidade literária; aos outsiders, “você veja lá se começa a aparecer numas festas e faz amigos…”. De resto, e o Fernando sabe isso tão bem quanto eu, nestas gamelas que a gente inventa para maledicência dos outros, há sempre quem valha a pena e quem dê pena; mas despejamos à mesma tudo lá para dentro e ficamos a ver quais é que flutuam…

    Até já.

  37. Acho, indigências literárias como Jorge Reis-Sá, também “talentoso editor”, bastantes furos abaixo de Mexia ou mesmo Paixão ou ainda do MST. Vocês experimentaram ler alguma das pieguices pacóvias que ele escreve?
    Mais ou menos:
    “Saí do autocarro. A árvore verde reflectia-se na poça de água. Tinha chovido. Pendsei nos olhos da minha Ana, os mais lindos do mundo. E na boroa da minha avó..”
    Indescritível! A Câmara de Famalicão subsidia lautamente esta nulidade.

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