Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.



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Na imagem, professora segura cartaz com importante reivindicação da classe.

Se o número de indivíduos reunidos em espaço público passa a ser critério para decisões governamentais, os estádios de futebol e o Santuário de Fátima irão ter um glorioso futuro legislativo. 500.000 crentes juntinhos uns aos outros, com velas acesas, serão capazes de reverter o resultado do último referendo sobre o aborto em menos tempo do que se demora a ir do Marquês ao Terreiro do Paço num táxi. A beleza de se ver 100.000 manifestantes é inegável, número que tem provocado chiliques em inveterados e batidos sindicalistas de bigode e senilidade PRECoce. As previsões iniciais eram de 10.000 participantes, e tal já teria sido uma vitória. Tudo o que o sindicalismo e os partidos fazem é sempre uma vitória, como os seus representantes não se cansam de nos informar uma e outra vez. Mas cem mil é lindo, orgasmático. E foi encantador ouvir tantos com o mesmo estribilho, o qual imaginavam judicioso e judicativo: Eu nunca tinha ido a uma manifestação na vida, e vim a esta! Achavam que estava nessa dramática confissão a prova última da superior razão do protesto. Eles tinham vindo, tinham-se dignado a mexer o cu e a misturarem-se com a turbalmulta, a caterva da berraria. Então, cuidado ó ministra, vê lá isto ó Sócrates, o assunto era sério.


Não posso acreditar mais nessa gente caída na manifestação só para impedir qualquer alteração ao seu quotidiano. Vejo-os a nunca terem participado em nenhuma manifestação, de facto. A nunca se terem preocupado com a política, com as causas sociais, com os deveres de cidadania. Indivíduos reféns da sua individualidade, projectando no espaço da escola o estéril egocentrismo, usufruindo dos pequenos poderes, do bacoco e provinciano estatuto de professor e fazendo da relação pedagógica um antro de vícios e disfunções narcísicas. Que terramoto os fez sair da toca? Este: a ameaça aos privilégios profissionais e à auto-imagem. Foi isto, apenas. Como se demonstra pelas afirmações dos próprios, reconhecendo que o sistema educativo não responde às necessidades de professores e alunos há décadas; e, no entanto, essa consciência da miséria e da desgraça não os deixou furiosos e belicistas. Irem para uma escola, todos os dias, onde não se reconheciam, que não lhes dava esperança nem sequer segurança, era, pelos vistos, algo aceite e calado. A troco de um salário remediado, de uma profissão sem exigências intelectuais, de uma carreira sem desafios, de uma vida sem realização, lá iam, barafustando consigo próprios, para mais uma insuportável aula. Aparentemente, essa realidade não os deixava indignados.

Uns dias antes da marcha, Mário Crespo perguntou a Fernando Rosas, na SIC Notícias, o que poderia o Governo fazer para resolver o conflito. Crespo estava do lado do protesto, mas na sua função de jornalista procurava ser construtivo, encontrar uma solução. Rosas começou por baixar a cabeça e falou olhando para o chão, dizendo que nada havia a fazer. A situação, para ele, tinha chegado a um ponto insolúvel. E a única coisa que restava era o finca-pé do protesto. O resto, seria para os outros resolverem, não os professores e sindicatos. Ou seja, o historiador declarava que a sua concepção de política não admitia negociações. Tratava-se de uma batalha, e tal postura era alimentada e concretizada pela linguagem, as metáforas moralistas e psicologistas: os professores queriam ser respeitados e estavam indignados. A ministra, pois, era uma mulher muito má, muito má, muito má.

Os sindicatos, o PCP e o Bloco são entidades que vivem no século XX. Concebem a política como uma guerra civil. Olham para a comunidade e distinguem entre correlegionários, traidores e inimigos. O resultado é o vazio e a violência — porque se proibem de confiar no adversário, e com isso boicotam o bem comum. Acabam invariavelmente amargurados, cínicos.

A Escola que queremos não quer nada com eles. Não quer a estagnação, quer regressar à Cidade.


  1. 1 Rodrigo

    Também tenho um cartoon recente sobre isto - A abominável avaliação dos professores: http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/259346

  2. 2 Chico Estaca

    Faz-me rir, Valupi. Perdeste uma grande oportunidade para te reabilitares um pouco quando decidiste não enfrentar o corno de presas aguçadas que foi o artigo do Barreto colocado num comentário ao teu post anterior sobre o mesmo assunto. O homem tinha razão, não sei se um dia antes ou um dia depois estaria certo. Mas tinha razão no que disse. Encolheste os ombros.Típico e revelador.

    O problema com a nossa Educação é o problema doutros países da Europa com a Educação deles. Mas tu não vez isso. Deve ser dos Rayban. Concluis, então: os professores são calões, os reponsáveis pela educação estão-se cagando, e os alunos o que querem é a excitação da lufa-lufa de corrupção que os espera para finalmente começarem a aprender. Mais simples que isto só na ervanária.

    A ti ninguém te bate a estenderes o guardanapo etiológico. Um doutor, como diz o Daniel. Mas cura das tuas mãos espíritas está quieto ó mau. Tens um defeito, como toda a gente, mas o teu da variedade sonora: usas a grafonola da Nova Ordem Mundial. Mas chamam-te magnífico, que mais queres? Casa-te e arranjas muitos filhos enquanto a coisa vai dando.

    De modo que temos que carregar com esta cruz das castanholas socrato-sarcásticas que aqui jorras e que tão bem servem para acompanhar o saracoteio político das nulidades. “Deveres da cidadania”. Não tens vergonha? Faz-me lembrar os editoriais do DN no tempo do Salazocas.

    E que chavão é esse de se “viver no Século XX”?. Foi só há 8 anos, tinhas tu acabdo de sair da escola, remember?

  3. 3 undercover

    Quem te fez mal, little Valupi? Ainda dói assim tanto?

    Consta que os boys do Sócas andam pela net a apanhar as pedras que lhe atiram.
    Triste sina.

  4. 4 Zeca Diabo

    Adorei o post do Chico Estaca: nada diz sobre o desnudado no post do Valupi e diz imenso sobre o Chico.

  5. 5 zazie

    Então, ainda ha´dúvidas que sempre foi tudo por lhe irem ao “inginheiro”?

    Da outra vez, apenas por causa do concurso, a ver se falaram em estagnação. Era rua e sms a convocar manif.

  6. 6 Ruy Ventura

    Não venho comentar este post, mas manifestar aqui o meu repúdio perante este senhor valupi que, tapando-se com um pseudónimo, se permite chamar fracos e irresponsáveis àqueles que o contestam. Ao contrário de valupi, sou responsável o suficiente para assinar os meus comentários, assim como o faço na publicação de textos meus no blogue http://www.alicerces1.blogspot.com. Gente como este cidadão dão bem a face negra da blogosfera, enquanto instrumento promotor da irresponsabilidade autoral e veículo de insultos e difamações (ainda que difusos).

  7. 7 TheOldMan

    Caro Valupi

    Com “inimigos” destes os amigos tornam-se obsoletos.

    De certeza que não os inventou (é que são tão inveriossímeis).

    ;-)

  8. 8 luis eme

    Queres mesmo “sangue”, Valupi…

    És danado para a brincadeira…

  9. 9 z

    sou carvalho, zazie, e também m*rm*ta parece.

    mas portanto ficou experimental, não é? Isso acho bem, toda a gente concorda que deve haver alguma avaliação, aliás é um instrumento de trabalho para os próprios. Cuidado com a transparência e o controlo de resultados, é nas sombras que se acoitam as ratazanas

    entretanto está mesmo a apetecer invocar um dos meus patronos, o Zero, o cardinal do conjunto vazio, e dar-me descanso

    espero que os prof.s do secundário já estejam mais descansados para melhor corresponderem nos trabalhos da escalada do final do ano lectivo. Esta manobra era pérfida, sacrificar os miúdos junto pelo caminho, guerra florida…

  10. 10 rvn

    val,
    gostas pouco, gostas… De qualquer forma, não deixa de ter a sua graça ser o Vitorino a servir o chá e as bolachinhas ao Mário Nogueira, que dá o açucar (com aquela de ‘isto é conversa de quem sabe o que diz’).

  11. 11 z

    e tudo por causa duns submarinos, que abriram umas portas, como detonador - eu bem me parecia que a ministra tinha cara de quem precisa tomar supositórios

    (faça ducha higiénica)

  12. 12 ovotas

    Os sindicatos,o pcp,o bloco e o bloco,pá. essa esquerdalhada toda,pá.Dá-lhes,valupi,dá-lhes com o inginheiro pá.

  13. 13 Elypse

    O que é que Sócrates vai dizer no final do mandato?

    “Só sei que nada sei”

    Depois da avaliação/reprovação que teve como “engenheiro”, era inevitável que reagisse como reagiu. Não deixa de ser curioso este ataque aos docentes, a uma das fracções mais acessíveis dentro da função pública – o tal proletariado das seitas (como lhe chamo). Com os juízes e médicos, encolhem os ombros e o assobiam para o lado.

    Portanto, não estou a dizer que este país não precisa de um safanão. A precaridade é gritante em todos os sectores, graças à toda uma máfia que se instalou e acomodou nas últimas décadas, impregnando tudo à sua volta - dando a ideia que só à rajada é que isto lá vai.

  14. 14 z

    mas tenho de confessar que aprendi uma nova hipérbole política:

    mil é demais, cem mil não é relevante

    Lourdes dixit

    a nossa senhora, não é a outra

  15. 15 Daniel de Sá

    Meu Caro Valupi
    Ao contrário do artigo anterior, em que salvaguardavas a existência de profesores dignos, neste deixas todos na amálgama dos oportunismos. Por isso não posso aplaudi-lo sem reticências.
    O que está mal na avaliação dos professores é algo tão simples como o que se segue.
    Um profissional avalia-se mais pelo resultado do seu trabalho do que pelo modo como o faz. Ora, não havendo avaliação do resultado do trabalho dos professores (exames para os alunos), não se poderá nunca concluir se eles cumprem ou não as suas funções como convém. Mas isso daria muito trabalho ao Estado. Seria necessário conhecer a capacidade intelectual dos alunos para se saber que variação no nível de conhecimentos e de capacidade de aprender se encontrariam no final de cada ano lectivo. Porque não é o mesmo ensinar nas Galinheiras que fazê-lo no coração de Lisboa.
    Contra este tipo de avaliação, que não prevê avaliar quem depende dos avaliados, eu também marcharia em Lsboa.

