Terroristas no poder?

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Quem diria, há uns meses, que a situação no Médio Oriente iria dar esta cabriola: Sharon fora de combate e o Hamas pronto a assumir o poder na Palestina. Em Israel, ainda impera a incredulidade com a dimensão da derrota da Fatah, já à mistura com ameaças de cortes de fundos europeus e americanos à Palestina. É que ninguém esquece que o Hamas nunca reconheceu o direito de Israel à existência e continua a manter uma ala de activos terroristas.
Mas a realidade é sempre difícil de descrever por chavões. Há quase 3 anos, Pacheco Pereira, numa tirada amplamente aplaudida, sentenciava: “não há ‘dirigentes moderados’ numa organização terrorista, ponto”. Hoje, tenho oportunidade de repetir ipsis verbis o que então escrevi algures: ignorar que o Hamas é muito mais do que um grupo terrorista é simplesmente fechar os olhos à complexidade dos factos. É ignorar o que até a Anti-Defamation League constata no seu site: que o Hamas gere uma intrincada rede social, com hospitais, creches, escolas e caridades diversas. É ignorar a própria génese do movimento, surgido como oposição à notoriamente corrupta entourage de Arafat e então apoiado discretamente por… Israel.
Continua a ser instrutivo recordar o livro “The Palestinian Hamas”, escrito por dois académicos israelitas, com a sua explanação das dissensões internas que têm atravessado o Hamas, sempre oscilando entre dois pólos: a brutalidade pura e dura e a procura de soluções negociadas. (Um homem como Ismail Abu Shanab era um dos rostos deste último ponto de vista. Era; até Israel o matar.) O comentário da casa editora, a Columbia University Press, esse notório ninho de simpatizantes dos terroristas, é revelador: “desde que emergiu como desafiador da OLP durante a Intifada Palestiniana, o Hamas foi associado pela percepção pública ao terror e à violência. Agora, dois especialistas israelitas mostram que, ao contrário desta imagem, o Hamas é essencialmente um movimento político e social, fornecendo extensos serviços comunitários e respondendo constantemente às realidades políticas através de negociações (…)”
Por , passadas as primeiras ondas de choque, não sei bem qual vai ser a primeira “revolução” nos comentadores do costume: concluir que se calhar Arafat até não era assim tão mau, ou descobrir que, afinal, a Democracia talvez não seja mesmo sinónimo de paz e harmonia instantâneas…

35 thoughts on “Terroristas no poder?”

  1. Boa posta Luís. Também gostava de dar uns bitaites muito koscher sobre este tema, do ponto de vista sionista é claro, mas estou sem tempo :). fica para breve…

    Grande Filipe, é bom rever-te, ainda que desta forma tão breve, ó meu “anti-semita” de estimação. grande abraço!

  2. Luís,
    por acaso vinha cá ver o que é o ruínoso JP andava a escrever, quando deparei com este teu excelente texto sobre a Palestina(tema sobre o qual também já tinha escrito no meu).
    A verdade é que a mim não me preocupa nada o que o JPP e outros comentadores nacionais pensem. Preocupa-me, isso sim, o facto de os Estados Unidos já terem vindo afirmar que não sentariam à mesa com o Hamas. Porque estas afirmações podem criar condições para a vitória da extrema-direita nas próximas eleições israelitas. E isso sim, é capaz de acabar de vez com o caminho, já de si difícil, para a paz.

  3. José Pacheco Pereira, sob a capa de pensador desalinhado, é um “his master’s voice”. Além disso, tendo sofrido uma boa educação estalinista-maoista, não tem qualquer dificuldade em virar o disco que toca. Vai, pois, esperar o que sopram os ventos da América e, depois, tocará de acordo com essa música.

  4. “Apagar um texto meu é um direito que sempre me assistirá. Apagar comentários de outrém, só com boas razões.Nem estou a ver onde encontras tu a tal “moral ” misturada neste assunto.
    Quanto a comentários desagradáveis, tenho tido mais que qb; lido com eles sobretudo com algum fair-play e humor.”
    Que é feito desta opinião!? Eram assim tão graves os dislates!?

  5. Estou a ver que és novo por aqui… Mas temos documentação para te valer!
    Já agora, a coisa prosseguiu com uma lista de motivos para apagar comentários: “publicidade abusiva, spamming, insultos a terceiros, falta de educação em grande escala”.

