Sócrates Fan Club

Seja à esquerda ou à direita, Sócrates é temido e desejado. Temido porque desejado, e desejado porque temido. À esquerda, na esquerda imbecil, não se perdoa a Sócrates conseguir criar riqueza económica e continuar a ser de esquerda — com abundantes transformações sociais, que esperavam há anos na agenda do PCP e do BE, a terem sido concretizadas numa única legislatura. À direita, na direita ranhosa, não se perdoa a Sócrates conseguir criar riqueza económica e não ser de direita — tantas as suas qualidades de liderança e inovação que fariam o delírio dos amanuenses do PSD e CDS caso ele os chefiasse.

Helena Matos é uma das mais excitadas animadoras do clube de fãs. Neste texto apresenta-se tão transparente que chega a causar aquele dilacerante fenómeno de nos sentirmos envergonhados pelas figuras que vemos outros fazerem. Repare-se:

O PS nunca apoiou Sócrates por aquilo que ele pensava ou defendia, mas sim porque ele lhes garantiu o poder.
Como diz Cravinho, Sócrates é um efeito. Um efeito que, valha a verdade, deu uma maioria absoluta ao PS.
Mas, sem poder, Sócrates não tem qualquer préstimo para os socialistas – não tem o mundo internacional de Soares e dificilmente lhes pode trazer o prestígio da colocação numa agência internacional como aconteceu com Sampaio e Guterres.
O PS está disposto a fechar os olhos a todos os equívocos de Sócrates enquanto existir poder.
Assim que o poder se acabar, os socialistas serão os mais violentos nas críticas a tudo aquilo que até agora fizeram de conta que não viram.
Sem poder, Sócrates é um embaraço. Por isso, ao primeiro sinal de que o efeito Sócrates se estava a extinguir, as cadeiras do Altis ficaram vazias.
Mais do que falar do país, dos seus problemas e discutir seriamente as soluções que propõe, José Sócrates passa de sessões de anúncio para sessões de anúncio, invariavelmente abrilhantadas com figurantes, e fala obsessivamente de notícias, jornalistas, directores de jornais… como se o seu mundo não fosse mais do que isso: ser um efeito.


Antes de mergulharmos neste tanque infecto, recordemos breves e taxativos factos. A seguir a Ferro Rodrigues, todo o PS queria Vitorino. Até Sócrates esperou por ele, naquela que teria sido uma escolha igualmente viabilizadora da maioria. A maioria, de resto, seria alcançada pelo Tino de Rans, porque a maioria não foi obra do PS ou de alguém no PS. A maioria só foi possível por causa do PSD e do mal que fez a Portugal. E quanto a Sócrates, sempre foi um político antipático e pouco dado ao bullshit. A sua fama nasceu do que fez no Ministério do Ambiente, naquilo que foi uma decidida e corajosa política de modernização do País, precisamente a marca d’água do que viria a fazer enquanto Primeiro-Ministro. Perante um Manuel Alegre fossilizado e um João Soares dinástico, a escolha óbvia para o PS era o pragmático, energético e decidido Sócrates. Um político que foi para as eleições envolto em cautelosa distância, pois não se sabia o que poderia valer ao leme. Só com a constituição do Governo, e os primeiros 6 meses de actividade executiva, é que se descobriu estarmos perante algo novo na democracia portuguesa: uma equipa que queria fazer depressa e bem. Foi um choque profundo, é agora profundamente chocante.

A Helena oferece uma outra narrativa. Fala de um efeito Sócrates em 2004 e 2005. Efeito que estaria na origem da maioria, afiança. Com isso consegue proteger o estado de negação que lhe molda o comentário político, explicando os acontecimentos da Nação com recurso a um único e obsessivo agente: Sócrates. A sua concepção da dinâmica partidária é, igualmente, o esplendor do cinismo mais primário: um político tendo poder, até pode bater na avó; se perde o poder, as cadeiras do Altis ficam vazias em menos de nada. Poderíamos perguntar se no cérebro da Helena há conhecimento de partidos que escolham líderes porque eles garantam não vir a obter poder, mas a grande questão é outra: que era suposto ficar-se a fazer nas cadeiras do Altis depois de Vital e Sócrates terem falado e não se esperando que mais alguém viesse abrir a boca naquele estrado? Enigmas que só a senhora poderá dilucidar.

