Ai é assim que elas se fazem?

“Acho evidente que a cinco dias das eleições em Lisboa tentar abater o presidente do CDS não é inocente”, concluiu.
Numa conferência de imprensa onde esteve presente a maioria do grupo parlamentar do partido, Portas revelou ter ficado “indignado” com a notícia do JN.
“O concurso dos submarinos é de 2003, as escutas de 2005, estamos em Julho de 2007. Durante quatro anos, ninguém me chamou a depor (…) A cinco dias das eleições em Lisboa é que se levanta a suspeita”, criticou.
Para Portas, a intenção é clara: “Descredibilizar o CDS, desmoralizar os seus eleitores, atirar à minha cabeça, do líder que à direita é visto como o mais capaz de fazer oposição a José Sócrates”.
Perante uma notícia que diz ser “uma completa falsidade”, o líder do CDS-PP faz “uma exigência, um convite e um alerta”.
“A exigência é às autoridades: trata-se de uma descarada manipulação vinda de dentro de uma instituição do Estado”, acusou, lembrando que a notícia tem por base fontes anónimas da PJ, e exigiu o apuramento de responsabilidades.

Paulo Portas, em Julho de 2007

Avenida da Liberdade

Tão certo como se tivesse sido combinado

Ao telemóvel numa mensagem recebida

Numa cidade com ruas por todo o lado

Logo havia de te encontrar na Avenida

Uma alegria há muito tempo perseguida

Num intervalo quase terra de ninguém

Mas eu já via o teu olhar numa ermida

Na romaria anual da terra da tua mãe

Teimo ver no risco do quiosque a capela

Na tua pressa a ideia da promessa a pagar

A tua garrafa de azeite deixada na janela

Faz de noite a luz da lamparina no altar

Um sonho destruído pela ambulância

Que passou agora em alta velocidade

Rasgando na tua pressa uma distância

Trazendo ao meu olhar outra saudade

A josémanuelfernandização da deontologia

[…] o Diário de Notícias cometeu duas faltas deontológicas gravíssimas: primeiro, violou correspondência privada trocada entre profissionais do PÚBLICO; segundo, fê-lo para expor uma fonte deste jornal.

Zé Manel

*

Esta balela, que tem sido repetida por todos aqueles a quem a publicação do email prejudicou, é uma intencional distorção. Implica que teria sido preferível, no estrito acordo com a deontologia suposta, não se ter publicado o conteúdo dessa correspondência conspirativa, nem os nomes envolvidos. Ora, a notícia do Público relativa a suspeições na Casa Civil estava a ser usada pelo PSD, levando a que se estabelecesse em parte decisiva da opinião pública uma conclusão inevitável: se Cavaco não desautorizava a fonte da Presidência responsável pelas declarações, era porque não havia fumo sem fogo. Vários foram os publicistas que, de imediato, exploraram o filão. Numa estratégia de assassinato de carácter que tinha sido lançada pelo próprio Presidente da República na segunda metade de 2008, ao centrar a sua retórica no lema Falar verdade aos portugueses, e culminando uma longa série de quezílias, em crescendo, entre Cavaco e o Governo, as peças do Público ambicionavam ser o golpe fatal na resistência de Sócrates. A fonte permaneceria anónima, mas credível. E o Presidente nada diria, para que tudo se pudesse dizer. Foi a este serviço que o Zé Manel se prestou, mais os jornalistas envolvidos.

Assistir a tamanha desonestidade intelectual, profissional e cívica, vendo os prevaricadores a atacarem quem os desmascarou e a não assumirem qualquer responsabilidade pelos danos causados, é uma grande lição. Que obedeça à deontologia destes tipos quem deles quiser ser cúmplice.

Noja

Num blogue em que participam vários deputados eleitos do PS sugere-se de forma muito pouco subtil que o Presidente é doente mental. No Mar Salgado Filipe Nunes Vicente assinalou a grosseria que se torna cada vez mais habitual no vale tudo em que estamos mergulhados e que a blogosfera e as enormidades que se escrevem no Twitter mostram todos os dias. Um dia em que alguém, farto da impunidade do insulto e da calúnia, processe meia dúzia dos habituais cultores do género, fica rico com as indemnizações.

Pacheco quer sangue, processos, perseguições. Quer acabar com os inquéritos à saúde mental alheia, especialmente se os visados forem detentores de altos cargos públicos e simpatizantes do PSD. Quer fechar o Twitter e desinfectar a blogosfera. Manifestamente, o Pacheco dá-se mal com a multidão e sua algazarra. Em nome do direito a ficar farto da impunidade do insulto e da calúnia, soltem os cães. Mas não Sócrates, esse tem de comer e calar. Se tiver o azar de ficar farto dos insultos e das calúnias, que sofra em silêncio. Tivesse ido para Presidente da República ou para amigo do Pacheco.

E de que insultos e calúnias fala o marmeleiro? De quem? Nunca se sabe. São assim as pitonisas, gaseadas e prolixas.

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