Hoje sou cipriota

A Europa, como foi concebida, está morta.

O informal esmaga o formal, esse que ainda goza de legitimidade democrática, e há países e” pessoas” que dizem o que deve ser a nova Europa a cada momento de acordo com os seus interesses.

O episódio mais espetacular de tudo o que não pode ser a Europa foi protagonizado pelo eurogrupo, que achou bem roubar depósitos do povo do Chipre.

Trata-se, pois, de um grupo de criminosos, é mesmo assim, mas os cipriotas não ouviram a chantagem das consequências da não aceitação da medida.

O seu parlamento disse não ao roubo e fez prevalecer a decência.

Já em Portugal, temos Vítor Gaspar, o qual, convencido de que tal roubo nunca se aplicaria aqui, cheio de princípios, porque gente roubada noutra terra é indiferente, foi, no eurogrupo, favorável à nova forma de auxílio financeiro.

Ao mesmo tempo, Portas está contente que se tenha travado o que considera ser uma medida “tipica de regimes comunistas que não acreditam no sistema bancário”.

Para quando a remodelação??

 Por hoje, sou cipriota.

 

11 thoughts on “Hoje sou cipriota”

  1. pois, hoje eu sou mais pró russo, gazprom ou o que queiram chamar aos gajos que travaram a lagardére, o rodinhas e o alihárena.

  2. Nos últimos 200 anos os alemães enganaram-se sempre nas
    previsões sobre o rumo da história.
    Temos agora esta cripto-nazi da Angela Merkel a querer
    mandar em toda a Europa, a querer uma ocupação pelo
    euro? Basta… vá para o raio que a parta !!!
    (O partido nazi não cresce na Alemanha porque os nazis alemães sentem-se bem representados pela Angela Merkel).

  3. duas coisas que nos faltam para sermos cipriotas – institituições representativas como o parlamento (mas não só) a representar, efectivamente; e uma igreja com sentido (de estado ou outro).

    “Foi em reposta ao impasse e à necessidade de se encontrarem alternativas que a Igreja Ortodoxa de Chipre apareceu a pôr à disposição do Estado todo o seu património. Anastasiades esteve reunido com o arcebispo Crisóstomo II, chefe ortodoxo cipriota, que propôs que os bens fossem dados como garantia para a compra de obrigações do Estado, avançou a AFP.”

    Aqui:
    http://www.publico.pt/economia/noticia/chipre-a-procura-de-uma-alternativa-a-sobretaxa-sobre-os-depositos-1588421#/0

  4. Isabel,
    neste momento Chipre fez mais pela democracia na Europa do que os restantes países e instituições.

    Por cá, continuamos sem entender, e preferimos seguir o novo “Fuherer” vindo do Leste, mesmo que a experiência o não recomende do que falarmos como país independente.

    Há uns anos atrás, talvez outros canários cantassem, mas parece que a juventude amansou com os ventos democráticos, e aos mais velhos já não lhes sobra grande força…

  5. Teófilo M.

    concordo, à excepção da parte em que dizes que a juventude amansou. A “massa estudantil”, como se dizia, está sempre a ser menosprezada na sua capacidade de intervenção. Não se quer aprender com a História. Mas quase sempre é catalizadora de movimentos importantes; é certo que não estamos no maio de 68, nem em Portugal de 69, nem no Irão, mas o facto de os nossos governantes estarem condenados a discursar em auditórios quase vazios nas universidades a que teimam em deslocar-se é um indicador importante. Ainda na última ida do Passos ao ISCSP, como os estudantes foram interditado de entrar no auditório onde o nosso 1º ia debater sobre A Sociedade Aberta (nem mais), o que se viu nos telejornais do horário nobre foi meia dúzia de cabeças brancas na sala…
    Portanto, repito, não mesnosprezar as gerações a quem se rouba o futuro e a esperança. Sempre que isso aconteceu deu molho e os graúdos tiveram de se por em sentido, nem que fosse no sentido de arrancar à traulitada e à detenção e ao impedimento de participar no que é deles. O que é uma óptima forma de reforçar as hostes.

  6. edie,
    a juventude atual é mais cordata, talvez porque melhor alimentada e melhor instalada, compreende-se, mas não justifica, pois tem mais estudos e deveria ter mais consciência e não embarcar em demagogias.

    Quereer ver nos auditórios vazios uma posição política é muito boa vontade, eu entendo-a mais como uma preguiça intelectual e cívica, promentam-lhes umas “bejecas” grátis e umas cantoriazitas de vão de escada e eles aí estão a saltar e a correr, basta veres o fenómeno Bieber para tomares o pulso a grande parte da juventude e a muitos papás que a sustentam.

    Esta geração tem mais condições para criticar do que as anteriores mas faltam-lhe incentivos que a família não consegue veicular e que os partidos não estão interessados em cativar, pois, para eles a juventude só lhes interessa realmente nas campanhas partidárias e pouco mais.

  7. eu disse os estudantes – um grupo dentro da juventude. As assembleias ficam vazias, não porque eles estejam a beber jolas no bar da esquina: é porque estão todos cá fora a protestar.

    Quanto a gostos musicais fatelas, e êxitos comerciais da treta, sempre os houve, em todas as juventudes de outros tempos; e achar que a juventude em geral é rasca e sem ideias é um clássico moderno ocidental.

  8. Isabel

    A Europa é isto, o que o Eurogrupo decidiu. Se leres com atenção o que o Salazar pensava sobre a Europa, vais ver que não difere muito do que estamos a viver neste momento. Digo-te mais, no fim da década de 80, o embaixador Franco Nogueira, em conferências no IDN que tive oportunidade de assistir, falava sobre o que iria acontecer à Europa, particularmente à CEE, com o fim da Guerra Fria e a unificação da Alemanha. É exatamente o que nós estamos a assistir.
    Não necessitas ir mais longe, basta estudares o tratado de Versailles e suas consequências, para teres uma ideia de como os europeus se tratam, quando alguém está por baixo.
    Não tentes ser cipriota, porque não é gente que se recomende. Tenta, antes, ser bem portuguesa e defender os nossos interesses com a inteligência que Deus te deu, assim como, também, com os conhecimentos recebidos da tua família, da escola e da vida.

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