
O poder da fotografia num mundo dominado pelo vídeo
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O caluniador pago pelo Público, na cegueira do ódio com que constrói a sua marca, meteu-se num caneiro donde não se sabe quando e como conseguirá sair. A avaria que o levou para lá tem por título Dias Loureiro, a justiça e o jornalismo e consiste na escrevinhação desta pérola (assinada como “jornalista”): Daniel Proença de Carvalho, presidente do conselho de administração do grupo Global Media (Diário de Notícias, Jornal de Notícias e TSF), obriga os trabalhadores com cargos de direcção e alguns avençados da opinião a sujeitarem-se às agendas de dois corruptos como Dias Loureiro e Sócrates, com os quais o Proença advogado tem e teve ligações profissionais e pessoais, estando este de Carvalho intencionalmente a contribuir para que o Ministério Público perca a actual liberdade (dada por Passos, Relvas, Portas e Paula Teixeira da Cruz) para investigar a bandidagem socialista e acabe por voltar aos tempos anteriores (quando Sócrates era primeiro-ministro) em que a Procuradoria-Geral da República não passava de um antro de corruptos ao serviço dos maiores criminosos que existem em Portugal. Isto foi escrito por um fulano que, para além do fel paranóide e pura canalhice com que trata o carácter de terceiros e do impante desprezo pelo Estado de direito que exibe enquanto liberal de pacotilha, aparenta também ignorar ser pago pela TSF, ignorar as posições políticas de Paulo Baldaia ao longo dos anos, ignorar que a TSF de Proença de Carvalho quis ter David Dinis como director (saiu porquê? foi censurado? pelo dinheiro da Sonae? gosta mais de jornais do que da rádio? encontrou a TSF cheia de socráticos a preparar um golpe por TGV?), ignorar a absoluta liberdade com que a TSF e a TVI (que ele não refere no sofisma como sonso desonesto que é) tanto exibem um programa onde se cultiva a obsessão caluniosa com Sócrates (Governo Sombra) como dão voz a Sócrates de acordo com as peripécias da judicial, social e politicamente importantíssima “Operação Marquês”. O caluniador pago pelo Público queixa-se por não viver num país com “delação premiada”, “figura do enriquecimento ilícito” e as cadeias cheias de corruptos – pelo menos, de alguns que persegue há anos. Afinal, ele abre os olhinhos e consegue vê-los à vista desarmada, eles andam por aí e até dão entrevistas a certos jornais amiguinhos. Isto deixa-o furibundo, pelo que trata de sacar mais uns cobres a teclar de forma a conseguir suportar esta choldra. Só que, desta vez, talvez tenha ido longe de mais. Talvez, dependerá da tolerância ou misericórdia dos seus alvos – Paulo Baldaia já mostrou que a coisa se resolve num bate-boca.
Como faz amiúde, o caluniador pago pelo Público foi encontrar alhures o conteúdo e a gana para conspurcar mais um bocadinho o semipasquim (afinal, o homem ganha aquilo com que se compram os melões assim, fazendo isto que faz). No caso, o que o encheu de bravura foi o texto, saído dois dias antes, de um caluniador muito mais importante do que ele: Eu não dou para o peditório de São Dias Loureiro. Aqui, o Zé Manel apresenta a mesmíssima teoria da conspiração: Daniel Proença de Carvalho usa a Global Media para favorecer os interesses de Sócrates e Dias Loureiro, desse modo sendo um espectacular cúmplice destas duas celebridades da alta corrupção. A tese é a de que o Daniel se serve do seu poder na comunicação social para atacar a Justiça e contribuir para que em Portugal a corrupção não possa ser punida por nos faltar a “delação premiada” e, quiçá, os autos-de-fé e um tribunal popular em cada bairro com abundante cordame armazenado para o gasto. Neste texto, aquele que foi fundador e director do Público (as voltas que a falta de vida dá), apela a que se leia outro texto da sua lavra – O livro de Saraiva e a hipocrisia dos jornalistas – onde detalha a calúnia usando como pretexto para as difamações um livro porcalhão e cometendo a proeza de dar o esgoto a céu aberto como referência a seguir para o tratamento mediático de Sócrates. Como é óbvio, o caluniador pago pelo Público não resistiu à pulsão de imitar o mestre.
