Vitória em Ásculo

Estava a observar os naturais festejos da direita com a estrondosa vitória do PP em Espanha ao mesmo tempo que os juros deles e de Itália sobem, indiferentes às politicas locais, numa corrida para ver quem chega primeiro à próxima  bancarrota. Se, como há grandes hipóteses de ocorrer, o PSD vencer as eleições e formar governo com o CDS, assistiremos durante os próximos doze meses a um previsível festim de culpabilização e diabolização do PS pelo “estado em que encontrámos isto”, o que justificará o abandono ou a “impossibilidade de implementação” de muitas medidas do “extraordinário” programa eleitoral do PSD, que entusiasma tanta gente,  e a tomada de outras que lá não estão e vão passar a estar.

Cinismos políticos à parte, a questão que me ocorre, no entanto, é a seguinte: nada no programa eleitoral do PSD e CDS permite perceber onde é que vão desencantar o crescimento económico que necessitamos para sair desta situação. Pior, é bastante provável que os investimentos em ciência, tecnologia, parque escolar, renováveis, rede de carros eléctricos, qualificação via novas oportunidades, etc etc, sejam riscados do mapa das prioridades simplesmente porque são símbolos da governação de Sócrates que importará abater, para além da fixação miópica nos baixos custos de produção que a direita lê no FT ser a “nossa única hipótese”. Este, receio bem, é o nosso trágico destino. O que significa que daqui a dois anos, quando a desculpa PS estiver gasta, teremos mais uma governação falhada, uma economia provavelmente em crise profunda, uma fortíssima contestação social e, o que é mais importante,  os três partidos do arco da governação queimados pela crise. E depois, o que é que fazemos?

7 thoughts on “Vitória em Ásculo”

  1. Nesse cenário hipotético, muito hipotético, porque o PS vai ganhar, o PS não estaria no governo. Logo, queimadinhos ficariam todos eles, e não só pelas medidas que vão ter de tomar. Principalmente pelo caos de uma governação com aquela gente numa altura dramática. O Cavaco a querer mandar, o Passos a querer afirmar-se da melhor maneira que sabe, a de mosquinha, ou da maneira que não sabe, mas sempre condicionado à brigada cavaquista, o Portas a empinar-se, enfim, e o país a arder. Neste cenário não faltaria o Relvas a distribuir o pescado como na zaragata da velha aldeia do Asterix.
    Valeu a pena ver a reportagem da campanha do PSD, com o Relvas perdido, metendo os pés pelas mãos, a tentar explicar aos jornalistas a acusação que tinham acabado de lançar, e que já fora desmentida, segundo a qual o governo estaria a esconder nomeações porque deu ordens para nenhuma das poucas que foram feitas ser publicada no DR até à tomada de posse do novo executivo (!). Uma anedota.
    Dois anos? Nunca lá chegariam.

  2. Penélope, espero que tenhas razão, e saliento a expressão “grandes hipóteses” como diferente de “já ganharam” (até por protestos telefónicos). Mas é uma hipótese séria. Agora pergunto-te, acerca do “nunca lá chegariam”: Cavaco Silva teria demitido Santana Lopes?

  3. Penélope, o PS não foi eficaz, minimamente, no desmentido da atoarda. A massa dos eleitores dá muito mais importancia a estas acusações clarissimas e muito afirmativas do que uma explicaçâo das enormidades do programa do PSD. Sócrates tem abordado temas muito importantes, mas o povo quer ouvir “quem roubou o quê”, quem destruiu 700 mil postos de trabalho etc. Socrates negligenciou a “bocas” de Passos e ganhou eleitores com cultura media-alta ao falar das armadilhas do programa do PSD. Passos Coelho basta-lhe manadar “bocas” que aumenta a vantagem em cada “boca” como esta das nomeações. Socrates respondeu “a fugir” atropelando as palavras e aquele homem do governo foi um zero em comunicação a desmenir as nomeações. Se Socrates continuar sem perceber o que se passa, acabará a semana com o PSD a tocar a maioria absoluta.
    Estou a ouvir o comentador residente Rui Moreira, na RTP 2 (dos milhentos do PSD-CDS que assaltaram as TVs) a fazer eco da atoarda. Já ´passou a ser uma verdade absoluta e já se desperdiçou a oportunidade de um desmentido categórico e denuncia, com provas na mão, desta pulhice.
    O PS não sabe que está a lidar com a trafulhice mais obscena, ao mais alto nivel do PSD-CDS e seus amigos? A reacção de S’ocrates à comparação com Hitler passou despercebida. Vai passando a mensagem que a Sócrates pode-se fazer tudo. E quem não se sente não é filho de boa gente. A “diplomacia”, nesta altura de guerra suja total, conduz directamente à derrota.

  4. Caro Vega o PSD ainda não ganhou e até tenho muitas dúvidas que ganhem O dia 5 de Junho vai ser uma surpresa!! Agora vieram com a questão das nomeações, quando pela primeira vez há um governo de gestão que se preocupa com a questão (veja-se os e-mails para perceber o rdículo e tiro nos pés que essa atoarda é). Mais uma vez recorrem ao insulto!

  5. Subscrevo totalmente o comentario de Olimpio Dias. Acho que o PSD está mais perto da maioria absoluta do que o PS de vencer em minoria!

  6. Olimpio Dias: segundo ouvi, e penso que toda a gente ouviu, trata-se de 6 míseras nomeações, das quais 3 foram governadores civis que tiveram de substituir colegas que são candidatos às eleições, uma outra para um cargo não remunerado e outra para substituir alguém que foi destacado para o estrangeiro. Vi as declarações de Sócrates, completas, não truncadas, e achei-as bem claras! Depois vi os famosos e.mails, vi que correspondiam exactamente ao que disse, e ainda mais esclarecida fiquei. Não sei que mais poderia dizer-se! Pela atrapalhação do Relvas, pareceu-me que se tinham estatelado. No entanto, é verdade, lá estava Arnaut na SIN-N a insistir no assunto, perante Alfredo Barroso a responder o óbvio.
    Passos continua a utilizar a técnica do toca e foge, que leva a que determinado assunto fique a pairar como convém, para logo a seguir dizer que não, que não quer criar episódios. Um sabujo cínico. Logicamente nem um dedo levantou para impedir os seus compinchas de prosseguirem o “desenvolvimento do tema” nas televisões.

    Como seria de esperar, com o apoio declarado e persistente de todos os Media, a última sondagem da TVI lá lhes dá a vitória. Aguardemos.

    Já sabemos o que esperar desta gente, não é? Mas, utilizar os mesmos métodos como sugeres não me parece acertado. Nem eficaz, tendo em conta o pano de fundo desta campanha, que lhes dá vantagem à partida.
    Penso que apelar às pessoas inteligentes, decentes e informadas é uma boa opção. Se eles ganharem, esta é até a melhor opção tendo em conta o futuro próximo.

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