No país do Miguel Relvas

É sempre uma cena circense ver alguém que se diz de esquerda a validar e promover a arruaça da multidão contra um cidadão cuja função governativa é democraticamente legítima. E constatar que uma instituição de ensino superior pode ser palco da celebração da barbárie só acrescenta espectacularidade ao acontecimento. Que saberão estas inteligências de História? Que noção têm estes valentes do Estado de direito? Que leitura estes iluminados fazem, se alguma alguma vez fizeram, da Constituição? Que grotesca concepção do que seja a democracia estes justos transportam no bestunto?

Miguel Relvas é uma decadente e degradante figura, um autêntico traste. É um político do PSD paradigmático da lógica da conquista do poder pelo poder a que o partido se reduziu desde a fuga de Barroso. Não tem existido mais nenhuma ambição na São Caetano, mais nenhuma ideia que mereça ser discutida pela sociedade, daí a política de terra queimada e permanente chicana que apareceu para lidar com um inimigo que tinha ocupado o centro com um espírito de esquerda e deixado os social-democratas sem bandeiras. A resposta do laranjal, também por causa da crise internacional que fez ruir o seu império bancário, foi a da violência máxima, num frenesim de ódio e calúnias que ocupou todos os órgãos de comunicação social onde controlavam a edição e que se serviu da Justiça para perseguir e conspurcar os adversários. O tipo que ofendeu os filhos de Sócrates na sua raiva cega contra o pai – algo que, creio, nunca antes tinha ocorrido na política portuguesa desde que há memória – foi uma peça de capital notoriedade e impacto nessa estratégia.

Mas Miguel Relvas não teria sido possível sem a conivência de um país de cidadania larvar, iliteracia maciça, sectarismo obsessivo e cobardia epidémica. Um país que não reage quando um governante mente no Parlamento sob juramento em matérias que envolvem os serviços secretos, quando um ministro é apanhado a chantagear jornais e jornalistas, quando um político se revela um hipócrita pestilento. Esse é o pais onde uns mandam calhaus contra a Assembleia da República e outros ficam a olhar para o Palácio. O país que alinhou com este Miguel Relvas na golpada que interrompeu uma legislatura e entregou a soberania aos fanáticos do quanto pior melhor.

Este país merece o que tem porque tem o que quis.

79 thoughts on “No país do Miguel Relvas”

  1. Apetecia-me dizer “exactissimamente”.
    Deixo o meu “excelente”. Já agora, se pudesse mandar uma cópia para o largo do rato seria útil. Talvez, se mais ninguém mais alto lesse, pelo menos aquele rapaz também Ribeiro, o das traições dos camaradas, pudesse ser informado da verdade histórica.
    Quem sabe, o rapaz ainda se pode transformar num político culto, ou pelo menos melhor que o miserável do relvas.
    Mas por falar em relvas e em estudos e cultura:
    – O que dizer daquele traste, o explicador de matemática, que tem o pelouro da educação?
    Este não será, moral e eticamente, tão mau como o relvas?
    Como é possível um fulano, que se diz professor de uma universidade, ser tão mentiroso e pulha? Um é um ignorante básico. Este não tem desculpa, atenta a sua formação!
    Mas haverá alguém, neste desgoverno, minimamente sério e responsável?

  2. Por mais duras que pareçam estas observações do Valupi, eu tenho de concordar com elas, pelo menos genericamente. Porque o meu primeiro impulso era apoiar os “corajosos” que insultaram o indígno ministro Relvas. Porém, lançando o meu olhar um pouco mais longe, era bem capaz de encontrar estes “corajosos rapazes” irmanados com todos os professores Charrua a chamarem “filho da puta” a Sócrates,a Mariano Gago e à Maria de Lurdes Rodrigues. Possivelmente, tê-los-iamos ainda visto a fazer campanha, do lado de Passos, Relvas e Portas, contra o PEC IV e os cabrões dos governantes PS, desde o Correia de Campos ao Manuel Pinho.
    Mas temo, face à nulidade política de Seguro e do seu PS, que o poder esteja destinado a cair na rua. Ou cairá de pôdre, como o salazarismo, depois da nossa breve democracia ter sido estilhaçada.
    E é por isso, e só por isso, que não me entusiasmo com o Valupi na condenaçâo dos arruaceiros contra quem está a destruir, objectivamente, a vida das pessoas. Se a oposição política se demite das suas funções ou só as exerce quando partidariamente lhe convém (o BE e PCP aliados a estes mesmos passos, relvas e portas, no passado recente, são o estrondo da traição ao 25 de Abril) a revolta pode surgir de todas as formas. E nenhuma delas será inocente, como nunca foram no 25 de Abril. E para terminar: a cumplicidade do Presidente Cavaco com a indignidade politica destes governantes não deixa alternativa para sair do impasse. Parece que o Valupi está a esquecer o outro lado da questão ou a minimizar demasiado a falência efectiva das estruturas fundamentais da democracia, como sejam a Presidencia da Republica, a justiça e a comunicação social. Como dizia anteontem o ex-presidente Sampaio, se estas falham, “estamos perdidos”. Ora nó sabemos como estão apodrecidas ou foram capturadas pelo poder economico das mafias.

  3. Muito bem, é mesmo assim. Lembro os diários apelos dos feirantes aqui no Largo Camões porque eles ainda não perceberam que este ministro é o ministro da destruição da economia. Mostrar que o IVA dos carroucéis nos outros países é de 6 para ele não interessa, ele não quer saber.

