Rua do Monte Olivete

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Arranjo gráfico de Luiz Duran para a contracapa
da Antologia Tomai lá do O’Neill feita por
António Tabucchi para o Círculo de Leitores.

Vou lendo a Biografia de Alexandre O’Neill, de Maria Antónia Oliveira. E vou aprendendo. Sobre Lisboa, sobre o País. Estive ali, e não estive. Conheço aquelas ruas, da meninice escolar, da adolescência estival.

Rua do Monte Olivete. Aí vivia Noémia Delgado, primeira mulher de Alexandre. Aí vivia, mas um pouco mais acima, outra Noémia, a minha professora primária, a boa e rígida Dona Noémia Brito Moreira, que – no rescaldo do meu exame da quarta classe, e prevendo o meu futuro de marçano, que o extracto social (ah, ah!) mais do que justificava – esclareceu os examinadores de que «este menino» é que merecia ir para o liceu. Não fui, Dona Noémia. Conseguimos, vá lá, um ministro, Luís Filipe Pereira, o da Saúde, sob Durão Barroso. Vejo-o sorrir, sentado no chão, calças curtas, descontraído, na fotografia final.

Mas a geração de O’Neill já era outra. Quando eu, às cavalitas do meu pai, assistia ao enterro do Marechal Carmona, no Largo do Conde Barão, vendo passar ao longe, na Avenida D. Carlos, coisas lentas e negras, já O’Neill era O’Neill. Chegamos sempre tarde. Somos sempre, irremediavelmente, jovens.

E um livro faz-se consolação para tanto atraso.

5 thoughts on “Rua do Monte Olivete”

  1. Já agora convém lembrar que o O´Neill (ele mesmo) se considerou maior como pessoa a partir do momento em que viu na Feira Popular (ainda Mercado Geral de Gados) «uma mão que acenava» dentro de uma ramona. Essa mão chamava-o para a vida verdadeira e era de um trabalhador rural da zona de Coruche em greve pelas oito horas de trabalho. Está em UMA COISA EM FORMA DE ASSIM.

  2. Corrige o “extrato”, Fernando, o resto está um lindo postal de nostalgia com uns salpicos de mistério e revelação, no teu estilo teimosamente inimitável.

    E mostra-nos essa fotografia, se a tiveres contigo.

    TT

  3. Tiozinho,

    Está corrigido. De repente, «extrato» pareceu-me tão correcto… Quando for aprovado (o que Deus sustenha) o Acordo de 1990, é que as vamos ver.

    Amanhã terás aqui a foto. Com a Dona Noémia (já velhota, hoje teria uns 130 anos), com o Senhor Ministro (parece que foi competente e deixou saudades), talvez comigo. Comigo, decerto. Mas sem destaque. Sou um ser discreto.

  4. belo desenho com palavras .desenhas bem mas sera que es mesmo ou somente pensas ?sera que es, ou existeS?quem es nao sendo, quem é o teu verdadeiro eu ! essas palavras mascaram te seras um padre das tuas palvras que se agrupam a tua vontade ou a uma mentira descarada ,carnal qual é verdadeira verdade das tuas pelavras ,ou serao so um polianosmo umas das outras sera que andas em carrocel secalhar nao saiste do sitio tentando progredir com a tua ideia.que que acontece depois disso ? se tens a alma grande se descabido nao te lamentes avança quem es?

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