Quando se chega daqui e ouve-se o “ganhou e pronto” a irritação é insuportável

Uma semana. Uma semana aqui. Não quero falar dessa semana, porque, de resto, não foi uma semana. Sabe bem disso quem viaja para onde os lugares não são em nada os nossos lugares, nem nas horas, nem nos cântigos que obrigam ao silenciamento com beleza da música daquele bar, um bar com um nome qualquer, não interessa nada, cachimbo de água, muitas horas, o ponto é não sermos nós ali até ali tomar conta de nós e por isso a tal da semana, ou das 7 noites um dia programas em português e em euros, ser a eternidade, e nós, ou quem lá esteja, ou quem lá estivesse, tu que não foste, quem lá se encontra e cabe debaixo do nosso casaco nas empatias das eternidades das viagens, ser eterno; a eternidade então é isso, estar ali, dizer agora esta pedra, agora este pão, agora esta brisa, agora estes gestos tradutores, agora estes beijos para sempre uma semana.

Não vou escrever uma linha sobre aquela semana longínqua, eterna, acabada, um lugar sem telemóvel, perdi-o na véspera de embarcar para ali, não entendia as palavras na televisão, entendi Egipto, entendi essas notícias, mas fiz-me à eternidade, às vezes puxada por uma mola, num mail da única pessoa que sabia que eu podia receber essa coisa sem saber que era a única pessoa que sabia que eu podia receber essa coisa.

Voltar dali onde não há Europa – eles sabem o que eu quero dizer – e chegar aqui e dar com o comunicado do PR é  regressar correndo à Portela, donde os meus agradecimentos ao Valupi.

Depois a conversa do Presidente que ganhou, a esquerda que engula, ganhou, como diz JPP, tomem lá, mas isto é algum broche?

Se os analistas tivessem um pingo de seriedade, esses que andam sempre a falar da espuma das coisas, que não podemos falar da superfície do que acontece e tal, poderiam parar e dizer assim: toda a gente sabe que  Cavaco ganhou, valeu? Ele teve, dentro do número de votantes a considerar, o número de votos válidos suficientes, valeu? Mas isso não invalida o facto altamente preocupante e desligitimador, do ponto de vista político e social, de Cavaco ter tido os votos necessários dentro de um universo de votantes reduzidíssimo.

Cavaco teve a maioria da metade dos eleitores, falando claro. Dá para perceber a maçada e a falta de tranquilidade? Dá para perceber que qualquer decisão do PR é ajuizada por todos, inclusivamente pela metade que se absteve? Percebe o PR que o seu mandato não é um passeio?

É assim tão difícil perceber por que razão Cavaco entende que somos gente fraca de cabeça?

Cavaco, por ti, podendo, rumava à Portela.

8 thoughts on “Quando se chega daqui e ouve-se o “ganhou e pronto” a irritação é insuportável”

  1. Mas primeiro passa pela aldeia da Coelha, para te enfastiares de vez…E ainda vais com a lição de como se pode pagar sisa sobre uma casa ficticia. Com muita sorte evitaste ouvir o comentador residente Santana Lopes de que está tudo legalissimo. A propósito, muito gostava de saber em que ano Cavaco pagou a sisa de uma escritura feita em 1998. E ainda se tudo correu normalmente ou foi descoberto em infracção e obrigado pelas Finanças. É claro que nada disto interessa a Santana, Marcelo, JPP e aos jornalistas invertebrados que pululam na comunicação social «suave»…para os donos e amigos dos donos. Mas interessaram, e durante meses, as casas «feias» que o jovem engenheiro técnico Sócrates projectou na década de 1980…
    Com uma desfaçatez intolerável, Santana e outros não esquecem dfe acentuar que se tratava, à data dos factos, do »cidadão» Cavaco Silva, sem cargos politicos. Como quem diz, se fez vigarice, fê-lo como cidadão e não como politico!!! Como se não tivesse acabado de exercer um mandato de 10 anos como PM!!! e ter-se apresentado como candidato a PR!!! Porra que é demais.
    Vai, Isabel, vai formosa e enjoada, desta mísera cambada.

  2. É um lapso engraçado «tonto». Pois. Mas no meio do alarido só 25 em cada 100 votaram no «professor». Não é uma maioria tão confortável assim…

  3. “mas isto é algum broche?” esta é sem duvida muito forte. Lá mais para a frente vai ser bem pior. A demissão não é do povo é de quem fez o mais fácil, porque diferente era muito difícil. Se o PS tivesse tão boa imagem junto do povo que amarga com a situação como a tem junto do patronato, talvez não fosse necessário esta porra de estadista.

    Ler a entrevista do homem do BPI ao Expresso, o Ulrich podia dar um bom PR ou um bom deputado como pretende. Há futuro nesta terra de ausentes.

  4. não acho boa ideia contar os votos…o cavaco foi eleito por , deixa cá ver , 2 231603 votos ; o PS por 2077695 votos… ou seja é um presidente á altura dos votos do governo , ainda lhe ganha em legitimidade por uma unha.

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