  6. Os comentários (no pouco tempo que aqui estiveram!) não me pareceram assim tão ofensivos, mas “quem não se sente…”. Estás aqui está a dizer que ficarias ofendido se eu te chamasse “patetinha”! Ainda me arriscava que ofendesses o meu pai. Livra!

  7. Estou a falar aqui do nosso estaminé. Agora que noutro local ande gente que eu não conheço de lado algum a dizer mal de mim pelas costas… isso já me irrita um bom bocado.

  8. Caro Rui (peço desculpa ao Luís por me intrometer),
    os teus comentários estão fora do contexto do post, estamos a falar de um tema de interesse (pode ser que a ti tanto te faça o que acontece à Palestina, mas a outras pessoas não) e vens para aqui falar de censura. Porque é que não fazes um post no teu blog sobre o tema e te limitas aqui a falar sobre o tema deste post? Para ti pode ser muito importante ter uma discussão com o Luís, mas duvido que o resto dos leitores ache isso importante. Eu, pelo menos, não acho.

  9. Caro Jorge,
    Desculpa lá ter interrompido a discussão. limitei-me a constatar que o Luís tinha retirado uns posts acerca do “tema de interesse”. Mas não quero interromper o teu raciocínio, por isso as minhas desculpas pelo sucedido.

  10. Jorge,
    Já agora, o Luís não se chateia nada pela interrupção, pois parece ser um gajo porreiro e até agradece a intervenção de um bom advogado de defesa como tu!

  11. Caro Rui Castro,
    eu até acho engraçado estes dois comentários fora de contexto depois de pedires desculpa pelos anteriores. ;-)
    Agora, por favor, nunca me chames advogado, terrorista tudo bem, advogado não. ;-)
    Mas falando do tema, e tendo em conta que vi que, no teu blog, falas do mesmo, devo dizer que considero completamente redutora a ideia de que isto é uma guerra esquerda pró-Hamas contra direita anti-Hamas. A resolução do problema de Israel interessa tanto à esquerda como à direita. E eu, como apartidário, detesto que se reduza um problema destes a guerras partidárias.

  12. Gibel, nota que o post nao AFIRMA nada em definitivo, apenas sugere. E eu nem tenho necessariamente que concordar com tudo o que o post sugere; gostei dele porque esta bem documentado e faz pensar. “Thought-provoking”. Fico a espera de um post “thought-provoking” teu, entao. Quanto ao “reveres-me”, has-de ter noticias minhas antes de o Cavaco tomar posse. Um grande abraco para ti tambem.

  13. Caro Jorge,
    Ponto prévio: isso de piadas sobre advogados é que não! Sou capaz de ficar extremamente ofendido, mas adiante…
    Quanto à problemática:
    Concordo que é redutor falar de esquerda e de direita, mas a verdade é que são a esquerda e a direita que se colocam no centro do conflito. Para mim, temos responsabilidades de um lado e de outro da barricada (ou do muro, se preferires) mas, em minha opinião, e sem querer – repito – escamutear que as responsabilidades se repartem, é para mim muito perigoso fazer a defesa das negociações com organizações terroristas sem que antes se exija a sua deposição de armas. Pensei no ano passado, com a retirada da faixa de Gaza, que era desta, mas entretanto o Sharon adoece e agora isto. Confesso que cada vez tenho menos esperanças de ver o assunto resolvido.

  14. Diz Rui Castro: “é para mim muito perigoso fazer a defesa das negociações com organizações terroristas sem que antes se exija a sua deposição de armas.”

    Presumo que está a falar também do Estado Israelita, não?..

    Porque: tem armas; é uma organização; aterroriza diariamente os palestinianos como resultado da ocupação que faz da sua terra, e através de uma míriade de medidas incluindo assassínios de inocentes (intencionais: quando morrem centenas de pessoas como acumulado de situações recorrentes, passa a haver intenção, pois já se sabe que inocentes morrerão se tal situação/acção se repetir).

    Não me diga que está a sugerir aos palestinianos que só abram negociações com o estado de Israel depois de este depôr as armas que utiliza para aterrorizar os palestinianos nos seus territórios?…

    De qualquer modo, genericamente, essa de que só se deve negociar com quem não tem armas é cá de uma ingenuidade… Se quem me quer retirar a posse de algo que acho que é meu por direito, não tem armas, para que é preciso negociar?! Acho que é meu, tenho-o em minha posse, fico com ele.

  15. Qual organização terrorista?

    Aquelas a que os americanos chamam de terroristas?

