Oposição à oposição

O Verão de 2004 foi o período mais triste da democracia portuguesa. Durão pirava-se do Governo e do País, deixando o seu nome pelo chão, Barroso. Manuela Ferreira era Leite azedo para o PSD, amargo que levou à doidivanas promoção de Santana flopes. A cassete de Carvalhas tinha a fita gasta. Portas fechavam-se no CDS à inteligência e à relevância. No PS, Ferro era dobrado e enfiado na Pia. Todos esperavam o regresso Vitorino do António, mas ele não tinha verga para salvar o navio. E Sampaio concordou com o naufrágio, oferecendo-nos o pior Governo pós-Invasões Francesas de que se conservam actas; o qual ainda conseguiu o miraculoso feito de ter durado 5 meses – mas não se sabe como, tantas eram as histórias inacreditáveis, difundidas pelo próprio círculo tribal de Santana, exultando com a pulsão estroina do pantomineiro. Nesse período, Sócrates assumiu o destino que há muito era evidente ser seu. Para nossa felicidade.

Antes, já tínhamos assistido a várias debandadas que confirmavam o diagnóstico: a Revolução dos Cravos continuava encravada. Sá Carneiro foi imolado não se sabe ainda hoje porquê. Com Soares, o Poder queria-se oligarca, hippiecrisia instalada, social-cinismo. O Bochechas era popular, era a bifana e o coirato, mas também a pataca Moderna, o tio da América, as amizades inflacionadas. A leste dos acontecimentos, o monolítico Eanes fazia renovações de 360 graus, tendo existido apenas para levar Anibal à 1ª maioria absoluta. E absoluto foi o deserto cultural e cívico do cavaquismo, o império dos patos bravos e dos bravos que nos comiam por patos. Cavaco permitiu que a máquina salazarista voltasse a funcionar em pleno, agora à custa de novos colonizados: nós, pela Europa. Depois, embuchado por não conseguir mastigar o cavaquistão, arrotou o partido. Queria um emprego com menos reuniões e colegas de melhor higiene ética, mas onde se continuasse a viajar pelo Mundo em grupos animados. Conseguiu-o após uma década de espera, deixando Guterres ser o bálsamo que a Nação esfregou, sôfrega e calada, nos cartões de crédito. Sete anos depois, apaixonadamente educados na arte de tudo gastar, o consumismo médio da classe baixa era alto demais – e o seu peso abriu um pântano na coragem do simpático engenheiro. Trocava-se de funâmbulo: saía um ordinário, entrava um mauista.

O Governo de Sócrates tinha trabalhos de Hércules, ou de Sísifo, à sua espera. Sanear as contas e despesas do Estado só será possível alterando o equilíbrio de forças que imobilizam há 30 anos a economia. Patronato e sindicatos têm usufruído da decadência cívica e intelectual que enforma a Administração Pública, permitindo corrupção a montante e manipulação a jusante. Por isso, o clamor pelas reformas sempre foi matéria de opinião circunstancial e retórica, nunca de volição política ou popular. Políticos e povo estão abraçados num pacto suicida, fóbico, onde se tenta adiar o confronto com a necessidade de mudar a cultura, os valores, o sentido da vidinha – seja qual for o custo dessa fuga para trás. Isto disseram os publicistas nos seus momentos de lucidez, antecipando o fracasso de Sócrates. Se ninguém tinha corrigido o País durante séculos, ainda não seria desta que a choldra teria governo. Talvez com um outro Salazar, calava-se no sebastianismo dolente que se evaporava dos nossos críticos jornaleiros.

A oposição entrou em estado de desgraça após 1 ano e meio de maiêutica legislativa. Nada tendo a que se agarrar, em estupor por se testemunhar um Governo a decidir em matérias decisivas e a afrontar os poderes fácticos, a oposição bateu no fundo. PSD e CDS, servidos por chefes confrangedoramente fracos – Marques Mendes, Paulo Portas, Ribeiro e Castro, agora Meneses que baixa o nível – nunca souberam o que dizer. E quando abrem a boca, porque julgam que têm de estar sempre a falar, levam nas orelhas. Jerónimo de Sousa é invisível, olha-se na sua direcção e o que se vê é um cartaz inane mal colado com cuspe. E o BE verga-se ao estado ancilosado do outrora viçoso Louçã, súbito partido de mentes jarretas. Saltaram para a arena os comentadores, eles próprios envergonhados com o facto das chefias partidárias estarem no tapete sem sinal de recuperação. Vasco Pulido Valente e Pacheco Pereira, exemplos notáveis e reserva moral, perderam a cabeça na campanha contra o carácter de Sócrates e na promoção da paranóia totalitária, não se importando de se afundarem no ridículo, no desonesto e no patético. Compreende-se: é a primeira vez que lidam com um político do século XXI.