  16. 16 susana

    eu concordo que a maioria dos docentes não estaria na manifestação pelos melhores motivos, porque o que vi me deixou essa impressão. quase todos diziam que queriam a demissão da ministra, ou então que queriam ser respeitados. creio que grande parte dos professores não percebe sequer o modelo de avaliação, quanto mais saber verbalizar um porquê de o pôr em causa.

    mas isto não significa que o modelo esteja correcto, nem o princípio de actuação. desde que se começou a falar dele e apareceram por aí alguns dos modelos criados pelas escolas se viu que 1. o ministério demite-se da sua responsabilidade ao atribuir às escolas a formulação dos modelos, sob o pretexto da autonomia, não criando limitações impeditivas de arbitrariedades; 2. os professores, ou corpos docentes de algumas escolas não têm competência para a interpretação dos dados constantes no modelo e do contexto em que a sua escola se insere.
    não sei se está prevista uma medida de supervisão sobre os modelos criados pelas escolas pela entidade máxima (ministério), mas deveria estar, como medida de regulamentação e até pedagógica.

    por outro lado, uma coisa é criticar os docentes, ou aqueles dentre eles que não servem convenientemente o ensino. outra é defender este governo no campo da educação. concordo que mesmo sendo difícil e eventualmente injusto (a vida não é justa) a função pública não pode ter trabalhadores excedentários. horários zero são uma aberração, quando se trata de um sector pago pelos contribuintes. ora os contribuintes não são a santa casa da misericórdia. aí, seria realmente óptimo que houvesse uma justa avaliação dos professores, para não se correr o risco de pôr na rua alguém competente e vocacionado deixando lá ficar quem ensina mal e sem gosto. se o dinheiro não chega é preciso cortar e optimizar os recursos humanos disponíveis, qual é a dúvida? não me convencem os professores que vêm refilar por darem aulas de substituição, ou complementos lectivos no primeiro ciclo. pode haver casos extremos de incompatibilidade, mas aí são as próprias escolas do 1º ciclo a devolver o docente inadequado. [isto aconteceu no ano passado na escola do meu filho mais novo. um dos prolongamentos era feito por um prof que gritava tanto com os miúdos que eles andavam aterrorizados (eu cheguei a ouvi-lo). ora que raio de pessoa é esta? e como pode estar adequado a qualquer nível de ensino um cretino que aterroriza crianças pequenas?] em qualquer profissão em que haja corte há acumulação de competências. um arquitecto num atelier com pouco trabalho tem que fazer o trabalho do desenhador, etc. e no ensino universitário os professores têm imenso trabalho burocrático, acumulando várias funções, quer ligadas aos alunos quer à produção ou divulgação de conhecimento da instituição, etc.

    com o que não concordo é que este governo esteja verdadeiramente interessado num ensino de qualidade. parece-me que há uma data de directivas contraditórias com esta ideia, nomeadamente todas aquelas que levam à produção de resultados artificiais. incluindo uma coisa para pessoas que não completaram o 9º ano, saindo do ensino, e que vieram agora “completá-lo” com um currículo alternativo que nada comporta dos conhecimentos que apesar de tudo os alunos do 9º ano detêm. aquilo é uma paródia, ensinam-nos a mandar mails, a usar o word, a fazer árvores genealógicas, a produzir redacções sobre o seu percurso profissional, a organizar dossiers e a fazer contabilidade doméstica e depois ficam com o 9º ano.

    adenda:
    daniel, esse foi o método de avaliação que propus no post anterior, com a devida salvaguarda de haver uma bitola de compensação consoante a população de estudantes avaliada. como disse a sem-se-ver, e muito bem, no comentário que deixou no fim do post anterior, o modo mais adequado de avaliar o docente é poder-se avaliar não o resultado (absoluto) do aluno, mas o seu progresso. boicotaria ainda qualquer tentativa de obter resultados artificiais do estado da escolaridade portuguesa.
    (e também acho que é mais pelos resultados do que pelo método. há muitas maneiras de partir ovos, quanto mais de os cozinhar.)

  17. 17 Lia

    Eu ia fazer um enorme protesto,mas não vou gastar energias nem verbo. Aliás, o PROFESSOR Daniel, em pouco texto, disse tudo, compreendeu tudo, não meteu tudo no mesmo saco,e tomou posição.
    Mas isto é para quem sabe e para quem já adquiriu um estatudo de sabedoria e de humanidade que o guindam a outras esferas. E não o conheço pessoalmente.Fique isso bem claro.
    Achei de péssimo mau gosto comparar manifestações de carácter religioso com uma manifestação que não envolve valores de suprema espiritualidade.

  18. 18 Ruy Ventura

    Concordo que a avaliação será sempre mais justa se vista através dos resultados. Mas não nos esqueçamos que só se conhece o mérito do professor se no início do processo se fizer uma prova diagnóstica que aponte o ponto de partida de cada aluno. O professor terá mérito se o fizer progredir ou, pelo menos, se impedir a regressão.
    Há no entanto um problema: a não-progressão ou regressão das aprendizagens de um aluno dever-se-á apenas à prática lectiva do professor? Não existirão outros factores? Existem, são muitos e muito complexos.

  19. 19 susana

    sim, ruy ventura, mas não estamos a falar de um aluno e sim de um conjunto alargado deles, se considerarmos que quase sempre o professor tem várias turmas. a não ser em casos em que haja tragédias a afectar toda a população, esses casos pontuais (depressões, problemas familiares, doença, etc) serão isso mesmo: pontuais. e não afectarão significativamente os resultados no conjunto.

  20. 20 z

    avaliar o progresso sim, o vector, e não a posição,

    é sempre preciso exames nacionais, de vez em quando, se não perde-se a medida e a métrica comuns

  21. 21 Mar

    O primeiro parágrafo deste post do Valupi levou-me a uma conclusão que, lírica, não tinha conseguido atingir aquando da troca de comentários que tivémos no seu último post:

    - A de ter perdido o meu tempo ao julgar que estava a ter uma troca de impressões com seriedade.
    Afinal, este blogger revelou agora a verdadeira azia que o tema lhe provoca, raiando quase o rancor por algum mal grande, decerto, que terá sofrido por parte da classe docente? Terá sido na infância?

    Perdi tempo mas confirmei, mais uma vez, que a intuição não me falha e que acertei quando lá decidi dar por terminada a minha intervenção. Tiramos sempre algo de bom da relação com os outros. Plim.

  22. 22 zazie

    grande descoberta, Mar. O Valupateta é só tanga. Qualquer hipótese de seriedade ou honestidade intelectual está boicotada à partida.

    Mas é com cada um, ele diverte-se muito sempre que consegue fazer as papas na cabeça de algum papalvo. E isso, verdade seja dita, até o faz com bastante facilidade.

  23. 23 Pico

    Valupi, o texto está bem escrito e tal. Brilhante, como sempre. Mas talvez fosse melhor saberes das razões dos professores. Não ligues ao berreiro, se isso te faz tanta dor de cabeça. Tenta saber das razões de cada um dos professores que ali estavam.

  24. 24 Sílvia do Carmo

    (Mais um arroubo colaboracionista do jovem Valupi…)

    Já que referes a “Cidade”, lembro-te que a nossa democracia não se esgota nas urnas. E mais, o direito à manifestação é um direito cívico dos cidadãos desta “Cidade” e tem tanto significado na avenida da Liberdade como na Fonte Luminosa.
    Na verdade, ninguém duvida que é necessário fazer reformas neste país e que o governo vai contando vitórias nesse sentido, mais à custa da maioria parlamentar que do engenho e arte do diálogo, mas convenhamos, nesta guerra aos professores, depois desta gigante manifestação de descontentamento por razões laborais, sublinhe-se laborais, a vitória só pode ser de “Pirro”.

  25. 25 albino matos

    Orgasmático?
    Tem a certeza?…

  26. 26 M

    “creio que grande parte dos professores não percebe sequer o modelo de avaliação, quanto mais saber verbalizar um porquê de o pôr em causa.”

    E eu creio que tu também não, Susana, senão não dizias isto:

    “o ministério demite-se da sua responsabilidade ao atribuir às escolas a formulação dos modelos”

    Não. As escolas apenas têm que elaborar os indicadores de medida segundo o modelo do ministério. E a arbitrariedade está aí, no modo como cada escola constrói a escala e mede cada nível. Basta ver aquela de Leiria que, para o item da dimensão ética, resolveu resolveu reportá-la à atitude dos professores perante o governo.

    “esses casos pontuais (depressões, problemas familiares, doença, etc) serão isso mesmo: pontuais. e não afectarão significativamente os resultados no conjunto.”

    Pois continuas muito enganada! Conheces os relatórios PISA? São muito claros, e não consta que recebam encomendas dos professores portugueses.
    Na comparação com os outros países da OCDE, porque razão os alunos do 9º ano para baixo apresentam resultados muito modestos, enquanto que os do secundário mostram desempenhos semelhantes ou até acima da média?

    Isto é muito fácil de perceber sem necessidade de se recorrer a desenhos.

