Noja

Num blogue em que participam vários deputados eleitos do PS sugere-se de forma muito pouco subtil que o Presidente é doente mental. No Mar Salgado Filipe Nunes Vicente assinalou a grosseria que se torna cada vez mais habitual no vale tudo em que estamos mergulhados e que a blogosfera e as enormidades que se escrevem no Twitter mostram todos os dias. Um dia em que alguém, farto da impunidade do insulto e da calúnia, processe meia dúzia dos habituais cultores do género, fica rico com as indemnizações.

Pacheco quer sangue, processos, perseguições. Quer acabar com os inquéritos à saúde mental alheia, especialmente se os visados forem detentores de altos cargos públicos e simpatizantes do PSD. Quer fechar o Twitter e desinfectar a blogosfera. Manifestamente, o Pacheco dá-se mal com a multidão e sua algazarra. Em nome do direito a ficar farto da impunidade do insulto e da calúnia, soltem os cães. Mas não Sócrates, esse tem de comer e calar. Se tiver o azar de ficar farto dos insultos e das calúnias, que sofra em silêncio. Tivesse ido para Presidente da República ou para amigo do Pacheco.

E de que insultos e calúnias fala o marmeleiro? De quem? Nunca se sabe. São assim as pitonisas, gaseadas e prolixas.

Por que será que nenhum jornalista ou observador da imprensa acha que a história do email roubado ao Público foi um “furo” ou uma “cacha” jornalística do Diário de Notícias?

Bom, Pacheco, essa é fácil. É porque ainda estão atarantados com a perfídia da Presidência da República e do jornal Público. O que está em jogo já não diz respeito à disciplina jornalística e suas categorias. Estamos a lidar com um ataque à Constituição que vem de instâncias que juraram defendê-la, ou que supostamente tinham essa obrigação deontológica, para além de cívica. Quando a golpada estiver debelada, discutiremos o nome a dar à acção que o DN, corajosamente (e o Expresso não me deixa mentir), assumiu para defender a democracia e a justiça eleitoral. Desculpa lá se isso te estragou a estratégia, mas é continuares. Tantas vezes vai o assessor presidencial ao jornalista que um dia a coisa pega. Entretanto, tens de continuar a denunciar a asfixia democrática e as agências de comunicação que não oferecem conspirações em cafés da Av. de Roma.

Como é que um Presidente institucionalista, que acredita firmemente na “cooperação institucional”, chegou a este ponto de desconfiança e de conflito quase aberto com o “partido de governo” e com José Sócrates?

Pacheco sabe, claro, mas não nos quer dizer. Pretende que sejamos nós a descobrir. Estamos ainda no campo minado da sua dinamite mental. Todavia, como um decrépito prestidigitador, já nem se dá ao trabalho de esconder o truque. Agita uma das mãos, chamando o nosso olhar para o que não interessa, mas deixa ficar a outra mão à vista e aberta.

A pergunta apela à condenação de Sócrates, o malfeitor que forçou Cavaco a ter uma postura de conflito. Sócrates terá traído a confiança de Cavaco, eis o enredo que tem vindo a ser alimentado desde a crise dos Açores. Ora, então, e antes dos Açores? Que terá feito Sócrates ao pobre do Cavaco antes de Abril de 2008 para ele ter ficado tão insularmente desvairado? Pacheco não nos diz, mas sabe. Sabe porque não tem dúvidas a esse respeito, e tem certezas a respeito de muitas outras coisas. Uma delas é a certeza de que pode continuar a usar falácias tão pífias como esta em que apresenta uma das partes como inocente, intocável, deixando a outra como inevitável responsável pelo problema. É a utilização do argumento de autoridade, um recurso primário.

O Pacheco talvez não esteja interessado em responder a algumas singelas perguntas que testam a robustez da sua retórica. Por exemplo, como é que um Presidente institucionalista não envia para o Tribunal Constitucional todos os pontos que lhe causam objecção ou dúvida em relação a uma qualquer lei que espere a sua aprovação? Que vanguardista concepção da responsabilidade presidencial vem a ser essa? E que dizer de um Presidente institucionalista que invoca uma sondagem inexistente assim tentando preparar o terreno para uma decisão que favorece os propósitos de um e só um partido, e logo aquele a que está ligado? Como é que um Presidente institucionalista se permite considerar um ultimato à sua pessoa institucional aquelas que foram declarações banais de responsáveis políticos com toda a legitimidade para as fazer na forma e no conteúdo? Como é que um Presidente institucionalista se permite adulterar dois actos eleitorais com intervenções caóticas e obscenas, que passam por silêncios cúmplices com inventonas, declarações ambíguas e tendenciosas, pseudo-demissões inexplicadas e naftalínica tentativa de manipulação da opinião pública através da antecipação de notícias do foro religioso para efeitos eleitorais? Acima de tudo, como é que um Presidente institucionalista branqueia a acção conspirativa de um seu assessor?