O perigo para a democracia portuguesa não está no Governo. Quem governa está exposto, os seus actos sob constante vigilância, até espionagem. A enormidade da tarefa de gerir o Estado com propósitos reformadores é de muito baixa taxa de sucesso, bastando olhar para as sucessivas equipas ministeriais e aferir dos seus resultados. Missão impossível, governar a contento dos concorrentes grupos que se batalham pelas benesses que o Estado outorga directa e indirectamente. Em parte maioritária, governar consiste em arbitrar os grandes negócios. Como os anacoretas não fazem carreira política, quem chega a um lugar de Poder tem muitos amigos antigos, e ainda mais amigos futuros, a marcar almoços urgentes. Não se resiste a tanto amor. Deve, pois, ser um sinal de esperança ver um Governo a criar tantas antipatias junto daqueles que sempre foram coniventes com as suas amizades de circunstância e oportunismo, a começar pelos correlegionários.

Os partidos políticos são antros de corrupção. Basta frequentar uma Juventude partidária para tropeçar nos despudorados mecanismos com que se faz a triagem dos que irão ser promovidos com o único mérito de serem obedientes vendilhões. Os jovens militantes do PSD, PS e CDS sabem que há uma rede empresarial a amparar as suas carreiras profissionais quando não estão a mediar as negociatas. Ter cartão de um dos partidos do Poder é igual em segurança a entrar para o Estado, mas com condições remuneratórias e benesses laborais desvairadamente superiores. Já os jovens militantes dos partidos sem tanta, ou quase nenhuma, esperança de se sentarem à mesa do banquete plutocrático, compensam-se com o fanatismo. É a força do salazarismo – esse acordo tácito pela submissão, que nos foi útil até ao final da Segunda Grande Guerra -, fulgurante de saúde, ainda a ordenar as relações da pirâmide social em estrito acordo com a arcana lógica do corporativismo, trave-mestra da Nação que tem pavor de crescer.

Não será neste Universo que um Governo ficará isento de críticas, de reparos, denúncias. Não precisamos de ler Foucault para saber que um qualquer poder gera, inevitavelmente, um qualquer contra-poder. Mas bem que podemos começar a exigir uma oposição digna do que ambicionamos para os nossos filhos. O que temos, agora, é um grupo de pessoas que faz do arrivismo uma metodologia, da sinecura um projecto, da corrupção um prémio e um orgulho. Estes, no aparelho partidário. Na máquina mediática, temos os cínicos, os ressabiados, os vaidosos. Todos eles irmanados no atávico propósito de se oporem clubisticamente ao Governo, desprezando qualquer compromisso para com a verdade, o bem comum, a comunidade. Como é óbvio, é gentalha que não merece um pingo de respeito.

Os partidos do século XXI serão escolas de política. Farão das freguesias centros de irradiação de civilização. Irão nascer de um regresso à Cidade, regresso à evidência de que somos animais políticos cujo ecossistema é logóico; os deuses que restam todos cremados. Os chefes serão escolhidos pela coragem, como sempre se fez durante milhares de anos de crescimento do intelecto humano. Porque a coragem é a forma mais alta de inteligência, é o que alimenta a ética e molda os genes dos saltos evolutivos ainda por acontecer nessa matéria que fala e ri de si própria. Mas, isso, só o sabem os que são maiores do que o medo.

Sim, estou a falar do Sócrates. O outro.