  27. 27 Valupi

    Rodrigo, mais um para apreciar e aplaudir.
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    Chico, se te faço rir, é uma boa notícia. Significa que não estás completamente anestesiado.
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    undercover, triste sina? Como sabes?
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    Zeca, nem mais.
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    zazie, não sei do que falas. O que, esclareço, não me incomoda.
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    Ruy Ventura, alguns dos insultos que se encontram na Internet serão legítimos e só pecarão por tardios. Contudo, não sei do que falas. É que se te deixas insultar por um anónimo, talvez devas começar por não comunicar com anónimos. E outra coisa, para tua ilustração geral: ninguém insulta ninguém - é sempre o próprio que decide ficar insultado.

    A face negra da blogosfera estará antes nas opiniões difusas, como a tua, donde não salta mais do que um estado de confusão. Ora, para que queres saber o meu nome? E bastará o nome, ou também queres a morada? Que tem a biografia a ver com uma diferença de opinião?
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    TheOldMan, gostava de concordar ainda mais contigo.
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    luis eme, dizes muito bem.
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    z, entre mil e cem mil, há muita coisa para além da aritmética.
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    rvn, parece que há muita falta de chá por aqueles bandas. O mesmo não diria das bolachinhas.
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    ovotas, ó pázinho….
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    Elypse, não comeces já a disparar.
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    Caro Daniel, se tivesses ido à manifestação, terias feito muito bem. A nossa dignidade é intocável enquanto formos livres. Mas erras de palmatória se lês no que escrevo qualquer ataque a qualquer professor. Que sei eu seja de quem for? Como poderia ajuizar da vida, da alma, da ética de alguém que não conheço (ou, até, que conhecesse - outro problema, claro)? Na noite da manifestação jantei com colegas de curso, alguns deles actualmente professores no Secundário, e os quais tinham estado na manifestação. Não me passaria pela cabeça confundir os planos da relação pessoal, da vivência profissional e da conduta política.

    Do que falo é de um peculiar aspecto desta questão, e que nem sequer é o técnico relativo às propostas do Ministério. A mim interessa-me a reflexão sobre a classe docente enquanto corporação a reagir a uma força que a ameaça na sua cultura. Por aí, os discursos dos sindicatos, partidos a eles colados e professores a favor do protesto (que os há contra!), são todos exercícios de primária hipocrisia. Toda esta gente, e cada grupo a seu modo, tem estado passivamente a olhar para a decadência da Escola. Temos décadas disto.

    Este fenómeno interessa-me sobremaneira, pois trata-se de um país que está em trabalho de parto.
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    susana, a tua posição procura o equilíbrio e a lucidez. Muito bem.
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    Lia, dizes coisas interessantes. Como essa da “suprema espiritualidade”, que gostaria de ver desenvolvida.
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    Mar, subestimas a temporalidade, diria.
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    Pico, acho que é ao contrário. Serão os professores que se terão de convencer que a Escola não é o meio para eles terem um salário e uma vida confortável. A escola não é das donas-de-escola, é da comunidade. É por isso que a reforma é legítima, e a luta sindical é reaccionária. No entanto, toda esta gente se pode entender, basta ter coragem para assumir o bem comum.
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    Sílvia, concordo por inteiro contigo. A manifestação, como exercício político que comprova a superioridade da democracia e do Estado de direito, é um espectacular momento. A comoção de muitos faz todo o sentido. É lindo ver aquela união.

    Porém, fim da História? Não. Enquanto se olhar para Sócrates e para a ministra e se optar pela secessão, Portugal ficará a perder.
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    albino matos, tenho a certeza que não é reconhecida pelos dicionários. Mas isso será razão para a vetar?

  28. 28 Nik

    O PCP e a FENPROF (a mesma coisa com bigode e outro nome) enredaram nas suas malhas reivindicativas milhares de profs, uns borrados de medo com a perspectiva de serem avaliados até talvez despedidos futuramente, outros ressabiados com o concurso para profs titulares em que ficaram de fora por demérito objectivo e mensurável, outros porque perderam regalias especiais e injustificadas, outros ainda por oposição sectária ao governo de Sócrates.

    Devo dizer que não teria problema nenhum em alinhar numa “luta” dirigida pelo PCP ou pelo Diabo em cuecas cor-de-rosa, se lhe visse a utilidade e se a minha adesão não fosse depois manipulada de alguma maneira pelo dito partido - o que é quase impossível de acontecer. O que se passou com a instrumentalização de milhares de profs não comunistas apanhados nas malhas da grandiosa manifestação é que é a regra: “companheiros de percurso”, para não dizer outra coisa, a ajudar o PCP a sair do marasmo em que se encontra desde a morte de Andropov, há mais de vinte anos.

    Os comunistas não têm responsabilidades governativas desde 1974-75, desde as nacionalizações e a demolição do aparelho de Estado por gajos que não faziam a barba nem cortavam o cabelo, usavam camisolas às riscas muito justas e andavam de sapatos de sola alta. Estão há mais de 30 anos na oposição, não sabem o que é a alternância no poder (nem hão-de saber nunca), não sabem o que é prestar contas ao país, não sabem discutir, nem argumentar, nem negociar, nem fazer compromissos, nem criar consensos, nem construir, nem aproximar. Ou seja, 50% daquilo a que chamamos hoje democracia é-lhes prática estranha e detestável. Essa deficiência, quase invalidez política, é compensada pelo uso e abuso de “lutas” que aprenderam na primeira metade do século passado. Lutas, manifs, comícios, etc, etc. É a mentalidade de que está, sempre esteve e quer continuar a estar na oposição a todos os governos, tentando capitalizar todos os descontentamentos, construindo sobre queixas, reclamações, reivindicações e ressentimentos.

    Organizar manifs é hoje uma alternativa a apresentar propostas, a discutir, a negociar, a chegar a compromissos. Conduzir “lutas” e tentar deitar abaixo governos (o PCP ajudou vários governos a vir abaixo desde os anos 70) é a via que lhes resta para fazer política. Até aqui tudo bem, ninguém lhes contesta o direito. O problema é que se servem dos seus sindicatos privativos, onde também militam alguns não comunistas úteis, para influenciarem uma massa muito maior de gente, cujos votos, contudo, não conseguem caçar. O problema é que inoculam nessa gente respeitável o espírito paranóico-obstrucionista da casa.

    Compare-se esta maltósia sindical da CGTP e da FENPROF com os sindicalistas do Norte e Centro da Europa. A diferença está na força (lá são muito mais poderosos do que cá). Está na capacidade para dialogar e chegar a acordos (aqui negociar é visto como capitulação ideológica). Está naquilo que esperam e não esperam do Estado. Está nas relações por vezes íntimas que mantêm com as forças políticas que passam pelos governos. Está na recusa do ghetto e da paranóia.

  29. 29 susana

    M, pelos vistos concordas comigo na primeira premissa. a diferença, aqui, é que eu não tenho nada que compreender.
    no segundo ponto, lapso: usei novamente a palavra «modelo» querendo referir-me à definição concreta dos parâmetros. não altera o que disse, pois estava a concordar com a evidência do problema que esse caso de leiria veio demonstrar.
    terceiro ponto: se os alunos até ao 9º anos estão negativamente afectados por algum factor - que não explicas; já agora, em vez de assinalares o meu desconhecimento dos relatórios pisa, que não é suposto eu conhecer, poderias partilhar o teu conhecimento connosco, para que algo se acrescente - então estás a dizer que estão afectados no seu conjunto. donde, o sistema de avaliação que referi continuaria a não ter os resultados afectados pela diferença, uma vez que esta seria generalizada.

    finalmente, perguntas por que razão há discrepância entre os alunos até ao 9º ano relativamente àqueles que se lhes seguem. para quem vê daqui a resposta parece estar no facto de os alunos que se seguem serem aqueles, em minoria, que mais aptidão têm para «os estudos». antes disso haverá uma grande maioria que pelas suas capacidades intelectuais, cognitivas e um etc onde caiba todos os outros factores de ponderação, tem mais dificuldades.*
    se o caso for outro, então agradecia que o expusesse, pois não serve de nada vir cá apontar a ignorância dos outros sem o proporcional esclarecimento.

    * chamo a atenção para os comentários da sem-se-ver no post abaixo a propósito das alternativas curriculares que muitos defendem.

  30. 30 Elypse

    Deixem de tentar mandar areia para os olhos uns dos outros. A classe que deveria ser avaliada é a política. O problema das bases de um sistema/sociedade (ensino, justiça, saúde) parte da base. A prova de que a classe política não tem sido verdadeiramente avaliada, nas últimas décadas, é esta “alternância” consentida e partilhada entre PS/PSD.

    Ora vejam lá se acertam nesta: quando o PS deixar o governo, quem é que vai governar?

    Se você pensou PSD, acertou!

    Pois, vocês sabem tudo. Mas, então, se sabem tudo, para que é que estão para aqui com es areia?!

  31. 31 Elypse

    Muitos reclamam, esquecendo-se que têm contribuido para esta sucessão de inaptos, chulos e corruptos. Se calhar é por isso que nem reclamar sabem - não se sentem à vontade nem com legitimidade para o fazerem em consciência - oh, que ainda existe gente séria!

  32. 32 zazie

    oh, que ainda existe gente séria…

  33. 33 Elypse

    Bem, deixo-vos um texto que escrevi em 1997 - altura em que ainda tinha a ingenuidade de poder mudar este estado de “coisas”…

    … Movimento de 69 ao Contrário …

    Não há nenhuma imposição para quem queira aderir a este movimento. Porque este é um movimento do nada.
    Todos os movimentos que surgiram tinham uma ideologia, canalizavam ou congregavam esforços, se preferirem, para um objectivo comum. Visavam a obtenção de um todo, de algo que os fizesse ser perante os que ainda não seriam, ou sendo, pecavam por escassez enquanto ser.
    Houve sempre uma preocupação em atribuir nomes às coisas, com um objectivo primário de assim as controlarmos. Rotulamos toda a novidade com o intuito de sermos detentores de toda a verdade inerente a essa nova ideologia. Sempre se procurou controlar o que se nos deparava incontrolável. Receávamos todo um desconhecido anterior a nós. É um mito que subsiste e subsistirá sempre, por mais que se manifeste actualmente camuflado, através dos falsos nomes que lhes atribuímos, não deixará de nos atormentar.
    Pergunto: O que existe com nome não existiria sem? É evidente que sim. As coisas existem mesmo sem nome, aliás, é sem nome que existem mais intrinsecamente. Porém, para as concebermos como tal, temos necessidade de as identificar…

    Um não ao saber institucionalizado

    Cansa-te da métrica do Camões, do sentir e raciocinar do Fernando e dos inúmeros Saramagos. Farta-te dos falsos políticos, bem como das editoras actuais, cujos critérios selectivos assentam em lavadeiras e em falsos proxenetas literários.
    Temos um ensino de merda, um estado de merda, em síntese, uma cultura de merda que se acha no direito de refutar os nossos ideais.
    Não é pedagógico nem realista rotular-se este século de: “Século do Povo” – não foi o povo que assim o entendeu!