Curiosamente, é o próprio Zé Manel quem nos ajuda a perceber como é que conseguiu reunir material para mais um prego no caixão onde enterrou a decência. Ao convocar Francisco Teixeira da Mota como autoridade jurídica – Navegar à bolina entre o direito comercial e o direito penal – chegamos a um tipo de caluniador altamente sofisticado. Apreciemos esta mimosa falácia:
"Isto é, nos termos da lei processual em vigor no nosso país, o MP, ao arquivar um processo, pode ter concluído que o arguido não praticou o crime (não estava lá, era impossível, tem um álibi inatacável), ou não houve mesmo crime (o objecto roubado, afinal estava guardado noutro lugar) e arquiva nos termos do n.º 1 do Art.º 277.º do Código do Processo Penal (CPP); ou pode ter concluído que os indícios que recolheu, seja da existência do crime, seja de quem o praticou, não foram suficientes e arquiva nos termos do n.º 2 daquele mesmo artigo.
No caso do processo em que era arguido, entre outros, o ex-ministro e ex-conselheiro de Estado Dias Loureiro, o MP arquivou o processo expressamente nos termos do Art.º 277.º n.º 2.º, isto é, não conseguiu obter indícios suficientes da prática de crime, mas não concluiu que não existia crime, nem que os arguidos no processo não o tinham praticado."
Eis o que a reputada fonte de ciência judicial está a dizer que a Lei diz: nos casos em que os arguidos não cheguem a ser acusados por falta de provas para tal, a dúvida sobre a sua inocência deve permanecer como suspeita validada pelas autoridades até ao fim dos tempos sem qualquer possibilidade de recurso. Foi aqui que o Zé Manel encontrou o terreno sólido onde podia levantar mais uma pulhice:
"Como Francisco Teixeira da Mota já explicou, com uma competência que não tenho, nos termos do art.º 277 do Código do Processo Penal (CPP) só há duas formas de arquivar um inquérito: concluir que não houve crime ou que o arguido não praticou o crime (n.º 1) ou concluir que os indícios recolhidos não foram suficientes para formular uma acusação, mesmo subsistindo suspeitas fundadas (n.º 2 do mesmo artigo)."
Como diz que disse? No texto da Lei não está nada que permita ao Ministério Público, no despacho de arquivamento de um inquérito à luz do n.º 2 do Art.º 277 do Código do Processo Penal, deixar para memória futura o rol das suspeições que ocuparam as cabeças dos procuradores e demais envolvidos no processo pela parte da investigação. E não está pela mais lógica das razões, a de não se ter conseguido provar que aquele arguido foi responsável seja pelo que for considerável ilegal – logo, a sua condição de inocente permanece intocável, independentemente do acervo de material probatório recolhido pelo inquérito, e deve ser defendida pelo Estado até ao máximo que for possível usando para o efeito a força da mesma Lei que o considerou legítimo suspeito. No entanto, o Chico Mota parte destemido e descontraído para a defesa da inclusão das suspeições no despacho de arquivamento, marimbando-se para o texto da Lei e seus limites interpretativos. Nessa operação, revela que o seu espaço mediático no semipasquim funciona a partir da construção retórica de uma percepção pública de jurisconsulto para efeitos de propagação de opiniões persecutórias. Quão persecutórias e com que alvos? Eis um exemplo rutilante tirado do mesmo exercício que inspirou o Zé Manel:
"A certa altura, a imagem que me ocorreu foi a da situação de uma pessoa que, afirmando querer simplesmente ir do Largo do Rato ao Marquês de Pombal para ganhar milhões, fez questão de passar por Setúbal ou por Fornos de Algodres, mudando de veículo várias vezes, distribuindo elevadas verbas nos apeadeiros e, conseguindo, no final, não chegar ao Marquês de Pombal e perder milhões!"
Ir do Largo do Rato ao Marquês para ganhar milhões. Bem esgalhado, pá. Apesar de sofisticada, esta vedeta não prima pela subtileza. Também ele os topa a todos, os corruptos que se abrigam debaixo do manto protector do Proença de Carvalho e quejandos. É por isso que se consola com a justiça possível num Estado entregue aos mafiosos, isso de, pelo menos, alguém conseguir mandar umas bocas para o ar enquanto se ilibam mais uns criminosos de colarinho branco por culpa dos políticos corruptos, ’tá claro. É este o caldo decadente que permite a vários “jornalistas” satisfazerem os seus rancores pessoais enquanto enchem os bolsos e passam por ter uma profissão. O nome deste negócio onde há quem pague para que se produzam conteúdos atentatórios da honra alheia com público garantido é “indústria da calúnia”. Este Teixeira da Mota, embora com a discrição dos grandes hipócritas, faz garbosamente parte dela.
