Uma pequena adivinha

Há uma senhora muito conhecida que até foi gabada pelo seu colega de blogue “pela forma inteligente e corajosa como se tornou numa personalidade política nacional”. Ela gosta de perorar sobre política, mas também não dispensa a sua penada cultural: de Beethoven à poesia coreana, nada lhe escapa.
Agora, escreveu sobre um livro. Acontece é que, em vez de puxar pela cabeça em busca de opiniões originais, preferiu usar algumas passagens alheias, sem tal referir. Sempre sai mais barato e mais fácil do que comprar e ler o calhamaço.
Quem será a irrequieta figura de mistério?

De seguida, não lerão a solução do enigma; apenas mais alguns elementos do mesmo…

Uma passagem: “Os amigos mais próximos de Picasso, como Georges Braque e Guillaume Apollinaire, não se reuniram neste almoço já que se encontravam em recuperação, feridos na batalha.”
Num artigo estranhamente parecido:“Picasso’s greatest friends were not in these photos, and they were not free for lunch. Both Georges Braque and Guillaume Apollinaire were struggling to recover from injuries they had already suffered in the fighting.”

Outra: “Doze dias depois, Cocteau anuncia a colaboração de Picasso num ballet de Diaghilev, com música de Erik Satie. Assim foram para Roma, uns meses depois, e estrearam em Paris em Maio de 1917. Para Picasso representava uma reviravolta na sua carreira (…) contribuindo para o reconhecimento que teve entre as duas guerras.”
E a passagem correspondente: “Only twelve days later, Cocteau announced that Picasso had agreed to collaborate on a new ballet for Diaghilev, Parade, with music by Erik Satie. It took them to Rome in February 1917, premiered in Paris that May, and played a large role in making Picasso the phenomenon he became between the two world wars.”

O fecho do post é caso mais divertido: “Sobre o encontro, o autor das fotos escreveu no dia seguinte num bilhete para uma amiga:
‘Nada de novo, a não ser que Picasso me leva para a Rotonde. Nunca fico mais que um instante, apesar da lisonjeira acolhida do círculo (talvez deva dizer cubo)… Sentar demais em cafés traz esterilidade. Bati chapas de Picasso e Mlle. Pâquerette e dos jovens que não vão além de um julgamento do mundo segundo Mme. Bongard. Você verá as revelações’.”
É que o original foi escrito, como bem se nota, aliás, por um brasileiro: “Sobre o encontro o autor das fotos escreveu no dia seguinte num bilhete para uma amiga:
Nada de novo, a não ser que Picasso me leva para a Rotonde. Nunca fico mais que um instante, apesar da lisonjeira acolhida do círculo (talvez deva dizer cubo)… Sentar demais em cafés traz esterilidade. Bati chapas de Picasso e Mlle. Pâquerette e dos jovens que não vão além de um julgamento do mundo segundo Mme. Bongard. Você verá as revelações”
Além da tradução de um excerto do livro, veio por arrastamento a frase de introdução, tudo ipsis verbis

Claro está que não foi feita qualquer menção às fontes usadas.

17 thoughts on “Uma pequena adivinha”

  1. Factos são factos, e este está longe das subjectividades políticas. A menina Joana Amaral Pinto Correia é que provocou o post.

  2. povounido,

    Claro que tem tudo a ver. O Xico (é assim que eu o trato) ligou-me ontem e disse “ouve lá, camarada: temos de baixar a crista à Joana. Vê se inventas aí uma cena para dar cabo dela.” E assim foi: inventei esta acusação vil. E nem precisei de me lembrar que a senhora ainda há uns dias se mandou ao ar porque a sua homóloga cavaquista tinha faltado à verdade numa entrevista. Mas os pruridos éticos aparentemente podem ser suspensos quando se trata de criar uma máscara mais “cultural” e informada.

  3. Uma estagiária em oftalmologia que afinal não era, um plágio de cultura…
    assim vai o nosso centrão da juventude… onde isto vai parar…
    Se fossem outros amanhã abriam o telejornal…
    assim, não passa nada…

    tristes eleições estas…

  4. É evidente que a minha observação tinha a ver apenas com a referência à frase “pela forma inteligente e corajosa como se tornou numa personalidade política nacional “.
    Quanto ao resto, caro Luís, o xico não precisa do infamante telefonema, afinal para que vive ele rodeado de servos da gleba ?

  5. oh! Joana
    pensar que estiveste tão perto…

    heheheh

    e já agora, parabens ao Luís por mais esta caçada! é bom que o gamanço de “inteligencia” seja sempre denunciado

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