Assim Não

João Vacas continua a fazer de conta que não percebe onde é que meteu água. Mas eu volto a explicar: foi ao estender a todos os partidários do “Sim” uma declaração que, a corresponder ao que li, é profundamente infeliz: “para os defensores do SIM, o facto de criar uma criança sair mais caro que abortar é razão suficiente para liberalizar o aborto.”
Já está a ver a marosca? Apenas uma pessoa, o tal “cavalheiro careca, de barba e óculos” terá dito esse disparate. Não “os defensores do SIM” em geral, como lhe daria por certo jeito. Aposto que não gostaria de ler algo como “os defensores do NÃO defendem a castidade como único método anticoncepcional aceitável, publicam folhetos com fotos a escorrer sangue, mesmo que sejam de fetos com 24 semanas, mas não se coíbem de mandar as filhinhas para Londres quando o azar reprodutivo bate à porta.” No entanto, trata-se precisamente do seu método: tomar a parte idiota pelo todo, insultando de caminho todos os adversários que não foram tidos nem achados na tirada em apreço. Chama-se a essa técnica da erística “desonestidade intelectual”.

8 thoughts on “Assim Não”

  1. Para não perder muito mais tempo com isto e deixar o meu blogue para as coisas que verdadeiramente importam, aqui fica a resposta.
    O que o Luís Rainha (vê como é mais simpático tratar as pessoas pelo nome?) faz de conta que não percebe é que a pessoa em questão estava a falar em nome de um movimento que acabava de entregar milhares de assinaturas à Comissão Nacional de Eleições. De outro modo, a opinião do cavalheiro ser-me-ia indiferente. Já estou habituado a ler e a ouvir disparates em muito lado.
    A generalização justifica-se por isso mesmo. Foram, de facto, os defensores do SIM, num momento de particular relevância e exposição pública da sua acção, por intermédio de um seu porta-voz, que disseram aquela barbaridade. Para seu consolo, já Edite Estrela, no Prós & Contras enunciou uma linha de raciocínio semelhante. Arrepiante, sim senhor.
    Dir-me-á que não são todos. Dir-lhe-ei que ainda bem. Mas não li nem ouvi desmentidos nem demarcações nem repúdios nem desse nem de nenhum outro movimento pelo SIM. Estavam distraídos. Disso não tenho culpa.
    Por falar em meter água, o Luís Rainha meteu-a no tom e no método. Devia insultar quem disse as barbaridades e não quem as relatou. E, se as generalizações o ofendem tanto, não percebo que reacção espera das grosserias que escreveu acerca dos defensores do NÃO.
    Quanto à minha alegada desonestidade intelectual, dir-lhe-ei apenas que não lhe reconheço intelecto para a avaliar.
    Não devia preocupar-se com erística quem não é sequer capaz de fazer exegese.

    JV

  2. Persiste na confusão. Não insultei os “defensores do NÃO”; apenas apontei, como julgo claro, aos autores de muita coisa que vi escrita no vosso blogue. E, pela derradeira vez, a sua generalização não tem qualquer justificação ou desculpa. Por miserável que seja o meu intelecto e ínfimas as minhas capacidades de exegese, as afirmações do tal senhor apenas o comprometeriam a ele ou, quando muito, ao seu movimento.

  3. Mas olhe que não me custa nada admitir que exagerei no tom e fui desabrido em excesso. Como atenuante, posso apresentar a irritação que precisamente a sua generalização abusiva me causou. Se o ofendi de forma escusada peço desculpa.

  4. O João Vacas ou pensa que todos os apoiantes do sim pensam a uma cabeça ou propositadamente os desenhou num “broad stroke” abusivo e desonesto. Num ou noutro caso quem fica mal no fim disto tudo é ele, ou é tótó ou desonesto.

  5. Desculpem lá…mas quem é a estúpida que nos dias de hoje faz um aborto “debaixo das escadas” e ainda por cima com uma agulha de crochet????

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