Dito isto, e deixando de lado a miséria ética do ataque do Zé Manel ao Dias Loureiro sem referir os nomes Cavaco Silva e Passos Coelho e achando que já nos esquecemos do que fez e não fez no Público ao longo de vinte anos, há que louvar a denúncia que o Sr. Francisco deixa no final da sua ficção. Era tão bonito que ele fizesse alguma coisa a respeito, não era?
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Andebol, desporto onde os jogadores passam o tempo a mandar uma bola uns para os outros com as mãos e só com as mãos. Talvez por causa do modesto aparato viril, ver marmanjos em calções nestas duvidosas figuras levou as másculas claques do Porto e do Benfica para dois episódios que transcendem a modalidade, os clubes respectivos e até o desporto em geral pela violência simbólica e emocional que configuram.
As direcções do Porto e do Benfica fizeram de imediato declarações onde censuram as ocorrências e assumem uma qualquer responsabilidade moral pelos actos dos seus adeptos, quiçá também sócios. Só que não chega, é curto e, não passando do mínimo dos mínimos, fica como cumplicidade tácita. A natureza e dimensão daqueles cânticos não pede tão-só raspanetes aos miúdos e graúdos armados em miúdos que, coitados, são tontos. Acontece que aqueles precisos cânticos têm uma história, uma dinâmica e uma cultura, as quais estão intimamente ligadas à importância social e económica – portanto, também política – dos clubes “de futebol”.
Celebrar a morte de um adepto rival num acidente causado por um outro adepto do nosso clube não é estar a reinar com uma metáfora do assassinato. É usar essa morte, e o sofrimento que causou à família e amigos da vítima, mais à comunidade em geral por uma perda trágica e absurda, para expressar um desejo de destruição colectiva. E usar um terrível e histórico acidente que vitimou um clube estrangeiro com o qual não há nem haverá rivalidades desportivas para atacar os adeptos e equipa de um clube rival implica uma operação cognitiva de alta abstracção. Esses indivíduos tiveram de apagar qualquer laivo de empatia que ainda tivessem para com as vítimas reais do Chapecoense de modo a transformá-las numa irrealidade, numa ficção cuja existência fosse apenas tangível nos ecrãs, para assim manifestarem festivamente a sua pulsão assassina. Estamos perante rituais de guerra que ficam como monumentos da desumanização radical que os clubes aceitam e promovem nas claques por razões directamente associadas à cultura dos dirigentes e à mercantilização do desporto transformado em mero espectáculo.
Há algo a fazer aqui. Para começar, expondo a qualidade cívica dos dirigentes destes clubes com tanto protagonismo mediático e social. São eles que permitem esta violência, que se servem dela, que a alimentam. E, para acabar de vez com a praga, fazendo dos estádios e recintos desportivos campos de coragem colectiva contra a fatal estupidez dos estúpidos.
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The President’s “Enemy” Rhetoric and the Press
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Under Challenge: Girls’ Confidence Level, Not Math Ability Hinders Path to Science Degree
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25 is ‘golden age’ for the ability to make random choices
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‘What do old books smell like?’ Preserving smells as important cultural heritage
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Ant agricultural revolution began 30 million years ago in dry, desert-like climate
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Expressing Gratitude Makes Us Healthier. Who Wouldn’t Be Grateful for That?
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Porquê (re)publicar esta inanidade? Porque não? Afinal, ela existe. Este António Nogueira Leite existe mesmo, apesar da evidência em contrário exibida acima. É que não se acredita que um passarão deste calibre ocupe parte dos seus neurónios com a recordação de uma parvoeira qualquer que um tal “Valupi” escreveu num blogue perdido nas catacumbas da Internet, já nem o próprio autor do não sei quê se lembra quando.
“Who is Valupi?”, pergunta o esforçado parceiro da inanidade procurando impressionar o “Prof. Nogueira Leite”. Trata-se de um erro fruto das suas más leituras. A boa pergunta é: “Who is Nogueira Leite” e quanto tempo falta para que um dos mais pícaros cavalheiros de indústria do regime verta em livro as suas memórias? Aposto que o cobardolas que se esconde atrás do Valupi teria coragem para ler algumas páginas do que seria uma instantânea besta célere sobre a ensinança de bem cavalgar toda a sela.