O mais engraçado na prosa helénica é o seu carácter especulativo, no sentido em que é espelho do próprio sujeito que discursa. Quando ela refere que Sócrates passa de sessão de anúncio para sessão de anúncio, está a partilhar a sua experiência de telespectadora, de consumidora de notícias. É o que ela vê, lê, ouve. E retém os fragmentos que lhe interessam para construir a imagem negativa. Tudo isto são mecanismos universais, construções subjectivas que se projectam sem distanciamento crítico. Para a Helena, pois, a política é um espectáculo televisivo, mede-se pelo desempenho frente às câmaras. O resto, o invisível nos gabinetes, o trabalho de investigação, negociação e decisão ininterrupto, não existe. E ela só pede uma coisinha: que Sócrates não seja tão eficaz, tão apelativo, tão irresistível quando aparece nos seus anúncios. Vá lá, acabem com esse efeito tão especial.

46 thoughts on “Sócrates Fan Club”

  1. Sócrates já era.
    Gastar prosa com um moribundo é uma perca de tempo, até porque o homem de fénix não tem nada. Ainda hoje me pergunto como conseguiu aquela alminha engrominar um Partido inteiro….mentindo
    Já diria Humberto Delgado “obviamente demito-o”

    O Ex Embaixador José Manuel Duarte de Jesus com 73 anos recebe uma bolsa de doutoramento (como ganhava pouco)

  2. Val gostei do titulo

    Sócrates Fan Club

    Mas em breve

    Cravinho Fan Club
    António Costa Fan Club
    Augusto Santos Silva Fan Club (este é curioso não sei como conseguirá)

    E não é que estava tudo no Nostradamus…

  3. Perdoe-me, mas não concordo consigo (coisas da democracia).

    Como já disse noutro local, o Eng.º Sócrates é um produto da tecnocracia (como opina Helena Matos), de uma geração mais nova arredada da cultura política.

    Não se esqueça que ele começou no PPD/PSD e só mais tarde virou para o PS, numa altura em que o Dr. Mário Soares já tinha posto o socialismo “na gaveta”. Segundo este, possuidor de uma biblioteca considerável, nunca tinha conseguido ler Marx, porque os textos eram muito “chatos” e “desinteressantes”.

    Onde Sócrates sempre se mostrou exímio foi na propaganda, pelo que não é de estranhar o seu comportamento nas entrevistas – apenas responde ao que quer e como quer. E foi o seu sentido tecnocrata que o levou a convidar o Dr. Dias Loureiro para apresentar ao público a sua “biografia” – ou já se esqueceram deste acontecimento?

    Claro que o facto de ele ter amealhado uma fortuna e de não ter a humildade de a esconder (antes pelo contrário), torna-o mais alvo da curiosidade de todos, à esquerda e à direita.

    Sendo injusto não reconhecer ao nosso primeiro-ministro qualidades ímpares de destaque, como o empenho, a vontade de transformar, e o cumprimento de um rumo com algum norte, até pela sua juventude, seria espectável deixar o seu nome ligado a outros europeístas de renome, como Blair, Gonzales, ou Merkl.

    Não sei, contudo, se ele ficará na História (como os referidos mais Soares, Mitterand, ou Suarez), mas a verdade é que o número de escândalos que o envolvem mais a sua família próxima, não permitem equacionar algo de bom para ele.

    Interna e pessoalmente, aponto-lhe dois defeitos de monta, fruto da indicada tecnocracia e também, talvez, do facto de ter sabido enriquecer:

    1º – ódio aos pobres – consubstanciado no aumento da idade de contribuições; pagamento de IRS pelos reformados de fracos recursos e posses; quase extinção de juros nos certificados de aforro; fim da isenção fiscal dos deficientes; aumento das taxas moderadoras; fecho dos atendimento médico na província; fecho das maternidades; inexistência de aumentos na função pública; etc..

    2º – teimosia exacerbada – a insensibilidade persistente de não ouvir os outros, baseada numa manifesta convicção de certeza (teoria que não é nova, pois já havia quem “nunca tenha dúvidas e raramente se enganava”), traduzida num empenho exagerado nas grandes obras do regime (há que pagar aos empreiteiros, não é Dr. Coelhone), das inceneradoras enquanto secretário de estado, e da sua luta feroz e desapiedada contra as classes profissionais: contra os funcionários públicos, contra os reformados, contra os juízes, contra os polícias, contra os enfermeiros, contra os professores – contra tudo e todos, porque ele gosta mais assim.

