13 thoughts on “À atenção da Coca-Cola”

  1. Escolha infeliz de adjectivo, esta. Quantas vidas, quantos passos, quantos risos, lágrimas e palavras separam estes dois seres? Uma vida. A deles. Talvez a frase devesse, antes, dizer: Estás aqui. Estamos aqui. Estás aqui para ser. Estás aqui para viver. Estás aqui para ser alegre. Estamos aqui para ser. Como diria uma música: é melhor viver do que ser feliz.

  2. j de joão, muito bem. E que tal a variante “Estás aqui porque és”?
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    maria, fragmentos de felicidade? Ora, isso contradiz a própria felicidade. Melhor dar-lhes outro nome.
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    Blondwithaphd, mas só se tu deixares.

  3. Mas onde está escrito que a felicidade tem de ser infinita, plana e contínua? É-se feliz em momentos, por fragmentos, que contrastam precisamente com todos os outros onde ela não está. E é nesse estar e não estar que a podemos reconhecer e valorizar. Ou não?

  4. E o que terá a coca cola a haver com ser feliz?
    Só se considerarmos que o ser feliz, só esteja ao alcance dos ignorantes.

  5. Sinhã, há uma terceira via: nem felizes, nem infelizes. É a lição de Buda, entre outros.
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    z, pois, muita gente, muitos negócios.
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    maria, está escrito na própria noção de felicidade. Ela é o máximo, nada a pode superar. Porém, o seu uso mais comum é esse que estás a dar, em que a felicidade aparece como sinónimo de prazer, prazer especialmente intenso. Com isso perde-se o sentido antigo, filosófico ou espiritual, em que a felicidade correspondia à realização plena da vida, a “boa vida”, eticamente considerada e assumida.

    Enfim, também é óbvio que a tua concepção da felicidade é perfeitamente legítima.
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    jv, excelente ideia: só os ignorantes podem ser felizes. É uma ideia sábia.

  6. Mas não é de prazer que falo, naturalmente. É dessa mesma realização plena. Mas que por ser plena, não tem de ser obrigatoriamente plana nem eterna. Plena, enquanto é, e sempre que volta a ser. A aspiração à felicidade permanente é a aspiração à impossibilidade de poder sentir o que de facto é a felicidade.

  7. maria, essa “realização plena” de que agora falas é do domínio psicológico. Por aí, é sempre efémera e parcelar. O psiquismo, num certo sentido, nunca se “realiza”, pois isso equivaleria a cessar a sua actividade. Então, se está activo, vai reflectir os ambientes do organismo, tanto o exterior como o interior. Portanto, vai estar numa permanente mutabilidade.

    No plano da ética, a felicidade atinge uma realização, a qual corresponde ao todo da vida vivida. Nesse sentido, ninguém se pode dizer feliz enquanto vive, pois a qualquer momento poderia descobrir-se a ser agente do mal, ou a trair a sua consciência ética, o que seria incompatível com a própria noção de felicidade neste plano realizativo do humano.

    Também nos ajuda olhar para as tradições religiosas. Por exemplo, essa imagem de que Buda não chegou a entrar no Nirvana, mas ficou à porta esperando que todos os outros seres entrem antes dele. Ou essoutra imagem onde se diz que Jesus ainda está na cruz, não tendo subido ao Céu, pois ainda há pecados por expiar. Independentemente do que pensemos destas religiões, as imagens falam-nos da impossibilidade da felicidade enquanto estado de perfeição.
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    Sinhã, viva!

  8. Compreendo e agradeço veementemente a paciente explanação, caro Valupi. Tenho muito pouco de budista. É esse o meu pecado. Quero viver com tudo o que tenho direito. De bom, a sentir todo o regozijo possível, e, depois, por não ter outro remédio, a perceber tudo o que fica em falta quando esse bom se ausenta.
    Quem sabe, um dia poderei guindar-me à sabedoria suprema da verdadeira ascese. Não há-de é ser nesta vida, certamente.

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