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A concomitância do acórdão sobre um recurso de Armando Vara e do despacho de arquivamento do inquérito a Dias Loureiro permitiu captar um luminoso registo da hipocrisia política e cultural que molda o espaço público. O objecto de estudo chama-se Marques Mendes. Eis o que ele consegue verter de rajada em 5 minutos:
– Armando Vara está a ser alvo de uma mudança de paradigma nos tribunais portugueses. Essa mudança na Justiça é positiva, é até excelente. Resulta de três factores: (i) “acabou a impunidade”; (ii) “a sociedade exige punições mais pesadas para os crimes de colarinho branco”; (iii) “os tribunais querem impor uma cultura do exemplo”.
– Dias Loureiro está a ser vítima de um mau funcionamento da Justiça. A começar pela duração do inquérito, oito anos, e a terminar nas suspeições que a procuradora incluiu no despacho, impossíveis de esclarecer e apagar. “Na Justiça não se pode agradar a gregos e troianos, isso é na política“.
Face a esta importante figura da nossa elite política e mediática estava uma jornalista que concordava com tudo o que lhe aparecia à frente. Para ela, a cena com o Vara era fixe, a cena com o Loureiro era foleira. A respeito do primeiro, a sua preocupação era a de saber se o bandido ainda poderia escapar aos merecidos 5 anos na choldra. A respeito do segundo, ela queria apuramento das responsabilidades, castigos para quem fez mal ao senhor. Ora, porquê esta atitude? Porque lhe disseram que ela está ali só para concordar? Porque calhou haver uma sintonia de pensamento entre a sua pessoa e a do comentador? Mas mesmo que haja concordância, por que caralho acha esta jornalista que o deve expressar e – o que é deontologicamente crucial – por causa disso abdicar de ser crítica perante as declarações que está a ouvir? Nunca o saberemos.
Marques Mendes não gosta de Armando Vara, por várias razões, e gosta de Dias Loureiro, por várias ligações. A partir desta configuração afectiva, os seus raciocínios decorrem da seguinte forma:
– Armando Vara indivíduo, sujeito e pessoa desaparece, desaparecendo igualmente a realidade concreta do seu processo judicial, ficando apenas a sua dimensão de condenado em tribunal. Este é um exercício de abstracção que permite depois o enfoque e realce numa abstracção superior, a da “Justiça”, dos “tribunais”, dos “juízes”, os quais são apresentados como um colectivo. O uso da expressão “mudança de paradigma” intenta diluir a responsabilidade individual dos juízes que condenaram Armando Vara num processo específico, com umas certas provas e não outras, com uma certa interpretação dessas provas e não outra, com uma certa valoração jurisprudencial dos crimes implícitos e não outra. Por cima disto, Marques Mendes justifica a lógica da “mão pesada”, explicando que se trata de um agravamento penal bondoso pois está a nascer de uma suposta “impunidade” que reinava no passado, e também da crise económica que afligiu e aflige tantos e a qual pede corpos dos ricalhaços pendurados pelo pescoço nas árvores, e, por fim, do papel paternalista que não só esperamos como desejamos que os juízes tenham em relação à sociedade, a qual está cheia de malandros a precisarem de castigos “exemplares.” O que está aqui implícito nesta juliana de pressuposto populistas, demagógicos, facciosos, maniqueístas e retintamente mentirosos dava para um “Prós e Contras” com a duração de seis meses em emissão contínua.
– Dias Loureiro indivíduo, sujeito, pessoa é posto em primeiro plano no confronto com as decisões da Justiça. Aqui, os actos do Ministério Público são inadmissíveis por estarem a violar os direitos de um dado cidadão. Nenhuma justificação abstracta pode ser invocada para legitimar o ataque aos bens concretos que foram atacados no despacho de arquivamento. O poder da abstracção é utilizado para defender o indivíduo contra os malefícios concretos oriundos de alguém particular na instituição. De repente, a aludida “mudança de paradigma” que justificava a “mão pesada” contra os crimes económicos de um tal Vara desaparece por completo do radar. Mendes ergue-se feito um leão contra o Ministério Público porque este não reuniu prova sequer para avançar com uma acusação. É todo o Estado de direito que está a ser conspurcado e isso ele não admite, seja com Dias Loureiro, seja com quem for, o mais borrabotas.