35 thoughts on “Oposição à oposição”

  1. Excelente “post”.
    É o acordo tácito pela submissão (que nos foi imposto pelo Salazarismo) que explica muito do mal que nos aflige: a “direita” utiliza-o explicitamente a “esquerda” aceita-o implicitamente. O Medo está, de facto, na génese da nossa castração. Se o outro Sócrates ajudará, tenho sérias dúvidas. O José Gil explica bem porquê…

  2. Sócrates é bem melhor governante e bem mais sério político do que essa tropa fandanga do PSD. E escolheu bons ministros para as Finanças, Educação, Ciência, Neg Estrangeiros, Defesa, Adm Interna, Saúde, Economia, Trabalho e Ambiente, pelo menos. É, até agora, o melhor primeiro ministro socialista, ponto parágrafo.

    Cavaco, que foi o melhor primeiro ministro do PSD, tem sido um bom presidente, solidário com este governo como Soares nunca foi com o dele, sereno, interventor q.b., uma figura de Estado. Portugal está em boas mãos. A oposição, se só tentar desestabilizar, será julgada no tribunal das urnas.

    Mas não vale a pena desqualificar, como diria o Zapatero, os gajos da oposição. O Mendes, o Meneses, o Portas, o Jerónimo, o Louçã não podem fazer muito mais, senão isto. Mesmo os panditas do comentário político têm que se vergar. A fúria cega, a inveja e o whisky são maus conselheiros.

  3. Sim, Rui, o Medo de Existir, a obra do Gil, é incontornável para a reflexão da nossa identidade. Creio que o livro é um marco, nisso de permitir olhar para o salazarismo a partir de uma perspectiva científica, e não ideológica. Não será uma novidade académica, apenas uma raridade, mas é um abalo na coerção esquerdista que preferia fazer de Salazar o Hitler lusitano.

    Espero pelo dia em que se reconheça que o problema do salazarismo foi o seu sucesso, o nosso azar o talento de Salazar para manter a mais longa ditadura europeia. Em equipa que ganha não se mexe, mesmo quando se ganha cada vez menos, ou contra adversários que tornam indigna a luta. Infelicidade que continua a provocar vítimas.
    __

    Quero que a oposição ame a verdade, sininho. Só isso.
    __

    Concordo, Nik. Mas da oposição espero lealdade para com a Nação; ou seja, espero um constante contributo para o bem comum. E, isso, ninguém impede seja a quem for.

  4. Não sei se já reparaste, mas o que estás a exigir da oposição é impossível de obter. A oposição tem que fazer oposição. A qualidade com que a faz é que é o busílis da questão. Se fizer má oposição, em circunstâncias normais o eleitorado saberá castigá-la. Se manipular, mentir, conspirar, desestabilizar, o governo e o partido em que se apoia têm que responder taco a taco, desmontando, desmentindo, desarmando. Se não o fizerem, contra si agem e poderão ser punidos por isso pelos eleitores. Estas são as regras do jogo democrático. Nenhuma oposição, em circunstâncias normais, dá ao governo “contributos para o bem comum”. O melhor contributo que pode dar é fazer bem oposição. A ideia de uma oposição construtiva, amante do bem comum e colaborante com o governo, era uma ficção que o Salazar e o Caetano costumavam agitar em face da oposição real que tinham, para justificar a ditadura, a censura e a PIDE.

  5. sim, anonyme, mas se a oposição fizer boa oposição, daí advirá o bem comum. é desse modo (como descreves) que um adversário é mais do que um inimigo, tornando-se um polo oposto e complementar numa dicotomia. de qualquer modo, sim, a oposição deve oferecer ideias, alternativas, discussão inteligente, não apenas pôr dedos nas feridas reais ou imaginárias.

  6. Isso da oposição ter de fazer oposição é uma disfunção lexical. O que a oposição tem de fazer é tentar chegar ao poder, isso sim. O estado “oposição”, para qualquer força política, é sempre condicional, suspensão da sempiterna e totalitária vontade de poder. A democracia é, precisamente, o melhor sistema para conciliar a pluralidade das forças “opositoras” – como já falado a propósito do Popper, e etc.

    Ora, fazer boa oposição, para mim, é apresentar boas propostas de governação. É simples. Nem sequer reclamo pelo seu papel fiscalizador do Governo, pois o tomo como inerente à cidadania, não se esgotando em partidos e instituições. É cada cidadão que deve, se o quiser, exercer a fiscalização.

