O que vale é que este ministro não é nada sinistro

Todos temos conhecimento dos cortes que estão a ser levados a cabo nas escolas públicas. Sabemos que o Ministério cortou no número de professores, levando à criação de turmas cada vez maiores. Sabemos que em muitas escolas faltam funcionários. Enfim, há uma série de coisas que, infelizmente, não nos surpreendem no início do ano lectivo. Mas este ano fui surpreendida com um corte que não esperava. A escola que o meu filho frequenta decidiu cortar nos intervalos e no tempo do período de almoço. As crianças passam a ter apenas um intervalo em todo o período da manhã, quando antes tinham um segundo intervalo que, embora mais curto, lhes permitia, entre outras coisas, fazer mais um pequeno lanche. Acabou e, sendo assim, os pais foram aconselhados a mandar umas bolachinhas para as crianças trincarem enquanto mudam de sala. Quanto ao período de almoço passou de sessenta para cinquenta minutos. Ou seja, as crianças têm menos tempo de almoço do que os adultos que ainda mantêm o emprego. Estou a falar de uma escola com centenas de alunos, o que se traduz em filas intermináveis no refeitório e tempo quase nenhum para almoçar. Os que conseguirem vencer as filas têm de engolir o almoço, isso de mastigar a comida é um luxo que o País neste momento não lhes pode permitir. Além disso, há lá coisa mais eficaz para melhorar o desempenho dos alunos do que fazê-los passar o tempo todo com um ratinho no estômago? Já para não dizer que os alunos com muito apetite têm sempre alternativa, pedem o cheque-ensino ao ministro e optam pelo ensino privado.

20 thoughts on “O que vale é que este ministro não é nada sinistro”

  1. um aldrabão compulsivo que está a destruir o sistema educativo e tu achas que o gajo é sinistro por causa de 10 minutos de intervalo. valha-me s. catroga.

  2. O ministro cratino tem um percurso político que fala por si, desde o plano inclinado ao
    desenhar as novas políticas para a Educação! Pelas piores razões será lembrado!
    Quanto ao que se passa nas escolas, os profes são os principais culpados pela situação
    degradante a que o ensino chegou, ao manterem anos e anos o comissário Nogueira à
    frente do maior sindicato, ao embarcarem no chamado coleguísmo nas comissóes admi-
    nistrativas, ao recusarem uma avaliação que, é prática corrente, nos vários sectores de
    actividade e, por fim, terem acreditado nas promessas da direita com a cegueira de pen-
    sarem que iríam manter tudo na mesma , sem avaliação!
    Estará nas mãos dos encarregados de educação obrigar o ministério a corrigir certas
    decisões não devidamente ponderadas, pelas suas gravosas consequências, sejam no
    aumento de alunos por turma, horários impraticáveis como parece ser o caso isto, sem
    falar na “cenoura” do cheque ensino … ontem já foi tarde para correr com esta gentalha
    do governo que só desgoverna!!!

  3. há, guidinha, tratando-se de gente séria, uma justificação moral para isso: aumentando a taxa de ocupação das salas de aula os professores ficam com menos tempo para utilizarem os recintos com fins pornográficos. :-)

  4. Não admira. Ontem ouvi dizer que ele foi ( e é) maoista. Logo, onde está a surpresa?Ponham-se a pau porque, não tardará, põe os putos a denunciar os pais… e depois é a reeducação!

  5. absolutamente ! esse bom maoista,disse ao que vinha num “pros e contras”,quando de uma forma meio escondida defendeu o ensino privado! com o cheque ensino, mesmo onde ha oferta publica,vamos ter um aumento substancial do ensino para betinhos! isto de conviver com pobres é uma grande chatice!

  6. Ok. É que no 1º ciclo a situação é igualmente complicada. Reduziu-se para metade o tempo dedicado a Actividades de Enriquecimento Curricular, compensando parcialmente tal facto com a desclassificação do tempo de intervalo, passando este a ser considerado tempo não lectivo (o que é um péssimo sinal neoliberal para o recreio), esticando assim o tempo lectivo em meia hora. Resultado: quando antes tínhamos crianças “a sair” pelas 18.00, temos agora pelas 17.30. Uma meia horita cirúrgica que obriga muitos pais a procurar alternativas no privado (sem cheque ensino).

  7. Olinda, respondi ao que o Joaquim O. me perguntou. E não ficaste a saber o mesmo, ficaste a saber que este horário apertadíssimo se aplica a crianças a partir dos 10 anos.

  8. sim, mas pensei que a questão do Joaquim O. fosse mais abrangente. mas já afunilei a questão que, pelos vistos, não queres responder. estás no teu direito. mas há problema em saber qual é a escola? é secreta a informação?

  9. Olinda, parece-te, então, que o mais importante nesta questão é saber de que escola se trata. Também estás no teu direito. E não, a informação não é secreta, os horários estão publicados na Internet, os desta e os de muitas outras escolas. Aposto que, com tempo e paciência, não seria muito difícil verificar que este não é caso único.

  10. não é o mais, mas também, importante – é uma informação como qualquer outra que forneceste. não queres dizer, não digas – escusas de tergiversar.

    (afinal o secretismo também funciona com pseudónimos. ah!) :-)

  11. Olinda, o que têm os pseudónimos a ver com isto? Não me digas que, para além da morada da escola, também precisas de uma cópia do meu cartão de cidadão? :)

  12. tem que ver que só falas da escola y, sem lhe chamares pelo nome que lhe deram à nascença. :-)

    (cópia do teu CC? só se fosse para juntar ao teu email – sim, porque a fotografia deve ser, como são sempre as desses documentos, dispensável) :-)

  13. vá lá, bota aí o nome da escola, o do pimpolho e o nif para fazer uma transferência de paciência para estas discussões sobre as políticas do crato.

  14. Olinda, seguiu por email a preciosa informação. Agora já podes confirmar que hoje é um dos dias em que muitas crianças têm apenas 50 minutos de período de almoço. :)

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