Será? Acontece que não sabemos o que Marques Mendes pensa acerca do modo como se chegou a uma justificação para os supostos crimes de Vara, e isto ainda antes, muito antes, de analisarmos a gravidade da pena face à matéria do eventual ilícito. Sabe Mendes se, de facto, houve algum crime cometido por Vara? Ou ainda melhor, conhece Mendes alguma prova de que Vara recebeu dinheiro do sucateiro? Nem ele conhece nem conhece o tribunal que condenou Vara, mais o outro que confirmou a pena. Vão meter Vara na cadeia durante 5 anos sem haver certeza de ter ocorrido uma qualquer ilegalidade. Onde está a paixão de Mendes pelo Estado de direito face a um processo que usa a liberdade de um cidadão como meio para agendas políticas e corporativas? Quem permitiu aos tribunais essa “mudança de paradigma” celebrada por Marques Mendes na ocasião em que a vê seleccionar um seu adversário político para o castigar muito para além da racionalidade judicial?
As circunstâncias em que toda a sociedade, todo o regime, está a aceitar que se trate Vara deste modo são fáceis de expor. E contam-se pelos dedos de meia mão aqueles que revelam colocar o primado da Lei democrática e da decência comunitária acima das paixões e da decadência.
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A entrevista a Dias Loureiro – “Temos um Presidente com opinião sobre tudo menos os direitos fundamentais dos cidadãos” – oferece duas passagens geradoras de granítico silêncio no comentariado, seja à direita ou à esquerda:
- À boca pequena toda a gente diz que há uma central de informação em tal lado, as pessoas são estas e aquelas... Eu não vou dizer porque ainda vou ter outro processo a seguir, porque não posso provar também, não é? Mas nada acontece, a justiça tem sido incapaz de se investigar a ela própria nas coisas mais comezinhas.
- Cortei com um só amigo, um grande amigo. Um amigo a quem devotei uma amizade incondicional nos últimos 32 anos. Um amigo a quem dei, em tudo, o melhor de que fui capaz. Admirava-o como pessoa e como político. Continuo a admirar a sua obra política como primeiro-ministro. Falo do professor Aníbal Cavaco Silva. Da pessoa. Não lhe falei durante todo o segundo mandato presidencial e quando terminou as funções procurei-o para lhe dizer por quê me afastei dele. Disse-lhe que fui sempre leal à amizade que lhe dediquei. Disse-lhe que ele não o foi em relação à amizade que eu esperava dele. Disse-lhe que tenho a consciência tranquila. Agora a vida segue. A dele e a minha. Sem rancor. Às vezes lembrarei a mágoa.
Na primeira citação, Dias Loureiro está a declarar que tem conhecimento dos nomes dos agentes de Justiça que cometem crimes em conluio com jornalistas e órgãos de comunicação social. E acrescenta que essa informação a que se refere está na posse de muitos que a repetem em círculos privados, na “boca pequena”. Na segunda citação, Dias Loureiro humilha Cavaco Silva e mostra qual dos dois é que detém o poder dentro da relação. Pista: não é o orquestrador da “Inventona de Belém”.
Antes de irmos às ilações que estas duas citações legitimam, uma nota sobre a figura. No seio do PSD sabe-se muitíssimo bem como é que o Manuel de Aguiar da Beira subiu dentro do partido. Corriam anedotas ao longo das décadas sobre os tempos de Coimbra que eram contadas por militantes e dirigentes laranjas. Este aparato sórdido, pois as histórias eram sórdidas, ligava-se com a percepção de que ele se tinha tornado na eminência parda do cavaquismo. E o que foi o cavaquismo? Foi algo sem o qual não teria nascido o BPN, por exemplo, daí a teia de relações entre os seus protagonistas, os da corte de Cavaco e os do banco, sendo que nalguns casos eram exactamente os mesmos. Donde, quando rebentou a crise do BPN, e se deu a intervenção do Ministério Público, muito boa gente jurava que seria impossível tocar em Dias Loureiro. A lógica sendo a de que, se ele caísse, inevitavelmente cairia Cavaco. E jamais a oligarquia deixaria que isso acontecesse. Os factos vieram dar razão a estas profecias, pois Dias Loureiro acaba de ver um bizarro e escandaloso despacho de arquivamento a, para todos os efeitos práticos, ilibá-lo de crimes que o Ministério Público mantém terem acontecido por sua responsabilidade, por um lado, e Cavaco permite-se gozar com o regime e a comunidade, vindo mentir pateticamente a respeito de um crime que igualmente cometeu, pelo outro. Do ponto de vista da opinião, são dois escroques. Do ponto de vista da Lei, dois inocentes. E é a Lei o que mais importa.