    Não é inteligente colocar uma instituição como a “Universidade de Coimbra”, às cabeçadas por causa de propinol. Tudo não passa de um processo de manipulação com o objectivo de encobrir as questões prioritárias através de um falso alarido – falo do latir ao osso! São atitudes dignas de circo, e tu não és palhaço!
    Não é coerente, e muito menos sensato, permitir que a tecnologia se promova para além do sentimento e do gesto. Não permitamos que tal celeridade nos remeta para mais um momento de esquecimento.

    Vamos p’rá rua!…
    Temos ali aquele espaço destituído do que é instituído. Há que aproveitá-lo, tornando-o num local realmente simbólico. Proponho-vos que nos organize-mos por uma Arte de Rua, e que de hoje em diante fique estabelecido reunirmo-nos e manifestarmo-nos sobre o que nos apetecer, expondo a nossa literatura, a nossa pintura, a nossa música, a nossa escultura, bem como as restantes formas de arte. Criemos a nossa galeria de arte, o nosso oásis de sonhos. Abaixo com o sistema. À arte pela arte!
    Estou farto de observar “artistas” a lamber o cu do que está instituído. Cansado dos serviços nada sociais, dos locais privativos, só coniventes com as cunhas; agoniza-me o ridículo dos agradecimentos e a baixeza dos anúncios nas capas e nos interiores dos livros, indicando locais e pessoas como uma referência salutar. Um pirete para esses: A arte não tem cor nem língua e muito menos coleira , não deve ser regional, pela Universalidade!

    Vamos deixar as galerias vazias
    Vamos retribuir a exploração dos playboys
    com o desprezo pelo consumismo
    Vamos ocupar o nosso espaço merecido
    Vamos sensibilizar todos
    e não uma elite pseudo-intelectual
    Está em nós o poder da mudança
    Está em nós a vontade de um futuro
    Não deixemos que nos isolem, que nos alienem
    Com a merda da tecnologia, com a treta da internet
    Não te vires para a máquina vira-te para o homem

    Não utilizemos a falsa liberdade que nos foi concedida, que apenas serviu para meia dúzia de lobbys de filhos da puta da opus dei e de maçons, e de todas as outras irmandades, de todas as outras seitas. Neguemos o primitivismo progressista das multinacionais exploradoras. Desliguem-se da televisão, da rádio e dos jornais – desliguem-se de toda a desin-formação. Dêem um colapso à economia de mercado.
    Não percam tempo por causa da propina, que não tem sequer um carácter entendível de reivindica-tivo. Têm que exigir o contrário do serviço militar obrigatório – por um ensino superior remunerado – para saldar a escravidão de um saber impregnado de vícios que só serve a quem lá está.
    Não te submetas a toda uma estupidificação que te reduz à imbecilidade de mais um mero consumidor. A partir de hoje admitamos ser logrados, mas com uma remuneração. A perda da nossa liberdade, da nossa naturalidade, tem que ser recuperada…
    Trabalhar
    Ter de ir trabalhar,
    Enfim,
    Tens que ir trabalhar
    Suportar o contacto indesejado
    Conviver com toda aquela mediocridade
    E por vezes esboçar um sorriso
    E da hierarquia cosmopolita admitir as condições
    E pensar nestas coisas, e a todas sabê-las comuns
    E por fim reflectir
    E não encontrar espontaneidade nenhuma
    Nos reflexos do dia-a-dia
    Nem na possível admiração de alguns
    Naquele mesmo dia em que se interrogam e supõem:

    “Isto é sobre mim?!” (que ideia)

    Obedeces servilmente ao poder instituído
    E adoras as vedetas do cinema, da música e do teatro
    Não possuis as sedutoras mamas de Vénus
    Nem és, tão-pouco, portador do grande falo de Príapo

    Cobiças porque não podes comprar
    Invejas porque não podes comprar
    Matas e matas-te porque não podes comprar

    Já só estudas para poder comprar
    Já só trabalhas para poder comprar
    É, só realmente vives se puderes comprar

    Em prol de uma sociedade de merda
    Aniquilam-te a infância
    Pilham-te a adolescência
    Enfim, já adultos, resta-nos saber
    Porque nos fazem parecer e ser uma MERDA!

    Antes a repressão era fechada, hoje é aberta. É simples ver em qual delas o efeito é mais nocivo. Não temos direcção, tiraram-na; não temos sentido, camuflaram-no; não temos objectivos, minaram-nos! Prosseguimos sem vontade, prosseguimos por prosseguir, e o pior é que voltados para nós mesmos. Daí o crescente acréscimo do consumo de drogas. Mas, há que acreditar, não somos uma geração rasca, e é fácil de o perceber através dos que levantam tal bandeira; porque esses querem ser imolados por nós, pelos feitos passados – sim, esses que nos caluniam como geração do nada são os que se masturbam em casa, em delírio, por os entendermos como protagonistas de uma revolução.
    Não se apercebem?! Chamam-nos rascas, mas adoram ser mimados por nós. Gostam de ver o trabalho reconhecido pelos que depreciam!
    Para ti pseudo-intelectual fica a pergunta: para além do que sabes, que foi o que aprendeste, o que é que sabes?
    Consegues sentir, consegues emocionar-te? Então, doninha, descobre-te da carapaça, da falsa pele de cordeiro que partilha toda esta actualidade corrupta. Abaixo os protegidos do sistema – Puta que os pariu!
    É o momento de saberem que nos encontramos num ambiente bem mais constrangedor que o antecedido 25 de Abril; é o momento de saberem que nos deparamos com uma liberdade artificial, inerte de valores, que nos dispersou e desuniu com o objectivo de nos manipular. Por haver um sistema que determinou, através de um conjunto de normas e regras, o normal, ou o comportamento dito normal, não quer dizer que seja normal com o que pressupõe, através da suposta normalidade. Quem elaborou estas regras, apercebeu-se que poderia estabelecer um padrão comportamental de obediência perante os submissos – de modo mais mundano, perante o povo.

    Artilharam-se de códigos e regras, nas quais se sentem à vontade para nos contornar, fragilizam-nos para nos dominar.

    Os jornais e a televisão – a política
    Veio-nos tornar todo um imaginário comum
    Facultou-nos um diálogo cada vez mais comum
    Que poderá ter isso de criativo
    Quando continua a faltar-nos duas
    Realidades primordiais
    A noção de nascimento e a recordação da morte

    É neste modo qualquer
    Consoante o que há e o que há-de vir,
    Para além do que houve,
    Que pensamos atingir ou ter atingido
    A realidade do que é ser
    Uns com os outros falamos, cedemos
    Numa sub noção sabemo-nos presos
    Desejamo-nos nessa mesma igualdade
    Por estranho que possa parecer, será isso?

    Que culpa temos nós da incapacidade dos outros?

    Já não me interessa que me reconheçam pela dor
    Já não me apetece dar um golpe na mão
    Ter um motivo,
    Alguém, para desabafar durante o tempo da sutura

    Diz-me! Fala-me!
    É suposto que algo semelhante a ti se expresse!

    Esta consciência foi o que me corrompeu
    Foi contra ela que me revoltei
    Contra um saber impregnado de vícios, de axiomas,
    Sem conteúdo
    O saber, ou o que é suposto sê-lo, esvaziou-me.

    Não tenho noção, mas sei que estou ao contrário.

  34. 34 z

    zum

  35. 35 Chico Estaca

    Um Paulo pouco querido a despachar os acólitos de Pedro.

  36. 36 Meia Lua

    Já agora, que passei por aqui, ó Valupi e se corrigisses a legenda da foto? olha que não é a professora quem segura o cartaz mas, provavelmente, o filho dela…
    Obrigadinho pelos posts. Valeu, pá!

  37. 37 M

    Não, não concordo contigo na primeira premissa porque não acredito que 100 000 professores se dêem ao trabalho de se levantar de madrugada, meter nas suas tamanquinhas, correr centenas de km e aguentar cinco horas de manifestação por coisas que nem sabem bem o que são.

    Claro que só podes mesmo concordar que o modelo é o definido pelo ME, caso contrário não me parece que houvesse muitos problemas com as escolas. E trabalhar sobre um modelo do qual se discorda por muitas razões e ainda ter que arranjar gradações e medidas para essa discordância, é obra.

    Eu nâo assinalei o teu desconhecimento do relatório PISA, leste foi de pernas para o ar. Foi exactamente o contrário, se não expliquei mais foi por ter suposto que o conhecias, dado que é um dos aferidores do nosso sistema de ensino. Mais do que a agora famosa ‘avaliação externa’, vulgo exames, simplesmente.

    Pois o famoso relatório conclui, não pelas capacidades cognitivas que não explicam nada porque se distribuem aleatoriamente por toda a população, mas porque existe

    - relação entre o desempenho médio dos alunos de cada país, o rendimento nacional e os gastos por aluno. E que se as condições sociais e económicas em Portugal fossem médias, os alunos portugueses melhorariam substancialmente a sua posição relativamente aos outros participantes

    - relação entre os resultados escolares e as diferenças de perfis das famílias dos alunos. E que os melhores resultados tendem a identificar-se com alunos provenientes de famílias que consomem bens culturais, recursos educacionais, e com níveis mais elevados de educação e de estatuto profissional

    - relação entre os resultados e as expectativas do aluno e da família, que decorrem das situações anteriores.

