A josémanuelfernandização da deontologia

[…] o Diário de Notícias cometeu duas faltas deontológicas gravíssimas: primeiro, violou correspondência privada trocada entre profissionais do PÚBLICO; segundo, fê-lo para expor uma fonte deste jornal.

Zé Manel

*

Esta balela, que tem sido repetida por todos aqueles a quem a publicação do email prejudicou, é uma intencional distorção. Implica que teria sido preferível, no estrito acordo com a deontologia suposta, não se ter publicado o conteúdo dessa correspondência conspirativa, nem os nomes envolvidos. Ora, a notícia do Público relativa a suspeições na Casa Civil estava a ser usada pelo PSD, levando a que se estabelecesse em parte decisiva da opinião pública uma conclusão inevitável: se Cavaco não desautorizava a fonte da Presidência responsável pelas declarações, era porque não havia fumo sem fogo. Vários foram os publicistas que, de imediato, exploraram o filão. Numa estratégia de assassinato de carácter que tinha sido lançada pelo próprio Presidente da República na segunda metade de 2008, ao centrar a sua retórica no lema Falar verdade aos portugueses, e culminando uma longa série de quezílias, em crescendo, entre Cavaco e o Governo, as peças do Público ambicionavam ser o golpe fatal na resistência de Sócrates. A fonte permaneceria anónima, mas credível. E o Presidente nada diria, para que tudo se pudesse dizer. Foi a este serviço que o Zé Manel se prestou, mais os jornalistas envolvidos.

Assistir a tamanha desonestidade intelectual, profissional e cívica, vendo os prevaricadores a atacarem quem os desmascarou e a não assumirem qualquer responsabilidade pelos danos causados, é uma grande lição. Que obedeça à deontologia destes tipos quem deles quiser ser cúmplice.

8 thoughts on “A josémanuelfernandização da deontologia”

  1. o que eu acho curioso é a inversão da coisa, foram ultrapassados todos os limites da decência, presidente dixit, pois foi, mas foi por eles: ppd.

    Ora, se uma esfera vira ao contrário também desvira. Em abstracto, fazer o filme andar para trás é outra forma de fazê-lo andar para a frente, e ali, aquele plasma ideal fragil mas infinitamente maleável é eterno.

  2. Bom dia Val,
    Mais um ex-mal e mais tiques.
    São nódoas que nunca saiem apesar de já não usarem camisas de pescadores aos quadrados.
    Um bom tema a explorar : onde andam os “nossos” ex-ml ?
    Cumprimentos

  3. Moral da estória: enquanto serviu para esturricar um lado, tudo bem, quando o feitiço se vira, é a deontologia que é uma batata.

  4. O Ordem da Liberdade para os jornalistas que nos mostraram a cabala purulrenta do público e do seu pestífero director E falo a sério, mesmo que seja daqui a 20 anos, quando, dos pústulas, já nada restar.
    Jnascimento

  5. É tudo uma conversa da treta – a deontologia só interessa quando é para o lado deles. Ao publicar o «mail» o DN ajudou a que o desastre não fosse maior. Pelo menos muita gente abriu os olhos e percebeu o erro que fez em votar Soares – com os votos de Soares Alegre ganhava. Não tenho numeros aqui mas julgo que é isso.

  6. Os porcos chafardum..é o que sempre fizeram…
    Bem se sabe que houve quem pusesse o pescoço no cepo por sua Excelência…agora dão o cú para que guilhotina encrave…
    Este gajo do público é um porco…
    Dê-se, como aqui foi referido, a medalha de coragem e integridade de caracter ao director do DN…

  7. E faz lembrar a reacção escandalizada dos apanhados em escutas cujo conteúdo não contestam nem podem negar, mas que se mandam ou contra a infracção do segredo de justiça, ou contra a falta de autorização judicial para as ditas. E, já agora, como se pelam os jornais, mesmo os de referência, quando têm tais escutas à mão… têm saída, vendem papel.

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