    Assim, pouco importa o que o Salazar e o Caetano disseram ou deixaram de dizer. O dito “jogo democrático” é uma brincadeira de irresponsáveis, como se vê até ao vómito. Precisamos de acabar com o jogo e voltar para a Cidade. Há um novo paradigma à espera dos corajosos; não estamos condenados a deixar de evoluir.

  7. Voltar para a Cidade é giro, mas é só uma boca. Quando é que lá estivemos, nessa Pólis mítica da idade do ouro que nunca houve? Fazer boa oposição é, denunciar o que está mal e, claro, avançar com soluções para os problemas. Mas não é propriamente dar contributos ao governo! A maior parte das vezes o diagnóstico e os remédios do governo são diferentes ou contrários aos da oposição. O que é a salvação para uns, é o inferno para os outros e vice-versa. Não perceber isto é não perceber de todo o que é a política.

    A aversão de uma parte considerável da população à política é devida muito menos aos comportamentos condenáveis dos políticos, como geralmente se julga, do que à incompreensão geral que grassa nessa mesma população sobre o que é realmente a política – e a política democrática em particular.

    Não há democracia enquanto se não aceitar a oposição como força essencialmente opositora, que questiona tudo e tudo quer investigar e pôr em causa. Na informação é igual: ou se dão os pontos de vista contrários, em confronto, ou há inevitavelmente manipulação e opressão. Porque há sempre outro ponto de vista.

    Importa sim o que o Salazar disse, porque o meio século de ditadura deixou, como referiste, um forte marca nas mentalidades e na cultura política lusa. A história não é para ficar fechada nos livros, é para nós nos olharmos nela como num espelho e entendermos como viemos aqui parar. As pessoas muitas vezes não se dão conta de que estão a repetir velhas ideias e velhos debates, quase textualmente.

  8. Excelente resumo de tanta “oposição e posição pantanal”, Valupi…

    Há pessoas que são como os gatos, vivem várias vidas, pelo menos na política.

    Cavaco, que poderia ficar-se pela universidade é PR; Durão que poderia ter emigrado para os EUA é Chanceler europeu; Santana continua a andar por aí, com pasta de gel… só a Manuela é que continua com o Leite azedo (por opção própria, já que queriam que enfrentasse a “fera” de Gaia…)

  9. Olhe, como leitor que procura na blogosfera um pouco mais de visão sobre o mundo (e as pessoas) que nos rodeia, tenho a diizer que gostei de o ler. E quase que sinto inveja por não ter sido eu a escrevê-lo… Mas faltar-me-ia conhecimentos e jeito…
    Só não percebi: “Sim, estou a falar do Sócrates. O outro”, ou, …estou a falar COMO Sócrates. O outro.

  10. Valupi, estive aqui a pensar. Tenho que me desmarcar do elogio tácito à Ferreira Leite. Eu não desejo mal à senhora mas não posso deixar passar. Enquanto secretária de Estado do Orçamento foi responsável pelo maior erro de previsão que havia notícia. Mas enfim, erros todos fazemos…

    Depois o papão do deficit foi em parte uma construção teórica para levar o PSD ao poder, com aquele vergonhosos discurso da tanga…

    O Eurostat já tinha validado o deficit em pouco mais de 3% e os PSD foram lá fazer queixinhas para mudar umas parcelas e fazer crescer o número para ficar assustador. E assim chegaram lá, com o dispositivo ideológico associado que o Guterres não ligava às contas. Por seu lado o Guterres, um homem bom, tinha ficado enredado no seu pântano de diálogo.

    Voltando à Ferreira Leite, a seguir declarou ‘vão-se os anéis e fiquem os dedos’ e lá foi a preços de saldo as jóias da coroa em 2002, os fogos de 2003 deram para ir buscar 50 milhões de euros extraordinários, titularizou a dívida fiscal por valores que nem sei, as reservas de ouro do BP marcharam a uma velocidade impressionante, por causa do papão que eles próprios alimentaram.

    Depois há um milagre e o Barroso vai para a Europa!

    O Sampaio, bem vistas as coisas fez o que tinha a fazer.

    Tivémos o nosso momento de peronismo audi tt, e a cinha já se estava a lamber para evita. Vá lá, durou pouco.