    Diz até que se sente mais estimulado…

    Enfim, fico a aguardar por quem será o convidado a apresentar as suas memórias políticas dos seus anos no governo, daqui a uns tempos…talvez Júdice, ou mesmo Paulo Portas…

    Digo eu…

  4. mais um post “high quality”. não percebo como é que o autor já não tem a sua crónica num jornaleco qualquer complementada com intervenção regular (ao lado do CAA ou do joaquim aguiar) na rtpn. ah ok, tem um problema diz bem do sócrates e isso não cabe nas grelhas.
    realmente a helena matos é curta de cérebro e creio que não vale a pena replicar a tão pobre oponente. o melhor mesmo é começar a relembrar como era esta choldra antes do sócrates chegar ao poder (anos lectivos a começarem tarde por causa das colocações dos professores, orçamentos rectificativos devido ao eterno buraco na saúde, défices maquilhados com contabilidades criativas, apelo ao discurso da tanga para não se fazer nada, cunhas, venda da falagueira ao jpc e passagem de férias na ilha privativa do jpc, etc, etc). a oposição, nomeadamente os laranjas, depois de terem sido salvos da implosão pelo aparecimento da crise internacional, jogam também na falta de memória sobre a governação pré-socrática. uma vez que a campanha eleitoral para as legislativas já começou vamos lembrar-lhes isso mesmo. a manela e o paulinho não são, como pretendem, virgens em assuntos de governação. força nisso aspirina.

  5. achas mesmo que a malta não perdoa ao teu amigo, por ele ter criado riqueza económica?

    pois, com mais de 500 mil desempregados, o que para aí vai de riqueza, no polimento de esquinas…

    (esqueço-me sempre que também és contador de anedotas…)

  6. oh saloio, a teimosia é uma qualidade quando se tem a razão do seu lado. no seu ponto “ódio aos pobres” parece mesmo um bloquista, de barriga cheia, a falar dos pobres , só porque pensa que isso favorece os seus intentos.
    “os pobres” não têm certificados de aforro; “os pobres” não ficam sujeitos ao pagamento de taxas moderadoras; os reformados ” pobres” não pagam irs na sua pensão; “os pobres” efectivamente pobres tiveram com sócrates o complemente solidário de pensão; “os pobres” efectivamente pobres viram o salário mínimo ter um aumento nunca antes visto; “os pobres” efectivamente pobres passaram a ter comparticipação integral nos genéricos…
    Como é que eu sei isto? porque tenho a meu cargo pessoas efectivamente pobres. saberá o que isso é?

  7. para vos ajudar a interpretar isto do V :

    folie a deux

    Trata-se de perturbação rara, não se conhecendo a sua distribuição exacta, dado que os afectados não procuram ajuda porque não têm consciência da sua perturbação psíquica. Esta perturbação implica normalmente duas pessoas que geralmente pertencem à mesma família, convivendo durante muito tempo juntas e isoladas do mundo externo. Supostamente um dos membros do par – que possuirá a perturbação primária – será quem incutirá o delírio ao outro, mais dependente, submisso ou sugestionável….

  8. Valupi, até que enfim que estamos quase de acordo!

    para os calares de vez gostaria de te ver desenvolver o “À esquerda, na esquerda imbecil, não se perdoa a Sócrates conseguir criar riqueza económica e continuar a ser de esquerda”. Então se pespontado por exemplos ficava um primor.

    Dá-lhes Valupi!

  9. Eloquente, Valupi. Não posso concordar mais que tem sido tudo um banho de espectáculo.

    A aposta na ciência e tecnologia, a revolução na educação, a redução de procedimentos e informatização de boa parte da administração pública, a redução da dependência energética, a diminuição do défice, o aumento do ordenado mínimo e outros tantos argumentos desta governação que seria cansativo enumerá-los. São tudo estratégias da política entretenimento.

    É tão fácil perceber quem não se tem divertido e as piruetas que têm feito para instalar a política do medo, do caos latente, da disfuncionalidade do sistema e da crise das instituições. Com tantos interesses, corporativismos e regabofes postos em causa, não é de admirar.

    Discordo que à esquerda e à direita gostassem de ter feito estas reformas. Estas elites não gostam que lhes retirem uma razão de queixa. Uma que seja. Porque não têm mais nada para dizer. E é por isso que estão tantos à espera do Rangel & Companhia Fun Club. Há que tempos.