    As diferenças entre os perfis dos alunos do ensino obrigatório e do secundário em Portugal são mostradas pelo próprio relatório, pelo que julgo mesmo não ser preciso explicar mais nada.

    Para demonstrar desde já, se ainda preciso fosse, como este modelo do ME é pérfido, acrescento que a dita escola de Leiria, num dos parâmetros em que se faz depender a avaliação docente dos resultados dos alunos, considera ‘insuficiente’ um professor que alegue razões como as expostas pela OCDE.
    A irresponsabilidade do ME vai a este ponto, de deixar que os professores fiquem à mercê de idiotas subservientes.

  38. 38 Daniel de Sá

    Valupi
    Hoje ouvi uma entrevista na Antena2 com o Gabriel Mitá Ribeiro. Vai sair um livro seu que se chama “A Lógica dos Burros”. É sobre o ensino, claro. Do que ele disse, não ouvi nada com que eu não esteja de acordo. Ia em viagem com minha mulher, que concordou tanto como eu, uma vez que aquele tipo de crítica a fazemos há muito tempo. Eu venho pensando escrever um artigo aqui para nós, mas deixa abater um pouco do pó que por aí vai.
    No entanto, não me calo agora sem antes dizer que a maior culpa dos sindicatos de professores (e fui um dos pioneiros em Portugal destas associações, que eu não gostaria de ter visto esfrangalharem-se em capelinhas) foi nunca se terem oposto com tenacidade às “reformas” anedóticas de ministérios sucessivos. A culpa da ignorância é múltipla, e por isso o odioso desta anunciada avaliação é parecer que se pretende com ela atirar para cima dos professores a responsabilidade toda do baixo nível de conhecimentos dos alunos. O que há é uma recusa visceral da maior parte da sociedade em querer aprender.
    Falaremos disso com mais calma.

  39. 39 sem-se-ver

    daniel,
    permita-me só um comentário: os sindicatos opuseram-se e com muita tenacidade às ‘reformas anedóticas de ministérios sucessivos’. de pouco lhes serviu, bem como a nós, professores. mas que se opuseram, ai lá isso opuseram. :D

    (até já houve quem escrevesse aqui - na outra cauxa de comentários - que os sindicatos não fizeram senão tentar deitar abaixo qualquer reforma que se lhes apresentou… o que é uma visão tão exagerada e desajustada quanto a sua.)

    sem ofensa, claro. :-)

  40. 40 susana

    mas M, o facto de os professores se terem unido em massa numa acção de protesto não implica essa compreensão. implica apenas que estão descontentes. a confirmar que não tinham todos a mesma reivindicação temos o facto de muitos professores dizerem que não querem a demissão da ministra e outros dizerem o contrário.
    quanto ao modelo, pois, a mim também me pareceu esquisito. e foi isso mesmo que disse.

    relatório pisa: não conhecia especificamente nem de nome, mas os dados que apresentas são conhecidos de todos. no entanto não vejo como é que a avaliação dos professores por exames nacionais feitos aos alunos colide com esses dados. basta que se tenha em consideração, como disse, as populações e factores heterogéneos. é que dê por onde der a competência do professor traduz-se sempre por resultados, não absolutos, mas relativos. se, numa mesma escola, para um mesmo exame, um prof de biologia obtiver melhores resultados entre os seus alunos que o colega da turma ao lado e, por exemplo, isto acontecer em dois anos consecutivos, podes ter a certeza de que ele tem melhor desempenho.

  41. 41 Valupi

    Nik, bravo!
    __

    Meia Lua, obrigadinho. Já temia que ninguém fosse reparar nisso. E a mim parece-me a filha, mas há alguma androginia no ser adolescente, lá isso há.

    Quanto ao resto da legenda, deixarias ficar?
    __

    Daniel, o problema não está em haver opiniões diversas, contrárias. Numa temática tão vasta e complexa como a Educação, terão inevitavelmente de aparecer os mais desvairados pontos de vista. O problema está do lado daqueles que entendem a política como uma guerra civil. Porque seria possível aos professores ganharem o apoio popular, e conseguirem moldar a política ministerial, se estivessem unidos numa proposta que fosse obviamente o resultado da procura do bem comum. Porém, onde está ela? Não se conhece porque não existe. O que há são manobras de boicote ao projecto ministerial. A finalidade é só uma: imobilismo.

    Desta evidência não saímos, porque os sindicatos e as associações de professores não têm feito nada de relevante nestes 30 anos que possam mostrar. Só pensaram neles próprios, como bons salazaristas.

  42. 42 Ocasional

    Antes que me esqueça apreço-me a dar valentes palmadas de apoio ao Nik das 19,28! Custa-me um pouco aquela sova inicial aos profs que pode ser excessiva por demasiado abrangente mas a verdade que todo o comentário encerra vale bem o aplauso. Poucos terão dado por isso, o certo é que até os assanhados ódios contra qualquer avaliação evoluíram para terrenos mais pragmáticos e realistas: Agora já se fala de avaliações, até se discutem conteúdos, se admitem modelos, se debruçam sobre a carne do problema. O tal que era tabu! Tivéssemos nós (eles) começado por aí e muito folclore se teria poupado, muita indignação genuína teria esfriado naquelas cabeças.
    Mas é aí que entra a outra parte da verdade do comentário, o comportamento típico de um PCP que nunca se habituará ao jogo democrático, sempre pronto a cavalgar descontentamentos e a fornecer-lhe o combustível. Consenso e procura de soluções aplicáveis é blasfémia, como muito bem se descreve.

    O Valupi tem levado por aqui pancada medonha pelo crime, vejam lá, de subscrever posições da política do governo. Para quem acusa o mundo que existe fora da escola de intolerante, não está mau o exemplo. Problema que ele carrega com uma perna ás costas. Quem se intimidasse com os guardiães do templo sagrado não se meteria nestas alhadas. Tal como Sócrates e esta ministra que aqui se incinera. Parece que a atitude certa é encanar a perna à rã para que nada mude. Com os resultados que se conhecem.
    Para quem vai de passagem já falei que chegue. Não sei quem é o Valupi, nem o Nik. Só rezo para que a Zazie me não condene ao fogo eterno. Em três comentários sem tirar fora……

  43. 43 Nik

    Elipse, não sei se estarei a ser muito elíptico se te disser que os políticos que tu queres ver avaliados de preferência aos professores já são a parte da população que é a mais escrutinada, controlada, observada, devassada e avaliada de todas as maneiras e feitios (sobretudo feitios). Notei no teu discurso uma componente sindicalista apreciável, que deves ter adquirido por osmose. E um certo desespero, visível naquela parte em que acusas não sei quem (os políticos, raça maldita?) de serem todos inaptos, chulos e corruptos. Pecas, entre outras coisas, por falta de originalidade. Mas esse espírito não te vai ajudar a sair dos problemas que defrontas no início da tua vida de adulto. E essa tua queixa contra “a falsa liberdade que nos foi concedida” é mesmo de alguém que não sabe história, não ouviu os pais nem os mais velhos, ignora tudo o que se passa hoje à sua volta e se está nas tintas para quem sabe. Não resisti a dizer-te isto, caro Elipse. Não leves a mal.

  44. 44 Rodrigo

    Obrigado, Valupi. Sempre que houver alguma coisa no meu blog sobre o assunto que estiver a ser aqui debatido, eu dou uma apitadela…

  45. 45 ovotas

    Dá-lhes Volupi,pá.Dá-lhes com o injinheiro nas fuças,pá,a essa esquerdalhada toda, pázão.

  46. 46 Sílvia do Carmo

    “Enquanto se olhar para Sócrates e para a ministra e se optar pela secessão, Portugal ficará a perder.”
    O que é isto? Mas que discurso mais salazarento, pá!

  47. 47 M

    Não concordo contigo quanto fazes coincidir o não conhecimento dos meandros da avaliação com a diversidade de posições sobre a ministra. As pessoas estão de acordo quanto aos objectivos, podem é divergir nas estratégias. E não só divergem como se espraiam pelos muitos motivos de contestação, de que a avaliação é apenas a parte mais visível.

    Era mais do que evidente que pedir a cabeça da ministra para já é irrealista, o Sócrates está amarrado ao efeito Correia de Campos e não tem campo para mais um desaire nos dias mais próximos. Está entre o nada e coisa nenhuma, porque para salvar a face não vejo como se pode governar contra uma classe inteira que é a primeira outorgante neste embate.

    É claro que os resultados dos exames são uma boa medida de aferição se for ponderada com outros factores, mas mesmo essa falível e de geometria variável.

  48. 48 Sílvia do Carmo

    Agora, o Sócrates é o salvador da pátria? E a ministra é a Senhora Maria dos milagres de Fátima que nos quer salvar dos males da Rússia? Malditos sindicatos que nos querem desviar do bem comum… malditos sejam!…

  49. 49 M

    Poucos terão dado por isso, o certo é que até os assanhados ódios contra qualquer avaliação

    Ocasional, deves ter acompanhado os acontecimentos muito à vol d’oiseau, pois eu que até sou bastante atenta não me lembro deste ponto de partida.

    Mas deixa lá, antes assim, sempre temos pontos vivos de conversa, o que não deixa de ser o objectivo deste nosso andar por aqui.

  50. 50 M

    que fosse obviamente o resultado da procura do bem comum.

    E esse é…? A bem da nação?

    Não sei se é impressão minha, ou os tiques de antigamente voltaram reciclados.

  51. 51 Elypse

    Nik - não posso levar a mal um anormal… Relê e apreende. Se continuares a não ser capaz, permanece incapaz.