    E ainda bem, porque estamos com o Governo mais credível de que há memória nos últimos tempos, parece,

    O dragão está na primeira página dos jornais do mundo, e a lusofonia expande-se, é aprovada a moratória contra a pena de morte no ONU

    entretanto

    http://web.es.amnesty.org/pena-muerte-iran/

  11. Anonyme, és sempre engraçado, até cândido. Achas mesmo que alguém tem dificuldade em perceber a multiplicidade contrastante, opositora, inerente aos regimes pluripartidários? O simples facto de teres tido necessidade de gastar caracteres com esse reparo mostra que estás no grau -0 (acabei de inventar em tua homenagem – cá vai por extenso: menos zero) do raciocínio. Repara: toda e qualquer oposição pressupõe uma actividade de constante contributo ao Governo, pois é sempre o Governo que é discutido, e o que importa, e o que se ambiciona. Toda a crítica, por mais negativa, toda a denúncia, por mais grave, constitui-se como contributo para o Governo. Porque o Governo é nosso, do País, é serviço público – tudo o que seja para o melhorar é em nosso favor. Um Governo, qualquer Governo, não é propriedade privada, clube, empresa, entidade concorrente da oposição. Andas muito baralhado.

    Eu exijo dos partidos na oposição que sejam pessoas de bem. Se o forem (e não são, fique já despachado esse assunto), irão contribuir para a riqueza do País. Serão politicamente responsáveis, aplaudindo o que se fizer bem, apontando o que se faz mal, sugerindo o que se pode fazer melhor. O que abandonariam é este constante boicote da acção governativa, complementado com a barulheira que impede a análise das questões em causa. Os partidos não querem os eleitores esclarecidos e autónomos, não lhes interessa a racionalidade.

    Esquece lá o Salazar. O que temos para fazer nenhum político do século XX o poderia sequer imaginar. Voltar à Cidade consiste em voltar a querer fazer política. Será o assomo da necessidade de nos ligarmos ao Poder através do poder que cada cidadão possui pelo simples facto de ser parte da “polis”. Repara: as pessoas recusam o usufruto dos direitos e garantias consignados na Constituição e nas leis. As pessoas anulam-se, por sua iniciativa.

    Perguntas pela “polis mítica da idade do ouro”, e a única resposta que valha é esta: depende de ti, “está no meio de nós”. O que sabemos é que houve uma Atenas real, concreta, onde a Humanidade cresceu. Não te enche de alegria que tal tenha sido possível?…

  12. luis eme, os políticos ficam viciados nas mordomias. É feérico. E tão fácil a auto-ilusão de se estar a contribuir…
    __

    alx, via-me grego para falar COMO o Sócrates. Este ou o outro.
    __

    claudia, então porquê? Conta lá o que te aflige na temática problemática.
    __

    z, fazes muito bem. Eu também não sou fã, mas teria sido melhor para o PSD ter a senhora no palanque. Já para o País, tê-la durante 4 anos ao leme, muito provavelmente não. O PSD ainda não descobriu o seu Moisés. Talvez com Passos Coelho.

  13. :-) Valupi, eu acho que já tenho muita dificuldade em governar-me a mim própria. É por isso. E prefiro ler um bom livro do que ler sobre o PSD ou PS ou PCP, ainda pior, ou outro partido qualquer. Dêem-me histórias de amor, de fantasmas, de piratas. Isso sim. Não há aqui ninguém no Aspirina para escrever sobre um fantasma, um anjo ou um monstro?

  14. Valupi, dou-te o desconto da agressividade, latente ou explícita, para com quem não pensa como tu. “Menos zero” é género estalada! Pois eu a ti chamo-te simplesmente UM LÍRICO, em maiúsculas.

    O teu post, a começar pelo título, berra incompreensão da política. O que te digo e repito é que não podes “exigir” nada à oposição, excepto que ela respeite a lei. O tal “jogo democrático” que te faz frenicoques, os debates públicos, os contactos com a opinião pública, as sondagens, as votações, os “checks and balances” encarregam-se de condicionar o comportamento da oposição.

    “Constante boicote da acção governativa”? “Barulheira que impede a análise das questões em causa”? No género anti-político não há melhores definições da oposição do que as tuas. Enfadas-te quando te recordo o Salazar. Mas ele usava há 70 anos as mesmíssimas expressões e imagens que tu usas hoje, quando falava sobre o “boicote” dos que trabalham para o bem comum (ele, claro!) e o “ruído” da oposição que não deixava governar quem sabia (ele, claro!) Não te estou a chamar salazarista, menino. Estou a discutir as tuas ideias, que te parecem belas, clarividentes e elevadas, mas não são.

