A verdadeira pornografia

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Vários artistas europeus exibem obras sobre a União Europeia nas ruas de Viena. Segundo o Expresso, a campanha está a “escandalizar os europeus”, nomeadamente um cartaz em que “uma mulher deitada de forma provocante exibe uma “lingerie” com a bandeira da União Europeia”. Estou de acordo que a ideia de colocar Chirac, Bush e Isabel II a fazer sexo em grupo é demasiado irrealista: não há viagra que tenha potência para alguém se conseguir excitar com tal partouze. Mas chamar pornográfico a uma mulher em poses provocantes é só estupidez e ignorância: se o editor do Expresso fosse um pouco mais culto saberia que a obra se baseia no célebre quadro de Gustave Courbet, de 1866, L’Origine du monde (Lacan foi o último proprietário privado desta pintura que se encontra, actualmente, na posse do Museu d’Orsay).
Era interessante analisar porque é que certas pessoas acham o sexo uma coisa horrível. Qual é a razão que a moral dominante encontra para achar normal exibir,a crianças, filmes em que todo o mundo se massacra alegremente, e defender que é condenável ver-se uma qualquer cena com um palmo de nudez?

Nota: depois de escrever o texto, li o DN que tinha referenciado correctamente a imagem. Do mal o menos, nem todos os jornalistas são tão ignorantes como os imagina Pacheco Pereira…

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