A garantia de paz

Por muito graves que sejam os nosso problemas, por maiores que sejam os desentendimentos, mesmo que a União acabe por se desmoronar entre recriminações, ressentimentos mútuos, discursos inflamados e tensões politicas, não voltaremos nunca a uma situação de guerra geral na Europa, muito menos no mundo. As guerras mundiais acabaram em Hiroshima, curiosamente nos primórdios da globalização moderna, onde as frequentes guerras regionais que é feita a história se arriscavam a evoluir para uma escala planetária com uma eficácia nunca vista. As armas nucleares são por isso, a seguir ao cão, as melhores amigas do homem, exigindo sob ameaça de aniquilação que nos entendamos uns com os outros pacificamente. Toda a gente sabe quantas pessoas já mataram, ninguém consegue saber quantas é que já salvaram da morte pelo mero facto de existirem.

O século XX deu à humanidade o poder de se destruir, e com isso ganhámos a capacidade de o evitar. Irónico, não é?

9 thoughts on “A garantia de paz”

  1. Agora, por acaso, estou com medo do governo. Não destruirá a humanidade, mas se calhar é capaz de lixar parte dela. E isso não é um mal menor porque, com um mundo tão grande logo nos toca a nós. Estamos na situação daquele sujeito que estava no estádio de futebol rodeado de 40.000 pessoas e o passarão logo lhe cagou em cima. É um pouco como estamos agora. Com tantos governos espalhados pelo mundo e logo nos havia de tocar este. Aquele que disse que não aprovava o PEC IV porque não queria que os portugueses paguassem mais impostos. Estão a ver no que deu aquela afirmação e decisão daquele filho da…

  2. Teoricamente é assim: armas demovedoras. Mas, convém não esquecer que há sempre a hipótese, não tão remota quanto isso, de num dado país que possua “a bomba”, chegar ao poder um tresloucado que, dizendo-se incumbido de missão divina, declare estar na hora… de se suicidar com estrondo. Não chegaria a destruir o planeta, mas faria imensos estragos.

  3. O problema do “mutual assured destruction” (cujo acrónimo é, apropriadamente, MAD) foi claramente indicado pela Penélope: nada impede um doido mais nervoso no gatilho de nos mandar a todos para o galheiro.

    O equilíbrio é muito, muito delicado. Pessoalmente, acho que as armas nucleares – ou melhor, qualquer arma com potencial destrutivo massivo – deveriam ser erradicadas.

  4. falar em paz é complicado. e em guerra, também. a paz podre é paz? e a neurose colectiva não é guerra? a morte lenta é vida? o que é importante nesta modernidade é explorar a técnica, a criação humana, para emancipação da humanidade e não deixar que ela nos domine. está tudo mal, tudo errado. já não se distingue quem pensa de quem faz e só fica a faltar a ocasião. é quase um teatro de vida. mundo de actores é o que é. :-)

  5. Irónico? Ou antes trágico? É que também se podem ter iniciado muitas guerras que outrora nunca se teriam iniciado (desde as da Coreia e do Vietname às de Angola, ex-Jugoslávia e Iraque), precisamente por se ter a certeza de que nunca poderão desembocar numa conflagração global, pois o tal “guarda-chuva atómico” nos garante que isso não sucederá.

    Não há bela sem senão…

    E, já agora, em Português deve escrever-se Hiroxima.

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