Voltando às ilações, a primeira consiste nesta constatação: nem quando um cidadão declara ter conhecimento da prática de crimes e de quem são os criminosos tal impele o Ministério Público a agir caso as implicações corporativas e políticas lhe desagradem. Joana Marques Vidal não quer saber se Dias Loureiro mente ou se está na posse de uma valiosíssima informação que permitiria, finalmente, apanhar um dos criminosos na origem das violações do segredo de Justiça? O corolário é o de que os partidos, o Governo e o Presidente da República ficam automaticamente na categoria de cúmplices pela sua passividade e silêncio. A segunda remete para a História de Portugal e, em particular, para a história de Cavaco Silva primeiro-ministro e Presidente da República. O que Dias Loureiro quis mostrar foi que o seu “grande amigo” o atraiçoou e que, portanto, há uma história secreta entre os dois que nunca veio a público. Conhecer essa história corresponderia a conhecer os meandros da oligarquia portuguesa dos últimos 30 anos.
Paulo Baldaia, honra lhe seja, foi a primeira figura grada da imprensa, e até agora a única adentro do meu conhecimento, a publicar uma opinião sobre o inadmissível despacho de arquivamento do inquérito a Dias Loureiro e Oliveira Costa. E nela deixa a pergunta que vai ao essencial de parte do que está em causa:
Alguém quer saber? Alguém com responsabilidade e poder para mudar o que está mal é capaz de explicar ao Ministério Público que um despacho de arquivamento não deve incluir um rol de acusações que a própria procuradora não pretende provar em tribunal?
O Estado de direito está a ser corrompido. Alguém quer saber?
Ora, ninguém quer saber. Ninguém quer explicar seja o que for ao Ministério Público que aluda, nem que seja no reverso das palavras ou pelo aroma, à defesa do Estado de direito e da cidadania, da dignidade e da liberdade. Ninguém. Alguém no Governo? Não temos conhecimento. Alguém nos partidos, qualquer partido? Não temos conhecimento. Alguém na academia? Talvez, mas, por favor, falem um bocadinho mais alto e com mais regularidade. Alguém em programas de televisão? Por vezes, mas sem conseguirem deixar de estar a representar para a televisão. Alguém na comunicação social, como aparentemente está aqui a fazer o Baldaia? Nim. É ler o seu texto e constatar como a intenção é boa mas a análise é superficial, a denúncia é pífia.
Não há escândalo perante um despacho escandaloso. Oito anos de investigação produziram uma sentença subjectiva que o Ministério Público deixa lavrada em esterco jurídico. A procuradora responsável pelo inquérito vem dizer à sociedade que os arguidos não devem gozar da presunção de inocência apesar da falta de provas para sequer avançar com uma acusação. Ficam para sempre condenados à suspeição, sem qualquer possibilidade de recurso ou cumprimento da pena.
Creio que o Paulo Baldaia, se está mesmo interessado neste assunto, pode contribuir com algo mais do que o meritório grito de indignação. Poderia, por exemplo, ajudar a compreender por que é que a Cofina/Correio da Manhã é esse esmagador fenómeno de popularidade e influência social que domina Portugal. Que alimenta um clima de caça a certos alvos políticos através de técnicas de calúnia que depois surgem referidas implicitamente pela própria Justiça para justificar certas penas. Tal como acaba de acontecer com Vara, um cidadão que se tornou num saco de encher no espaço público há anos e anos, o qual recebeu do Tribunal da Relação do Porto a confirmação de uma condenação inédita pela sua gravidade face aos supostos ilícitos em causa. Os juízes invocam um “sentimento de reprovação social” para com a criminalidade financeira que lhes serve para defenderem a pena de prisão efectiva durante 5 anos. Pois bem, onde foram esses juízes encontrar os indícios do tal sentimento de reprovação social? Houve reais, concorridas, sonoras manifestações nas ruas? Recebem correspondência da população a falar do assunto? Frequentam as redes sociais e andam a contar os comentários furiosos a esse respeito? Dispõem de qualquer metodologia estatística ou basta-lhes molhar o dedo na boca e esticá-lo à janela para saberem donde sopra o vento? Alguém faz a mais pequena ideia de quais sejam os processos sensoriais e cognitivos usados pelos juízes para detectarem “sentimentos”?
A Justiça portuguesa, tanto no Ministério Público como nos tribunais, está a ser fonte de crimes. A calúnia é crime. O preconceito pode ser criminoso ao gerar injustiças. Se o jornalismo não quiser ser cúmplice destes crimes tem de combatê-los fora das secções de opinião. Porque precisamos de outra munição. Precisamos de investigar aqueles a quem confiamos as investigações e os juízos sobre a liberdade e o património. É que a Justiça pertence ao melhor e mais fundo da política.
