O ministro das Finanças já não diz coisa com coisa

Só o desespero pode levar o ministro das Finanças a usar o memorando original para desculpar o falhanço completo das suas políticas. O PSD e o Governo descobriram, passados dois anos, que o documento, afinal, estava mal desenhado. Pois estava, a austeridade não era suficiente, por isso se apressaram a redesenhá-lo várias vezes sem sequer consultarem o PS, os parceiros sociais, ou quem quer que fosse, e lá foram entusiasmadíssimos além da troika. É no mínimo patético o ministro vir agora culpar quem negociou o memorando original, pois é disso que se trata. E é ainda mais patético se pensarmos que o ministro fez estas afirmações depois de ter passado horas a louvar os excelentes resultados que o País obteve e que, segundo ele, se confirmaram com a última avaliação positiva da troika. Que é o mesmo que dizer que o memorando está espectacularmente bem desenhado. Em que é que ficamos?

Mas se havia medidas que impediam o sucesso do ajustamento, e que pelos vistos não podiam ser redesenhadas, por que raio esperou dois anos para o denunciar, ainda por cima, com o Governo sempre a repetir que o País está no caminho certo? E, já agora, se o memorando estava tão mal desenhado, como é que o ministro explica que os génios da troika o tenham aprovado? Não me digam que a troika aprova tudo o que os governos propõem e até os avalia positivamente independentemente dos resultados catastróficos que apresentem.

4 thoughts on “O ministro das Finanças já não diz coisa com coisa”

  1. guida,
    não vale a pena tentar compreender o Gaspar, pois dali só pode sair asneira. O homem limita-se a ser o executor dasd políticas do IV Reich, confiado que lhe darão um bom lugar quando passarmos a protetorado.
    Esta última desculpa, tão esfarrapada que não tem ponta por onde se lhe pegue, é apenas (mais) uma tentativa de atirar para cima do governo anterior o desastre da política deles.
    Mas há outros com tanta ou mais responsabilidade que também andaram no coro do homem infalível, a começar talvez pelo Louçã, como muito bem recorda o Abrantes no Câmara Corporativa.

  2. guida,

    muito bem demonstradas, as contradições. É nestas alturas que me revolto mais; quando em cima de tudo o resto – a incompetência, a miopia social, a arrogância, o “rei na barriga” – , ainda nos chamam de estúpidos. Bem pode a trika rcomendar melhorias no discurso, está para além da sua capacidade. Claro que há estúpidos que compram isto, mas são a árvore e os gaspares e coelhos tomam-nos pela floresta. Estão tão longe de nós, tão longe. Deviam ser surpreendidos nessa segurança inabalável. Podia começar nos nossos representantes no parlamento, mas o parlamento, infelizmente é tão cipriota como o governo. Também ele está tão loge de nós.

  3. Já agora recordo que em Maio de 2012 Vítor Gaspar disse

    “Eu não minto, não engano e não ludibrio os portugueses”

  4. Caro joaopt,
    Cá temos mais um candidato da verdade. Existirá maior mentiroso que aquele que está sempre a apregoar a sua verticalidade e seriedade? Temos como exemplo maior o inquilino de Belém!

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