«Ora, não pode subestimar-se a gravidade institucional do abuso de poder do Ministério Público, quando instrumentaliza os seus poderes de investigação penal para efeitos de perseguição política ou pessoal, sobretudo quando se trata de um magistrado judicial vítima de uma denúncia anónima infundada. É chegada a altura de questionar o desvio constitucional da autogestão corporativa e a (falta de) autoridade hierárquica e de responsabilidades externa do MP.
Se o PR, por inércia, se mostrar complacente com um caso desta gravidade, que autoridade lhe resta para reagir a situações semelhantes no futuro?»
Parece estarmos a iniciar uma fase de ressaca.
Os que a experimentam devem conduzir vagarinho e com cuidado – e beber água de fontes fidedignas.
Isto porque Ingeriram tanto esterco contaminado que a recuperação não é de um dia para o outro. Devem tirar lições das usuras experimentadas e estabelecer novos relacionamentos. (A gente sabe que uma grande parte, se não lhe derem queijinho fresco, arrecuam outra vez)
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-E é a você, Sr. Presidente, que vou gritar esta verdade, com toda a força da minha revolta como homem honesto. Por meritíssimo, estou convencido de que você não sabe. E a quem, então, devo denunciar a turfa maligna dos verdadeiros culpados, se não a você, o magistrado-chefe do país?
(…)
Um homem nefasto liderou tudo, fez tudo, é o Coronel du Paty de Clam, então um simples comandante. Ele é todo o caso Dreyfus, e só saberemos quando uma investigação leal tenha estabelecido claramente suas ações e responsabilidades. Ele parece ser o mais enfumaçado, a mente mais complexa, assombrado por intrigas românticas, entregando-se a romances serializados, papéis roubados, cartas anônimas, encontros em lugares desertos, mulheres misteriosas que vendem, à noite, provas condenatórias. Foi ele quem concebeu a ideia de ditar o bordereau a Dreyfus; foi ele quem sonhou em estudá-la em um cômodo totalmente coberto de espelhos; é ele que o comandante Forzinetti nos representa, armado com uma lanterna opaca, desejando ser apresentado ao acusado adormecido, para projetar uma súbita onda de luz em seu rosto e assim surpreender seu crime, na excitação do despertar. E não preciso dizer tudo, vamos procurar, vamos encontrar. Declaro simplesmente que o Comandante du Paty de Clam, encarregado de investigar o caso Dreyfus, como oficial judicial, é, em ordem de datas e responsabilidades, o primeiro culpado da terrível injustiça cometida. –