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Este blogue superou todas as expectativas a respeito da sua saúde. Algo tão inacreditável que até custa a acreditar.
O caluniador pago pelo Público escreveu uma suposta homenagem a Alexandra Lucas Coelho na hora da sua despedida do/pelo semipasquim – Adeus, Alexandra, e até já – em que 80% do palavreado é acerca de si próprio e os 20% restantes acerca de si mesmo enrolado na memória de uma Alexandra com 14 anos a menos passeando-se airosa em ambientes tórridos e aventureiros. O cenário é heróico, romântico, colocando-se em palco ao lado de “grandes estrelas da reportagem mundial” a acotovelarem-se sedentas mas impecavelmente penteadas no balcão dos uísques e coquetéis algures numa das cidades mais perigosas do Mundo. O registo alude em subtexto ao enredo do filme Casablanca depois de retirarmos o Bogart, a Bergman, o Curtiz, o piano e a Casablanca, deixando só o avião para Lisboa e uma homérica pilha com restos de frangos assados amontoada nas traseiras do Hotel Babylon. Quem procurar nos seus caracteres por alguma vírgula ou espaço em branco que se relacione ainda que lateral e remotamente com o contexto e lógica da saída da Alexandra do jornal onde o caluniador é vedeta celebrada terá mais sorte se for à procura de imagens da Nossa Senhora de Fátima estampadas nas farpelas dos peregrinos a Meca. Aliás, estritamente pelo que diz não é possível sequer saber se alguma vez leu alguma coisa da senhora, quanto mais descobrirmos se tem uma apreciação a respeito. O chuto dado numa das cronistas, escritoras e jornalistas mais relevantes de toda a imprensa escrita é tão-só carne para o canhão narcísico deste medíocre e fanático operário da indústria da calúnia.
Hoje, irrompendo desasado e cheio de dores após umas semanas em que não consumiu socrataína, publicou esta maravilha: Paulo Rangel e a “claustrofobia à Sócrates”. O puro delírio da tese, a de que a comunicação social portuguesa foi de alguma forma diminuída na sua liberdade por algo não identificado que governantes socialistas terão feito entre 2005 e 2011, atinge neste exercício a categoria de arte e passa a ser legitimamente um objecto que suscita admiração. No caso, é admirável que não haja dinheiro para Malheiros e Lucas Coelho, naquilo que outrora foi um jornal de referência pelas melhores razões, mas haja dinheiro (e quanto? adorava saber a como está a gramagem deste tipo de bosta) para um tipo de estupidez onde já se perdeu qualquer contacto com a realidade. Seria um espectáculo que me faria gastar os 10 euros que tenho no bolso esse de ver o caluniador a demonstrar como na RTP, na Público, no Expresso, no Correio da Manhã, na SIC, na TVI, no DN, no Sol, na TSF, na Sábado, na Renascença, no i e sei lá mais onde, entre 2005 e 2011, (i) “a esmagadora maioria dos directores e jornalistas era de esquerda” e (ii) as peças que essas vítimas produziram exibem as marcas de um “ambiente de claustrofobia democrática e condicionamento da liberdade”. Infelizmente, nunca o caluniador me dará essa oportunidade de gastar a nota nem há quem o confronte a pedir para ter módica vergonha nos dedos e na lábia.
Contudo, o mais importante na parceria caluniador-Público está na sua pulsão para Torquemada da política-espectáculo. Ele apela a que Vieira da Silva, Santos Silva e Pedro Silva Pereira sejam afastados de cargos políticos e presenças mediáticas e sejam julgados pela populaça com base nas sórdidas suspeições lançadas no espaço público pelos esgotos a céu aberto. Um crime de violação do segredo de justiça, uma parangona cuja intenção não passa de assassinato de carácter, é para este caluniador o suficiente para usar a sua carteira profissional de jornalista como parte de uma perseguição a certas pessoas que odeia. É que ele assina estes panfletos persecutórios como “jornalista”. Um jornalista interessadíssimo em conhecer a vida privada do filho de Pedro Silva Pereira por razões que o jornalismo desconhece e faz questão de não conhecer para, lá está, poder continuar a chamar-se jornalismo. Eis o meu conselho: inspira-te naqueles dias de Bagdade em que passavas risonho e altaneiro pelos pósteres das pornochanchadas para iraquiano ver, enquanto fazias tempo para mais uma sessão de perna ou peito (assados) com a Alexandra, e interroga pessoalmente o Pedro Silva Pereira acerca do seu filho e outros tópicos de fascínio para o teu decentíssimo “jornalismo”.