  10. este post é ordinário. é. goza com montes de pessoas que vão à caritas envergonhadamente pedir de comer , goza com montes de empresários que abriram falência , goza com os desempregados à rasca para pagar a prestação da casa , goza com toda a gente que tenta sobreviver num país cada vez mais pobre. Os meninos têm um magalhães ? bom para eles se tiverem um bife ( se forem vegetarianos , outra cena qualquer ) na mesa e uma cama onde dormir. O magalhães não se come. É uma total falta de respeito pelos seus concidadãos e só é perdoável a luz de uma doença psíquica qualquer ou de um ordenado a receber: a vida custa a todos , né?.

  11. Como já cá ando à uma porrada de anos, e que andei nas andanças partidárias no tempo em que era chique o PS ter operários nos palanques, deu-me o calo necessário para discordar do camarada olho. Pois meu amigo pode assentar aí na sebenta que o Sócrates vai ganhar as legislativas, e como todos os “sacanas” têm sorte é com maioria absoluta. O sujeito pode ter maninge de defeitos mas de otário não tem nada. A derrota nas europeias caiu-lhe que nem ginjas, o povinho nunca dá duas seguidas (salvo seja) ao mesmo partido e como se sabe, se há coisa que o homem saber fazer, é mamar como a cobra…doce, docinho!

  12. mf,
    que me desculpe, mas ordinário, aqui, é o seu comentário. Não porque o seu comentário confunde opinião com capacidade de decisão. Não porque o seu argumento misture dificuldades particulares com análises contextualizadas. Não porque queira vender caridade moralista como actuação política. Não porque proponha uma visão miserabilista da sociedade, diria religiosa e medieval, de que o importante é garantir o pão. Não.

    O seu comentário é ordinário porque classifica como perturbação psíquica quem tem opinião diferente da sua e porque faz questão de etiquetar quem não concorda consigo como vendidos a um qualquer soldo.

    Experimente utilizar argumentos, em vez de adjectivos e suposições, para defender os seus pontos de vista. Vai ver que não dói nada.

    (Se há quem não precise que eu o defenda, é o Valupi. Aceite também as minhas desculpas.)

  13. A todos aqueles que não querem ver:

    Já a minha avózinha dizia que “o maior cego é aquele que não quer ver…”.

    Eu sei que em Portugal, devido às características de velhacaria e inveja que são apanágio do nosso povo (mandrião e alcoviteiro, como bem o definiram Eça, Ramalho e Junqueiro), sempre houve uma certa simpatia por malandros.

    Tipos como o Zé do Telhado, João Brandão, e Alves dos Réis, sempre foram tidos em boa conta pelo poveco, sedento das suas proezas e feitos sentado no seu sofá – desde que ocorressem com outros, estranhos e lá longe do seu quintal.

    Ainda há meia dúzia de anos, o povo se regozijava com as peripécias ilegais de um corretor da Bolsa, Pedro Caldeira, e com o Capitão Roby, que além de ter vigarizado a mãe e irmãos, pôs na miséria uma quantidade considerável de solteironas sós e entradotas.

    A tudo isto, mesmo à lesão dos mais desfavorecidos, o povo achou piada e teceu elogios, de tal forma que até uma telenovela foi feita sobre “as aventuras” do último.

    Ontém vi na televisão que o Dr. Dias Loureiro ia ser alvo de uma festa popular e receber umas medalhas. Fátima Felgueiras foi reeleita e o Avelino, o homem do Marco, só foi condenado num único processo, tendo sido absolvido dos outros todos e vai concorrer outra vez ao Marco.

    Também assistimos ao prémio de alguém que andou 4 anos a defender o chefe caninamente, de forma irracional e desmedida, foi um emprego no sítio mais bem pago da europa – apesar de todos agora confirmarem que foi um “erro de casting”.

    Por isso não me espanta que quem distribui os “tachos” e “avenças” tenha aqui, e noutras paragens, imensos lacaios, serventes e outros adoradores cegos e embriagados pelo ópio do poder, sempre prontos ao elogio circunspecto e sério.

    Não contraditam nenhum dos factos numerados, mas apelidam-me de ódio e mentira. Se calhar é mentira que o chefe odeia pobres…ou que não foi Dias Loureiro o escolhido para apresentar a sua biografia…?????

    Quando o chefe cair, estes serviçais serão os primeiros a caluniá-lo e virar-lhe as costas, depressa correndo para outro amo…porque quando o navio se está para afundar, os ratos são os primeiros a fugir.