  52. 52 Daniel de Sá

    Sem-se-ver
    Ter-se-ão oposto, mas não tanto quanto necessário. Eu temi o fim da pureza sindical quando começaram as divisões, segundo o escalão de ensino, segundo as regiões, segundo os partidos políticos, etc. Sobretudo quando ser sindicalista passou a ser cargo remunerado, pois que, no tempo em que tudo se criou, nós tirávamos tempo ao nosso tempo livre e até dinheiro do nosso próprio, porque ainda não o havia do sindicato a formar. Não vou deificar os do meu tempo fundador nem demonizar os outros, mas que se perdeu algo desse idealismo inicial, como em tudo que o pós-revolução contaminou, lá isso perdeu-se.

  53. 53 sem-se-ver

    daniel,
    concordo consigo.

  54. 54 ana duarte

    Gostei muito do blog. Vou voltar mais vezes.
    Anad

  55. 55 Ocasional

    M
    Não se pode governar contra uma classe? Porquê? Se ela for unida, se fechar em torno de interesses próprios que prejudiquem um serviço público, o governo agacha-se?! E a classe inclui os milhares de rotativos, carne para canhão que animava os nossos fins de Verão?

    A avaliação não foi rechaçada logo à cabeça? Então não eram já todos avaliados sendo a coisa desnecessária? Onde andaríamos nós no começo da III guerra mundial caseira, um surdo e outro tísico!

    Levemos então a coisa assim à vol d’oiseau. Esta vida tem dois dias!

  56. 56 Valupi

    Ocasional, a zazie está a descansar. E bem precisa, tadinha.
    __

    Rodrigo, obrigado nós.
    __

    ovotas, já tinha percebido à primeira. Mas fizeste bem em repetir.
    __

    Sílvia, a ideia de um “salvador da pátria” causa-te alergia pelo lado da salvação ou pelo da pátria?
    __

    M, se não sabes, eu ajudo-te: é mesmo impressão tua. Mas a qual nasce de uma expressão minha.

    E acertas na parte do antigamente, mas bota antigo nisso. Porque o tal “bem comum”, que te baralha, é a noção de que vivemos todos na mesma comunidade. Sim, imagino que isso faça confusão a muita gente.

  57. 57 M

    Não se pode governar contra uma classe? Porquê? Se ela for unida, se fechar em torno de interesses próprios que prejudiquem um serviço público, o governo agacha-se?!

    Eu nem sequer estava a levar o ‘não se pode’ para o ‘não se deve’, mas sim para a impossibilidade prática. Se o ME é suposto governar-se com essa classe, fazendo gala em mostrar que está a fazê-lo bem e para o tal bem comum, como vai gerir a sua função com a mão-de-obra em rebelião interna? Pode obrigar à gestão dos assuntos correntes, não ao empenhamento.
    É por isso pouco inteligente não serem capazes do tal jogo de cintura que os bons governantes mostram. Já nem digo para atrair o entusiasmo da classe, mas pelo menos para não convocar a hostilidade. Mas para isso era preciso o golpe de asa que falta aos medíocres.

    De qualquer modo, embora mostrando a fraqueza de dizer o contrário, já vão piando muito mais fininho. Pelo que ouvi hoje, vais ver que em breve está tudo no ponto que os professores pretendem, embora afirmando sempre o oposto. Faz parte do jogo dos que se sentem fracos falar com voz grossa enquanto recuam. Esses é que partiram de cara feia e dedo em riste com a exigência de os documentos de avaliação estarem obrigatoriamente prontos em Fevereiro, para a não obrigatoriedade de prazos até finais de 2009. E afinal as escolas até podem ir ao seu ritmo; e afinal até já são só 7 000 os avaliados este ano e apenas os desgraçados de mochila às costas; e afinal até vão reunir as vezes que forem precisas para colaborar no que for preciso; e afinal até o capataz do Pedreira hoje apareceu de olheiras a miar mansinho.

    Então não eram já todos avaliados

    Se eram já avaliados e aceitavam, é porque a avaliação não era rechaçada. O que foi rechaçado foi o modelo, a coisa mais idiota que conseguiram engendrar à volta do caldeirão. Não é por acaso que têm levado bordoada até dentro do próprio partido e não é porque os camaradas rejeitem a avalição. Talvez seja porque o processo os deixa a todos mal no retrato, conseguiram essa proeza. Os chamados tiros no pé, que tentam a disfarçar com trapos.

    Pode lá ser-se mais desajeitado?

  58. 58 M

    Valupi, és muito bom a ajudar, mas falta-te sempre o essencial: e o bem comum é…?

    Não me vais dizer que não sabes. Estamos todos ansiosos pelas tuas orientações, há precisamente 34 anos que nos debatemos com falta de quem defina os valores que não se discutem.

  59. 59 Valupi

    M, falas bem. Vê-se que dominas a matéria. E assim, não te apoquentes mais - tens aqui a resposta: o bem comum é a comunidade.

    Agora, tens de convencer os teus colegas a aceitar que a Escola é um espaço comunitário, onde, a par dos professores, também os pais e os pagadores de impostos têm um interesse a ser respeitado. Quando os professores estiverem prontos para dialogar com a comunidade, avisa para se passar à segunda lição.

  60. 60 M

    Pois, Valupi, continua tudo muito vago. Tão vago que não vejo onde é que os professores não cabem nessa tua definição de bem comum. E quem diz professores diz outra qualquer faixa de que te lembres assim de repente.
    Não queres seres um poucochinho mais esclarecedor? Enunciados desses são como os antibióticos de largo espectro, assentam em todas as situações.

    Entretanto já viste as notícias de hoje? Como a estagnação do ME já começou a agitar-se 100 000 manifestantes depois?
    Tal como eu previa ontem, já está tudo no ponto zero, de onde nunca devia ter avançado se não fosse a estupidez de alguns zelotes.

    Agora sim, há condições para se partir em direcção ao bem comum, seja lá isso o que for. Mas ainda não perdi a esperança de que venhas a ser tão preciso na tua definição como os indicadores de avaliação do ME.

  61. 61 susana

    mas os indicadores de avaliação do ME afinal são precisos?

  62. 62 pamem

    OFF TOPIC
    Palavras de um dirigente sindical a proposito da manifestação dos trabalhadores da Administração Local prevista hoje em lisboa: “prevê «um desfile muito bom»”. priceless!

    http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=&id_news=322869&page=0

  63. 63 Sílvia do Carmo

    A salvação da pátria, caro valupi, resume-se à urgência da redução do déficit orçamental, caso contrário não há senhora de Fátima que nos valha no seio da união europeia. O problema actual dos professores aparece por arrasto.
    Mais, não confundas os problemas da carreira docente da escola pública com os problemas da educação da actualidade. E mais, os profs. também pagam impostos e desejam, tanto como tu, uma escola pública de qualidade.
    Quando referes a “comunidade”, estás a pensar na nossa sociedade, ou, simplesmente, na comunidade educativa de uma escola?

  64. 64 Valupi

    M, tens toda a razão. O bem comum, mesmo definido como comunidade, é um conceito vago. E isso é chato, como dizes. Chato e aborrecido, o que é ainda mais chato. Mas, espera, não vás já a correr em direcção à taça. Com que é que poderemos comparar a latitude semântica do bem comum? Olha, por exemplo, com o respeito. Ou com a indignação. Noções vagas, não dirias? Já para não falar daqueles conceitos que não se limitam a ser vagos, antes provocam uma saudável barafunda quando alguém tenta reduzir-lhes a vagueza e anular-lhes a vagância: a realização, o amor, a liberdade. Curioso como estes vagões levam tanta gente, e para tão longe.

    Ai o ME tenta por todos os meios chegar a acordo com os sindicatos e, como se não bastasse, procura afanosamente governar o sector da Educação? Que vergonha, que fracos. Sim, está descoberta a panaceia nacional: a xaropada dos cem mil.

  65. 65 Valupi

    pamem, nem mais. É o novo chic: o sindicalismo-passerelle.
    __

    Sílvia, penso na comunidade dos vivos, dos pagadores de impostos, dos antepassados e dos descendentes. Não fica ninguém de fora.

  66. 66 z

    Não vejo um país em trabalhos de parto, vejo uma árvore a levar podas radiculares para tolher as citocininas e ficar bonzai, talvez. Quanto à ministra: entre os mil serem demais e os cem mil não serem relevantes, mostrou que o ensino da matemática é totalmente despiciendo, ao contrário da retórica política.

  67. 67 M

    susana, os indicadores são enunciados genéricos. Por exemplo, ‘Dimensão ética’ do professor.

    Depois, segundo os iluminados, cada escola tem que organizar cinco escalões para a dimensão ética, do insufiente ao excelente. E tanto pode considerar que a dimensão ética assenta na relação com o ministério, como fez a escola de Leiria, como na relação com os orgãos dirigentes, como na relação com os colegas, com os alunos, com o gato e o papagaio, com o simples facto de se fumar ou não no recinto escolar e outras normas de convivência e actuação que ocorram a quem elabora os indicadores.
    Alguns são mais precisos, mas mesmo nesses a definição e redacção dos cinco indicadores de nível mantêm-se à vontade do freguês.

    Isto é aceitável? Mas é a isto que o ME chama autonomia das escolas, abrir campo à aplicação de delírios que a imaginação de cada um soprar, como fez a tal escola, que teve o azar de ser conhecida e ter que retirar esse maravilhoso instrumento de avaliação do que é um bom professor.
    Afinal, e ao contrário do que quer fazer crer, até confia plenamente nos professores para gerir a sua própria avaliação, considerando-se a si próprios dispensáveis no processo, contrariando todo o discurso de confronto.

    Mas isto é uma discussão idiota, pois como diz a Sílvia, tudo não passa de um processo cujo único objectivo é o bota-abaixo e portanto qualquer indicador serve desde que seleccione, nem que seja pela cor dos olhos. Não escolhe os melhores, nem os piores, nem os assim-assim e deixa em roda livre arbitrariedades e pequenos poderes a nível local.