Força nisso. Não és qualquer. Estiveste em Petra quando os turistas tinham fugido por causa da guerra. Isto aconteceu. Turistas a bazarem pela esquerda baixa, tu a entrares pela direita com a dama ao lado. Foi lindo. Foi… lindo (não me ocorre outro adjectivo). Portanto, avança. Encosta o Pedro Silva Pereira à parede. Que merda é essa com o teu filho? Hã, pá? Desembucha, se queres continuar a aparecer na TV. Já não é possível ter dúvidas, chegou o tempo de também ele saber quem tu és e o que andaste a fazer ali por meados de 2003.
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No restaurante onde almoçamos, ouvi este norte-americano explicar à mãe do seu filho bebé que, provavelmente, iria votar Trump. A mãe talvez seja sul-coreana, e nada dizia. Ambos na casa dos trinta e poucos. O americano explicava-lhe o problema: Hillary era corrupta e só alguém capaz de fazer uma radical limpeza em Washington merecia o seu voto. Estávamos em finais de Outubro.
Nesta quarta-feira, o americano conversava com uma outra mulher, talvez colega dele, talvez brasileira. Falavam da saúde em Portugal, e quais as soluções disponíveis. A mulher explicava-lhe que tinha aderido a uma oferta qualquer privada e queria saber da sua experiência. O americano começou a explicar que estava surpreendido com a saúde pública em Portugal, a qual considerou de uma qualidade a anos-luz do cenário nos EUA. Contou que contrataram uma parteira para fazer o parto em casa mas que desistiram a meio por causa das dores. Então, rumaram à maternidade Alfredo da Costa, já com a dilatação em curso. Lá chegados, foram profissionalmente tratados e correu tudo bem. Deu outros exemplos de consultas e exames no sistema público e foi acrescentando elogios. Estava espantado e encantado. Depois passou para o diagnóstico da actual situação americana. Deu Nixon como o responsável pela mercantilização da saúde nos EUA, criando uma lei que permitia estar no lucro a principal finalidade dos serviços médicos à população americana. E chegou ao Obamacare, o qual explicou ao detalhe e onde reconheceu que, por sua causa, dezenas ou centenas de milhares de vidas tinham sido salvas porque, finalmente, essas pessoas tiveram acesso a um seguro de saúde que lhes permitiu usufruir de preciosos cuidados médicos. Fez então a comparação com o que os Republicanos defendem, o qual consiste no completo abandono daqueles que não possam pagar as seus necessidades de saúde ao preço de mercado. Citando-o de memória, há velhos escondidos a defenderem os interesses das grandes empresas e corporações que usam políticos jovens e bonitos, como Paul Ryan, para tentarem levar a sociedade e o eleitorado a aceitar políticas nojentas. Concluiu dizendo que Washington está nas mãos dos corruptos e que nada é possível ser feito, tal como se via com Trump que prometeu exactamente o contrário do que está a mostrar.
Este testemunho funciona como caixa de Petri onde podemos observar um processo cognitivo universal ligado com o desenvolvimento, maturação e crises das democracias numa idade pós-jornalística e amoral. No caso, o sujeito falante terá uma educação superior, está informado, inclusive em matéria histórica, e não se pode duvidar da sua boa intenção: ele gostaria que os políticos lhe aparecessem puros. Foi exactamente por isso, num paradoxo crucial para entendermos as últimas eleições americanas e várias na Europa, que preferiu um candidato desqualificado que lhe prometia uma utopia básica e instantânea, Trump, a uma candidata altamente qualificada que lhe prometia realismo e a devoção possível à causa pública, Hillary. É que a candidata com provas dadas quanto ao sentido das políticas benéficas para a maioria e para os mais pobres a assumir na sua governação era também para ele, e pelas mesmíssimas razões, a candidata comprovadamente corrupta pelo simples facto de ter exercido cargos políticos. Por sua vez, o candidato com provas dadas nas ilegalidades e imoralidades enquanto empresário era também para ele, e por inerência, o candidato capaz de fazer frente aos políticos dado nunca se ter misturado com os “corruptos de Washington”. Foi completamente enganado, gado para abate.
Se este americano se dedicar a estudar a história do Serviço Nacional de Saúde, para a qual terá de estudar o salazarismo e o 25 de Abril, é até possível que ainda venha a escrever uma carta a Hillary, e outra a Obama, a pedir desculpa pela sua tão populista, tão estúpida, cruz num certo boletim de voto.