    Digo eu…

  14. Pelos comentários desvairados que aqui leio, você acertou em cheio, Valupi. Extraordinário texto, nunca as mãos lhe doam. A Helena Matos é uma cretina, mas o pior de tudo, porque é confrangedor, é uma cretina convencida que é inteligente. Coitada…

  15. E pronto… Depois da leitura atenta que fez das cartas de Tarot e da sua análise numerológica, o bruxo Valupi, como seria de esperar, entra agora no campo das adivinhações delirantes e próprias de um alucinado com o mundo espirita.
    Ele diz-nos (ou melhor, adivinha) que o espírito, que o ser imaterial – o tal que não é de esquerda nem de direita, mas apenas do nada – é, como qualquer deus que se preze, um ser temido e desejado, de quem se tem medo e que se adora, simultaneamente.
    A verdade é que esta adivinhação do Valupi generaliza à «esquerda imbecil» e à «direita ranhosa» algo que só faz sentido para os niilistas que perderam toda e qualquer referência ideológica ou de sentido, e que por isso entram em extase e delírio com qualquer produto que é publicitado e vendido, pelo altar televisivo, como a salvação para os seus problemas. Aliás, se, como disse Feuerbach, deus é uma projecção da essência do homem, dos seus desejos e caracteristicas, então o «deus-espírita» só pode ser a projecção de todos os bruxos e chicos-espertos deste mundo que vêem no Pinto de Sousa a personificação das suas caracteristicas essenciais, com são a aldrabice, a mentira, a impostura e o vazio ideológico.
    Depois, como qualquer seita que se preze, a seita dos chicos-espertos que adora o Pinto de Sousa, acredita em todos os falsos milagres que os bruxos, como o Valupi, apresentam nas várias sessões de propaganda, como comprovação da existência do todo poderoso ser imaterial e vazio de conteúdo. É o caso dos milagres do crescimento económico e das medidas sociais, apesar do desemprego ter crescido, da desigualdade ter aumentado, e de se ter verificado um empobrecimento da sociedade em geral. Os chicos-espertos adoram fintar a realidade, e para isso servem-se da manipulação estatística, de estudos encomendados à OCDE-que-não-é-OCDE, etc, conseguindo dessa forma convencer (enganando) os crentes mais fanáticos: aqueles que, nas reuniões da seita, costumam ouvir essas tretas de olhos fechados (fechados à realidade, claro), e que vêem as medidas avulsas como substanciais, e o que é substancial como acidental. Basicamente é isto aquilo que o bruxo Valupi classifica como o agir «depressa e bem», ou seja, o «inventar» e manipular depressa e bem.
    A seita dos chicos-espertos, que adora o Pinto de Sousa, acredita também nas falsas promessas, no sentido em que fecham os olhos ao seu cumprimento. Aliás, quanto mais acreditam nas falsas promessas, mais facilmente acreditam depois nos falsos milagres. O ser imaterial e vazio prometeu combater o desemprego (e até criar 150000 empregos); prometeu não aumentar os impostos; prometeu referendar o tratado europeu; prometeu combater o neoliberalismo materilizado no código do trabalho do Bagão Félix; etc, etc; prometeu isto tudo e fez o contrário, como seria de esperar num chico-esperto e mentiroso. Basicamente, estas são as decisões que reflectem aquilo que o bruxo Valupi classifica como o «trabalho invisivel» do ser imaterial: porque o seu trabalho invisivel é o trabalho subordinado aos interesses e ao funcionamento do sistema neoliberal, como seria de esperar num chico-esperto que diz pertencer à «esquerda» moderna. A tal esquerda que não é de esquerda, nem de direita, mas apenas do nada. É imaterial, e é invisivel, pois claro…

  16. Este efeito Sócrates dá que pensar. O homem acabou de perder as eleições, todos ganharam menos ele, como é que consegue que só se fale dele? Tá bem que veste bem, e, por exemplo, para a Helena Matos é um factor a ter em conta, ela até sabe onde é que ele faz as compras. Mas não deve ser só isso. Deve haver qualquer coisa na sua forma de governar, talvez a coerência. Sócrates foi ministro do ambiente, como primeiro-ministro decidiu apostar nas energias renováveis e como se não bastasse pôs Portugal na lista dos países mais desenvolvidos na coisa. É muito estranho para os portugueses estarem à frente e ver os países mais desenvolvidos virem cá aprender como é que se faz, é de facto algo a que não estávamos habituados. Tanto assim é que até nos custa falar disso.

