We need help from the media

Não existe nenhum Jon Stewart português, mas existem muitos fogos cruzados na comunicação social. A expressão campanha negra pode ser tomada em vários sentidos, porém, no seu principal, consiste na reunião de estratégias de destruição moral para ganho político e de sensacionalismos e perversão da Justiça para ganhos financeiros através do mercado. O que têm de comum as duas modalidades é o dano que se inflige à comunidade, à saúde moral da democracia e à confiança nas autoridades. Pacheco Pereira e a TVI, só para dar dois incontornáveis exemplos, não precisam de estar alinhados, sequer terem algum contacto, para alimentarem em conjunto a campanha negra. Basta continuarem a explorar as fragilidades decorrentes do exercício governativo e dos processos legais em investigação. O que eles fazem obedece ao princípio do quanto pior, melhor, captando audiências entre os grupos mais fragilizados cognitivamente, os ressabiados e os tontinhos.

Este paradigmático momento de Jon Stewart no programa Crossfire, a dizer algumas verdades cabeludas em 2004, serve como uma luva para o que se passa em Portugal desde 2006. Precisamos de ajuda da comunicação social, tanto para colocar as questões mais difíceis aos políticos, e para investigar com liberdade e rigor qualquer assunto de interesse público, como para os proteger das campanhas negras no serviço que nos prestam. Não entender isto é não fazer a menor ideia do que seja a democracia.

11 thoughts on “We need help from the media”

  1. Mal vai a nação onde não se pode satirizar.
    Mal vão as consciências sempre que há temas tabu.
    Mal vão as cabeças que temem o emaranhado de (ex)posições em truculenta rebelião.
    Vai uma baforada passagem de laca?

  2. Se houvesse um Jon Stewart português, provavelmente Sócrates já o tinha processado por dizer umas verdadezinhas

  3. Não há bela sem senão. Agora que Portugal tinha conseguido um governo capaz de pôr as finanças em ordem, descobre-se que o Primeiro Ministro é corrupto (supermercado da Rainha)! E que os inventores da “democracia de sucesso” ainda são mais corruptos (BCP, BPN, BPP). Estamos perdidos, já não temos em quem votar em consciência. Viva a abstenção!
    Se calhar é isto que se pretende.

  4. maria, não posso concordar mais contigo. Só não entendi a passagem da laca, mas talvez me ajudes a entender.
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    olho, de que verdades falas?
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    Manolo, boa questão. O caso do Pacheco Pereira é espectacular: eis alguém que não quer assumir a responsabilidade de governar, que não tem qualquer proposta que possa ser debatida e que, mesmo assim, faz o que pode para instigar um estado de paranóia onde todos acabam a suspeitar de todos.

  5. Segui um link aí acima e fui dar à espelunca dum tal J. M. Martins, um advogadozeco manhoso conhecido pela prática sistemática de táticas de obstrução judicial e pelo protagonismo televisivo à pala da Casa Pia. Curiosamente, o Martins intitula-se vice-presidente do movimento pela Democracia Directa.

    O senhor vice-presidente da Democracia Directa tem uma ideias curiosas sobre democracia e sobre política em geral que vale a pena consultar, para se ter uma amostra dos abismos insondáveis da estupidez demagógica e do analfabetismo político que grassa por esta santa terrinha. Se o Martins é o vice, o presidente deve ser bacana.

    Numa linguagem paranóide, ultra-populista e fascizante o vice-presidente da Democracia Directa diz coisas destas, recolhidas ao acaso entre as mais recentes:

    «Portugal vive o pior momento da sua história, de mais de 8 séculos.»

    «Políticos maçóns (sic), ateus, vigaristas, sem escrúpulos, agem contra os portugueses.»

    «Portugal é um colónia de Espanha.»

    «A Ordem dos Advogados é uma pessoa colectiva que devia ter a PJ a investigá-la, de alto a baixo.»

    «De que falam o PR e o PM nas reuniões semanais? Os portugueses nada têm a ver com isso? É segredo de Estado?»

    «Um PR é um luxo, custa muito caro aos portugueses.»

    mas logo a seguir:

    «É necessário um PR que dialogue com os portugueses, que seja como homens da tempera de um Sarkozy em França, de um Berlusconi em Itália»

    ou ainda:

    Portugal devia «caminhar para um regime como o Suiço, onde não existe Presidente da Confederação Suiça (sic), mas um mero representante (sic), eleito anualmente.»

    «Os impostos, o modelo de organização político-admnistrativa, o modelo de sistema de saúde, o modelo de educação, o modelo de Justiça, o modelo de desenvolvimento agrícola, DEVEM SER SUJEITOS A REFERENDO POPULAR.
    Como na Suíça,em partes do Canadá, em partes do Brasil (sic). A Democracia Representativa está em crise, é um sistema corrupto, iniquo.»

    «A Justiça está sob controlo do Poder Político e da Maçonaria, verdadeira máfia internacional.»

    «Se o Presidente da República está doente, se sofre de alguma doença – como o Alzeimar (sic) – que informe os portugueses.»

    Fico por aqui, para não copiar a espelunca toda, que é só lixo. Vão lá e divirtam-se.

  6. Nik, isso que trazes é maravilhoso. E esse caralho lá vai conseguindo ser o pauzinho na engrenagem do processo Casa Pia. Vale tudo, com ele.
    __

    olho, se tens informações novas sobre a licenciatura, deves transmiti-las às autoridades.
    __

    z, é texto cheio de boas intenções. Portanto, cheio de perigos.

  7. também tu dizes como o Deleuze que as boas intenções são forçosamente punidas?

    mas concordo que acoplados às boas intenções existem inúmeros perigos,

    mas como o homem foi ‘excomungado’ gosto de lê-lo, sempre contribui para esse lado, o problema como sabes é deslocarmo-nos adequadamente na variedade dos equilíbrios,

  8. olho, se tens informações novas sobre a licenciatura, deves transmiti-las às autoridades.

    És um brincalhão

    Está clarinho como água a palhaçada da licenciatura, não queiras tu agora tapar o sol com a peneira penso que és mais inteligente que isso não me queiras fazer passar por estúpido

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