    Caro Rui, devias ler o Marwan Bishara, ou então ir umas semanas para o terreno.

    O terrorismo a existir é o terrorismo de estado. Passa Aqui e lê um pouco.

  16. Caro Rui,
    o viana já disse um pouco do que eu ia dizer. Israel não depôs as armas, quando entrou em negociações. Israel não tenta prender os alegados “terroristas” e julgá-los, elimina-os fisicamente. E não se preocupa com os “danos colaterais”.

  17. Meus amigos,

    Falou-se de tudo menos daquilo que é mais interessante: na Islamic Brotherhood; no Ahmed Yassin e nos favores que a Mossad lhe fez (antes de o arrumar), enfim do resto que só nos diz com muita clareza que esta vitória do Hamas é,como sempre foi, uma vitória das forças mais reaccionárias de Israel. Nem se poderia esperar outra coisa.

  18. Uma só Palestina, laica, democrática e multicultural é o futuro !
    O estado racista, fundamentalista e apartheidesco de iSSrael deve ser aniquilado (o que NÃO significa o aniquilamento dos palestinianos judeus, pelo menos dos não-sionistas, entenda-se: o aniquilamento do nazismo também não significou o extermínio dos alemães).

    É isso que significa a política do HAMAS:
    “Under the wing of Islam, it is possible for the followers of the three religions – Islam, Christianity and Judaism – to coexist in peace and quiet with each other”.

    É a solução sul-africana que pôs fim ao apartheid: um país multicultural e um homem um voto (independentemente da religião, muçulmana, judaica ou cristã)e governo de maioria (que na Palestina é muçulmana).

    É a democracia, estúpidos ! ISSrael é um país pária, nazi e fundamentalista para varrer, mainada ! É a democracia…

  19. Uma só Palestina, laica, democrática e multicultural é o futuro !
    O estado racista, fundamentalista e apartheidesco de iSSrael deve ser aniquilado (o que NÃO significa o aniquilamento dos palestinianos judeus, pelo menos dos não-sionistas, entenda-se: o aniquilamento do nazismo também não significou o extermínio dos alemães).

    É isso que significa a política do HAMAS:
    “Under the wing of Islam, it is possible for the followers of the three religions – Islam, Christianity and Judaism – to coexist in peace and quiet with each other”.

    É a solução sul-africana que pôs fim ao apartheid: um país multicultural e um homem um voto (independentemente da religião, muçulmana, judaica ou cristã)e governo de maioria (que na Palestina é muçulmana).

    É a democracia, estúpidos ! ISSrael é um país pária, nazi e fundamentalista para varrer, mainada ! É a democracia…

  20. Olha lá Blue,

    Se seguires os trackbacks encontras mais coisas, e estou certo que o Luis ainda agora começou a falar, este post é uma boa nota introdutória. Se falas na Islamic Brotherhood tem de recuar ainda mais.
    Tal como, relativamente ao Yassin.

    Seja ou não a vitória das forças reaccionárias israelitas, esta votação foi livre, foi o povo palestino que escolheu. Só isso reflecte muita coisa, de que te adianta estares a falar na corrupção da Fatwa – por exemplo, se o problema é mais profundo do que isso?

    Já leste o Issa Nakhleh?
    Senão leste, devias ler, aliás toda a gente devia ler.

    Não se pode falar deste problema com leviandade, é sério e muito profundo.

    Tal como a limpeza étnica perpetuada pelo Esatdo de Israel.

  21. (post publicado em caetera.blogspot.com)

    A teologia neocon de Bush sofre mais um revés com a vitória de Hamas por maioria absoluta nas eleições legislativas palestinas. Bush comentando os resultados se referiu como sendo tempos interessantes estes em que vivemos…

    And so it was an interesting day yesterday in the — as we’re watching liberty begin to spread across the Middle East.

    Provavelmente a história se forja como as catástrofes naturais de acordo com os antigos: um mau alinhamento dos astros. Uma bela época coincidem um mentecapto no poder do mais forte Estado do planeta com o pico do radicalismo islâmico violento, e pronto, está um jantar de vários “dias interessantes” servido.