    Continuam a tartamudear uma linguagem estagnada ao mesmo tempo que avançam às arrecuas. Patético. Não sei se a machadada de misericórdia foi desferida pelo Vitorino e Maria de Belém se pelo Patriarca. Desconfio que os primeiros fazem parte da estratégia de apoio na retirada e lambidela de feridas, mas não posso falar por eles.

  68. 68 M

    Valupi, jogos de palavras não chegam para o que te falta fazer: decidires o que é o bem comum e como se mede o seu cumprimento.
    Aguardamos ansiosos.

    O bem comum, da comunidade, é tão preciso como a ‘Dimensão ética do docente’.

    Queres ser tu a elaborar os indicadores de nível? É fácil, passa por uma escola que eles ali já tiveram que enfrentar a tarefa.

    Z, não vás tão longe. A ministra é apenas disléxica na leitura dos zeros e os capatazes limitam-se a abanar a cabeça e falar grosso. Limitavam-se, que o capo Pedreira teve que meter terapia da fala para aparecer ontem na televisão.

  69. 69 Valupi

    M, mais dia, menos dia, vais ter de aceitar a realidade: tudo o que se diz é um jogo de palavras. Mas, antes desse dia chegar, podemos fazer avançar a causa.

    Tu pareces decidido/a a que seja eu, e aqui, a decidir por ti, e por todos, o que seja o bem comum. Embora alguns vissem estultícia no teu propósito por ele ser auto-contraditório, e também por jamais abdicarem de pensar autonomamente, eu vejo sageza no teu jogo de palavras. A tua intuição está correcta, deixa-me já afiançar-te, pois não é vergonha nenhuma ignorar conceitos básicos da realidade política, filosófica e sociológica. Vergonha é fingir que se sabe. E tu estás a perguntar, a pedir ajuda. Muito bem.

    Assim, indica-me uma dessas escolas de ansiosos e terei todo o gosto em lá ir fazer uma palestra sobre o bem comum. E até poderemos discutir os indicadores de nível - matéria, afinal, também ainda algo distante da univocidade matemática. E poderei, se pedirem com educação, presidir a reuniões de trabalho. É que não há nada mais aflitivo do que ver um professor assarapantado por causa da linguagem; e, estou certo, todos não seremos de mais para dar uma ajuda a essa malta.

  70. 70 M

    Vá lá, Valupi, eu até sou generosa e dou-te uma ajudinha.

    O docente e o bem comum

    Insuficiente
    Participa em todas as manifestações contra o ME. Participa em todos actos públicos que questionam a actuação do ME. Crítica os actos do ME, principalmente os que lhe dizem profissionalmente respeito.

    Regular
    Participa regularmente em manifestações contra o ME; participa regularmente em actos públicos que questionam a actuação do ME; crítica a maioria dos actos do ME, principalmente os que lhe dizem profissionalmente respeito.

    Bom
    Participa em apenas em um ou outro acto público que ponha em causa a actuação do ME. Crítica apenas um ou outro acto do ME mas nunca aqueles que profissionalmente lhe dizem respeito. Nunca participa em manifestações contra o ME.

    Muito bom
    Não participa em actos públicos que ponham em causa a actuação do ME. Não crítica actos do ME. Não participa em manifestações contra o ME.

    Excelente
    Não participa em actos públicos que ponham em causa a actuação do ME. Não crítica actos do ME. Não participa em manifestações contra o ME. Não tem maus pensamentos que questionem qualquer tipo de actuação ou disposição do ME.

  71. 71 M

    Tu pareces decidida a que seja eu, e aqui, a decidir por ti, e por todos, o que seja o bem comum.

    Caro Valupi, que saída mais pífia.
    A equipa do ME devia orientar-te como se avança até ao nada.

  72. 72 zazie

    Até que enfim que aparece aqui uma M (professora) a dar cartas à demagogia caseira.

    O que é preciso é apanhar-lhes a gosma. Depois é fácil. Isto é tudo postiço.

  73. 73 zazie

    É de tal modo inteligente que o Valupi já duvidou que seja mulher

    “:O))))))

  74. 74 z

    o que me chateia é que o que precipitou isto tudo foi os submarinos,

    bastava os prof.s ficarem 15 dias de greve em casa para ver o valor que lhes davam os paizinhos contribuintes. Não quer dizer que não se procure melhorar as coisas, é sempre saudável, mas o que se pôs em cima da mesa foi um processo para pôr tudo a arder à medida que se caminha para o final do ano, os exames correm mal e a culpa é dos professores! Os fogos da tradição mediterrânica de mistura com a exótica do eucalipt_al. Porque é que uma pasta branquinha precisa de passar pelo negro de fumo? para cumprir o ‘ouro verde’ de mira amaral, sai muito mais barato e rentável do que desramar com motoserra, trabalho especializado, isso em Portugal não é bom, porque é mais caro.

    claro que se protegia o solo da erosão, reincorporavam-se nutrientes, resguardava-se a microfauna e os propágulos, e etc., mas isso não conta porque são pensamentos a longo prazo. também não dava para fazer mosaicos, muito caro, coisa de idealistas, vai a serra toda a eito, batalhão glauco, porque estava mesmo a pedi-las…

    também não percebo como é que se chegou a este estado de coisas onde os alunos portugueses saem tão mal colocados no panorama europeu, mas sei que a melhor solução é professores que façam das aulas festas de aprendizagem, com controlo de resultados. Ora só se consegue isso com a cabeça disponível, em tempo e em estado.

    também sei que no superior diabolizavam os prof.s e o ensino do secundário, e eu durante vários anos engoli essa, até que fui consultar os livros de texto e falar com miúdos, etc., não acho justo, e também dá jeito aos miúdos dizerem que o mal é do secundário, para se encostarem

    tudo junto dá um grande regabofe de chumbaria, os rapazes não têm pachorra e preferem puxar pelos músculos e pelo carro, e bazam, as meninas são mais resilientes e assim também se tem a feminização do ensino

    agora lá se há excesso de horários zero e essas porras já não sei

  75. 75 z

    M, a tua classificação está uma delícia

  76. 76 Valupi

    M, também me junto ao entusiasmo da zazie e do z, aplaudindo a grelha e o grelhador. E também agradeço a definição de género, o que me facilita o texto.

    Estive reunido com vários especialistas em bem comum, alguns sem ligação ao Governo (só para tentar disfarçar a marosca), e estivemos a analisar cuidadosamente o que escreveste. Citando o amigo z, a classificação está uma delícia. Foi também essa a consideração unânime do colégio de sábios. Só que, como descobrimos através dos nossos potentes aparelhos (ah, pois), está uma delícia à custa dos nutrientes, tendo tu feito uma aposta exclusiva nas calorias ME. Estas têm energia para exercícios pedestres de alguma extensão, mesmo que sempre a descer, mas não alimentam o pensamento. Depois de te ler, ficamos na MEsma. Só falas de MErda, vendo com atenção.

    Acontece que eu acredito que não saibas, genuinamente, o que seja isso do bem comum. O mais certo é ser noção que não te acompanhou no teu crescimento intelectual, nem se encontra no teu meio profissional e político. Terás outras, muitas, impecáveis. Mas quanto a esta, dá-te para o inquérito. E tu gostarias que o bem comum fosse alguma coisa que coubesse em 10 páginas A4. Se possível, só numa, que a malta tem pouco tempo para pensar. Aliás, o que era muita fixe era sacar uma definição de duas linhas. Porque assim já daria para rir um bocadinho com o disparate que saísse.

    Aquilo a que chamaste uma saída era, concederás, uma entrada. E, podendo ser pífia (sim, claro), era minha. Onde está a tua? Que propões? Queres ser avaliada? Se sim, como? Se não, porquê? Pode ser isto o bem comum, a reunião do melhor de cada um. Mas olhar para o Governo, para a ministra, para o Ministério, como se olha para um grupo de bandidos, que é o que tens revelado, já não será o bem comum. É maldade própria, mesmo que muito comum.

  77. 77 z

    Foi um bom debate, não? enriquecemos um pouco a democracia, espero

    que fique em avaliação experimental não acho mal

    o que me lixa é a economia: durante os últimos anos as poupanças de muitos e muitos portugueses foram-se, ou para sobrevivência própria, ou para pagar impostos em dívida, ou na bolsa, ou sei lá

    Para onde é que isso foi tudo? Ou será que afinal não existia?

    apetece-me mandar um feitiço a dizer ‘pois que regresse’, já que a economia também é virtual, mas não sei se ficamos atolados

    e agora os prof.s do secundário e do superior são o bode expiatório dos submarinos e quejandos, vejam lá os torpedos

  78. 78 Chico Estaca

    Já passados os sessenta comentários, o que é que vimos pelo caminho? Vimos muito. Vimos um Valupi desprepucionado (Bravo, Nick!) e crista murcha e vimos o bravo Nick pròpriamente dito, no acto de posse, de plumagem eriçada. Se estes dois gajos não reunem todas as condições necessárias para terem almoços de trabalho democrático em bons restaurantes com apparatchiks granjolas do Partido Socialista, então não sei, dona Rosalina. E Vimos M, dialing for Murder cada vez que aparece, sexos invertidos, Valupi encostado à parede, só falta premer o gatilho. Muchas flores para Valupi mañana.

    Claro que Valupi, compreende-se, está-lhe no sangue, talvez no intento, ou mesmo no plano das intrigas seculares, além disso foi criador e inventor do nobre post nação valente próprio de paraclitos irreverentes e malcriados. Deixêmo-lo navegar, pelo menos enquanto falar é sinal que está vivo.
    Mas o Nick, o que é que veio fazer aqui esse erudito dos bons princípios e gorduras democráticas a derreterem-se pelo pote abaixo das demagogias sobre problemas negociáveis e compromissos entre classes muito respeitadoras entre si? Veio fazer várias coisas, entre elas proferir algumas asneiras de porte considerável.

