A Golpada

Desde que se prenunciou a eleição de José Sócrates, em 2005, que o País vive em permanente ambiente de golpada. E é em ambiente, agudo, de golpada que actualmente vivemos.

Trata-se, em suma, de derrubar o Primeiro Ministro eleito, substituí-lo por um dirigente do Partido Socialista, escolhido pelos Senhores jornalistas, para um Governo que se dedique a preparar as próximas eleições, de que saia vencedor um dirigente do PSD designado pelos Senhores jornalistas. De preferência, um Primeiro Ministro e um Governo suficientemente fracos que reconduzam o País ao habitual e apetecido estado de desgoverno em que ninguém governa e todos mandam, nos seus assuntos, a partir das suas quintas, tudo com o habitual embrulho de escândalos que vendem jornais e promovem jornalistas.

Os golpistas – que visam irrelevar os efeitos, jurídicos e políticos, de uma eleição, anular o sentido do voto dos portugueses – acoitam-se em duas corporações, sem sombra de legitimidade democrática, mas poderosas, pelas suas auto-proclamadas isenção e imparcialidade: os jornalistas e o Ministério Público, que mutuamente se alimentam e se promovem.

Eles, as suas manobras, o eventual triunfo da golpada posta em marcha em 2005, que atingiu agora o paroxismo, põem severamente em causa o estado de direito e constituem a maior e verdadeira ameaça às liberdades públicas.

Ao Ministério Público, organizado num sindicato todo poderoso, cabe manter o Primeiro Ministro refém de sucessivos processos que se eternizam sem solução, cuja utilidade como arma de arremesso política é evidente (alguém ouve falar do “caso Freeport” fora dos tempos eleitorais?). Não importa que esses processos se iniciem por forma evidentemente crapulosa que, só por si, os faria morrer no ovo, se houvesse a mínima decência; não importa (ou importa muito) que os Senhores Magistrados do Ministério Público sejam, na sua generalidade, incompetentes, ineptos e preguiçosos, incapazes de, a sério – em Tribunal –, conseguirem condenar, sequer, o Rato Mickey.

Estes processos não se destinam a seguir o curso normal e legal de acusação/julgamento/sentença – servem apenas para estarem para ali, para fundamentarem escutas, para serem usados para bufar aos compadres jornalistas algumas sensações, para os Senhores Magistrados se promoverem como gente interessante, eventualmente heróica, para esconderem os inquéritos a que não dão andamento, os procedimentos que deixam prescrever, a péssima ortografia dos seus despachos, a indigência do seu direito, a sua culpa no estado a que chegou a nossa Justiça criminal.

E os Senhores jornalistas, rapaziada de poucos estudos e escassa habilitação, moços de recados e de fretes, irresponsáveis e insensatos, alinham na golpada, embriagados em sonhos de poder, de importância e de dinheiro. Percebem que, se conseguirem derrubar este Governo, este Primeiro Ministro, nenhum aspirante a governante cairá no erro de José Sócrates, de os desprezar, que, previamente ao ensaio de qualquer voo, deverá ir lamber-lhes as botas, como vi fazer recentemente a um Venerando Juiz Desembargador, de quem o mínimo que se pode dizer é que tem fraquíssima memória, ou fortíssima gratidão a quem lhe poupou a próxima às cruzes das escutas.

Pouco importa que sejam incompetentes, que bolsem mentiras, vigarices, insinuações nunca confirmadas, que sejam desmentidos e continuem – gente que, depois de cruamente desmascarada pelo dono do recado e pelo patrão que os despediu, deveria se proibida de, sequer, acercar-se de uma banca de jornais, continua a escrever neles, como se nada fosse, como se nada tivesse sido.

Acrescente-se um pormenor aterrorizador: esta gente não age em nome de ninguém, senão deles próprios, de nenhum interesse, bom ou mau, superior a eles, senão o deles.