    Aplaudir o que se faz bem? Apontar o que se faz mal? Sugerir o que se pode fazer melhor? Soa bem. Mas como pode isso funcionar, se a maior parte das vezes não há sequer acordo sobre o que é bom ou mau para o país? Em qualquer caso, quem tem que aplaudir o que o governo faz bem, não é a oposição, é a opinião pública, é a comunicação social, são os próprios apoiantes do governo.

    Boa tarde.

  15. Ei pá, o Valupi levou uma estalada. Mas olha lá, Anonyme, comunicação social? Mas será que vives neste mundo? A comunicação social anda de mãos dadas com a política! Namoram-se a toda a hora, aos olhos do público, que é uma grande escandaleira! E essa comunicação social, inocente, sem mancha, é que vai aplaudir o governo? Ahahahahahahahah. Era bom, era bom, sim, que a opinião pública anda-se lá, no jornaleco. Valemo-nos da opinião de poucos que é o que temos.

  16. Valupi,
    Aplaudo. De pé e longamente.

    Mas nem esta primorosa fala, sobre o caixote de laranjas do Aspirina, desfaz o mistério. Do que é Sócrates – este – para ti. Mas ouso levantar o véu um pontinha de nada, e avançar que, para ti, José Sócrates é, feitas as contas todas todinhas, um mal menor. Não te enstusiasma, mas Portugal não está em situação de dar-te melhor, de momento.

    Há, depois, um problema. Técnico, mas possivelmente decisivo. Dizes que a Oposição só tem uma coisa a fazer: conquistar o poder, expondo alternativas. Simplesmente, se a Oposição, hoje, apresentar uma só alternativa bem estruturada, ela será, amanhã, levada à prática por Sócrates.

    Haverá saída? Será Sócrates, para além de mal menor, o único bem, gostes (goste-se) ou não? Terá a finoríssima, e corajosa, Ferreira Leite percebido isto antes de mim? Ou de ti?

  17. Bem digo eu que vocês andam à procura do Chefe…

    Nós não precisamos de políticos que nos entusiasmem! Nem de salvadores de nenhuma espécie, incluindo salvadores light! Precisamos é de políticas que nos deixem salvar a nós próprios e que façam com que nos entusiasmemos cada vez mais com a nossa vida privada.

  18. Anonyme, pensava que irias apreciar a minha homenagem, mas a matemática não te chega a tanto. Tal como a hermenêutica também já conheceu melhores dias por aí. Então, não me deixas exigir nada à oposição? És cruel.

    O problema não está na diversidade de opiniões. Compreendo que a multiplicidade da escolha te confunda, mas é dela que vem a salvação numa democracia. Precisamente porque implica um pressuposto: ninguém é dono da verdade. Assim, fazer política em democracia favorece as negociações, as cedências, os consensos, as lógicas de maioria – mas também a defesa das minorias, o alargamento dos instrumentos e instituições reguladoras e fiscalizadoras, o anátema contra os absolutismos outros que não os do Estado de Direito nos seus fundamentos. (se estiver a escrever rápido demais, avisa; ok?)

    Mas que importa o que Salazar disse? Uma oposição que não faz oposição não me interessa. Já discutir o que seja isso de fazer oposição, interessa-me sobremaneira, urgentemente. Ter partidos incapazes de contribuir para a ilustração política da comunidade, prejudica-me. É disso que falo.

    Não queres ver a oposição a aplaudir o Governo. Que raio. Mas eles não foram eleitos, os respectivos deputados na Assembleia da República, com o nosso voto? Eu quero ser representado na minha inteligência e na minha ética. Se o Governo decide bem, quero que a oposição aplauda na Assembleia. Pois é Portugal que está em causa, que é a nossa suprema causa.

    Concordo muito contigo: sou lírico. E espero continuar assim nos próximos 200 anos. Talvez nessa altura já estejas capaz de começar a discutir estas ideias.
    __

    Fernando, Sócrates parece-me o homem certo no lugar certo no tempo certo. A situação que se lhe deparou fez fugir muita gente, de ambos os lados da barricada. Creio que lhe devemos, no mínimo, a lealdade de esperar para ver. Os eleitores são levados a esquecer que a ideia é haver eleições de 4 em 4 anos.