    Pronto, agora já chega de Sócrates. Ando preocupada é com a Ferreira Leite, não é justo que tenha ganho as eleições e que praticamente ninguém dê importância a uma vitória tão inesperada. Liderar um partido não deve ser pêra doce, seja ele qual for, mas liderar um partido onde nem ganhando nos reconhecem qualquer valor, deve ser…

  17. pois aquela do loureiro e do socrates já tinha esquecido: coroa de louros, será?

    isso das energias renováveis é bom, mas não chega.

    foi um erro hostilizar tanto os professores e, ao contrário do Valupi, eu acho o artigo do Gil bem lúcido.

  18. z, também acho que não chega. Quatro anos são mais do que suficientes para deitar abaixo o que antes se fez bem, mas são claramente insuficientes para fazer este mundo e o outro, por isso gostava que o Sócrates tivesse mais um mandato para dar continuidade ao que já fez. Pode ser defeito meu, mas para já não estou a ver mais ninguém que o possa fazer.

    Em relação aos professores, diga-me o z que, pelo que li, também já foi professor de que forma é que o Governo hostilizou os professores. Terá sido por não alinhar em generalizações e querer de alguma forma que haja diferenciação entre bons e maus professores? Parece que, de repente, os professores ficaram todos igualmente bons. Só se os manipularam geneticamente, não lhe parece? Os argumentos de muitos professores, nomeadamente, aqui na blogosfera, apenas demonstram que nem sequer sabem do que é que se estão a queixar. Gostava de conhecer a opinião de muitos professores que também são pais e o que é que pensam dos colegas e das acusações que são feitas aos pais e sobretudo aos alunos. Felizmente, há muitos bons professores que contra ventos e marés, como sempre, desempenham a sua função plenamente e lá vão segurando as pontas disto.

  19. remeto para o artigo do Gil, que acho bom. Penso que se complicou demais o processo de avaliação a ponto de estigmatizar a profissão, os bons professores devem estar a prozac porque aquilo que eles mais sabem e gostam de fazer, ensinar, deve estar agora enquadrado numa série de procedimentos mecânicos quantificáveis que tiram a espontaneidade e o amor pela profissão.

    eu fui vinte anos professor mas não fui do secundário

    Veja lá guida se não quer sol na eira e chuva no nabal, os portugueses tiraram de um dia para o outro 10% de votação ao PS: dos 36% que as sondagens prometiam, quase um em três retirou-se súbito e isto é muito significativo.

  20. é que não tenhas a ilusão de que qualquer virtuoso exercício de retórica convence as pessoas em votarem em quem lhes estraga a vida, os factos impôem-se como o pó que assenta após depois da passagem dos cavalos; se mais não fôr as pessoas retiram-se para a abstenção e fazem muito bem, não contaram com elas como pessoas mas apenas como estatísticas de desempenho nas contas públicas, e ainda queriam que aplaudissem os algozes em nome do bem da Pátria, incluindo os submarinos do Portas e a nacionalização do BPN. É verdade: ouvi dizer que o gajo do Tribunal de Contas andava por lá, será verdade? Triste país.

  21. z, não me importava de ter sol na eira e chuva no nabal, mas nunca disse em lado nenhum que este governo ou a ministra são perfeitos, nem sequer acredito em tal coisa. Quem apregoa isso são os partidos que ditam as palavras de ordem aos professores, o ministro que vier a seguir é que é, e já lá vão alguns trinta. É fácil falar assim quando sabemos que não somos, nem vamos ser poder.
    A avaliação dos professores talvez ponha alguma justiça nas carreiras, mas não resolve o problema principal.
    Os professores andam a prozac. Os bons alunos, também os há, que têm pessoas a dar-lhes aulas que deviam ser tudo menos professores e que não os preparam minimamente para, por exemplo, fazerem as provas de acesso à faculdade fazendo-os perder anos das suas vidas, tomam o quê?