    Estabelecer como prioridade a democracia no mundo árabe actual e, em particular, na Palestina, é, de forma cada vez mais óbvia, um absurdo político aos olhos de todos. Mas tentar situar o que ocorreu na Palestina agora como sendo consequência da sempre absurda invasão americana do Iraque como faz Bruno Cardoso Reis n’O Amigo do Povo, termina por deixar escapar o fundo da questão. (Outra coisa é que no Iraque os Estados Unidos estejam de forma quiçá ainda mais explícita em vias de repetir o mesmo erro que na Palestina.) A necessidade de preparação dos alicerces de um estado de direito como passo prévio a qualquer democracia que se queira frutuosa (de bons frutos: maduros, não verdes). Brincar aos votos em um território ocupado é brincar com fogo, e os irresponsáveis que brincam com fogo… mijam na cama.

    Finalmente com a vitória do Hamas se concretiza a radicalização já bastante previsível da causa política palestiniana. A derrota da política pela violência. Esperar que este Hamas, defensor inequívoco do caminho violento como solução para o problema palestino, que nunca deixou de interpretar qualquer cedência israelita (veja-se a retirada de Gaza por parte de Sharon ainda recente) como uma vitória das suas bombas e uma demonstração de fraqueza por parte de Israel, se reconduza por seus próprios passos pelo caminho das negociações políticas e modere o seu discurso e métodos, é enxovalhar-se na lama da própria inocência. E não sou só eu que o vê assim, creiam-me, os primeiros a olharem para as coisas assim são os próprios líderes do Hamas…

    Haverá quem, como o Luis do Aspirina B, queira traduzir tudo em socialismos vários, e defenda que devemos descobrir o Hamas como uma ONG caritativa, e que apenas acontece possuir uma ala de activos terroristas… Não nego que a inteligência da militância social do Hamas foi absolutamente fundamental para conseguir obter os resultados finais que obteve, mas “tentar perdoar” (que é o que corresponde ao tom do post do Luis) uma organização terrorista por além de pôr bombas e matar muitas pessoas também ter creches e hospitais é um erro. Serão estes provavelmente os mesmos que louvam o actual presidente do Irão por haver dado sopa aos pobres enquanto presidente da câmara de Teerão…

    O que se esquece por aqui é o cáracter essencial do radicalismo islâmico, que organizações terroristas totais como o Hamas, ou a teocracia socialista de Komeini, não fazem mais que reproduzir. O Hamas dá a sopa, te salva da fome, da doença, te dá trabalho, te põe dinamites ao redor da cintura, te leva até uma paragem de autocarros escolares, e… O Hamas é uma ONG, é um grupo terrorista, é uma organização religiosa e um partido político. É a morte do individúo mas quer lhe convencer que na verdade é a sua vida eterna. O Islão numa das suas várias faces mais radicais.

    Querer situar então o Hamas, a sua fundação e a sua essência como mero contrapeso a um corrupto Arafat como faz outra vez Luis no Aspirina B:

    É ignorar a própria génese do movimento, surgido como oposição à notoriamente corrupta entourage de Arafat e então apoiado discretamente por… Israel.

    Isto sim é ignorar o cerne do problema que o Hamas representa. Um Hamas que aliás foi fundado como contrapeso a um Arafat demasiado secular, ou seja, corrupto do ponto de vista religioso pelos radicais muçulmanos egipcios e saudís. Com o Hamas Palestina se alinha com o mundo radical muçulmano que advogando pelo fim do estado de Israel foge do pragmatismo, e dificulta, para não dizer impossibilita, a resolução do seu dramático problema. Um problema que por acaso também é pelo menos em uma pequena mas importante parte, de todos nós.

  22. Meu Caro Bin Nadem,

    Se eu andasse atrás dos teus “trackbacks” o mais certo era acabar no pelourinho do Samouco, esfalfado e a precisar de meter água. Não te vou aconselhar a ler ninguem para te encher essa cabeça com materiais “elucidativos” àcerca da luta do povo palestiniano, que não tem, rigidamente, nada a ver com os interesses “profundos” e particulares dos partidos que dizem representá-lo. E convence-te disto para teu bem, que é, afinal, o bem de conservarmos a cabeça fria: um terço do que lês, mesmo na Internet, é para te confundir; e outro terço para te convencer que ninguem te quer confundir. É no resto que tens de procurar a verdade. Usa um crivo e não faças muitas ondas porque mesmo assim ainda podes ser enganado.

    Só há uma lógica na política: a lógica da suprema intriga. E não me digas que nunca ouviste falar disso porque senão desiludes-me. O que se passa na Palestina, e no resto do mundo árabe a braços com um fundamentalismo politicamente pre-fabricado, é, muito provàvelmente (repara no extremo cuidado que estou a pôr nisto), decidido em Londres, Paris, Washington e Geneva – a do famoso lago onde o rei Fecal da Arábia Maudita se refugia quando anda com medo que o matem a golpes de siroco sufocante.