  4. …um país de cidadania larvar, iliteracia maciça, sectarismo obsessivo e cobardia epidémica…

    eu diria mais …um país de cidadania larvar, iliteracia maciça, sectarismo obsessivo e cobardia epidémica…

    Só nos falta nacionalizar o Lima!

  5. pois é oh valupi! pela tua conversa a crise académica de 69 e o 25 de abril ainda estavam por fazer, apesar de reconheceres que o estado de direito já foi. com o relvas não vi bandeiras ou palavras de ordem dos desordeiros que evocas. já agora poderias explicar qual é resistência democrátrica que é tolerável, uma greve silênciosa ou uma abstenção violenta? estamos onde estamos por causa das oposições civilizadas e imaculadas ao conspirador de belém.

  6. Se a crise académica de 69 e o 25 de Abril fossem pró caralho!

    Aí em vez de 21000 arquitectos tinhamos 21000 pedreiros que emigravam e mandavam as remessas.

  7. A questão é pertinente. Mas as instituições democráticas também têm de contribuir para o respeito que lhes é devido respeitando os seus constituintes, o que manifestamente nem sempre acontece. Nesses casos exigir que o direito à indignação se exerça de acordo com as regras estipuladas pela legitimidade estabelecida é, no minimo, uma questão que merece polémica.

  8. Pois eu, enquanto “iluminado” e ser “grotesco”, não percebo como é que alguém que se intitula democrata pode dizer barbaridades com as do teu primeiro parágrafo.

    Em primeiro lugar, uma democracia não é um plebiscito quadrianual e um mandato não é um cheque em branco. Depois, da última vez que vi, a legitimidade legal e legitimidade política eram coisas bastante distintas. Uma vem da lei enquanto a outra vem da acção. Relvas terá certamente a primeira, mas deixou de ter há muito – pelas razões que tu próprio elencas nos dois parágrafos seguintes – a segunda. E foi por isso que ouviu o que ouviu.

    Depois, a “arruaça” de ontem. O que aconteceu foi que uma boa parte das pessoas que estavam no auditório levantaram-se mostraram cartazes, cantaram a Grândola e lançaram uns piropos a Relvas. Perante isto, Relvas decidiu não discursar e ir-se embora. Podia ter esperado, podia ter falado com as pessoas. Mas não, amuou. Não houve qualquer forma de violência (tirando os empurrões dos seguranças). Em que é que isto viola a constituição e o estado de direito, está para lá da minha compreensão. Desculpa que te diga, mas comparar um protesto pacífico com episódios de violência revela uma grande má-fé da tua parte.

    Finalmente, sobre as manifestações em geral. As manifestações podem ser justas ou injustas – e já vi muitas manifestações por razões profundamente injustas. Mas, desde que sejam não violentas, são parte integrante de qualquer democracia.

  9. Não é por serem democraticamente eleitos que podem fazer o que querem.
    Ninguém na sociedade deve ser intocável, muito menos os politicos que decidem sobre a nossa vida.
    Era só o que faltava que fosse censurável a oposição a quem nos desgoverna e nos rouba.
    Então não nos devemos manifestar contra quem tem uma licenciatura com duas cadeiras feitas, enquanto outros sofrem na pele para poder estudar?
    Então não nos manifestamos contra quem mente descaradamente?
    Então devemos ser ordeiros e mansos perante um governo que leva as familias à ruina, ao desespero e à fome?
    Porquê? porque são políticos? Porque foram eleitos?
    Era só o que faltava.
    Ainda bem que nem todos estão anestesiados por esta comunicação social que se aliou à direita fascista e agora não tem coragem para reconhecer o erro.
    Quem ainda tem força deve manifestar-se, sem dó nem piedade por esta escumalha.
    A mudança sempre tem origem nalguns e nunca no povo em geral, o povo só se junta quando conhece o vencedor.
    Se não fossem os “arruaceiros” dos capitães de Abril…

  10. O Relvas transforma-se por obra e Graça de Gente Ligada ao PS , de traste, em vitima.

    Tenham tento.

    O Protesto significa que há cidadãos, que ainda não desistiram.

    O Protesto significa que os Estudantes lutam pelo direito a um Ensino Publico.

    O Protesto significa que ainda há quem não esqueça, o que Relvas tem feito CONTRA OS JORNALISTAS.

    Mas tambem é verdade , que o protesto mostra , que os assessores que o Relvas andou a contratar para o seu Gabinete, em vários Blogs e em várias areas politicas, estão hoje muito activos, a defender o PATRÂO:

  11. este filme já todos vimos. agressões com peixes,tomates,insultos carregados de ódio.se não os subscrevi anteriormente,não posso faze-lo agora,mesmo sabendo que foi para com gente que nos aldrabou,para chegar ao poder.e se esta saga justiceira se generalizar? pergunto alguem está livre? o que pode acontecer quando o pcp e o bloco forem fazer uma sessão de esclarecimento em terra de gente esclarecida com memoria, mas com muito desempregado a passar fome ? que moral têm estes agentes politicos que sobrevivem politicamente à custa da desgraça alheia que muitas vezes provocaram?este tempo que vivemos,é fertil para os amantes de ditaduras.o povo está descontente as tropas estão zangadas, a extrema esquerda que sonha com “os amanhãs que cantam” está feliz com a situaçao.espero sinceramente que esta mistura de sentimentos contraditorios não nos obrigue mais uma vez a vir para a rua para repor a liberdade.