    Provavelmente, a perda de votos do PS prende-se com o facto de na escola nos ensinarem a respeitar os argumentos de autoridade. Se o intelectual x diz, é porque é verdade. Pessoalmente, presto mais atenção aos intelectuais que nos ensinam a desconfiar dos argumentos de autoridade e que devemos pôr todos os argumentos em causa. Devem ter alguma razão, senão ainda hoje acreditávamos naquela antiga verdade que nos remetia a Terra para o centro do Universo. :)

  22. O esquizofrénico do olho de cu, vem para aqui armado em entendido da politica, mas é só diarreia!!
    Vai-te tratar!
    O Valupi acho que não é Psiquiatra, mas se for, certamente não dá consultas à borla, mais a mais sendo o teu caso, um caso bastante complicado e de difícil diagnostico, pois aparentemente parece ser um problema do cu devido a essa diarreia constante, mas também é mental por não a conseguires controlar…

  23. E não é que o homem irrita-se mesmo

    A do “olho de cu” é que já é um pouco repetitiva

    Mas antes ser olho do cú do que ter um Blogue daqueles

  24. Só quem não conhece o processo das energias renováveis (mini hidricas, eólica, solar, etc) em Portugal é que pode achar que é mérito deste governo.

    Não digo que não tenha a sua quota parte de responsabilidade, contudo os processos já vêm de longe, de muito longe!

    O que se pode atribuir é este processo mal parido das comparticipações para aquisição de paneis solares térmicos. uma completa anedota!

  25. Passei por aqui e fiquei a perceber a razão do nome do blogue: ser tão intensamente socrático deve dar uma dor de cabeça do caraças!

  26. guida: não se importava de ter sol na eira e chuva no nabal? Claro, isso é o que o pm também pensava até chegar a noite de 7. E se calhar ainda pensa, mas o PS já não.

    Quanto aos professores de que fala está a utilizar a parte para diabolizar o todo, aviso-a de quem sem os votos deles o PS não ganha, tal como disse a ministra 150 000 na rua era irrelevante, agora viu-se. Eu ainda gostava de ela tivesse de comer essas palavras e quanto ao resto gostava que os professores fizessem um mês de greve talvez os pais lhes dessem valor.

    Mas não se preocupe: professor do secundário neste país é a última coisa que vou ser. Aliás tentarei breve não ser nada neste país, comam-me os ossos noutro que ao menos são mordidas risonhas.

  27. Diz-se que não há governantes perfeitos. É uma patetice. Então não há? São os ditadores.

    Os outros perdem e ganham e o que são mede-se pelo que deixam feito. Não é pelo que deixam dito. Num país com trinta anos de democracia ganha a custo, euforias extravasadas para o tecido social e um quarto da população activa como funcionária do estado, ser reformista deve ser maleita sem terapia. Em nada que possa ser feito sobejará méritos pessoais porque não consta que a individualidade possa substituir a totalidade. Para uns será sempre a ocasião enquanto para outros capacidade de decisão.

    O PSD ganhou a ultima governação com a cenoura do risco de défice. Isso foi resolvido mas não interessa nada. Também prometeu baixar impostos e ao fim dumas semanas estava a aumenta-los. Dá-se de bandeja. Assumiram comprometimento com Portugal e rapidamente estavam a zarpar.
    Diz-se que a actual governação manipula números e comunicação social. O pib não cresce, mas todos preferem um país a afastar-se de um ordenado mínimo que metia nojo. As estatísticas são uma merda, mas, a olho, vemos que o país está mais pobre.

    Bom era que não mexessem na SSocial. Bom era que não viessem marmanjos da informática classificar de muito interessante as mudanças em curso na educação. A educação não presta, mas não vimos criticas substantivas ao relatório que afinal não era da OCDE. Querem fazer-nos crer que a revolução na educação feita pela actual ministra consiste na avaliação de professores e num ou noutro estatuto. Tontinhos! Larguem o tacho. Não falta é gente com formação para dar aulas. E com consciência de que a globalização não será passiva com direitos adquiridos. A sustentabilidade energética era um desígnio. Tal como o Alqueva. Tal como a reconversão de detritos. Tal como o investimento em ciência e tecnologia.

    Claro, pois era! Mas agora é que o Alqueva está cheio. Pois, agora é que estamos a um nível aceitável de reciclagem. Pois, agora é que vêm dezenas de especialistas internacionais, por ano, visitar cada um dos parques eólicos e centrais solares. Pois, agora é que temos cientistas portugueses à procura de quem invista em transístores de papel. Tudo coincidências temporais.

    O neoliberalismo e o extremismo dos direitos sociais continuarão a ser uma utopia à direita e à esquerda. Eles quererão sempre mais e mais. E por isso é que o PCP e o CDS estão escorridos pelos portugueses. Não dão mais nada. Tal como o BE. Não admite negociações com o PS porque está a construir uma alternativa de governo. Para daqui a trinta anos se tudo lhes correr bem. Que não lhes caia o carmo e a trindade. Eles nem experiência de governação autárquica têm. O Louçã nem para menino de coro dá. Teria que pôr calção e camisinha branca com lacinho e os portugueses nem iriam acreditar.

