6 thoughts on “BLOCO#15 – Taxas”

  1. Estava eu a observar as ondulações das cuecas do meu vizinho, quando entrou um homem que conheço vagamente. Trabalha num ministério qualquer. É advogado. Ou jurista. Ou coisa que o valha. Ele bem tentou esquivar-se, mas não teve como me fugir. Deu-me dois beijinhos e, claro está, passados dois ou três minutos, estava a justificar a sua presença na sala de espera de um psiquiatra. Eu ouvi e nada lhe disse. Bico calado. Era o que mais faltava explicar-lhe a minha triste depressão, a minha confrangedora frigidez, as minhas ideias suicidas, as minhas inseguranças e efabulações flatulentas. Deixei-o falar. Até porque o dito colega é uma daquelas pessoas, narcísicas, que gosta de se ouvir a si próprio. Só me aborreci quando começou a falar de trabalho e, em tom displicente, criticou determinadas orientações tomadas pela direcção do instituto público onde trabalho. Tenho a impressão de que gritei porque uma mulher gorda de olhar bovino deixou de fixar o ecran de televisão, onde a Floribella sorria imbecilmente, e me olhou de viés como quem diz “coitadita!”. Por fim, a empregada chamada Cristina, solícita, desfazendo-se em desculpas pelo atraso, chamou-me. Salvou-me daquele inferno. Entrei na consulta. Depois de meia dúzia de insignificâncias, muitos sorrisos, frases curtas, sai de lá com a abençoada receita.

  2. Um dia destes, deixamos de ser um País de brandos costumes para sermos um País de moderados costumes.

    Quer dizer a mesma coisa, mas a palavra é mais cara.

    Até já.

  3. (… mas fiquei baralhado com uma coisa: e então os olhos azuis, que estavam classificados como gene(s) recessivo(s), vêm de aonde? Se calhar foi dos vikings, não? ;)

  4. Sou uma fêmea de louva-a-deus e reparei que desfruto mais do sexo se começar por arrancar a cabeça aos meus amantes à dentada. Isto porque, quando os decapito, eles entram em espasmos muito excitantes. Parecem mais desinibidos, mais insistentes – é fabuloso.

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