  12. Duas perguntas para Valupi:
    Classificar aquele protesto como barbárie não será um pouco exagerado?
    Será que vivemos em normalidade democrática? Ou seja, a mim parece-me que, apesar de não ter havido falcatrua na contagem dos votos, os eleitos desataram a fazer tudo precisamente ao contrário daquilo que tinham prometido e que, precisamente, lhes permitiu ganhar as eleições. É normal?
    Uma confissão minha:
    Não me tira o sono assistir ao que está acontecer ao Relvas e ao Passos.

  13. “É sempre uma cena circense ver alguém que se diz de esquerda a validar e promover a arruaça da multidão contra um cidadão cuja função governativa é democraticamente legítima.”

    é preciso ter lata. pareces uma foca a equilibrar o relvas dentro da bola. vamos lá com cuidado, quem é que promoveu e validou arruaça? deves estar a referir-te às bocas do relvas e aos empurrões dos segurança, só pode. função governativa democraticamente legítima! isso foi antes do gajo afastar jornalistas, da licenciatura, de conhecermos as negociatas e de andar a ser investigado por burlas. há quem demita por tourear um bernardino na arena parlamentar, mas isso são contas de um rosário socialista.

  14. estou muito orgulhosa com o meu pai. vocês têm é inveja de não ter um pai que vos ofereça integrabalances ao piqueno almoço.

  15. Eu sou a favor da permanência do Sr. Miguel Relvas no governo.
    O Sr. Relvas tem a enorme valia de ser um concentrado de características deste governo. De facto, o Sr. Relvas é a melhor descrição do governo. Este é um governo Relvas. Se Relvas não estivesse no governo, teríamos de descrever o governo através das características da acção de cada um dos ministros. Dizendo que este é um governo Relvas poupamos muito na prosa descritiva.
    Certamente alguém dirá que há ministros que erram mais, que são mais influentes, que são mais licenciados, que dizem frases mais irrealistas, que tomam medidas mais insensatas, que vêem mais miragens douradas que o Sr. Relvas. Mas isso é características que não se concentra numa só pessoa. A acumulação de todas estas virtudes numa só pessoa é que torna o Sr. Relvas insubstituível.

  16. “…É sempre uma cena circense ver alguém que se diz de esquerda a validar e promover a arruaça da multidão contra um cidadão cuja função governativa é democraticamente legítima…”
    Espera aí ó Val, desde quando é que o marmanjo tem uma função governativa legitima?
    Essa tal de “função governativa” não foi através de mentiras, esse cidadão não tem um curriculum com indícios de corrupção?
    Que raio de branqueamento é esse que estás a tentar fazer? Daqui a bocado estás a dizer que esta politica é a única alternativa…ó Val, por favor…

  17. Não nutro nenhuma simpatia especial pelo Relvas, nem sequer nutro algum tipo de simpatia, pois a sua obra conhecida é caraterística do chico-espertismo nacional na versão política.

    Quanto à manifestação, acho bem que por lá se tenha cantado a “Grândola”, quanto mais não seja para mostrar que o pobre não sabe nem se quer a letra duma canção tornada ícone de uma revolução, como teria achado bem que alguém lhe tivesse feito as perguntas que todos temos na ponta da língua, porém os organizadores, como é seu velho hábito preferiram o insulto soez, o que nem será de estranhar face à história mais recente.

    Entendo que todos nós temos direito a manifestarmos o nosso desagrado, e quanto mais ousado e provocador, melhor, mas passar essa ténue margem, da provocação para o insulto gratuito, para além da falta de elegância, demonstra apenas uma grande falta de civismo e também, porque não dizê-lo, de educação básica.

  18. As declaracoes de hoje dos panhonhas do Assis neoliberal de fachada socialista e do exmaoista Santos Silva , sobremos acontecimentos no Iscte vêm mostrar de que lado esta o Ps , alias do lado em que sempre esteve em Portugal.

    Este post é igualmente um exemplo do medo que ha do povo , dos cidadãos. Ninguém impediu o rapaz de falar , alias tem muitas ocasiões para falar , convoca uma conferencia de imprensa, escreve para os jornais, da uma entrevista etc. Pelo que eu vi , o rapaz nao foi capaz de dialogar com os manifestantes e foi-se embora. Para os supostos defensores da liberdade que parecem aqueles que dizem que defendem ao direito à greve desde que nao se faca greve aqui vai o artigo da constituicao que aprovaram

    Artigo 37.º
    Liberdade de expressão e informação

    1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.

  19. Como eu entendo, a lógica daqueles, que defendem que em democracia só os aldrabões e corruptos tem liberdade democrática.

  20. oh bento! a diferença é que as manifs da comunada acabam à trolha e as outras não. quando os comunas falam em liberdade de expressão e de informação é porque devem estar para readmitir o carlos brito ou mesmo a zita.

