ADAPTAÇÃO AO MAL…

Não há bem que sempre dure nem mal que se ature … Sim, mas a enormíssima porra é que gerações sucessivas não perderam as paciências e, logo, não se livraram do Mal. De concluir, portanto: ou há paciência a mais ou o Mal já nos entrou no sangue. Merda, então, para o rifão. “Há males que vêm por bem”, outro dito com aplicção em momentos raros de surpresa contente, também aos poucos se vai insinuando como o aceitável e corriqueiro prato do dia .

Um avisozito anti-Mal antes que ele resolva acampar por aqui definitivamente entre os fotógrafos bem intencionados: é preciso muito cuidado com os funcionários ideológicos ou de sangue da Biltres, Birbantes, & Cia que orbitam esta e outras paróquias materialistas do espírito, seguindo os nossos rastos e sombras, espreitando, medindo o tamanho das críticas e a gravidade dos ditos e apartes, o comprimento, a curteza ou os defeitos das nossas línguas; moldando as nossas opiniões; passando as mãos termométricas pelas testas dos mais revoltados ou excitados; gravando os sons dissonantes e inquietantes; procurando febres e suores suspeitos e contagiosos; cheirando riscos reais e potenciais para os amigos e irmãos encapotados que lhes incumbiram tarefas conspirativas e de vigilância e exigiram deles lealdades presas a juramentos com mãos sobre livros e objectos estranhos de anti-sacristias invioláveis.

Claro que nem um cèguinho na reforma, com gota e problemas duplos de circulação porque também anda tolhidito das gâmbias, acredita em perigos imaginários criados por desconfianças do mesmo tipo. Portanto, que ninguem se assuste com a advertência acima ou ceda a nervosismos precipitados e irracionais porque tudo vai bem a oeste de Belem e Jerusalem, e que ninguem, já agora, ligue demais ao que vier a pingar desta pena-martelo também é algo que gostaria ficasse expresso para atender a todos os gostos. Eu, apesar do pé que ponho atrás mais por segurança que por desejo de dançar o bolero ou o chachachá, cá vou quando posso abrindo uma excepção descuidada para acrescentar a tantas outras que deixei nos pretéritos de ter andado a falar para o boneco, desprezando o importante aspecto mini-conspirativo, delicioso de se viver mas muito a jeito do arauto imprevidente em cuja farpela sempre gostei de me ver. Que ninguem, por isso, me imite no vestir sem primeiro se aconselhar com um bom alfaiate (há alguns à escolha no elenco desmobilizado aqui ao lado) é conselho que gostaria de deixar ficar a boiar nestas águas turvas de registo. Fala a idade, que nem sempre corresponde a calo, dum animal incompreendido.

E estou como o Valupi e outros optimistas: o ano promete tanta feeria de qualidade que até já comecei a contar as favas que irei semear quando o tempo começar a esquentar. Portanto, vamos a isto, evaristo, que anda por aí muita gente a provocar-nos a legitima vontade de criticar, a investir-nos do direito de julgar, a convidar-nos a sentenciar, mas ao mesmo tempo, e isto é que é triste, descarada e òbviamente a borrifar-se para aquilo que se disser contra eless, porque são eles que controlam o cacau político e a banha económica, e porque são eles que accionam as máquinas que preparam os molhos de cultura-progresso que depois temos de pagar com suores esforçados noutros lados . Mundo cão que tão bem organizado está.

TT

4 thoughts on “ADAPTAÇÃO AO MAL…”

  1. Ó diabo, este texto até parece premonitório…Não é que dei conta, agora mesmo, que o meu pobre blogue se encontra inacessível?!…
    Hum!… O melhor será mesmo pôr as favas de molho…

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