Que me dizes desta noja toda, Pacheco?

10 thoughts on “Noja”

  1. Os processos de Sócrates ao Tavares e Tvi são intoleráveis ataques à liberdade de imprensa e fazem parte da “asfixia democrárica”, da “claustrofobia democrática”, etc. Agora o Pachecal pensador pensa que, algo que se diga contra os amigos, são insultos e calúnias que estão mesmo a pedir processos e indemnizações para enriquecer. E certamente encarceramento e proibição de falar o resto da vida ou queimado na pira se for repetente.
    À maneira pacheca, tudo que sai do seu ponto de vista é infalível e bom, tal como as vacas loucas não eram vacas loucas porque: ele dizia.
    Se a política vivesse apenas da acção política e não da acção mediática, o Pacheco há muito estaria arrumado na estante de recordações dos políticos falhados. Com o novo falhanço de MFL, de cuja estrtégia foi guia, estará quase a fazer o pleno dos anti-Pacheco no interior dos PSD. Talvez seja por isso que se agarra a Belém como última tábua de salvação.

  2. têm sido poucos os portugueses dispostos a fazer arabescos sobre o péssimo retrato que o Presidente nos deixou para o tentar disfarçar. mas o Pacheco Pereira é um persistente. com tanto gatafunho, está convencido que ainda vai restaurar a auréola ao Presidente e, quem sabe, até as suas próprias asinhas.

    excelente post, Val, e tens toda a razão: a quem tanta insinuação e suspeita deixou nos últimos anos sobre o governo e as suas principais figuras fica um nadinha ridículo propor processos de difamação e calúnia. talvez não lhe ficasse mal um poucachinho de coerência para disfarçar a miopia democrática. ou será estrabismo?

  3. Coerência e outras características semelhantes que os humanos deveriam ter no seu dia-a-dia, no relacionamento com o outro, são coisas que o nojo do Pacheco não tem, por isso, assim como ao Cavaco (eles pertencem todos à mesma pandilha – esperemos que o PSD se regenere, pelo menos a médio-prazo) remeto-os à completa ignorância. Mas gosto de ler o que se escreve aqui acerca destes trastes. Contudo, e apesar de, faço minhas as palavras do Fanhais: “Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar” e acrescento, devemos sempre desmistificar, fundada e firmemente”

  4. Pacheco who?
    A criatura já estaria morta se a “malta” não o fosse reanimando.
    Já era tempo de deixarem esse idiota, mitómano e misógeno passar ao seu lugar na história: o olvido.
    Nunca fez nada, não se lhe reconhece talento em nenhuma área da intervenção humana, é mais um dos muitos inúteis que vive da “conversa da treta” e duma certa forma de “intelectualidade de bidé”.
    O homem quer morrer e por estranho destino ninguém o deixa.
    Deve ser muito triste ser-se o “Pacheco da Marmeleira”, por favor larguem o desgraçado, nem que seja por uma questão de humanitarismo.

  5. São Bento já arde? terá dito o nosso ditadorzito para o seu “Homem”…
    O outro desvairado deu um tiro na cabeça, suicidando-se…este é já um cadáver.

  6. Não será doente mental mas é seguramente epiléptico e levou plasma ao Brasil provocando a ira dos brasucas quando souberam. E desmaiou na posse do Guterres. E fez aquele discurso louco sobre o estatuto dos Açores em vez de apelar ao Tribunal da Rua do Século. E fala em escutas em vez de chamar quem devia chamar. Tudo aquilo é pobre e péfio e triste. Já agora digo eu a brincar – «escutar» o quê? Conversas parvas a ajudar gente parva num partido cor de burro quando foge?

  7. Quem é que “ajudou” a pôr lá o senhor? Pensavam que a “cooperação estratégica” resistia a eleições? Ultrapassou tudo o que seria de esperar? A mim só me espanta até onde desceu.

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