  21. Pedro Estêvão e Zy disseram atrás quase tudo o que é relevante.
    Mas. mesmo assim, não resisto a deixar umas patacoadas, desculpai qualquer coisinha.
    Em primeiro lugar, o direito de manifestação é uma garantia cujo exercício a CR (Constituição da República, para quem não gosta de siglas) não condiciona à sua conformidade a um padrão de “boa educação”, a regulamentar e “implementar” através de – está-se mesmo a ver, a história mostra como foi – um organismo competente. A “educação” é o que há, seja na modalidade de maneiras (e maneirismos), seja na categoria de transmissão (acção de comunicar e de receber) do conhecimento estruturado. É tão básica, essa educação, que até pode ser experiência jota validada por uma instituição acreditada para acreditar, e pode ser sibilada entredentes com perdigotos mal contidos por um ex-ministro adjunto barrosista, à mistura com pontapés na semântica, na sintaxe e até na verdade histórica, parolamente enfeitado com o elegante zero, desenhado, à direita e à esquerda, pelos correspondentes polegar e indicador, estilo senhor dos Passos, este com a rara aptidão para desenhar os dois zeros de uma assentada.
    Estávamos bem arranjados se a educação dos candidatos a manifestantes tivesse que ser homologada e acreditada. Já poucos creditam na educação, mesmo na do explicador, e não seria possível implementá-la (gosto da palavra, confesso) nem mesmo através da instituição de um Provedor da Educação ou, até, de um Bastonário que se aplicasse a cachaporrar os desviantes.
    Em segundo lugar, as pessoas bem educadas, diversamente das outras, mal educadas ou até mesmo sem educação, não têm estados de alma, servem na função para que são pagas – ou demitem-se totalmente de o fazer, está claro. Auto-demitem-se ou são… exoneradas.
    Em trigésimo sêxtimo lugar, eu prefiro os malcriados aos mentirosos, mesmo que encartados. Sobretudo aos que estão sempre a invocar a legitimidade democrática como se ela se pudesse desligar da burla “pogramática” (perdoe-se-me a concessão) eleitoral, valesse por quatro anos sem direito a queixume e nada tivesse a ver com a prática política.

  22. Néscio , vê lá se reabilitas o Salgado Zenha que era um homem honrado. Ja lá tens poucos.

    O mosca morta do Toze já se pronunciou? Está à espera do Costa?
    O PS ainda existe? está na oposição ou no governo? nao se percebe!

    Estão mortinhos para se aliarem ao PSD outravez

    Vai tomar banho pá!

    O Assis ainda nao percebeu que foi ele que pôs lá o Passos, quando o Sócrates cedendo aos banqueiros se demitiu.

  23. Nada me move contra os protestantes destrambelhados.
    São protestantes, como os outros, quaisquer outros.

    Talvez até se reabilitem – se ajudarem a tirar de “lá”, os que “lá” ajudarem a meter…

    Farão mais, de qualquer maneira, do que os bem-falantes de poleiro (entre os quais me incluo) que pouco mais fazem do que jogar (mal) os matraquilhos de belogue.

  24. óh bento tem pudor,não defendas regimes que ao fim de uma semana já não tens hipotese de ver alguem que o regenere.olha para angola,alem da corrupçao as manifestaçoes terminam sempre com dezenas de jovens presos em parte incerta.deixa a “biblia” para ficares mais liberto para a realidade.há 38 anos a marrar com os cornos nos 10% é ter paciencia a mais. contenta-te com uma coisa aproximada à social democracia do norte da europa.já viste regime melhor do que esse? diz-me que eu vou para lá.

  25. A CEE, na situação actual, é a CEE do capital monopolista, é o mecanismo de consolidação da dominação do capitalismo americano-alemão na Europa.

    Andreas Papandreou [fundador do PASOK], As estruturas da dependência, Le Monde Diplomatique, 1977, republicado em Fevereiro de 2013.

    Os passados são mesmo muitos socialismos distantes. E o que é a UE na situação actual, dada a austeridade permanente ou a promoção do comércio dito totalmente livre, o tal proteccionismo das fracções fortes do capital? E o que dizem e fazem os socialistas? Fazem mais do que escrever cartas a constatar o óbvio, a sensibilizar e a apelar à obrigação moral de quem comanda a economia política actual? E quem denuncia e procura superar as estruturas da dependência?

    Do blog ladroes de bicicletas de hoje postado por joao rodrigues

  26. antonio ribeiro, não posso concordar mais.
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    Pedro, a revolta que interessa não é a que violenta os direitos de terceiros e os ameaça com violência. A revolta que interessa é a que congrega a vontade e participação da maioria para o bem comum em liberdade e democracia.
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    e se fosses para o caralho?, larga o vinho.
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    Joaquim O., longa vida ao Ferreira Fernandes.
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    Manuel Rocha, o direito à indignação não é aceitável quando assume a forma de uma tirania.
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    Pedro Estêvão, a democracia poderá ser muita coisa, ter variadas dimensões, mas ainda não consta que corresponda à ameaça a governantes legitimamente eleitos de tal maneira que impedem a sua participação oficial, ou particular, em actos públicos.

    Dizes que o Relvas poderia ter feito isto e aquilo. É bem verdade. Mas a notícia que nos reúne aqui é outra: aquilo que a assistência fez para impedir Relvas de falar. E o que fez quando ele resolve abandonar as instalações.

    Ninguém que sinta repulsa pelo que fizeram a Relvas tem de por isso estar contra o direito à manifestação, ao protesto e à indignação. Nem sequer contra o direito ao insulto, como é o meu caso. Não ofendas a tua inteligência com essas falácias inanes.
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    Zy, impedir alguém de usar a palavra num evento para onde foi convidado pela organização é uma forma de censura ao próprio e ao evento. Se chamas a isto fazer oposição então estás a pedir que façam o mesmo a ti e aos teus.
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    Pedras da calçada, larga o vinho.
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    nunocm, certíssimo.
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    Blonde, thank you.
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    ignatz, larga o tintol.
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    atom, bem esgalhado.
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    Olinda, certíssimo.
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    Carlos Sousa, para além de teres de largar o vinho, ainda acrescento que as mentiras na campanha eleitoral não lhe retiram constitucionalmente a legitimidade política para exercer a função. Mas se alegas que retiram, traz a prova do contrário.
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    Teofilo M, certíssimo.
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    Bento, precisas de rever essas leituras da Constituição.
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    jojoratazana, larga a vinhaça.
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    jlsc, a questão não está no direito à manifestação, até no direito a se usarem os insultos mais ordinários e escabrosos que apetecer usar. A questão está na violência. Repara: se concordas com o que fizeram a Relvas, então concordas que qualquer outro político e governante seja igualmente impedido de participar em actos públicos desde que lá apareça um qualquer grupo de galfarros aos berros. Queres mesmo viver nessa sociedade?
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    assis, certíssimo.