    De pés muito seguros sobre o inatacável pedestal da Democracia, ataca sem piedade os coitados dos sindicatos acusando-os de organizarem marchas inconvenientes ou desnecessárias, de lhes faltar a razão, de inocularem inocentes, e de não terem estofo, nem hábito, nem calma ou diplomacia para se sentarem à volta duma mesa com água mineral à discrição, e de não serem como os bem comportados equivalentes da Europa evoluida. Esqueceu ele, mas isso será porque conhece bem a História que o papá lhe contou no século XX, que tem sido precisamente à volta de mesas que se têm cometido os maiores crimes da História. Por exemplo, o bombardeamento de Hiroshima. Mesas imperialistas, democráticas, capitalistas, comunistas, partidárias e um montão doutras.

    A seguir, por carambola e reflexo fatal inevitável, cai em cima dos comunistas como perdigueiro em lebre chumbada acusando-os de não terem experiência governamental há trinta e tal anos, que vergonha! - como se isso fosse pecado ou coisa a não esperar numa sociedade capitalista mais ou menos organizada. Nem sei porque não lhe veio à cabeça acusá-los também de principes menores das autarquias arrabaldinas sem direito aos tronos centrais.

    E nem me atrevo a imaginar que ideia é que este arauto do bate papo sereno entre classes fará do direito à greve ou do recurso à dita, já para não se falar da revolução (a ele deve-lhe ter bastado a francesa e a de 1910, a mesma história dos americanos com a bomba atómica), porque pela maneira como ele se insurge contra as manifestações leva-me a crer que não será das melhores.

    Os democratas de trazer por casa, avessos a análises desapaixondas não sujeitas a influências de carapaus políticos de sua predilecção, são assim, vomitam o que lhes vem às cabeças. Quando assaltam as “liberdades” deles, a conversa é outra - vêm pra rua gritar como qualquer donzela delicada a quem se lhe invadiu por acidente a zona interdita das cuecas; invocam direitos constitucionais, humanos, Dia da Mãe, vão à Igreja, à bruxa e à Sinagoga, ao Estado Maior, à Nossa Senhora da Deriva, etc., e até são capazes de pegar em varapaus e forquilhas e tirar cursos de judo para defenderem as suas regalias ameaçadas. Quando os outros são os lesados, comunistões ou professorões, tanto faz, armam-se logo nos diplomatas mais civilizados do mundo. Eu não posso com corjazinhas destas. Caquinha pior não há.

  79. 79 z
  80. 80 Valupi

    Chico, estás em forma. É um gosto, como sempre.

  81. 81 M

    Valupi, não te descomponhas com linguagem menos própria. Não vale a pena, olha a ministra a quem nem um cabelo mexe mesmo que se roa por dentro.

    Caíste num labirinto de balelas e andas aí a pisar ovos à procura da saída. Se não estivesses tão ocupado a tentar chegar à superfície já me tinhas respondido que há tantas definições de bem comum como as almas existentes sobre a terra. E vá lá, mesmo que um determinado país num determinado tempo conseguisse uma plataforma de entendimento quanto ao conceito, seria muito duvidoso que este preciso esquema de avaliação engendrado pelo gabinete da 5 de Outubro fosse importante para esse bem comum. Era muito arriscado para o país e injusto para o próprio ME, que vai continuar apesar deles e já não falta tudo.
    Ainda me custa a acreditar que se tenham deixado encurralar por um triunvirato cheio de ar e vento.

    Mas estás bem acompanhado na busca de uma saída airosa. Como já te disse, a marca Sócrates não tem qualidade suficiente para encaixar dois cataclismos seguidos, que lhe colocam em causa a habilidade para gerir castings. E o tempo corre contra eles porque, na ânsia de encobrir a retirada, continuam a produzir uma torrente palavrosa que a prazo os vai engolir. Se ao menos tivessem piedade de si próprios e se calassem!

    Mas pode ser que a manifestação de autocomplacência de sábado traga novidades, apesar de o sangue frio dentro do PS desaconselhar a sua realização. Parece-me avisado, sei lá. E algo me diz que se sentem acossados pela convocatória por SMS para presença silenciosa à porta do comício.

    Mas olhar para o Governo, para a ministra, para o Ministério, como se olha para um grupo de bandidos, que é o que tens revelado, já não será o bem comum. É maldade própria, mesmo que muito comum.

    Valupi, não incorras no mesmo caudal palavroso que submerge o ME porque isso vira-se contra ti. Lê antes o te proponho que percebes logo que estás em risco de ir na enxurrada.

    Mas olhar para os professores como se olha para um grupo de bandidos, que é o que tu e o ME têm revelado, já não será o bem comum. É maldade própria, mesmo que muito comum. Até porque os professores são 140 000 e indispensáveis ao funcionamento do sistema, o que não se pode dizer da troika.

    Já lá esteve o Santos Silva e vê o que ele considerava antes e considera agora o que é o bem comum. Parece ser um conceito bastante oscilante por aquelas bandas. Não te comprometas tu com ele, que te largam ao primeiro apertão.

    Se não tens mais nada que dizer a não ser deitar conversa fora, despeço-me até um novo tema.

  82. 82 M

    o Valupi já duvidou que seja mulher

    Zazie, até tens razão. O Valupi aposta ainda nas mamãs a tempo inteiro.

    Z, mesmo que te recuses a acreditar, há fichas semelhantes, como a de Leiria.

    Os horários zero já são poucos e da inteira co-responsabilidade do benfeitor comum Santos Silva. Criaram vagas quando se estava a ver que não havia sustentação no crescimento demográfico e agora põem os Valupis a apontar o dedo aos professores para fugirem aos torpedos.

  83. 83 zazie

    Até eu duvidaria que fosses mulher, caso não conhecesse o género de mulher que não é galinha e sabe pensar. Coisa que por aqui não estão habituados a enfrentar.

    E é claro que o retrato das “donas-da-escola”/Maria dona-de-casa/ foi esse. E foi sempre a contar com tudo o que era básico que foi vendendo o peixe, chegando até a dizer que “algo me diz que és professora” quando os disparates e taralhoquices se amontoavam por parte das oponentes.

    M: se não fosses mulher e eu ser comprometida, até era capaz de arrebitar as antenas
    “;O)))

  84. 84 M

    Acabei de assistir na televisão ao velório deste sistema de avaliação. Sinceramente até tive pena dos oficiantes.
    Sempre de cabeça baixa, gaguejante, ar adoentado como se 100 000 pessoas lhe tivesse passado por cima, pela primeira vez a ministra veio dar conta de que tinha pessoalmente negociado com todos, todinhos, sindicatos, conselho de escolas. Os outros dois que a ladeavam não sei bem quem são, a crista murcha torna-os irreconhecíveis.

    E que sim senhora, que tudo está a ser negociado. Horários e remunerações (!!!!) para os avaliadores, ajustamentos, adaptações, reformulações, avaliação ao jeito de cada escola para este ano, tempo e mais tempo para elaborar os indicadores, etc, etc, etc.
    Afinal o bem comum já não reside por ali.

    E - aqui tive que ajustar a corneta acústica na dúvida de que a acuidade auditiva ainda seja o que era - até sugestões se aceitam para o concurso a professores titulares!

    Francamente, gostava mais deles há uma semana, tinham mais garbo. A rua é danada a triturar.

    Zazie, nada feito. Também tenho a minhas afinidades electivas que não me dão qualquer folga.

  85. 85 zazie

    Pois é… um grande melão o deles.

    Quanto ao resto, M, idem, idem, aspas, aspas. Mas olha que te posso garantir que não há por aqui, na blogo (e nem nos jornais) mulher a pensar política assim.

    Isso garanto-te. Há alguma coisa ao lado, quando são juristas mas, nesses casos, tendem a deixar-se enredar na casuística ou a não sair desse campo de especialidade. A Kamikaze é um bom exemplo.

  86. 86 rvn

    Também eu vi e ouvi a montanha parir um ratito, com estas declarações do ME. E ouvi a reacção de Mário Nogueira, também. Não é que não tenha percebido as palavras proriamente ditas, mas juro que quando as juntei às expressões de cada um, os sinais que li das respectivas posturas deixam-me à toa com aquilo que (não) adivinho nos bastidores. Vocês perceberam este duplo salto à retaguarda com triplo mortal? Então e quem é que está a tirar o tapete a quem, dizem-me? Que raio de negociações são estas, que tipo de ultimato é este das 48 horas, que insegura segurança é aquela da marilú? E o que insinua Nogueira, nas sublinhadas reticências? Onde está o ponto de acordo, o consenso? Em quantos avaliados e como? E o que diabo está na mesa afinal? Quem torce o braço a quem, explicam-me?

  87. 87 Meia Lua

    Valupi:

    Eu sei que o meu comentário e a tua pergunta já ficaram lá muito em cima. Mas, já agora, que passei por aqui outra vez, lembrei-me de te contar um pequeno episódio, à laia de historieta, do meu tempo de estudante no ISEL. Ou não me tivesses tu puxado pela língua ou pelo teclado do computador. Por ele ficarás a saber se deixava ou não ficar o resto da legenda no teu post.
    Conclui o curso de engenheiro técnico de Electrotecnia e Máquinas com trinta e quatro anos. Estudei à noite, já casado e com dois filhos. Com idade para fazer com mais coerência e acuidade a avaliação dos meus professores.
    Para encurtar:
    As aulas de Correntes Fortes eram formidáveis. A sala estava sempre cheia. Muitos dos alunos ficavam de pé. Chagas Gomes nunca fazia chamadas. Apenas assinava o livro de presenças. A fazer chamadas perdia-se perto de quinze minutos. Era um gosto ouvir o homem, pá!
    Certa vez, os alunos pediram ao professor de teórica, como respons