Memento mori

Ao que parece, a Joana do Semiramis morreu. Assim de repente, no domingo passado. Dado o que entre nós se passou, não consigo fazer o número, adequado para a ocasião, do “apesar de tudo, estimava-a como adversária”. Fico-me pela tristeza de imaginar filhos que não mais terão a sua mãe, gente que por certo a amava e não mais a verá.
Nada conheço da sua vida “real”. Não sei se a conseguiu preencher com as grandes coisas que a sua inteligência e cultura permitiriam. Espero que sim.
Horas antes desse domingo, estava eu a escrever aos meus colegas de blogue a queixar-me das horas infindas que gasto por aqui. E a anunciar uma drástica redução da minha presença nestas “páginas”. O motivo é simples: tenho mais que fazer. E não consigo andar nisto sem ser de forma quase obsessiva: ainda hoje, já gastei sei lá quanto tempo a responder a quem tresleu o meu post sobre o caso dos cartoons.
Agora, mais que nunca, sei que há coisas muito mais importantes do que estas batalhas de HTML. E é melhor tratar delas antes que se faça tarde.

13 thoughts on “Memento mori

  1. Não quero ser desagradável mas parece-me que acaba de passar um muito injusto atestado de menoridade à blogosfera e aos frequentadores deste blogue.
    Por isso, faz bem em diminuir a sua actividade nestes espaço. Pode mesmo deixar de aparecer.
    Ou então abra um blogue na secção infantil.

  2. Caro anónimo,

    É precisamente por causa de idiotas como você que ando um pouco saturado. Não passei atestado de coisa alguma a ninguém. Afirmei apenas que eu (leia bem: não é você) ando a gastar tempo demais na blogosfera.

  3. Luis, acho que essa questão do tempo que se dedica à blogosfera é muito pessoal, tem a ver também com outra que é a da nossa motivação.

    Acho que antes das “novas aquisições” foste tu que fizeste grande parte das despesas da casa, é natural que agora reduzas a actividade. O importante é que continues a postar com o sentido de humor a que já nos habituaste – esse sentido de humor era uma das imagens de marda do (saudoso) BdE e já é também imagem de marca do aspirinab.

    O que eu quero dizer é: dasssse não deixes o RMD sozinho.

  4. Caro Luís Rainha,
    como eu te compreendo. As horas que eu passei também com um comentador anónimo que treslia ou desonestamente distorcia as coisas só para me insultar… E o tempo que eu perdi a dar troco ao gajo. Vê lá tu: era só isso que ele queria. Esse anónimo, sim, tinha todo o tempo para perder na blogosfera. Nunca o vi queixar-se de falta de tempo.
    Compreendo-te e solidarizo-me contigo para o que for necessário. Sabes bem.

  5. Luís Oliveira, qual é o teu problema de o Rodrigo ficar sozinho? Pena é que ele não escreva mais!
    O mal é se se deixar o Daniel Oliveira sozinho. Mas está cá a camarada Margarida sempre atenta.
    Já foste cumprimentar a D. Ermelinda, que gosta tanto de ti?

  6. Entretanto no meio disto tudo o que é inédito é um (neste caso uma) blogger ter morrido e ter deixado o blogue em aberto. Qualquer blogger já temeu uma situação destas, ou sou só eu?

  7. Filipe:

    Eu bem que tentei moderar os hebituais movimentos (sempre tão bruscos) dos meus lábios, mas está visto que nem com a minha pseudo-subtileza te escapo …

    Mas já agora que me puxas pela lingua de coninha verbosa, vou tecer mais umas considerações …

    Já antes da chegada do Daniel Oliveira eu achava que isto parecia o blogue do Bloco de Esquerda. Não tenho nada contra, mas prefiro blogues mais plurais (politicamente). O único problema desses blogs mais plurais é que por vezes surgem níveis de confrontação indesejáveis. [Desculpem lá voltar a falar no morto, mas como o fantasma está entre nós preferi falar-lhe tão directamente quanto possível.]

  8. Quanto à dona Ermelinda (com o devido respeito à senhora), estou enganado se assumir que a pergunta é retórica?

  9. Luis,

    Quem é que já te tinha avisado que o melhor era perderes o hábito de escreveres por 10 e responder a quase toda a gente? Moi. Levaste algum tempo a compreender isso. Agora ficamos na merda, perdendo talvez o único gajo que mostrava um apreciável isenção nos seus escritos. Por outras palavras, ficamos entregue à bicharada fornecida pelo departamento “rent a mob” das ideias politicas e da filosofia das lesmas, ainda mais com o Daniel de Oliveira muito ocupado com as suas idas à Sic. E isto é agora, com posteadores e comentadores a incitarem ao espírito de cruzada anti-muçulmana conforme convém aqueles que querem ver os cristãos e ateus à cabeçada com os árabes, fará lá mais para a frente.

    Também lamento a morte da Joana e li dela várias coisas, sem concordar com as suas posições politicas. Lá se foi uma senhora com um belíssimo jeito para nos contar histórias da História, que não acreditava no Priorado do Sião nem nos velhos sábios do mesmo nome, porque se calhar também nunca tinha ouvido falar da La Silva Curiosa. Os seus escritos sobre as passagens mais tristes da República pré-salazarista são excelentes, considerando a ligeireza com que se escreve num blogue. Usa a pesquisa do Semiramis, põe lá Maçonaria, e vais ver. De facto até penso que lhe devias prestar uma pequena homenagem (let bygones be bygones) mostrando aos blogueiros desta praça alguma coisa dela. Há um artigo execelente e muito histórico àcerca de “blogues” que surgiram depois da Revolução de 1820. Tenho a certeza que muitos irão gostar. E não deixes isto por completo. O rir também é terapêutico.

  10. Estou mesmo a ver: o Filipe Moura e o Luis Oliveira são dois sacaninhas da direita solúvel que gostam muito de mexerico e dos livros da Agatha Christie. Mas não precisam de mostrar aqui os seus pendores para o voyeurismo. Deixem a Dona Emderlinda em paz porque a pobre senhora já é avó e reformada. Que trastes!

    Senhor Melro

  11. Caro Senhor Melro:

    “O Filipe Moura e o Luis Oliveira são dois sacaninhas da direita solúvel que gostam muito de mexerico e dos livros da Agatha Christie. Mas não precisam de mostrar aqui os seus pendores para o voyeurismo. Deixem a Dona Emderlinda em paz porque a pobre senhora já é avó e reformada. Que trastes!”

    É só para dizer que eu acho que a referência à Dona Ermelinda é de facto um tanto ao quanto delicada … Quanto ao resto fico grato por me ter informado da sua opinião Sr. Melro. Garanto-lhe que o Filipe não é de direita e que eu não gosto de Agatha Christie.

    Filipe, gostas de Agatha Christie?

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