  27. O Miguel Relvas é um néscio que, há muito tempo, devia ter-se demitido. Os protestos, contra ele, ou contra outros membros do governo, são tão válidos como quaisquer outros, até porque foram protestos inócuos e simbólicos (cantar a “Grândola” ainda não é crime). Se há ministros que “aguentam” com um sorriso amarelo e continuam os trabalhos, outros não “aguentam” e saiem da sala, protegidos por “gorilas” e pelo PS maçon Luís Recto.
    A democracia não se esgota na representatividade parlamentar e se os panhonhas da oposição não sabem fazer melhor do que aquilo que nos é dado ver, então que haja alguém que pronuncie fora da AR.
    A Europa está a ferro e fogo, com as medidas impostas aos mais pobres e desfavorecidos, enquanto governos corruptos (Portugal, Grécia, Espanha, Itália, etc.) salvam a Banca e o sistema financeiro que provocaram esta crise. Há protestos de Dublin a Atenas, passando por Madrid e Bruxelas (onde, por sinal se cantou a “Grândola”) e não vejo onde é que está a admiração. Pelo contrário, devíamos ter orgulho em que uma canção portuguesa fosse utilizada a nível interenacional.
    Do que é que o Valupi estava à espera? Que as pessoas se deixassem enrabar?
    A situação está a deteriorar-se sim, porque as pessoas não aguentam mais. É tão simples como isto. Quando os partidos não têm solução para a crise, as pessoas não se reconhecem neles e procuram as suas próprias formas de protesto. Chama-se consciência cívica (cidadania) e há muitas dezenas de anos que é praticada em países com maior tradição democrática. Não há que ter medo.
    O Valupi faz lembrar o Dom Fabrízi de Salinas, principe de Lampedusa que, antevendo a queda da aristocracia, casou a sua filha com um representante da burguesia italiana ascendente. Dele a célebre frase “é preciso que alguma coisa mude, para que tudo fique na mesma”. Percebe-se: o Valupi tem medo da mudança e quer defender o regime. Este regime podre que nos conduziu até aqui e nos vai levar ao abismo sem regresso.
    Val, vai dar banho ao cão!

  28. cantar não põe, nem nunca pôs nem nunca há-de pôr, em causa a segurança de alguém. cantar faz, e é por, bem. o que aconteceu foi que o homem teve de ficar – primeiro calado – retido para não lhe darem na tromba. é assim que se combate a injustiça e a podridão, rui mota, com a mesma moeda? se julgas, e para quem julga, que é não esperes mudança – espera vingança e frustração.

  29. Participação em actos públicos e direito à liberdade de expressao.

    Os governantes que querem usar o espaço publico têm de se sujeitar à liberdade do espaço publico , ou seja , à liberdade de qualquer cidadão se manifestar em igualdade de circunstancias com esse governante. Se nao for assim não é espaço publico ,não é liberdade , não é cidadania.

    Se não quer esses inconvenientes da liberdade faz como fez na reunião semiclandestina do palácio foz.

    Nao vi ninguém impedir o Relvas de participar no acto publico. Ele estava lá e participou no acto publico, alias foi o elemento que mais participou no acto publico.

  30. Val, só posso concluir da tua resposta que não estamos a falar do mesmo acontecimento. De que raio de ameaças é que tu estás a falar? Viste alguém a querer bater no homem? De uma vez por todas: ele decidiu não falar porque as pessoas estiveram dez minutos a cantar a Grândola e a vaiá-lo! Isso é uma ameaça ao quê? Aos tímpanos dele?

    E, já agora, que raio de concepção de democracia é a tua em que as pessoas não podem expressar pacificamente – repito, pacificamente, porque foi o que se passou – a sua opinião sobre um governante que está a intervir num acto público?!

    (Ok, retiro os “raios”, para não serem entendidos como uma “ameaça”…)

  31. “Se não quer esses inconvenientes da liberdade faz como fez na reunião semiclandestina do palácio foz.”

    … ou como nos comícios públicos da comunada, quem se atreve a fazer perguntas desalinhadas ou reclama, é convidado a sair ao empurrão e abandonado na valeta.

  32. Para além do que é dito pelo Valupi e por alguns comentadores, impedi-lo de falar não é uma atitude muito inteligente. É que sempre que abre a boca ficamos ainda com mais argumentos para protestar contra ele e contra o Governo. Nunca falha.

  33. “… impedi-lo de falar não é uma atitude muito inteligente. É que sempre que abre a boca ficamos ainda com mais argumentos para protestar contra ele e contra o Governo.”

    era a análise que faltava. para que é que queres mais argumentos se criticas o protesto?

  34. rui mota, larga o vinho.
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    Bento, espero que vás viver para onde esse tipo de anarco-liberdade que apregoas te aconchegue os dias.
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    Pedro Estêvão, para além de seres um queixinhas, também gostas de te fazer passar por parvo – ou, vai na volta, és mesmo parvo.
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    guida, ora aí está: impedir Relvas de falar é estar a protegê-lo.