    Independentemente de tudo, as reformas que foram feitas ficarão.

  28. Este z professor está mesmo chateado. Foram-lhe ao… e ele nem deu por isso. Pensa ele e muitos outros aqui que se o Sócrates não ganhar as próximas eleições vai ser um drama para o Sócrates. Estão enganados. O homem terá sempre onde passar o tempo, nós é que iremos gemer com a Manela e seus amigos. Cito alguns: Valentim, o Oeiras, o Loureiro, o Oliveira e Costa, o Gaia, o Passos, o Santana, etc. que a lista é enorme. Se o PS perder vão aguentar com essa chldra e depois digam que não os avisei.

  29. Obama, as Europeias e Portugal.
    A este propósito leiam o último escrito de Mário Soares no DN (9/Junho).
    Como ele faz a leitura perfeita da chegada de Obama ao cenário mundial pós-Bush, uma nova forma de estar na política, mais humana e mais inteligente e que está a surpreender a América e o Mundo pela positiva.

    Quem em Portugal desde o início puxou os portugueses ao positivismo e à não desistência nacional?

    Quem na América já decidiu que o combate à crise passa pela contenção do défice das contas públicas?

    Quem em Portugal já seguiu esse caminho?

    Quem na América já decidiu que o combate à crise passa pela aposta nas energias renováveis?

    Quem em Portugal já seguiu esse caminho?

    Quem na América já decidiu que o combate à crise passa por, agora, mais do que nunca, em investimento público para criar emprego e alavancar decisivamente a economia?

    Quem em Portugal já apostou nesse caminho?

    Quem em Portugal esteve sempre ao lado de Obama e quem esteve sempre ao lado de Bush/Maccain?

    (p.s. – enquanto nos Eua os americanos decidiram apostar no “socialista” Obama para combater a crise nacional e internacional deixada pelo estúpido do Bush, nas eleições europeias o povo votante escolheu a direita para combater a crise deixada pela…direita.
    Os partidos dos ricos e dos “bons gestores” esfuziam de alegria com a escolha.

    E perguntam-se alguns: quem é que deu o tiro no pé? os de lá ou os de cá?

  30. oh meu lindo honesto&sério o que eu quero menos é apanhar com essa gente, mas acontece que basta ver as votações em Berlusconi e Sarkozy para ver que a direita está toda activa a votar na Europa e a esquerda dissipa-se na abstenção, com excepção do Zapatero que segurou 38%.

    Isto acontece porquê? Porque a esquerda no poder faz políticas com sentido de direita e as pessoas desmobilizam. O PS português fez um basqueiro contra o código do trabalho do Bagão, mas depois, poder, aprovou-o.

    Pelo seu paleio você é

  31. Digam o que disserem ele é o melhor na actualidade. Andaram anos para fazer obras e reformas que ele conseguiu executar num mandato mesmo sendo alvo nuvem de insultos e difamações. Este homem tem uma força incrível! É um exemplo de político que não liga a esquerdas ou direitas mas sim a princípios e na qualidade de homem tem os seus defeitos e virtudes sendo para todos mais fácil apontar os defeitos do que as virtudes, que os superam com toda a certeza…

  32. Pingback: |
  33. Valupi, belo post.

    Essa Helena Matos vê a CNN e a NBC e replica em comentários á politica nacional as idiotices que por lá ouve. Nem na idiotice é original.
    Basta ver o Daily Show desta semana para encontrar o Stewart a escavacar essa retórica.
    Imagino o que ele diria se conhecesse esta senhora, que intelectualmente mais parece aquela tipa que traduz romances de sopeira ingleses para portugues e é best-seller.

    ps: não é possivel impedir esse sujeito que se auto intitula “olho do cu” de postar paneleirices o tempo todo?

  34. ó tio, deves ser mais um com pouca capacidade para pensar por ti próprio. penso que os burros ainda sao em maioria, só ser for por aí… mas desta vez nem os burros votarao nesse louco…

    das reformas que fez só lhe conheço o cartao de cidadao, o magalhaes e o simplex. enfim! palermices ao seu nível. o resto, foi só atacar e acusar tudo e todos, tu tu tu tu tu tu… só para lhes poder rapar no ordenado, e depois enfiar no BPP… porque eles ja sabiam que isto ia acontecer e poder fazer o TGV…

    Li

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