Por isso, o que visam não é um golpe de estado – o derrube, por meios inconstitucionais, do poder legalmente instalado e a sua substituição por um outro poder que se irá legitimar por mecanismos constitucionais – é uma misérrima golpada, destinada a garantir um País sem governo, onde medrem as corporações (eles) pela força da mentira e da rua.
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Oferta do nosso amigo Francisco Araújo

9 thoughts on “A Golpada”

  1. Será que depois de tudo isto, irá ficar tudo na mesma?
    Poderá um país consentir que se possa destruir um qualquer cidadão imolando-o na praça pública e os responsáveis por isto ficarem impunes, prometendo mesmo que a inquisição irá continuar dentro de momentos, em lume brando ?
    Até quando toleraremos isto ?

  2. A situação continuará, atá que os agentes do CLUBE BILDERBERG continuarem a trabalhar impunes em PORTUGAL.
    1º agente- PINTO BALSEMÂO e GRUPO IMPRESA.
    2º agente- ANGEL CORREIA e empresas do grupo.incluindo pedro p.coelho como paquete e porta voz.
    3º.Cvaco Silva e respectiva prol.

    SEMPRE ALERTA CONTRA O OCULTO

  3. é isso. os magistrados em vez de assegurarem que a justiça é feita nos tribunais, asseguram exactamente o contrário daquilo para que foram contratados, que a justiça é feita na praça pública como na idade média. este processo resume bem o estado permanente de golpada em que vivemos. golpada sob a égide de forças não eleitas e, por isso mesmo, o maior perigo que a democracia portuguesa enfrenta. talvez (improvável) que o julgamento deste processo decorra rápido e que apareça um juiz (ainda os há?) de bem que diga de uma vez por todas que a acusação não é mais que luta política de baixíssimo nível.
    quanto aos pestilentos, eles não se ficam. agora sob a batuta do josé maria martins, vêm com ameaças de uma nova acusação com a promessa de constituir o pm como arguido. alguém (da área da justiça) que dê uma vassourada nesta gentalha! alguém falou em pedir desculpas ao pm?

  4. Tudo isto tem um ar de Idade Média que nem por usarem telemóveis eles disfarçam. Trata-se de uma caça às bruxas mesmo que não sejam de facto bruxas. Nunca se cansam porque não querem justiça mas sim vingança…

  5. Acabar com o sufoco do Freeport e a sujeira.
    Pensando melhor, e indo contra todo o curso normal da justiça (mas também que importa, se as regras já foram todas pervertidas?), proponho que Sócrates envie uma carta ao Ministério Público do seguinte teor:
    “Meus caros:
    Tendo finalmente conhecimento, pelo despacho de arquivamento de um processo em que não fui sequer arguido, das dúvidas que vos assaltaram e que tiveram medo ou pouco interesse em desfazer ouvindo-me, coloco-me à vossa inteira disposição para prestar os devidos esclarecimentos e acabar assim com a nuvem de suspeições que sobre a minha pessoa entenderam deixar a pairar.
    Aguardando resposta e grato pela vossa atenção, […].”

  6. Resumindo; o terceiro pilar do Estado minou as fundações do segundo pilar, o que fez o primeiro pilar? Nada! Se nada fez, até prova em contrário, é porque lhe interessava que o Estado ruísse.
    Sr Crespo isto é verdade ou é mentira? O sr investigou? Será que vai investigar? Não vai!

    E todo aquele, minimamente informado, sabe porquê. Por isso é que esta democracia é uma mentira e essa gente é uma merda.

  7. Ó Algarbio, tu keres cunhecer o Daniel Estulin? O gajo sabe mais de vildelverg que kalquer outro. Oube, tens razão, meu, tás a ber keres dar-me latadas e se as guardasses para esses gajus todos pá? podes crer ke há outros de cá que fazem parte do grupo, meu, tu é ke num saves.

  8. Ai pinelupe,

    Essa carta, essa carta, num ma parece bem. Eu axo mesmo é ku socartese debia aplicare a maxima do Rato: kem sa mete com o PS come.
    Axo kele debia ir chamare o algarbio, fazere um vatalhaoe de linxamento e traulitare nessa malta toda ku encornou.

  9. Uma paixão assolapada de um procurador alvoroçado…

    Zé, anda ocupado com mil coisas
    e perdoe-me se eu o interrompi;
    hoje mandando-lhe estas 27 prosas,
    as horas que por dia eu penso em si.

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