  35. não, conheço mais, mas esta é eficaz, democrática e pacífica. e tu, o que é que sugeres, abstenção violenta? quer queiras ou não, prepara-te para haver disto cada vez que um governante sai à rua. enquanto não houver partidos a apoiar, tou com eles.

  36. Val: Touché, hem? Compreendo. Isto de ver um Luís Montenegro a usar a nossa argumentação põe qualquer um com os nervos em franja.

    Guida: Bom argumento. Excepto que, segundo Val, depois não podes usar o que o Relvas diz ou faz para protestar contra ele. Pelo menos, não na presença dele. Sob pena de estares a violar a constituição, a destruir o estado de direito, contribuires para a barbárie, etc., etc. etc.

  37. ignatz, tens a certeza que é democrático impedir alguém de falar?
    Devemos então preparar-nos para um silenciamento geral do Governo. Olha que são capazes de não se importar muito com isso. Mas eu importo-me. Para silêncio já basta o do Cavaco.

    Pedro Estêvão, percebeste alguma coisa do que leste no texto do Valupi?

  38. Guida, eu pergunto é se tu leste o texto. Valupi chamou a uma manifestação pacífica uma “arruaça”, comparou-a à “celebração da barbárie” e insinuou que os participantes – nos quais me incluo, com muito orgulho – eram uns “iluminados” que não faziam ideia do que era o estado de direito ou a constituição e que partilham uma concepção “grotesca” da democracia.

    Se isto não é linguagem completamente hiperbólica, arrogante e despropositada, não sei o que seja. Caramba, se eu não tivesse lá estado, teria pensado que um bando de revolucionários tinha saltado para cima do placo, agarrado no Relvas pelos colarinhos, corrido com ele do ISCTE aos pontapés e içado a bandeira vermelha no edifício!

    E a seguir quer convencer-me que vaiar um ministro num acto público é um atentado à democracia. Santa paciência! Quanto a espírito democrático, estamos falados. Bolas, posso não concordar com o teor ou as palavras de ordem de uma manifestação pacífica e legítima – já me aconteceu muitas vezes no passado. Mas nunca me passaria pela cabeça compará-la a barbárie. E muito menos desataria a insultar os que nela participavam.

  39. “ignatz, tens a certeza que é democrático impedir alguém de falar?”

    não falou porque não quis, ninguém lhe tapou a boca. hoje o paulo macedo levou com a mesma dose e depois falou à vontade, porque tem um à vontade diferente do relvas. passos, relvas, gaspar & borges, gozam à descarada e provocam o pessoal e tu pões-te com merdas de boas educações. governantes que não respeitam os governados não se dão ao respeito e a resposta está aí. até ver não houve caixotes do lixo queimados ou montras partidas, mas tenho visto empurrões e atitudes de violência dos seguranças dos ministros, que supostamente servem para proteger o ministro e não para dar porrada ao pessoal que contesta. por outro lado não lembra a ninguém convidar o relvas para falar de jornalismo quando o gajo é a cara da degradação do jornalismo em portugal.

  40. Pedro Estêvão, tu estás descontente com o Relvas, há quem esteja descontente com tudo o que é político. Imagina que te imitam a ti e aos teus companheiros e que de cada vez que aparece um político, seja de que área política for, acontece o que aconteceu ontem. Eu chamaria a isso barbárie. Mas fazes bem em sentir-te orgulhoso. Sabes quem é que deve estar também bastante orgulhoso? O Vítor Gaspar. Deve estar orgulhosíssimo do seu colega Relvas. Hoje anunciou que afinal a recessão será o dobro da que estava prevista no Orçamento e só se fala do que se passou ontem. E mais que não está a fazer nada no Governo…

    ignatz, no dia anterior o próprio Relvas também não se foi embora. E quanto ao convite, tens de criticar quem o convidou. É que se ele não tivesse aceitado, se calhar, estávamos aqui com uma conversa parecida com aquela que tivémos quando o Cavaco fez meia volta para evitar uma manifestação de putos, lembras-te?

  41. “Um país que não reage quando um governante mente no Parlamento sob juramento em matérias que envolvem os serviços secretos, quando um ministro é apanhado a chantagear jornais e jornalistas, quando um político se revela um hipócrita pestilento.”

    Quer dizer, lá reagir, reagiu (o metabolismo é que é lento, reconheço), mas não de uma forma que consideres legítima. Já agora, que forma considerarias legítima?

    É que posso estar a ver mal, mas cantar a grândola e vaiar figuras públicas sempre fez parte das realidades democráticas por esse mundo fora. No movimento estudantil de 69 levaram com ficheiros na PIDE e prisão e envio para o “ultramar”. Agora não dá. Mandam-nos para destinos mais alargados…

    Aproveito o momento, não para calar,mas para me expressar em uníssono…sem intenção absolutamente nenhuma de violar regras democráticas, que aqui, sendo um espaço privado, não se aplicam sempre.

    (obrigada, Zeca, lá onde quer que estejas; vê lá tu ao que isto chegou: a tua grândola, que já foi símbolo da inauguração da democracia em Portugal é agora vista como uma manifestação de violência anti-democrática quando exibida perante governantes, ao vivo, em directo)
    http://www.youtube.com/watch?v=q_2SWPX47OQ

  42. guida,

    não percebo onde está a incompatibilidade: vaia-se o Gaspar também (grande estrondo esse, concordo – é a quinquagésima caralhésima vez que o homem se engana e emenda e tal). Basta que ele apareça… E se ele aparecer e se vaiarmos o Gaspar está bem? Também não?