    Com o devido cuidado que a situação pede, e salvaguardando o direito que tens a mudar de opinião mais tarde, acostuma-te à ideia de que o Hamas, antes (só?) da Intifada foi encorajado e financeiramente ajudado pelo Governo de Israel. Claro que os recibos dessas “transacções” não abundam. Tudo pela socapa. Mas havia chocolates para todos. E porquê? Porque estratègicamente, é óbvio, que a Israel interessa muito mais combater um inimigo fundamentalista desvairado (fàcilmente apodado de fanático pela opinião publica internacional muito importante em termos de propaganda) que combater um inimigo que se agarra à pátria e ao nacionalismo (caso de Arafat e sucessores). See? Now back to work.

  23. Ninguém pôs em causa o holocausto (ainda que os numeros possam sempre ser discutidos pelos historiadores). O que o presidente iraniano (democraticamente eleito) disse foi que os ocidentais, autores do holocausto, tinham transformado este num mito que colocavam acima da própria religião. Ora, se eu disser, por exemplo, que Marylin Monroe é um mito, não estou a negar que ela existiu…

    E tanto não negou o holocausto que recomendou aos autores desse crime que o reparassem dando terras roubadas à Alemanha (a Prussia oriental, Konisgberg/Kallinigrado seria uma óptima solução) aos judeus, se estes quisessem ter um estado próprio, E NÃO TERRAS ALHEIAS DE POVOS QUE AÍ VIVEM HÁ MILHARES DE ANOS E QUE NÃO ESTÃO DE MODO NENHUM IMPLICADOS NO HOLOCAUSTO, BEM PELO CONTRARIO: SEMPRE ACOLHERAM OS JUDEUS, SEMITAS COMO ELES, DAS PERSEGUIÇÕES CRISTÃS.

    O MUNDO MUÇULMANO NÃO TEM LIÇÕES DE MORAL NEM DE ANTI-RACISMO A RECEBER DE CRIMINOSOS ANTI-SEMITAS que apoiaram a solução sionista, verdadeiro crime contra a humanidade. e que hoje continuam a dar largas ao seu asqueroso anti-semitismo massacrando centenas de milhares de árabes e roubando as suas riquezas naturais. Quem massacrou deve indemnizar com as suas terras, NÃO com as de terceiros inocentes. É simples, e Amadhinejad tem toda a razão. Por isso é que ninguém lhe respondeu… Embatucaram…

  24. A teologia neocon de Bush sofre mais um revés com a vitória de Hamas por maioria absoluta nas eleições legislativas palestinas. Bush comentando os resultados se referiu como sendo tempos interessantes estes em que vivemos…

    “And so it was an interesting day yesterday in the — as we’re watching liberty begin to spread across the Middle East.”

    Provavelmente a história se forja como as catástrofes naturais de acordo com os antigos: um mau alinhamento dos astros. Uma bela época coincidem um mentecapto no poder do mais forte Estado do planeta com o pico do radicalismo islâmico violento, e pronto, está um jantar de vários “dias interessantes” servido.

    Estabelecer como prioridade a democracia no mundo árabe actual e, em particular, na Palestina, é, de forma cada vez mais óbvia, um absurdo político aos olhos de todos. Mas tentar situar o que ocorreu na Palestina agora como sendo consequência da sempre absurda invasão americana do Iraque, termina por deixar escapar o fundo da questão. (Outra coisa é que no Iraque os Estados Unidos estejam de forma quiçá ainda mais explícita em vias de repetir o mesmo erro que na Palestina.) A necessidade de preparação dos alicerces de um estado de direito como passo prévio a qualquer democracia que se queira frutuosa (de bons frutos: maduros, não verdes). Brincar aos votos em um território ocupado é brincar com fogo, e os irresponsáveis que brincam com fogo… mijam na cama.