  19. Problema técnico é que eu hoje, à conta de procurar chanfana, sem encontrar, acabei a lambuzar-me com bacalhau com natas! E já sei que amanhã vou acordar com a boca amarga y no me gusta. mea culpa. E do Fernando.

    Agora tem outra coisa: hoje farejei de lés a lés um Público inteirinho e tem lá uma coisa que não gostei nada. A nova lei autárquica com executivos monocolores e precisa de maioria qualificada de 3/5 para ir abaixo. Vai ser um fartar vilanagem, meu Deus. Oh Pá, agora que já deste um jeitinho no MO (gracias, Te amo mucho se continuares assim) dá lá uma porrada nisto que eu quero ir descansado tropicalar.

  20. És um lírico, Valupi, e hás-de continuar a sê-lo, mas tenho que te advertir que talvez não por 200 anos. Nem um amigo te deveria esconder a verdade, quanto mais eu.

    Não consigo às vezes seguir o teu raciocínio, mas não é pela velocidade, é pela confusão.

    Se estás descontente com o partido da oposição em que votaste porque não aplaude o governo de que gostas, o problema é teu. Estás hesitante entre duas opções de voto? Idem, aspas. Para a próxima, vota no partido que governou bem. O teu caso particular, se é este, não invalida a regra. A oposição faz oposição, não aplaude o governo. Ou melhor, aplaudirá só quando e como lhe convier aplaudir. É feio? Não, é assim mesmo. Normalmente, um partido de oposição dirá: “O governo não andou muito mal, mas, nas mesmas condições, nós teríamos feito muito melhor.” Isto é que é normal, real e compreensível. O resto são lirismos teus. Não tenho nada contra os poetas líricos, note-se.

  21. que a opinião pública anda-se lá

    eu nem acredito que tenha escrito isto
    mas pronto
    sou tola

    O Anonyme, se me apanha em tamanho erro em língua portuga, bem se escangalha a rir.
    (mas é da constipação, não consigo raciocinar)

  22. Anonyme, fica bem assumires que o problema consiste, afinal, em estares confuso. Mas não seria aí que eu gastaria as calorias. Essa do “normal, real e compreensível” é que deveria dar trabalho. Porque se te contentas com a inanidade actual, talvez ainda não estejas confuso o suficiente.

    Lá está, falta-te lirismo. Grande azar.

  23. Fantômas, je suis enrhumée. J’ai besoin d’une aspirine, rien de plus. De toute façon, étant un fantôme, tu ne pourrais rien me faire de concret (ihihih).

  24. ok, pantufada qb, que é para treinar os neurónios.

    Olhem eu estou é preocupado com a nova lei autárquica, não gosto mesmo nada. O caso da CMC é paradigmático, não fosse o Sá Fernandes e aqueles negócios todos tinham-se passado fora do controlo democrático dos cidadãos e da opinião pública. Não tenho ilusões de que nunca será perfeito, isso é só uma referência, mas o problema é ir para melhor

    Com executivos monocolores amparados em maiorias qualificadas vemos ter uma solidificação dos lóbis insuportável, cá para meu gosto. Vocês não acham?

    Bem, vamos ver se é hoje que descubro chanfana

  25. Não me faz falta nenhuma o lirismo, Valupi, por isso o fui deitando fora.

    Z, a lei autárquica parece-me boa precisamente no ponto dos executivos monocolores, porque responsabilizadora de quem ganha as eleições. Acabam-se os inexecutivos municipais. A assembleia municipal é a instância adequada para a participação das outras forças. Se necessário, dando-lhe mais competências e instrumentos de actuação e controlo.

  26. Claudette minette, je possède un savoir-faire fantomatique dans le domaine de la languistique qui peut être très utile et agréable aux minettes enrhumées.

  27. Mas Anonyme, executivos monocolores que podem vir abaixo por maioria simples, ainda podia ser, agora por maioria qualificada é um convite ao compadrio, ao nepotismo, e quejandos, parece-me. Fica tudo muito consolidado.

    Bem, temos opiniões diferentes, é normal e saudável. Só recordo o caso da CMC para se ter em conta.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.