  43. olha guida! o portas tamém foi convidado, mas não pôs lá os butes e ninguém fala disso. o cavaco morreu na praia, se não saísse de casa nem se notava. volto ao paulo macedo que hoje passou pelo mesmo e ninguém fala disso porque não se acobardou. o problema é que estes gajos pensam que podem fazer o que querem por ser governo e gozar com o pessoal porque estão rodeados de seguranças que por sua vez arreiam em quem lhes apetece com respaldo do ministro. até agora só fizestes perguntas e mudas de assumpto, respostas & argumentos zero, mas sempre se bebe melhor que a zurrapa do gerente.

  44. edie, não gosto do que dizem, mas gosto de os poder ouvir. Desde que isso aconteça, podes vaiá-los e insultá-los com todos os nomes feios conhecidos. E, imaginativa como és, até podes inventar mais alguns, que eles merecem.

  45. guida, mas podes sempre ouvi-los (gostas? a sério?) desde que eles não se calem. Já o ignatz disse: quem calou o Macedo? Ninguém. Cada um disse o que tinha a dizer e a cantar. O Relvas é que se acobardou e se vitimizou. E pôs os capangas a distribuir porrada porque odeia pessoas, odeia a livre expressão, está a trabalhar nisso, mas a RTP correu mal, negócio adiado, odeia ter que lidar com expressões de democracia como aquelas com que foi confrontado. Verdade seja dita, não tem o exclusivo: este governo está cheio de psicopatas cheinhos de vontade de governar um país sem pessoas. O povo cheira mal e fala demais, sabes?

  46. Por mais que detestemos um individuo , em democracia todos têm direito á sua voz.
    O que se fez com o Relvas não foi correcto assim como não foi quando o fizeram a Socrates e aos seus ministros.
    A diferença é que os mesmos ministros de Socrates condenam agora, o que o “Dr” Relvas, na altura apoiou, porque era contra o PS.
    É a diferença entre quem têm carácter e quem não o têm.

  47. menos esta qual? não é verdade que um falou e outro se calou? Não é verdade que o homem convive mal com as questões da democracia? Não é verdade que “um governante mente no Parlamento sob juramento em matérias que envolvem os serviços secretos, quando um ministro é apanhado a chantagear jornais e jornalistas, quando um político se revela um hipócrita pestilento.”(Val dixit). Não é verdade que isto é máfia infiltrada no regime supostamente democrático? É que tens de ser mais explícita. Se com isso te vês obrigada a defender…quem, mesmo? estás à vontade, it’s a free country! :)))
    Manifestações de estudantes junto a representantes do poder foram condenadas noutros tempos, com argumentação da altura. O mínimo que podes fazer é apresentar argumentação à altura dos tempos. “Todas menos esta” não é argumento, guida. E habituaste-me a muito mais e melhor do que isso.

  48. “A diferença é que os mesmos ministros de Socrates condenam agora, o que o “Dr” Relvas, na altura apoiou, porque era contra o PS.
    É a diferença entre quem têm carácter e quem não o têm.”

    chama-se cinismo, se fosse político fazia o mesmo, como não sou digo o que penso.

  49. edie, não gosto, adoro. Adoro ouvi-los, adoro a forma como chegaram ao poder, adoro tudo neles. Por isso é que estou aqui a defendê-los. Não se vê logo?

  50. ignatz, sou do tempo de grandes manifestações de estudantes contra governantes. Mas, pelos vistos, a meia-dúzia que ontem se manifestou descobriu a pólvora. Ainda bem para eles e para ti.

    E não percebo o argumento do Macedo. O Relvas anteontem em Gaia também não se foi embora.

  51. Numa democracia representativa, o soberano é o povo. Da maneira que o PSD e certas pessoas do PS — felizmente, são poucas — estão a pôr as coisas parece que os eleitos recebem autorização dos eleitores para serem reis absolutos por quatro anos. Como todos sabemos, Passos Coelho ganhou as eleições com base num embuste e não mostra arrependimento, estando-se “a lixar para as eleições”. Assim sendo, ele deitou borda fora a legitimidade democrática que tinha no momento em que ganhou as eleições. O facto é que o mandato de um representante eleito não é absoluto; está balizado por um conjunto de princípios bem enfatizados na Constituição. Mais ainda, abandonando o terreno do idealismo em favor do pragmatismo, é bem sabido que o poder de um representante democraticamente eleito só pode ser formidável precisamente quando emana da vontade do povo. Não o contrário.

    Assim sendo, o problema é que — como se diz em politologia — a perda súbita de legitimidade democrática destes representantes eleitos gerou, pior que um défice, um trauma de representação; e isso arrasta consigo uma crise política com o potencial de embotar o regular funcionamento das instituições democráticas. Um poder que se julga forte torna-se, assim, penosamente fraco.

    Entretanto, o que faz Cavaco Silva? Assobia para o ar e, qual Pilatos, passa a bola ao Tribunal Constitucional…

  52. “sou do tempo de grandes manifestações de estudantes contra governantes.”

    eu tamém, no tempo da outra senhora, mas isso não responde ao que perguntei, qual a alternativa? se mão percebes a diferença entre o macedo e o relvas, problema teu.

  53. guida, se se aguentou uma vez, devia ter-se aguentado duas. Isso só mostra que o homem, ao contrário do que nos pedem, não aguenta. Se não aguenta, que se vá. E a responsabilidade da demissão é tanto dele como do Passos. O Pinho e o Vitorino não precisaram de autorização para ter consciência política.