    Finalmente com a vitória do Hamas se concretiza a radicalização já bastante previsível da causa política palestiniana. A derrota da política pela violência. Esperar que este Hamas, defensor inequívoco do caminho violento como solução para o problema palestino, que nunca deixou de interpretar qualquer cedência israelita (veja-se a retirada de Gaza por parte de Sharon ainda recente) como uma vitória das suas bombas e uma demonstração de fraqueza por parte de Israel, se reconduza por seus próprios passos pelo caminho das negociações políticas e modere o seu discurso e métodos, é enxovalhar-se na lama da própria inocência. E não sou só eu que o vê assim, creiam-me, os primeiros a olharem para as coisas assim são os próprios líderes do Hamas…

    Haverá quem, como o Luis, queira traduzir tudo em socialismos vários, e defenda que devemos descobrir o Hamas como uma ONG caritativa, e que apenas acontece possuir “uma ala de activos terroristas…” Não nego que a inteligência da militância social do Hamas foi absolutamente fundamental para conseguir obter os resultados finais que obteve, mas “tentar perdoar” (que é o que corresponde ao tom do post do Luis) uma organização terrorista por além de pôr bombas e matar muitas pessoas também ter creches e hospitais é um erro. Serão estes provavelmente os mesmos que louvam o actual presidente do Irão por haver dado sopa aos pobres enquanto presidente da câmara de Teerão…

    O que se esquece por aqui é o cáracter essencial do radicalismo islâmico, que organizações terroristas totais como o Hamas, ou a teocracia socialista de Komeini, não fazem mais que reproduzir. O Hamas dá a sopa, te salva da fome, da doença, te dá trabalho, te põe dinamites ao redor da cintura, te leva até uma paragem de autocarros escolares, e… O Hamas é uma ONG, é um grupo terrorista, é uma organização religiosa e um partido político. É a morte do individúo mas quer lhe convencer que na verdade é a sua vida eterna. O Islão numa das suas várias faces mais radicais.

    Querer situar então o Hamas, a sua fundação e a sua essência como mero contrapeso a um corrupto Arafat como faz outra vez Luis:

    “É ignorar a própria génese do movimento, surgido como oposição à notoriamente corrupta entourage de Arafat e então apoiado discretamente por… Israel.”

    Isto sim é ignorar o cerne do problema que o Hamas representa. Um Hamas que aliás foi fundado como contrapeso a um Arafat demasiado secular, ou seja, corrupto do ponto de vista religioso pelos radicais muçulmanos egipcios e saudís. Com o Hamas Palestina se alinha com o mundo radical muçulmano que advogando pelo fim do estado de Israel foge do pragmatismo, e dificulta, para não dizer impossibilita, a resolução do seu dramático problema. Um problema que por acaso também é pelo menos em uma pequena mas importante parte, de todos nós.

  25. Os dois pesos e duas medidas dos antisemitas deste blogue…

    Se De Gaulle, Xanana, Cabral e Mandela também foram considerados, pelos nazi-fascistas-apartheidescos, “terroristas” por defenderem a luta armada contra o ocupante, será excessivo considerar que os que hoje acusam o heróico Hamas de “terrorista” são também nazi-fascistas apartheidescos ?

    Se os nazi-sionistas não querem ceder Jerusalém leste e a maior parte da Cisjordânia (que já só representa 20% da Palestina histórica) e só aceitam libertar provisoriamente alguns desgarrados bantustões ou guettos cercados de arame farpado e muros de oito metros de altura, sem soberania, exército e controlo de fronteiras, QUE OUTRA ALTERNATIVA RESTA AO POVO PALESTINIANO SENÃO A LUTA ARMADA PARA LIBERTAR COMPLETAMENTE A PÁTRIA DOS CRUZADOS SIONISTAS ? Há alguma coisa a negociar com as SS Tsahal ? Nada, a não ser a capitulação.

    Matar civis ? Mas o que fazem os sionistas senão isso e a triplicar ? E os EU não mataram deliberadamente civis em Hiroxima, Dresden e Nagasaqui ? E agora mais de 150.000 no Iraque ? Então ? Os ocupados não podem matar ladrões de terras ocupantes vingando assim os seus mártires ? Dois pesos e duas medidas ? Todo o israelita que aceita viver numa terra roubada e limpa étnicamente pela força dos seus habitantes legítimos é um terrorista e alvo legitimo da heróica resistência palestiniana. São as leis da guerra.

    E quem aqui defende a capitulação do povo palestiniano aos ladrões das suas terras é um porco nazi-sionista. Tal capitulação numca terá lugar. E a libertação completa da Palestina é uma questão de tempo ! Os criminosos de guerra das SS Tsahal serão julgados e decapitados. Não perdem pela demora.

  26. Por acaso também escolhi a foto que aqui está a acompanhar este interessante texto.Que pessoa serei, segundo jph(glória fácil)?

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