    Quanto à questão do número – se é o número que legitima a manifestação – já tiveste o número em Setembro. E no 2 de março, tens outro. Mas o indivíduo vale em democracia, nem que esteja sozinho. O seu direito à liberdade de expressão é inalienável, mesmo que não teha centenas de milhar a acompanhá-lo.

  54. joaopft
    “o regular funcionamento das instituições democráticas.” já foi desde que este governo tomou posse, mesmo antes: desde que o cavaco, o garante do tal regular funcionamento, tomou posse. Agora, dentro do regular disfuncionamento das instituições desmocratizadas, há que exigir que as pessoas se calem até 2015. Porque escolheram, está escolhido, apesar de não ser bem isto que escolheram…Mas ignorância não desculpa, nisso concordo com o gerente da tasca. E em democracia há que ficar calado para que os governantes não se sintam constrangidos a não falar.

  55. Conversas de bêbado.
    Um alcoólico inveterado, remoendo as suas mágoas aconselha os outros a largar o vinho.
    Só o cheiro o inebria.

  56. edie, o facto de eles conspurcarem a democracia, para mim, não é argumento para que a conspurquemos também. E impedir alguém de falar, mesmo que esse alguém se chame Relvas, é conspurcar a democracia. E ele foi impedido de falar, não me venhas com o ‘ele não falou porque não quis’. Nem o menino Jesus conseguia falar naquelas condições.

  57. ignatz,

    O Paulo Macedo pode fazer o que fez (com o auto-conceito de ser homem de consciência mais limpa que Passos / Relvas) porque, segundo se ouve por aí de fontes fidedignas, passa a vida nos Conselhos de Ministros a argumentar contra o primeiro-ministro em exercício, Vítor Gaspar. E é o único, naquela sala, que o consegue, pois as suas competências teóricas e práticas sobre as finanças públicas portuguesas são certamente melhores e mais sólidas que as de Vítor Gaspar.

  58. edie,

    Concordo. Cavaco Silva torna-se no primeiro responsável, porque recaem sobre ele os poderes e a responsabilidade de zelar pelo regular funcionamento das instituições democráticas.

  59. vou, sim senhor, com o que “falou porque não quis”: olha o palhaço do Passos no parlamento: até esse falou depois de ter ouvido obedientemente o grândola. Coisa que o Relvas fez à primeira mas já não aguentou à segunda. estas manifestações são legítimas, democráticas e se uns têm condições para as aguentar e não se calar, outros – sobretudo um Relvas, que não é um governante qualquer – têm dever redobrado de saber conviver com estas manifestações perfeitamente legítimas em qualquer democracia. A repetiçao é propositada.

    A violência que vivemos não é dos estudantes, é do Estado. É contra essa violência que deviam estar a manifestar-se. Enquanto os “pensadores” de esquerda não perceberem isto, ainda vamos ter de levar com muitas grândolas e muitas vaias. Bom, xau a ver se vou ao sana, sugestão do ignatz. Já difundido pela rede , está em processo de organização.

    Até lá, temos aquela imagem magnífica do dirigente do PSD “está calada, cala-te, aqui não tens direitos” . É isso.

  60. Guida:

    Primeiro, não são meus “companheiros”. Não conhecia a maior parte daquelas pessoas e duvide que partilhe muito mais com eles do que o repúdio pela provocação lamentável que era a presença de Miguel Relvas naquele espaço para falar sobre aquele tema. Mas não sou sectário: não preciso de concordar em tudo (ou sequer na maior parte) com uma pessoa para a apoiar numa acção justa.

    Segundo, os protestos não são todos iguais, não são todos legítimos e não suscitam todos a mesma adesão. Vê o que escrevi logo no princípio. O problema só aparece porque Relvas há muito que deixou de ter legitimidade política enquanto Ministro – que é muito diferente de gostar ou não gostar dele. Insistir no aspecto formal e ignorar o substantivo é falhar completamente a questão.

    Terceiro, o que acontece se, amanhã, alguém fizer mesmo, nos mesmos moldes pacíficos, com qualquer outro responsável político, de qualquer outro partido – incluindo o meu? Por mim, se estiver presente, acontecerão as duas coisas que sempre aconteceram: se o protesto for justo, como era este, terá o meu apoio. Se não o for, terá o meu silêncio. Mas nunca a minha censura.

    Quarto, o que mais me espantou no post de Val foi a comparação entre o que se passou no ISCTE e o episódio das pedras na Assembleia. Isso é o mesmo dizer que uma manifestação pacífica é igual a uma manifestação violenta ou que, no máximo, uma é apenas uma antecâmara da outra. Isso é, para mim, altamente perturbador. Porque confundir as duas é a especialidade retórica do autoritarismo.

    Quinto, os 2% são demasiados graves para serem escondidos por qualquer discurso passageiro de virgens ofendidas. Vão sentir-se duramente e vão ser discutidos durante muito tempo. O receio de uma cortina de fumo momentânea não justifica calar o direito à indignação quando este é exercido de forma pacífica e legítima. Nem tudo na nossa vida cívica pode ser taticismo.

  61. O governo pode baixar salários enquanto transfere dinheiros públicos para bancos privados à vontade – desde que não faça arruaça. Arruaça é que não pode ser. Se for tudo com boa educação, entre chazinhos e biscoitos podem até afundar o país 500 anos. Arruaça é que não pode ser.

  62. Ó Val, “os gajos” têm legitimidade para violar a constituição, têm legitimidade para nos roubar os subsídios, têm legitimidade para fechar empresas de forma criminosa, e nós nem uma cantiguinha?
    Ó Val, por favor, vá lá…
    Grândola vila moreenaa, terra da fraternidaade…

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